Avicultura
Como a interação entre os equipamentos e o manejo garantem a máxima eficiência no desempenho do frango de corte?
Objetivo do manejador de frangos de corte é alcançar o desempenho necessário do plantel em termos de bem-estar das aves, peso vivo, conversão alimentar, uniformidade e rendimento da carne dentro das condições econômicas do momento.


Rodrigo Tedesco / Divulgação
Artigo escrito por Rodrigo Tedesco, supervisor regional de Serviços Técnicos na Aviagen
O sucesso do potencial genético inerente às aves depende da garantia de que uma série de fatores recebam a correta atenção. São eles: saúde, qualidade dos pintos, bem-estar das aves, nutrição, fornecimento de ração, iluminação, temperatura, ventilação, fornecimento de água, densidade populacional e status da vacinação. Todos estes fatores são interdependentes, ou seja, se algum destes deles estiver abaixo do ideal, o desempenho dos frangos de corte será afetado. Dessa forma, os equipamentos para verificar a configuração de alojamento junto com a habilidade do manejador será fator preponderante e fundamental na expressão deste potencial genético.
Figura 1: Fatores que afetam o crescimento e a qualidade dos frangos de corte

Dois aviários para a criação de frangos de corte nunca são os mesmos, e cada plantel será diferente em relação ao manejo necessário para atender as suas necessidades. O manejador da granja de frangos de corte deve compreender quais são as necessidades das aves e, por meio da utilização de uma gestão ágil, atenta aos detalhes e utilizando corretamente os recursos, informações e dados obtidos pelos equipamentos, suprir as necessidades específicas para garantir o melhor desempenho de cada plantel.
As condições corretas de alojamento são importantes para o bom desenvolvimento inicial dos pintinhos. Você poderá avaliar com precisão as condições em que os pintinhos são alojados, se tiver o equipamento correto à disposição. Segue a figura 2 contendo a lista de equipamentos que podem e devem ser utilizados para monitorar as condições de criação.
Figura 2: equipamentos para monitorar as condições de criação

O objetivo do manejador de frangos de corte é alcançar o desempenho necessário do plantel em termos de bem-estar das aves, peso vivo, conversão alimentar, uniformidade e rendimento da carne dentro das condições econômicas do momento.
O frango de corte moderno atinge o peso de abate desejado mais cedo. Portanto, fornecer o alojamento, o ambiente e o manejo corretos, a partir da chegada das aves e durante todo o período de crescimento é de grande importância. Dependendo do objetivo de peso de abate, a primeira semana de vida da ave pode representar até 25% de toda vida da ave e é um período crucial para o desenvolvimento do animal.
Os equipamentos são peças chave na monitoria das condições de criação e fundamentais para tornar as informações mais palpáveis e visíveis aos manejadores. Toda e qualquer alteração e/ou ajuste nas condições de criação devem ser feitas baseando-se nas informações dos equipamentos e na habilidade do manejador em saber identificar e responder rapidamente aos problemas.
A habilidade do manejador é o resultado da interação humana positiva com os frangos de corte, seu ambiente (observação do lote) e monitoria das informações fornecidas pelos equipamentos. O criador de animais deve estar constantemente atento ao comportamento das aves e ter conhecimento sobre os lotes e seu ambiente. Para fazer isso, as características comportamentais e as condições das aves dentro do galpão devem ser levadas em consideração. Este acompanhamento é comumente conhecido como “observação do lote” e é um processo contínuo que utiliza todos os sentidos do manejador. Um bom manejador também deve ser empático e dedicado, ter conhecimento, prestar atenção aos detalhes e ser paciente.
Se apenas os registros da granja (crescimento, consumo de alimentos, etc.) forem monitorados, sinais importantes relacionados às aves e seu ambiente não serão observados. O manejador deve estar ciente das condições do ambiente, da experiência com as aves e compreender quais são as características comportamentais normais do lote.
Tratando-se de primeira semana de vida das aves devemos fazer a “observação do lote” e buscar que as aves estejam distribuídas uniformemente em toda área de alojamento, comendo ração, bebendo água e expressando seu comportamento de bem-estar, caso não estejam, é fundamental utilizar os equipamentos para identificar as oportunidades de melhoria. Estas informações devem ser analisadas constantemente (em conjunto com os registros da granja) para permitir que quaisquer deficiências na saúde das aves e/ou no ambiente possam ser identificadas e corrigidas rapidamente.
O ambiente e o comportamento do lote devem ser observados em vários momentos do dia pela mesma pessoa. Esta observação deve ser feita a qualquer hora do dia durante a execução das atividades de manejo das aves.
Antes de entrar no aviário, saiba como estão o tempo e as condições climáticas do ambiente. Isto ajudará a verificar se os exaustores, aquecedores, painéis evaporativos e entradas de ar estão funcionando, quando comparados aos sistemas de controle.
Entre vagarosamente no aviário e fique parado até que as aves se acostumem com a sua presença. Durante este período, sempre use todos os seus sentidos para avaliar as condições do plantel: audição, visão, olfato, paladar e tato.
A figura 3 ilustra o uso dos 5 sentidos para monitorar um lote de aves.
Figura 3: Habilidade do manejador – uso de todos os sentidos para acompanhar um plantel

Depois de entrar no aviário pela primeira vez e observar o lote e o ambiente, você deverá caminhar vagarosamente por todo ele e analisar os pontos levantados na figura 3. Caminhar por todo o aviário é importante para assegurar que haja pouca variação no ambiente e no comportamento das aves.
Ao andar pelo aviário, é importante chegar até o nível das aves. Pegue as que não saem correndo. Observe: elas estão doentes? Quantas
aves foram acometidas? Observe como as aves se movem na frente e atrás de você. As aves recuam para preencher o espaço que criaram ao atravessar o plantel? As aves estão alertas e ativas?
Compare estas informações da “percepção do lote” com os registros reais da granja e com as informações fornecidas pelos equipamentos durante esta avaliação.
As aves estão dentro das expectativas? Se houver irregularidades, elas devem ser investigadas e um plano de ação deve ser elaborado para solucionar os problemas que podem vir a ocorrer.
A figura 4 apresenta uma lista de itens de verificação para monitoramento das condições de alojamento.
Figura 4: Lista de verificação para monitoramento do alojamento

Garantia das condições
Se monitorarmos cada item da lista com atenção, cuidado e dedicação conseguiremos garantir o desenvolvimento correto do apetite. O
objetivo principal de tudo que foi exposto é garantir as condições corretas de alojamento, de criação e com isso o desenvolvimento correto das aves, garantindo assim um excelente peso de sete dias.
Segundo William Edwards Deming, “não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, e não há sucesso no que não se gerencia”.
Portanto, o trabalho conjunto entre as informações geradas pelos equipamentos, a gestão correta dos dados gerados, a observação frequente e cuidadosa das condições de criação, a habilidade do manejador e suas percepções do ambiente e sua proatividade em corrigir os rumos da criação continuarão sendo fundamentais e imprescindíveis para a obtenção dos objetivos produtivos.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de avicultura acesse a versão digital de avicultura de corte e postura, clique aqui. Boa leitura!

Avicultura
Conbrasfran 2026 discute novos desafios da avicultura além da produção nas granjas
Evento aborda impacto de custos, comércio global e ambiente regulatório na competitividade da cadeia.

Pressionada por custos de produção, volatilidade no comércio internacional e riscos sanitários, a avicultura brasileira começa a ampliar o foco de seus debates técnicos para além da produção dentro das granjas. Questões como ambiente regulatório, eficiência logística, geopolítica e estratégias comerciais passam a ganhar espaço nas discussões do setor, refletindo uma mudança no perfil dos desafios enfrentados pela cadeia.
Esse movimento será um dos eixos centrais da Conbrasfran 2026, a Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Carne de Frango, que estruturou sua programação técnica em diferentes frentes para acompanhar a complexidade crescente da atividade. Ao longo de três dias, a agenda setorial reunirá fóruns já consolidados e novos espaços de debate.
Para o presidente Executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e organizador do encontro, José Eduardo dos Santos, a programação responde a um novo contexto econômico global e operacional do setor. “A avicultura continua sendo altamente eficiente do ponto de vista produtivo, mas hoje o resultado está cada vez mais condicionado a fatores externos, como custos logísticos, geopolítica, ambiente tributário e acesso a mercados. Discutir esses temas de forma integrada é essencial para manter a competitividade”, afirma.
Outras informações sobre a 2ª Conbrasfran, realizada pela Asgav, podem ser encontradas na página do evento, acesse clicando aqui, através do Instagram @conbrasfran, do What’sApp (51) 9 8600.9684 ou do e-mail conbrasfran@asgav.com.br.
Avicultura
Avicultura brasileira projeta produção de 15,8 milhões de toneladas em 2026
Crescimento estimado em 2,3% mantém Brasil entre os maiores produtores globais.

A avicultura brasileira segue operando em um cenário de desafios, mas mantém desempenho estável diante da demanda interna e externa. A expectativa é de menor espaço para novas quedas nos preços da carne de frango no país, que continua competitiva em relação à carne bovina.
No cenário internacional, a produção de carne de frango da China foi revisada para cima pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A estimativa aponta crescimento de 4,8% em 2026, alcançando 17,3 milhões de toneladas, o que deve consolidar o país como o segundo maior produtor global, atrás apenas dos Estados Unidos. Já o Brasil deve registrar aumento de 2,3% na produção, chegando a 15,8 milhões de toneladas, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Entre os exportadores, a China também amplia presença no mercado. As exportações do país asiático devem crescer 29% neste ano, atingindo 1,4 milhão de toneladas e superando a Tailândia, ocupando a quarta posição global.
No Brasil, os custos de ração permaneceram controlados, mas a queda nos preços da carne de frango ao longo de março reduziu a margem da atividade no mercado interno. Ainda assim, o setor segue sustentado pela demanda externa, que continua firme mesmo com o aumento dos custos logísticos, influenciados pelo cenário no Golfo Pérsico.
A carne de frango mantém competitividade frente à bovina, principalmente diante da ausência de expectativa de queda nos preços do boi. Com isso, o mercado indica menor espaço para novas reduções nos preços da proteína avícola.
O setor também monitora riscos no cenário internacional, especialmente ligados ao Estreito de Ormuz, região estratégica para o escoamento das exportações brasileiras de frango. Além disso, há atenção em relação à safra de milho, já que a consolidação da safrinha depende das condições climáticas nas próximas semanas, o que pode impactar os custos de produção.
Avicultura
Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária
Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.
A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.
Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.
“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.



