Suínos
Comedouros seco-úmidos ganham espaço na suinocultura e melhoram desempenho produtivo
Tecnologia reduz desperdícios, aumenta velocidade de consumo e pode elevar a rentabilidade das granjas.

Na suinocultura moderna, a escolha e o manejo do comedouro podem definir tanto o desempenho zootécnico quanto a rentabilidade da granja. Entre as opções, o debate entre modelos secos e seco-úmidos de inox ganha cada vez mais relevância: de um lado, praticidade em sistemas sem acesso fácil à água; de outro, maior velocidade de consumo, redução de desperdícios e ganhos econômicos no longo prazo. A zootecnista e coordenadora técnica comercial da STA, Kaine Cubas, explica as diferenças entre os sistemas, aponta erros comuns de manejo e projeta a tendência de adoção dos comedouros seco-úmidos no Brasil.
Qual a sua percepção sobre o uso de comedouros de inox (tulha) no mercado atual?
Esse equipamento já existe há muitos anos no mercado mundial, mas, na minha opinião, o comedouro de inox veio para o Brasil, e o que aconteceu foi que a forma correta de uso para quem o utilizava não chegou junto com a tecnologia. E aí, o que acontece? A tecnologia acaba sendo queimada, assim como já ocorreu com várias outras. Além disso, vários aspectos evoluíram muito na suinocultura, como a nutrição e a genética. Entretanto, percebo que não só os comedouros, mas os equipamentos em geral acabam sendo um dos últimos pontos de atenção dentro da produção. Sempre falo que isso causa um impacto silencioso, mas de grande proporção em desempenho zootécnico e no âmbito financeiro.
Qual é a principal diferença prática entre o comedouro seco e o seco/úmido, e o que isso significa para o desempenho do animal?

Zootecnista Kaine Cubas explica as diferenças entre os sistemas, aponta erros comuns de manejo e projeta a tendência de adoção dos comedouros seco-úmidos no Brasil
Basicamente, quando utilizamos água em quantidade adequada (isso é bastante importante), a velocidade de consumo de ração pelo animal aumenta. Ou seja, no comedouro seco a velocidade de consumo de ração pelo animal é menor. Aliado a isso, o animal não tem água disponível no comedouro, então precisa se deslocar até o bebedouro auxiliar da baia. Na alimentação seca o animal acaba levando um pouco de ração na orelha, além de sair comendo e derrubando ração seca da boca, o que aumenta o desperdício. Por esses motivos, em um comedouro seco a capacidade de animais é reduzida pela metade com relação a um comedouro seco-úmido. Portanto, na alimentação seco-úmida, o custo por animal do equipamento é reduzido em comparação à alimentação seca. Noto que muitas vezes há a percepção de que um comedouro seco não é bom e isso não é verdade. Em situações em que o produtor não tem condições de utilizar um comedouro seco-úmido por falta de mão de obra, por indisponibilidade de adequar encanamentos, entre outros motivos, o comedouro seco é uma ótima opção, assim como em regiões em que há falta de água ou pouca disponibilidade.
O manejo da água nesse sistema pode trazer vantagens também em relação à redução de desperdícios?
Em meu ver a água é um dos pontos principais para o sucesso no uso de comedouro seco-úmido. Percebo a preocupação dos produtores e pessoas do setor com a regulagem de ração, mas o primeiro ponto a ser regulado deveria ser a água. É necessária uma quantidade controlada de água na bandeja inferior do comedouro, justamente para se umedecer a ração, sem excessos. Vejo claramente no campo o uso comum de uma torneira ou registro na linha de água para regular a quantidade de água do comedouro. Isso não é normal e foi um mecanismo criado para compensar uma deficiência dos comedouros, essa é a verdade nua e crua. Esse comedouro foi desenvolvido para reduzir o uso de mão de obra na granja e não para que uma pessoa precise ficar o dia todo abrindo e fechando uma torneira: quando abre um pouco mais, o comedouro enche de água; quando fecha, a ração fica seca, e por aí vai. Quanto à redução de desperdício, o uso da água minimiza o desperdício de ração. Mas igualmente melhora o desperdício de água, visto que o animal também consome água no comedouro. Visto isso, muitos produtores canalizam a medicação via água para que o animal consuma no comedouro. Outra questão é que se há redução no desperdício de água, logo, há redução no volume de dejetos, que se sabe que é um problema principalmente para produtores que têm poucas áreas para destiná-los.
Além do desempenho zootécnico, que efeitos esse tipo de comedouro tem sobre o bem-estar animal e o comportamento dos suínos?
Obviamente o comedouro é apenas um componente dos sistemas de creche e de terminação. Mas ressalto que um dos cinco pilares do bem-estar se refere à liberdade de fome e sede, isto é, garantir acesso à água e alimentação adequadas. Assim, espera-se que animais bem alimentados tenham melhor imunidade e, com isso, menor incidência de doenças e taxa de mortalidade. Aliás, em animais alimentados em comedouro seco-úmido com manejo adequado nota-se que a uniformidade dos lotes também melhora.
Quais são os principais erros de manejo que podem comprometer os resultados esperados desse sistema?
Na realidade, o que acontece é uma sucessão de erros, desde a escolha do modelo de comedouro até a execução do manejo em si. Vejo no mercado de equipamentos muitas informações disseminadas por fornecedores e outras pessoas do setor que, quando questionadas, não sabem explicar de onde vieram e, quem sofre com isso, no final das contas, é o produtor. O erro mais clichê que vejo enraizado é o conceito de que nas fases iniciais de terminação e creche, quanto mais ração é deixada na parte inferior do comedouro, melhor será o consumo e a conversão alimentar. Tenho a oportunidade de acompanhar o andamento de lotes de terminação em muitas regiões do Brasil e sou convicta de que isso é um mito. O que vejo é um conceito teórico que não funciona, embasado na utilização de comedouro funil. Quando realizamos o manejo de um comedouro funil em um comedouro de inox o que eu espero é um resultado desastroso, pois quando se deixa mais ração na bandeja inferior do comedouro no início da terminação, a ração acaba ficando seca. Se a ração fica seca, o animal reduz a velocidade de consumo e seria necessário utilizar um comedouro com o dobro de bocas para atender a mesma quantidade de animais. Ou seja, acaba sendo ocasionada uma restrição de consumo. O que precisamos é de uma regulagem correta do começo ao final do lote.
Do ponto de vista econômico, a melhoria na conversão alimentar na terminação compensa o investimento inicial no comedouro seco/úmido?
Com toda a certeza. Para exemplo, vou considerar um comedouro de três bocas por lado que será instalado na divisória de duas baias. Esse modelo de comedouro comporta em média 84 animais. Se o produtor faz três lotes de terminação ao ano e é esperado que o comedouro tenha no mínimo 10 anos de vida útil, esse produtor terá R$ 1,37 de custo por animal em 10 anos para a compra de uma unidade desse equipamento. Já quando o produtor piora a conversão alimentar em 0,05 em um comedouro desse modelo, isso representa em torno de 1.500 kg de ração a mais que passará por um único comedouro em um ano. É uma conta que fecha tranquilamente, mas o olhar precisa ser a longo prazo.
Hoje, há tecnologias associadas aos comedouros que potencializam o efeito sobre o desempenho?
Com certeza, atualmente há tecnologias nos comedouros que melhoram substancialmente o desempenho dos animais. Um exemplo é o sistema que emprega válvulas de silicone capazes de controlar a pressão e, consequentemente, a vazão de água, garantindo o umedecimento adequado da ração. Essa tecnologia evita o enchimento excessivo dos comedouros de água e dispensa o ajuste manual de vazão por meio de torneiras ou registros, o que proporciona maior precisão e praticidade no manejo. Em testes de campo, foi possível observar comedouros operando com vazão de 2 L/min, que é considerada muito alta, mas, mesmo assim, mantendo o nível ideal de umidade na ração, resultado obtido graças à ação controladora do silicone presente na válvula umedecedora.
Quais as características que um comedouro seco-úmido de inox precisa ter para ser considerado de qualidade?
Há vários quesitos a serem considerados, vou comentar sobre os principais. Em primeiro lugar é importante que o comedouro seja composto de inox 304, que é um tipo de aço durável e resistente à corrosão. Muito cuidado: existe outra liga de aço no mercado, a 201, que visivelmente é parecida com a 304, entretanto não é resistente à corrosão. Outro ponto é que em termos de durabilidade, comedouros de inox soldados são mais resistentes e duráveis com relação a comedouros parafusados. Além disso, a regulagem de ração precisa e milimétrica em um comedouro é fundamental, pois impacta diretamente nos resultados produtivos. Por último, mas tão importante quanto, uma válvula umedecedora que controle água é primordial. Lembrando que o excesso de água está atrelado a excesso de consumo de ração.
Na sua visão, qual deve ser a tendência de adoção do comedouro seco/úmido no Brasil nos próximos anos?
Acredito que em cada sistema há um modelo de alimentação dos animais que se enquadre melhor, pois cada realidade é única. No entanto, com todos os produtores e empresas com quem converso acabo ouvindo um assunto em comum: a falta de mão de obra. Vejo a adoção do comedouro seco-úmido no Brasil nos próximos anos como algo promissor e que pode ajudar os produtores nesse quesito, pois esse equipamento foi desenvolvido para utilizar o mínimo possível de mão de obra e ser manejado de forma bastante simples. Outro aspecto a considerar é que é um equipamento durável e que demanda de pouquíssima manutenção.
Se você pudesse dar um conselho a alguém que irá comprar comedouros seco-úmidos de inox, qual seria?
Independentemente de quem for, que esse produtor escolha um fornecedor de sua confiança, que seja capaz de lhe auxiliar a obter os melhores resultados possíveis com o equipamento. Não é apenas comprar e instalar, o resultado vem da forma de manejar. Quando falo em manejo as pessoas associam à regulação de ração. Mas o manejo engloba vários aspectos, desde a escolha do modelo, até as estratégias de regulagem de ração e de água ao longo do lote. Não há resultado sem pós-venda, isso é fato.
Com distribuição nacional nas principais regiões produtoras do agro brasileiro, O Presente Rural – Suinocultura também está disponível em formato digital. O conteúdo completo pode ser acessado gratuitamente em PDF, na aba Edições Impressas do site.

Suínos
Registro genealógico de suínos cresce 20,8% no Brasil em 2025
Relatório do SRGS mostra avanço da base genética da suinocultura, com mais de 340 mil registros emitidos no ano.

O Serviço de Registro Genealógico dos Suínos (SRGS), vinculado à Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), publicou o Relatório 2025, documento que reúne os principais números e análises sobre a evolução do registro genealógico no país. Ao longo de 2025, foram emitidos 340.762 registros genealógicos, resultado 20,83% superior ao registrado em 2024. O resultado representa o fortalecimento da base genética da suinocultura brasileira, em um cenário cada vez mais orientado por dados, eficiência e rastreabilidade.
Os animais cruzados concentraram a maior parte dos registros, representando 59,33% do total, seguidos pelos puros de origem (37,05%) e pelos puros sintéticos (3,62%). Entre as raças puras, Large White e Landrace lideraram as emissões do ano, demonstrando a importância dessas raças nos programas de melhoramento genético adotados no país. No ranking dos estados que mais importaram em 2025, Santa Catarina liderou com 32% das emissões, seguido por Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. Com relação às importações de suínos, neste ano foram importados 1.063 animais.
Outro dado importante é a predominância de fêmeas registradas, que representaram mais de 95% do total em 2025. Esse perfil está diretamente ligado à organização das granjas, à estrutura das pirâmides genéticas e ao uso crescente de tecnologias reprodutivas, como as centrais de sêmen. A diretora técnica da ABCS e superintendente do SRGS, Charli Ludtke, explica que ao reunir dados, tendências e análises, o Relatório SRGS 2025 reforça que “O registro genealógico é uma ferramenta estratégica para garantir transparência, confiabilidade e valorização genética. Em um mercado cada vez mais exigente, o registro se consolida como base para decisões técnicas, fortalecimento da produção e crescimento sustentável da suinocultura brasileira”.
Suínos
20º Encontro Regional Abraves-PR acontece nesta semana em Toledo
Evento reúne profissionais de diferentes regiões do país para discutir tendências, tecnologias e desafios da produção de suínos.

O Paraná, responsável por 21,5% dos abates de suínos do Brasil, recebe nesta semana, em Toledo (PR), especialistas, pesquisadores e profissionais da cadeia produtiva para o 20° Encontro Regional da Abraves-PR. O evento reúne lideranças da suinocultura para discutir temas que vão da sanidade e da gestão de pessoas ao avanço da inteligência artificial aplicada à produção animal.
A vigésima edição do encontro, promovida pela Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos – Regional Paraná (ABRAVES-PR), acontece nesta quarta a quinta-feira (11 e 12) e tem como tema “Suinocultura: ciência que direciona, propósito que inspira e ações que transformam”. A programação reúne profissionais, pesquisadores e empresas para discutir tendências, desafios e tecnologias que impactam diretamente a produção.
Entre os responsáveis pela programação científica, Everson Zotti destaca que o encontro foi estruturado para dialogar com as demandas mais atuais da atividade. “Vamos abordar temas como gestão de pessoas, inteligência artificial e sanidade. A proposta é levar conteúdos aplicáveis à rotina dos profissionais, mostrando como ferramentas digitais podem otimizar processos, melhorar a organização do tempo e aumentar a produtividade”, afirma.
A programação também reserva espaço para discutir o avanço da inteligência artificial no agronegócio, tema que tem ganhado relevância na produção animal. “Queremos aprofundar o debate sobre tecnologias e ferramentas de IA voltadas ao campo. Os palestrantes vão mostrar como essas soluções já estão transformando a forma de produzir e gerir no agro”, complementa Zotti.
Para a presidente da ABRAVES-PR, Luciana Diniz, o encontro se consolida como um espaço de integração entre profissionais de diferentes regiões do país. “O Encontro Regional não se limita ao Paraná. Recebemos participantes de várias regionais, atraídos pela qualidade técnica da programação, pela troca de experiências e pelo networking que a ABRAVES proporciona em dois dias intensos de conhecimento”, destaca.
Ao reunir especialistas, empresas e lideranças do setor, o XX Encontro Regional da ABRAVES-PR reforça o papel estratégico do Paraná no desenvolvimento da suinocultura brasileira e se consolida como um dos principais fóruns técnicos da área no país.
Paraná em destaque na suinocultura brasileira
O protagonismo do Estado ajuda a explicar a relevância do encontro. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024 foram abatidos 12,4 milhões de suínos no Paraná, número que representa um crescimento de 79% na última década, acima da média nacional, de 55%.
Além da liderança na produção, o Estado também se destaca no mercado internacional de genética suína. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Paraná consolidou sua posição como o maior exportador brasileiro de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Estado respondeu por 62,1% da receita nacional com exportação de suínos de alto valor genético, somando US$ 1,087 milhão, com destaque para embarques destinados ao Paraguai. O material genético paranaense também abastece mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia, evidenciando o alto nível sanitário e tecnológico da produção paranaense.
Suínos
Suíno vivo varia entre R$ 6,63 e R$ 6,94 nas principais praças do país
Levantamento do Cepea mostra diferenças nas cotações entre os estados produtores.

Os preços do suíno vivo apresentaram pequenas variações entre os principais estados produtores do país na segunda-feira (09), de acordo com dados do indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
Em Minas Gerais, o animal foi cotado a R$ 6,76 por quilo, sem variação no dia nem no acumulado do mês. No Paraná, o preço ficou em R$ 6,70/kg, com queda diária de 0,15% e alta de 1,67% no mês.
No Rio Grande do Sul, a cotação atingiu R$ 6,78/kg, registrando alta de 0,15% no dia e acumulado mensal de 0,74%. Já em Santa Catarina, o valor permaneceu em R$ 6,63/kg, sem alteração diária e com avanço de 1,84% em março.
Em São Paulo, o indicador apontou R$ 6,94/kg, com recuo diário de 0,14% e alta de 0,58% no acumulado do mês.
Os valores consideram o suíno vivo nas condições posto ou a retirar, conforme a praça de referência, segundo o Cepea.



