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Começa nesta quarta o maior encontro da pecuária brasileira, em São Paulo
Evento fecha o circuito InterCorte, que percorreu durante o ano os principais polos de produção de carne bovina no país, e reúne diversas iniciativas em prol da pecuária
De 15 a 17 de novembro, o centro financeiro do país se torna a capital da pecuária nacional, com a realização do mais consistente evento da cadeia produtiva da carne bovina, que encerrará o calendário do ano do setor. Com dois auditórios e um espaço para degustação de carne e eventos gastronômicos, a InterCorte São Paulo reúne no WTC Events Center uma série de iniciativas de diversos grupos que fazem a pecuária do dia a dia e pensam no futuro da atividade. Serão oferecidas mais de 35 horas de conteúdo com uma programação diversificada que envolve todos os elos da cadeia produtiva da carne.
O evento marca o encerramento da edição de 2017 da InterCorte, circuito que percorreu os estados de Mato Grosso, Rondônia, Mato Grosso do Sul e Tocantins com as conclusões a partir do tema principal “Entender para Atender” e a realização de um painel internacional e um brasileiro para discutir os rumos da atividade.
Caminhos da Genética
Uma das novidades dessa edição do evento é o painel “Caminhos da Genética”, um desdobramento do projeto “Caminho do Boi”, iniciativa criada para que os visitantes simulem o trajeto realizado pelo animal de corte, desde a fazenda até o varejo. O Caminho do Boi já foi montado em eventos, como a Feicorte, Agrishow e InterCorte, e conta com diversas estações que mostram cada etapa do processo de produção de uma carne de qualidade, como genética, sustentabilidade, sistemas produtivos, bem-estar animal, infraestrutura e manejo, pesquisa, inovação e conhecimento, gestão, sanidade, indústria, associativismo, mercado e carne. Para que cada desses aspectos seja aprofundado e discutido, cada edição da InterCorte São Paulo terá um dia dedicado a uma estação do Caminho do Boi, começando pela genética.
No dia 15/11, mais de 30 debatedores discutirão os diversos aspectos que influenciam a genética bovina como estratégia para a pecuária. Durante todo o dia, seis palestrantes e 26 debatedores discutirão os diversos aspectos da genética em seis blocos: “Animais na Pista: Beleza Racial ou Beleza Funcional?”, “Aplicações Práticas do Melhoramento Genético: Índices, critérios de seleção, acasalamentos, cruzamentos, compra de touros e sêmen”, “O impacto no uso de animais melhoradores selecionados em Testes de desempenho e Eficiência Alimentar”, “Um passo a mais na tecnologia – O uso da Genômica no campo”, “Produtividade, Lucratividade e Sustentabilidade na utilização de animais melhorados” e “Reprodução, Fertilidade e Precocidade Sexual”.
Congresso APPS
O congresso “Caminhos para a Pecuária Sustentável”, promovido pela Associação dos Profissionais da Pecuária Sustentável (APPS), será realizado na tarde do primeiro dia da InterCorte. A primeira palestra “Boas práticas de manejo de bovinos de corte: implicações no bem-estar da fazenda” será ministrada por Ricardo Baldo (Somma + Consultoria), seguida pela apresentação “Nutrição de bovinos de corte” por João Menezes (CATI/SAA), “Pastagem para a produção pecuária sustentável” por Antony Sewel (Boviplan), “Melhoramento Genético e reprodução de bovinos para uma pecuária sustentável” por Rodrigo Mendonça (Exagro) e “Sanidade na produção pecuária sustentável” por Mario Garcia (Exagro). O mediador do debate final será Alcides Torres, da Scot Consultoria.
10 anos de GTPS
O segundo dia da InterCorte São Paulo será palco do evento em comemoração aos 10 anos do GTPS – Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável. A abertura do evento tratará da importância da articulação das cadeias de valor para o desenvolvimento sustentável, seguida por três painéis: “Desafios da pecuária brasileira e desenvolvimento sustentável”, “Engajamento da cadeia de valor e Desenvolvimento da Pecuária”, “O papel das Mesas Redondas para a evolução contínua das cadeias de valor”. Na conclusão do evento será lançada uma nova plataforma de sustentabilidade.
As redes sociais na pecuária
O painel, que será realizado na manhã do primeiro dia do evento, reunirá alguns líderes de grupos criados para debater e trocar informações de relevância sobre o desenvolvimento da pecuária nacional nas redes sociais. Participam do painel Wagner Pires – Grupo de Pastagem Sustentável, Oswaldo Furlan Junior – GPB (Grupo Pecuária Brasil), Daniel Pagotto – Tratto Consultoria, Luís Felipe Moura Pinto – Pasto On Line, Rodrigo Albuquerque – Beef Radar e Erika Bannwart GPB Rosa e NFA – Núcleo Feminino do Agronegócio.
Ainda no contexto dos grupos de discussão sobre a pecuária, o presidente da Associação Nacional dos Confinadores (ASSOCON), Alberto Pessina ministra na manhã da quinta-feira uma palestra com o tema “Reflexões sobre a Pecuária Brasileira”, que antecede o encontro dos grupos Beef Radar e GPB.
Workshop BeefPoint
A InterCorte também recebe, em seu segundo dia, o Workshop BeefPoint Gestão na Pecuária de Corte, que será realizado no auditório Caminhos do Boi, com renda revertida ao Hospital de Câncer de Barretos. O Workshop reunirá toda a cadeia para debater e promover a troca de informações visando aumentar a rentabilidade nas fazendas, por meio de estudos de casos de sucesso que auxiliem na melhora das métricas nas propriedades. As inscrições podem ser feitas pelo site do evento.
Encerramento InterCorte e Painel Internacional
Desde a sua criação em 2012, a InterCorte já contou com a participação de mais de 27 mil pessoas, a maior parte pecuaristas, em eventos que percorrem algumas das principais regiões pecuárias do País para levar informação, conhecimento e tecnologia. Em 2017, o evento passou por Cuiabá (MT) em março, Ji-Paraná (RO) e Campo Grande (MS) em julho, Araguaína (TO) em outubro e encerra em São Paulo (SP).
Para finalizar o Circuito 2017, o evento na capital paulista conta com um painel dedicado ao encerramento, com uma síntese dos pontos de desafios apresentados nas etapas da InterCorte deste ano e o que é esperado para 2018. Com o nome “Painel Brasil InterCorte – Os caminhos da Pecuária para 2018”, o evento terá a participação do pesquisador Thiago Carvalho, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA-Esalq/USP, do médico veterinário e proprietário da empresa Firmasa de Tecnologia para Pecuária, Luciano Penteado da Silva, do CEO da Fazen, Vasco Oliveira Neto, do presidente da Estância Bahia Leilões, Mauricio Tonhá e do Diretor-Executivo ACRIMAT, Luciano Vacari.
A InterCorte São Paulo também contará com um painel internacional dedicado à análise do mercado global, que apresentará um panorama dos desafios e das oportunidades do mercado mundial de carnes, na tarde do último dia do evento. As apresentações mostrarão os entraves e soluções para a melhoria da competitividade do comércio mundial de carne bovina, além do cenário mundial do consumo de carne nos próximos anos, mercado para os maiores exportadores e desafios comerciais.
O painel será aberto com a palestra “Desafios no comércio global de carne bovina”, que será ministrada por Alberto Bicca, representante da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX). O analista do Rabobank Brasil, Adolfo Fontes fará uma apresentação sobre o consumo mundial de proteína animal, seguida de um debate, moderado pelo consultor Internacional de Governos e Empresas, Francisco Vila, com o tema “Como organizar os mercados para atendimento do comércio mundial de carne bovina?”. Participam do debate Márcio Caparroz, representando a Internacional Beef Alliance (IAB), Bruno de Jesus Andrade, representando a Associação Nacional dos Confinadores (ASSOCON), Dennis Laycraft, em nome da Canadian Cattlemen’s Association – CCA, Francisco Manzi, pela ACRIMAT, Helder Höfing, representando a Sociedade Rural Brasileira e Cristian Lohbauer, doutor em Ciência Política pela USP.
Programação técnica
Além dos painéis, o evento terá palestras técnicas que serão realizadas durante os três dias da InterCorte. “Descrição e resultados de um sistema intensivo de cruzamento” será ministrada por Leonardo Souza, da Qualitas Melhoramento Genético, no dia 15/11 no Espaço #SOMOSDACARNE.
No auditório Integrar para Crescer, o professor da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia, Leandro Martins Barbero apresentará o terma “Adubação foliar de pastagens como estratégia de intensificação”, oferecida pela OROAGRI, no dia 16/11.
Ainda no dia 16, o consultor em agronegócios, Ivan Wedeckin, falará sobre os desafios e perspectivas da economia da pecuária de corte, e aproveitará a oportunidade para promover o lançamento seu livro “Economia da Pecuária de Corte – Fundamentos e o ciclo de preços”. “Drones – saiba como melhorar a produtividade na pecuária” será o tema da palestra do Fabrício Hertz, da Horus, seguida pelo consultor Daniel Biluca, com o tema “Os dois lados da genômica aplicados em uma só fazenda”, no Espaço #SOMOSDACARNE.
Na manhã do dia 17/11, o advogado tributarista Dr. Marcos Melo ministrará a palestra “A contribuição para a Seguridade Social Funrural e a posição da pecuária brasileira”, no auditório Integrar para Crescer. No mesmo dia, Paulo Cesar Dancieri, da COIMMA, ministrará o tema “A transformação digital e a pecuária de precisão”, no espaço #SOMOSDACARNE.
Espaço Degustação
Para que os participantes possam apreciar o resultado de todo o trabalho desenvolvido pela cadeia para uma carne de qualidade, a InterCorte terá o Espaço Degustação #SomosdaCarne, com degustações de carnes e a Beef Hour. A degustação de cortes de Bonsmara Beef será realizada no dia 15/11, às 10h30 e 16h30. No segundo dia, os presentes poderão degustar as carnes da BBQ Secrets a partir das 16h30. Já no último dia, as linguiças Guarânia serão servidas durante a degustação, às 10h30 e 16h30.
Fonte: Assessoria

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Rede de monitoramento de CO₂ em áreas agrícolas no Sul do Brasil abre caminho para crédito de carbono
Projeto da UFSM mede emissões e captura em tempo real e indica potencial de monetização no campo. Dados mostram redução de gases com manejo e estimam receita de até US$ 33 milhões ao ano no Pampa.

Uma rede de monitoramento instalada em áreas agrícolas no Sul do Brasil está produzindo dados inéditos sobre a relação entre produção agropecuária e emissões de gases de efeito estufa. O sistema, coordenado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LABGEE), utiliza torres de fluxo, tecnologia considerada a mais precisa para medir, de forma contínua, a troca de carbono entre o solo, as plantas e a atmosfera.

Foto: Ricardo Bonfanti
A iniciativa coloca a UFSM entre as instituições protagonistas no Brasil e no mundo no monitoramento contínuo e em tempo real do balanço de CO₂ em sistemas agrícolas, o que é estratégico para compreender o papel da agropecuária nas mudanças climáticas. No Brasil, pesquisas desse tipo em sistemas agrícolas monitorados continuamente por torres de fluxo são raras, especialmente em culturas importantes para a economia regional, como soja, arroz irrigado e pecuária.
À frente desta iniciativa, os professores Débora Roberti, do Departamento de Física do CCNE, e Rodrigo Jacques, do Departamento de Solos do CCR, destacam que o diferencial está na consistência dos dados ao longo do tempo. “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo. Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono”, ressaltam.
Ao todo, nove torres estão distribuídas em diferentes sistemas produtivos, incluindo lavouras de soja, milho, trigo e arroz irrigado, além de áreas de pastagem natural no bioma Pampa, nos municípios gaúchos Catuípe (duas unidades), Alegrete, Cachoeira do Sul (quatro unidades) e Santa Maria, além de uma área no Paraná. Os locais foram escolhidos por permitirem comparar manejos tradicionais ou melhorados das lavouras e pastagens.
Os equipamentos realizam até 10 medições por segundo, registrando se o sistema está emitindo ou absorvendo dióxido de carbono (CO₂), além de variáveis como temperatura, radiação solar e precipitação. Na prática, o monitoramento permite calcular o chamado fluxo de carbono, o saldo entre o que é capturado pelas plantas durante a fotossíntese e o que é liberado por processos naturais. Esse acompanhamento contínuo mostra, em tempo real, quando uma área agrícola funciona como fonte ou como sumidouro de carbono.
Todos os dados são transmitidos automaticamente pela internet para o LABGEE, situado no prédio do INPE, onde são processados e analisados pelos pesquisadores e estudantes de pós-

Professora do Departamento de Física do CCNE da UFSM, Débora Roberti: “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo” – Foto: Arquivo pessoal
graduação de Física e Meteorologia, com apoio do meteorologista Murilo Lopes.
De meia em meia hora, por três anos
Como as medições são contínuas, com os dados gerados a cada 30 minutos, os pesquisadores conseguem acompanhar ao longo do ano a dinâmica de emissão e absorção de carbono em cada área monitorada. Com uma série anual completa, já é possível estimar o balanço de carbono de sistemas agrícolas, pecuários ou naturais e identificar quais práticas ampliam a captura ou intensificam as emissões.
Para aumentar a confiabilidade das análises, no entanto, o monitoramento precisa abranger períodos mais longos, já que a variabilidade climática entre safras interfere diretamente nos resultados. Por isso, os pesquisadores trabalham com um horizonte mínimo de três anos de coleta contínua de dados. “Esse é o destaque desta técnica, que está na vanguarda das metodologias de medida de gás do efeito estufa na atmosfera”, afirma Débora.
Manejo define se área emite ou captura carbono
Os resultados já apontam diferenças relevantes entre sistemas de produção. Em áreas de arroz irrigado, a introdução de pastagens de inverno reduziu as emissões de CO₂ em 20% e de metano em 60%. Em lavouras com soja e trigo, a adoção de plantas de cobertura pode elevar em até três vezes a capacidade de captura de carbono por hectare.
No bioma Pampa, o manejo adequado das pastagens permite que a produção pecuária atue como captadora de carbono, compensando parte das emissões de metano dos bovinos. Por outro lado, áreas sem cobertura vegetal, como lavouras em pousio, tendem a se tornar emissoras.

Professor do Departamento de Solos do CCR da UFSM, Rodrigo Jacques: “Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono” – Foto: Arquivo pessoal
Os dados reforçam que o impacto climático da agropecuária depende diretamente das práticas adotadas no campo. Sistemas bem manejados podem inverter a lógica tradicional que associa produção rural apenas à emissão de gases de efeito estufa.
Além do aspecto ambiental, os resultados abrem espaço para monetização. Estimativas do próprio projeto indicam que, se metade das pastagens naturais do Pampa fosse direcionada à geração de créditos de carbono, o volume poderia chegar a 3,3 milhões de créditos por ano. A preços médios de US$ 10 por crédito, isso representaria cerca de US$ 33 milhões anuais.
O projeto reúne pesquisadores de diferentes áreas, como Física, Agronomia e Meteorologia, e envolve investimento de aproximadamente R$ 5 milhões. Os dados já começam a integrar bancos internacionais e são utilizados por grupos de pesquisa de outros países, ampliando a inserção do Brasil nas discussões globais sobre clima e produção de alimentos.
A expectativa é que, após três anos de monitoramento contínuo, período mínimo para consolidação dos dados, o sistema avance para novas culturas e projetos-piloto de crédito de carbono, com aplicação direta no campo.
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Biometano: da produção à distribuição é tema de fórum do setor
Especialistas discutem oportunidades e desafios no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu (PR)

Uma abordagem integrada, que vai da produção à distribuição de biometano, será destaque no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB), realizado de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR). Com o tema Biometano: bem feito, suficiente, bem distribuído, o evento reunirá especialistas para discutir os principais avanços, desafios e oportunidades do setor.
A programação contempla painéis temáticos sobre produção, políticas públicas, mobilidade, investimentos, relação com o gás natural e perspectivas de mercado. Segundo o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Airton Kunz, integrante da comissão organizadora, o debate ganha relevância diante das novas oportunidades abertas pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que amplia a inserção do biometano na matriz energética brasileira. Outro ponto de destaque é o potencial do biometano na cadeia de proteína animal. “O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário, especialmente pela capacidade de geração a partir dos resíduos da produção animal. É uma oportunidade estratégica que precisa ser melhor explorada, sobretudo pelas oportunidades que se criam para substituir o óleo diesel pelo biometano em soluções de logística nestas cadeias”, afirma Kunz.
Apesar do cenário promissor, o avanço do biometano ainda enfrenta desafios, como a garantia da qualidade do produto, o aumento da escala de produção e a expansão da infraestrutura de distribuição. Atualmente, o biocombustível já vem sendo utilizado em frotas de caminhões e em processos industriais, substituindo combustíveis fósseis (diesel evitado) e contribuindo para a descarbonização. “Além de produzir bem, é fundamental avançar na distribuição eficiente, especialmente no transporte”, destaca o pesquisador.
Como já é tradição, o evento contará com uma programação prévia, que será realizada no dia 13, como reuniões técnicas, encontros e palestras. Já, a abertura oficial será no dia 14, seguindo com programação até dia 15, onde haverá espaço de negócios com mais de 70 empresas já confirmadas, momento startups de biogás, premiação “Melhores do Biogás”, vários painéis de debates sobre temas de interesse ao biogás. O dia 16 será dedicado a quatro roteiros de visitas técnicas.
A Embrapa é co-realizadora do evento e participa com especialistas na moderação e apresentação de painéis, além da organização de reuniões técnicas. Entre os destaques estão os painéis “O negócio dos Substratos e as Culturas Energéticas”, com participação de Airton Kunz; “Biogás na Prática”, com moderação de Ricardo Steinmetz; e “Oportunidades e Desafios Setoriais”, com a participação de Fabiane Goldschmidt Antes.
O FSBBB é realizado pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), pela Embrapa Suínos e Aves e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), com organização da Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindústria (SBERA). Para maiores informações acesse: biogasebiometano.com.br.
Reunião técnica discutirá transporte no agronegócio
Como atividade pré-evento do FSBBB e com um olhar mais direcionado à distribuição, será realizada a Reunião Técnica Transporte a Biometano no Agronegócio, no dia 13 de abril, das 14 às 16 horas, no Hotel Bourbon Cataratas Resort, como atividade pré-evento. O encontro abordará temas como corredores rodoviários sustentáveis, descarbonização da cadeia agroindustrial, novas tecnologias e o uso de caminhões a gás e modelos dual fuel.
Apesar do cenário promissor, o avanço do biometano ainda enfrenta desafios, como a garantia da qualidade do produto, o aumento da escala de produção e a expansão da infraestrutura de distribuição. Atualmente, o biocombustível já vem sendo utilizado em frotas de caminhões e em processos industriais, substituindo combustíveis fósseis e contribuindo para a descarbonização. “Além de produzir bem, é fundamental avançar na distribuição eficiente, especialmente no transporte”, destaca o pesquisador.
A reunião também apresentará casos práticos, incluindo uma unidade rural produtora de biometano com abastecimento de caminhões e experiências no transporte de proteína animal. A iniciativa é organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Fetranspar, Embrapa, Superintendência de Energia do Paraná (SUPEN) e Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás). Gratuito, o encontro pré-evento é voltado a produtores de biogás e biometano, além de profissionais das áreas de logística, transporte e gestão de frotas. As inscrições podem ser feitas pelo link.
Trilha de atualização conecta especialistas e laboratórios de biogás
Outro momento que antecede a programação oficial do FSBBB é a Trilha de Atualização para Laboratórios de Biogás e Biometano, marcada também para o dia 13, das 8 às 17 horas. A trilha reunirá profissionais vinculados ao Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Biogás, participantes de ensaios de proficiência, representantes de laboratórios, pesquisadores, estudantes e demais interessados. O encontro será um espaço dedicado à troca de experiências e ao compartilhamento de informações entre os atores que atuam na área.
As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas até o dia 10 de abril, pelo link do evento, com vagas limitadas a 50 participantes. A atividade será presencial. O encontro ocorrerá no Itaipu Parquetec (Av. Tancredo Neves, 6731, bairro Jardim Itaipu, em Foz do Iguaçu). A iniciativa é promovida pelo CIBiogás, Embrapa Suínos e Aves, Senai/SC, Inmetro e Universidade de Caxias do Sul, com fomento do NAPI Biogás.
A programação da manhã será marcada por apresentações voltadas à avaliação de substratos e ao uso de ensaios interlaboratoriais como ferramenta de controle de qualidade, além de discussões sobre novas rodadas de ensaios de proficiência. Também serão abordadas as principais fontes de erro na medição de biometano. O período da manhã inclui ainda uma visita técnica ao laboratório do CIBiogás.
À tarde, os temas se concentram em ferramentas microbiológicas para eficiência energética, relatos práticos sobre processos de acreditação de laboratórios e o uso de calculadoras científicas na otimização da digestão anaeróbia. A programação se encerra com uma mesa redonda sobre a jornada de acreditação, seguida de alinhamentos para ações futuras.
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Brasil lidera uso de bioinsumos, mas fertilizantes convencionais seguem indispensáveis
Apesar de aplicar bioinsumos em 80% da soja e gerar economia de US$ 5 bilhões por ano, especialistas alertam que insumos tradicionais ainda são cruciais para a produção agrícola e segurança alimentar.

O Brasil se destaca no cenário global de bioinsumos, sendo atualmente o país que mais utiliza esse tipo de insumo no mundo, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O crescimento do setor é expressivo e posiciona o país na vanguarda de uma tendência que avança rapidamente na agricultura.
No entanto, o engenheiro agrônomo Fellipe Parreira alerta que os bioinsumos ainda não têm potencial para substituir os fertilizantes convencionais. “Não há perspectiva e nem potencial para essa substituição no momento”, afirma.
Para Parreira, embora o Brasil possua vantagens competitivas claras, como biodiversidade, clima favorável e uma agricultura de escala consolidada, transformar o país de grande comprador de fertilizantes em referência internacional na produção deles ainda é um desafio de longo prazo, que exige mais do que entusiasmo ou crescimento do setor de bioinsumos.
Dependência de fertilizantes convencionais permanece alta

Engenheiro agrônomo Fellipe Parreira: “Os bioinsumos são aliados valiosos na otimização de nutrientes e no controle biológico, mas substituir completamente os fertilizantes minerais seria um risco inaceitável para a escala da nossa agroindústria” – Foto: Divulgação
Os números do setor reforçam essa necessidade. No primeiro semestre de 2025, as entregas de fertilizantes no país atingiram 20,14 milhões de toneladas, alta de 10,5% ante 2024. Mato Grosso absorveu 24% do volume, impulsionado principalmente pela soja e pelo milho. Em seguida vieram Paraná (15%), Goiás (9%), Mato Grosso do Sul (8%), Rio Grande do Sul (8%) e São Paulo (10%).
Em 2026, as importações nos dois primeiros meses somaram 5,26 milhões de toneladas, enquanto a produção nacional cresceu 8,9%. Apesar desse crescimento, a produção interna ainda cobre menos de 20% da necessidade total do país. O cenário reflete a preparação para safras recordes, mas sem perspectiva imediata de autossuficiência.
Importações recordes e preços em alta
O Brasil continua fortemente dependente do mercado externo, com cerca de 85% dos fertilizantes importados. Em 2025, o país registrou recorde de 43,5 milhões de toneladas, com destaque para fontes como MAP, ureia e KCl, provenientes de China, Canadá e Rússia. Restrições chinesas e gargalos logísticos elevaram os preços: ureia a US$ 465 por tonelada e MAP a US$ 720 por tonelada em fevereiro de 2026.
O mercado iniciou 2026 em alta após quedas registradas no ano anterior, com os fertilizantes nitrogenados subindo 10%, os fosfatados 20% e os potássicos mantendo-se estáveis em US$ 370 por tonelada. Esses aumentos, pressionados por fatores geopolíticos e pelo custo do gás natural, mantêm os custos de safra elevados, impactando diretamente as margens dos produtores.
Bioinsumos ainda como ferramenta complementar

Foto: Geraldo Bubniak/AEN
Parreira reconhece o avanço legítimo dos bioinsumos na agricultura brasileira, mas alerta para o risco de confundir tendência promissora com solução estrutural. “Os bioinsumos podem complementar a produção, mas não substituem os fertilizantes convencionais. Confundir os dois conceitos pode gerar expectativas equivocadas entre produtores, investidores e gestores públicos”, explica.
O profissional defende que a integração gradual dos bioinsumos deve ocorrer de forma planejada, fortalecendo a sustentabilidade e eficiência do setor sem comprometer a produtividade. Até que a produção nacional de fertilizantes consiga reduzir a dependência externa de forma consistente, os insumos tradicionais continuam indispensáveis para garantir o desempenho das safras e a segurança alimentar do país.
Sem perspectiva de substituição
Como líder global em bioinsumos, com crescimento de 30% ao ano, o Brasil já aplica esses insumos em 80% da soja, gerando economia estimada de US$ 5 bilhões anuais. O Programa Nacional de Bioinsumos amplia o uso sustentável para milho (27%), cana-de-açúcar (12%) e algodão (6%). Apesar disso, ainda não há perspectiva de substituição total dos fertilizantes minerais.
A volatilidade nos mercados de fertilizantes persiste em 2026, mantendo o foco em estoques ajustados e acordos globais. Parcerias público-privadas, como a Anda e o Mapa, buscam produzir estatísticas mais precisas e reduzir riscos.
Para o engenheiro agrônomo, é necessário priorizar a integração tecnológica e investimentos em validação de campo, consolidando os bioinsumos como aliados estratégicos e posicionando o Brasil como potência agrícola independente. “Os bioinsumos são aliados valiosos na otimização de nutrientes e no controle biológico, mas substituir completamente os fertilizantes minerais seria um risco inaceitável para a escala da nossa agroindústria, que depende de precisão e volume para competir globalmente”, alerta Parreira, reforçando que o caminho para o fortalecimento do setor passa por complementaridade, pesquisa e planejamento.
