Suínos Nutrição Animal
Combater a presença de β-mananos na alimentação pode gerar ganhos consideráveis para a indústria
Influência dos β-mananos sobre a saúde torna-se muito mais intensa, com maior mortalidade e morbidade

Nas últimas décadas, alguns dos aprimoramentos mais importantes na nutrição animal foram originados da melhor compreensão e subsequente abordagem, dos fatores antinutricionais em ingredientes alimentares. Quando enzimas como fitase e xilanase passaram a ser usadas em caráter universal, abriram caminho para ganhos significativos na saúde e desempenho animal.
Da mesma maneira a indústria gostaria de ver o mesmo nível de atenção estendido a outro fator antinutricional: os β-mananos. Várias pesquisas mostram os danos que esses fatores podem causar ao desencadear os mecanismos de defesa do sistema imunológico inato que acabam provocando uma inflamação intestinal. A literatura mostra que os β-mananos provocam uma perda de energia metabolizável de até 90 kcal/kg, redução da uniformidade do lote e maior suscetibilidade a infecções. Durante períodos de maior estresse, por exemplo, uma infecção aguda, os efeitos adversos dos β-mananos aumentam drasticamente, podendo levar a uma perda de produtividade que pode ultrapassar 20%. Quando isso acontece, a influência dos β-mananos sobre a saúde torna-se muito mais intensa, com maior mortalidade e morbidade.
O problema é que os β-mananos são polissacarídeos comuns em ingredientes de origem vegetal. Para ajudar a entender como os β-mananos estão disseminados na alimentação de animais, uma pesquisa foi conduzida para atualizar as tabelas de referências usadas para determinar se a aplicação de uma β-mananase para decompor esses PNA seria apropriada. O especialista Juliano Vittori defende que a indústria encare o problema dos β-mananos com maior seriedade. Vittori mantém as referências bibliográficas, que podem ser solicitadas pelo juliano.vittori@elancoah.com.
Que tipos de ingredientes tendem a conter β-mananos? Como eles diferem de outros fatores antinutricionais (FAN) como o inibidor de tripsina?
Juliano Vittori – Os β-mananos são encontrados na maioria dos ingredientes de alimentos à base de vegetais. São fibras de polissacarídeos não amiláceos (PNA) que pertencem à fração de hemicelulose das plantas. O teor de β-mananos solúveis em diferentes ingredientes varia de desprezível a mais de 5%. O teor de β-mananos é relativamente alto em muitas rações proteicas — cerca de 0,6% em farinhas de soja e girassol — portanto, tipicamente têm uma contribuição importante para o teor de β-mananos na dieta. Os β-mananos são diferentes de outros FAN porque os danos que causam são criados principalmente por medidas de proteção geradas pelo sistema imunológico inato para combater os β-mananos. Em resumo, o sistema imunológico confunde até mesmo níveis muito baixos de β-mananos com patógenos invasores (PAMP, padrão molecular associado a patógeno) e então inicia uma defesa contra um problema que não existe13. Essa atividade indireta faz com que os β-mananos sejam diferentes da maioria dos FAN, que têm uma influência direta sobre o desempenho ou a eficiência dos animais. Os inibidores de tripsina, que reduzem a atividade da tripsina, são um bom exemplo de FAN com influência direta. Outra diferença é que os inibidores de tripsina são inativados pelo processamento térmico, enquanto os β-mananos podem suportar os procedimentos térmicos usados na produção moderna de alimentos, como secagem, peletização e extrusão.
Por que decidiram a necessidade de uma pesquisa sobre o teor de β-mananos em diferentes ingredientes alimentares era necessária?
Juliano Vittori – Recentemente realizou-se uma pesquisa global sobre o teor de BM em ingredientes alimentares usados como rotina. A pesquisa inclui 236 amostras de ingredientes alimentares comuns de 21 países no mundo todo. Isto faz com que seja a maior pesquisa sobre β-mananos até o momento. Uma motivação importante por trás da pesquisa foi atualizar a tabela de referência em termos do teor de β-mananos em ingredientes alimentares comuns. Essa tabela é importante para recomendar o uso de mananase baseada no teor estimado de β-mananos dietéticos e os valores estão incluídos em uma calculadora de mananos, que facilita a estimativa do teor de β-mananos na dieta e prediz se a adição de uma β-mananase será economicamente vantajosa.

Quais são os achados mais notáveis da pesquisa mundial sobre β-mananos? O que a pesquisa concluiu?
Juliano Vittori – O principal resultado da pesquisa consistiu em novas informações sobre o teor de β-mananos solúveis em 36 ingredientes alimentares comuns. Os resultados não indicaram uma correlação entre os teores de proteína bruta ou fibra bruta e os β-mananos; portanto, o teor de β-mananos não é reduzido em farelo de soja com um teor mais elevado de proteína bruta e não está aumentado em farelo de soja com um teor mais alto de fibra bruta.
Qual é o nível mínimo de β-manano dietético necessário para afetar a saúde animal? Tem-se alguma estimativa em relação a quanto esse problema seria comum em dietas de monogástricos no mundo todo. Ou seja, a porcentagem de dietas que incluem β-mananos acima desse nível?
Juliano Vittori – Em condições de produção comercial, os estudos e prática com produtores indicam que podemos esperar uma perda de 3% na eficiência de produção quando o teor de β-mananos solúveis ultrapassa 0,2-0,25% e a ração também contém pelo menos 12% de farelo de soja. A maioria das dietas para produção de monogástricos ultrapassa esses critérios para o teor de β-mananos, portanto, esse é um problema muito comum. Os efeitos adversos dos β-mananos são influenciados por dois fatores: o teor de β-mananos na dieta é importante, mas o nível de permeabilidade intestinal ou inflamação, provavelmente são muito mais importante. Acredita-se que o a permeabilidade intestinal seja mais importante porque os β-mananos parecem ser inofensivos na ausência de permeabilidade intestinal ou inflamação. Quase sempre existem muitos desafios nas condições de produção comercial, por isso algum nível de inflamação e permeabilidade intestinal sempre está presente. Estudos in vitro indicaram que teores de β-mananos de apenas 0,05% podem causar uma resposta inata potente.
É razoável esperar que as empresas testem regularmente os níveis de β-mananos em suas rações? Quando e com que regularidade isso deve ser feito? Que outras ações recomenda-se para controlar o potencial de efeitos negativos causados pelos β-mananos?
Juliano Vittori – O procedimento de ensaio usado para quantificar os β-mananos em ingredientes alimentares é bastante demorado e também muito caro. Sendo assim, mesmo que o custo não constituísse uma preocupação, eu não recomendaria que as empresas de alimentos realizassem suas próprias análises, principalmente porque os lotes dos quais as amostras forem colhidas, na maioria das vezes serão consumidos antes que os resultados estejam disponíveis. Portanto, o melhor conselho é continuar a usar a tabela de referência para estimar o teor de ß-mananos dietéticos e determinar se uma ß-mananase deve ser adicionada. Essa atividade deve constituir a prática padrão. A única outra ação que as empresas podem fazer para controlar os efeitos negativos dos ß-mananos é adicionar uma mananase como rotina a todas as rações com um teor de ß-manano relevante.
O senhor acredita que o setor de modo geral compreende bem como os β-mananos podem ser problemáticos?
Juliano Vittori – A compreensão da influência dos β-mananos sobre a produção animal continua a melhorar, mas cada pesquisa realizada para monitorar a conscientização sobre β-mananos continua a identificar essa questão como um obstáculo fundamental. Portanto é necessário educar e conscientizar continuamente sobre o impacto dos β-mananos sobre a imunidade e o desempenho animal. Fitase e xilanase estavam no mercado havia muitos anos antes que seu uso se tornasse padrão e é realista esperar um desenvolvimento semelhante em relação ao uso e à aceitação da mananase. Desse modo, esperamos que continuem a investir em pesquisas para ampliar a compreensão da influência dos β-mananos sobre o sistema imunológico, integridade intestinal e a produção animal. Os primeiros nutricionistas com experiência sólida no uso de mananase não hesitam em recomendar aos produtores que considerem esse tipo de tecnologia como ingrediente alimentar padrão, do mesmo modo que as enzimas fitase e carboidrases são usadas.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.
Suínos
Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.
O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.
Resiliência
Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.
A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.
Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.



