Notícias Safra de inverno
Com semeio de trigo chegando ao fim, clima favorável mantém agentes otimistas
Valores do cereal no mercado de lotes (negociações entre empresas) seguem um pouco enfraquecidos em algumas praças

O semeio de trigo na região Sul do País está chegando ao fim e, por enquanto, o clima favorável mantém agentes consultados pelo Cepea otimistas quanto à produção desta safra. Nesse cenário, os valores do cereal no mercado de lotes (negociações entre empresas) seguem um pouco enfraquecidos em algumas praças.
No campo, apesar da passagem do “ciclone bomba” no final de junho, as lavouras não foram diretamente afetadas, já que estavam na fase inicial de desenvolvimento. Quanto aos derivados, todas as farinhas e farelos registram valorizações.
Colaboradores consultados pelo Cepea reforçam que as vendas de farinhas destinadas às massas frescas e massas em geral permanecem aquecidas. Todavia, com as instabilidades de reabertura do comércio não essencial, alguns compradores estão tendo dificuldades em adquirir a matéria-prima, devido ao menor fluxo de caixa. No caso dos farelos, a procura e os preços seguem firmes.

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Coamo encerra ciclo de reuniões com cooperados e reforça diálogo no campo
Cooperativa concluiu 24 encontros regionais para apresentar resultados, cenários do agronegócio, custos de produção e perspectivas do mercado aos associados.

A Coamo concluiu nesta semana o ciclo de 24 Reuniões de Campo realizadas em sua área de atuação. O último encontro ocorreu em Ivaiporã, no Vale do Ivaí, reunindo um grande número de cooperados.
As reuniões fazem parte das ações de educação cooperativista da cooperativa e estão alinhadas ao quinto princípio do cooperativismo, voltado à educação, formação e informação. Durante os encontros, a diretoria apresentou informações sobre os resultados da cooperativa, cenários do mercado agrícola, custos de produção e perspectivas para o setor, além de prestar contas e dialogar com os cooperados.

Segundo o presidente Executivo da Coamo, Airton Galinari, os encontros reforçam o modelo de gestão baseado na proximidade com os cooperados. “As Reuniões de Campo representam a consolidação de um modelo de gestão que faz da proximidade e do relacionamento com confiança um de seus maiores diferenciais. Em cada encontro, fomos ao encontro dos cooperados para prestar contas, mostrar cenários com custos de produção e do mercado agrícola e conversar com eles. Foi, na prática, uma assembleia regional em cada evento”, afirma.
Fundada em novembro de 1970 por 79 agricultores pioneiros, sob a liderança do engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, a Coamo completa 55 anos de atuação mantendo encontros periódicos entre diretoria, cooperados e funcionários em sua área de ação.
Para o presidente do Conselho de Administração da Coamo e da Credicoamo, José Aroldo Gallassini, a participação dos cooperados nos encontros demonstra a confiança construída ao longo da história da cooperativa. “O cooperado da Coamo e da Credicoamo participa e sabe que encontra informações verdadeiras, mesmo quando o cenário exige cautela diante das oscilações de preços, das adversidades climáticas ou das incertezas geopolíticas”, destaca.
De acordo com a cooperativa, além de apresentar os resultados e investimentos, as reuniões também abordaram a realidade do agronegócio e os desafios enfrentados pelo setor. Conforme Galinari, a iniciativa busca fortalecer a transparência, a credibilidade da gestão e o compromisso da cooperativa com a geração de renda e segurança para os cooperados.
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Colheita do trigo pauta debates entre moinhos, cooperativas e especialistas no Paraná
9º Café Moageiro vai reunir lideranças do setor em Londrina (PR) para discutir perspectivas da safra, mercado, coprodutos da indústria e estratégias para o abastecimento nacional.

A aproximação da colheita do trigo no Paraná deve concentrar as discussões da 9ª edição do Café Moageiro, marcada para o dia 11 de agosto, na Sociedade Rural do Paraná, em Londrina. Promovido pelo Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR), o encontro reunirá representantes da indústria moageira, cooperativas, entidades do setor e especialistas para analisar o cenário da safra e os principais desafios da cadeia produtiva.

Foto: Divulgação/Sinditrigo-PR
A programação será aberta às 08 horas com a participação da presidente do Sinditrigo-PR, Paloma Venturelli, e do presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Daniel Kümmel, que apresentarão uma avaliação sobre o momento vivido pelo setor.
Na sequência, o analista de mercado da Safras & Mercado, Elcio Bento, fará uma análise das perspectivas da safra brasileira. A apresentação deverá abordar estimativas de produção, área cultivada, expectativa de produtividade, qualidade dos grãos e os possíveis impactos sobre o mercado.
O evento também discutirá alternativas para o aproveitamento de coprodutos da indústria. A pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Terezinha Bertol, apresentará uma palestra sobre as características, aplicações e diferenças comerciais entre o DDG e o farelo, destacando o potencial desses produtos na alimentação animal.
O encerramento será com um painel dedicado ao papel das cooperativas no desenvolvimento da triticultura. Mediado

Fotos: Jaelson Lucas
pelo gerente de Desenvolvimento Técnico da Ocepar, Flávio Turra, o debate reunirá representantes do cooperativismo para discutir os desafios da produção, o abastecimento de matéria-prima para os moinhos e a articulação entre indústria, cooperativas e poder público para fortalecer a cadeia do trigo e ampliar a segurança alimentar.
Segundo o Sinditrigo-PR, o Café Moageiro busca integrar os diferentes segmentos da cadeia em um período estratégico, quando a proximidade da colheita permite revisar as projeções da safra, avaliar as condições de oferta e discutir fatores que influenciam o abastecimento e a competitividade da indústria moageira.
As inscrições para esta edição já foram encerradas após o preenchimento de todas as vagas disponíveis.
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Governo libera R$ 18,5 bilhões em crédito para setores afetados pelo tarifaço dos EUA
Plano Brasil Soberano 3 amplia acesso a financiamentos para exportadores, incluindo agricultura, pecuária, pesca e cooperativas.

No dia da entrada em vigor do novo tarifaço dos Estados Unidos, o governo federal anunciou um novo pacote de apoio às empresas brasileiras. Batizada de Plano Brasil Soberano 3, a iniciativa prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores considerados estratégicos para a economia nacional.

O programa também pretende beneficiar empresas afetadas por conflitos internacionais. O anúncio coincide com a entrada em vigor da tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida deve atingir cerca de 15% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 5,8 bilhões em exportações.
No total, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória (MP) e um projeto de lei de conversão. A nova MP permitirá a ampliação do Plano Brasil Soberano, ao autorizar o uso de recursos do Tesouro Nacional em conjunto com recursos próprios do BNDES para financiar as novas linhas de crédito.
Também nesta quarta, Lula sancionou o Projeto de Lei de Conversão nº 7, originado da Medida Provisória 1.345, de março deste ano, que instituiu as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano.
O Congresso ampliou o escopo do texto para contemplar, além dos exportadores de bens industriais e seus fornecedores, setores considerados estratégicos para o comércio exterior brasileiro.
Recursos disponíveis
Dos R$ 18,5 bilhões anunciados, os recursos serão divididos entre o Tesouro Nacional e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
- R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional
- R$ 5 bilhões do BNDES
As linhas poderão ser utilizadas para:
- capital de giro
- aquisição de máquinas e equipamentos
- investimentos produtivos;
- inovação tecnológica;
- adaptação de produtos e processos;
- abertura e prospecção de novos mercados.
As taxas de financiamento variam conforme a finalidade do crédito, chegando a 3% ao ano para projetos ligados a minerais críticos e 9,80% ao ano para capital de giro destinado a grandes empresas.
Novos beneficiários
Além das empresas diretamente atingidas pelo tarifaço norte-americano, o programa passa a contemplar exportadores prejudicados por conflitos internacionais, especialmente aqueles com operações no Golfo Pérsico, e amplia o acesso ao crédito para setores estratégicos.
Entre os beneficiários estão:
- agricultura
- pecuária
- florestas plantadas
- pesca e aquicultura
- cooperativas e associações do setor
- mineração
- fertilizantes
- indústria química
- farmacêutica
- setor têxtil
- automotivo
- máquinas e equipamentos
- materiais elétricos e eletrônicos
A legislação também permite que os recursos sejam utilizados para adequações exigidas pelo comércio internacional, como requisitos sanitários, ambientais, de rastreabilidade e conformidade.
Seguro e apoio
Durante o anúncio, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o programa vai além da oferta de crédito. “O Brasil Soberano 3, além de garantir crédito para as empresas envolvidas, traz outro benefício, que é o seguro garantia para pequenas empresas”, declarou.
Segundo o governo, o plano de aplicação dos recursos será elaborado pelo BNDES e submetido à aprovação de um conselho interministerial, que definirá as prioridades de financiamento conforme os impactos enfrentados por cada setor.
Setores afetados
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que os segmentos mais prejudicados pelas tarifas norte-americanas incluem:
- madeira
- móveis
- produtos cerâmicos
- máquinas e equipamentos
- calçados
- açúcar
Ele acrescentou que o programa também pretende atender empresas afetadas por novas medidas protecionistas em estudo pelos Estados Unidos.
“A linha 3 do Brasil Soberano vai acolher não só quem já estava sofrendo pelos conflitos geopolíticos e pelas tarifas já adotadas, como também para as que vierem, como as esperadas para sexta-feira, de trabalho forçado.”
Negociação diplomática

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Apesar do reforço financeiro, o governo informou que continua buscando uma solução negociada para o impasse comercial com os Estados Unidos.
Segundo integrantes da equipe econômica e diplomática, o Brasil manteve diálogo com representantes da Casa Branca até os últimos dias antes da entrada em vigor das novas tarifas, mas as negociações não avançaram. O governo brasileiro avalia que a decisão norte-americana teve motivação política e reafirma que pretende manter aberta a via diplomática.
Na véspera do anúncio do pacote, Alckmin voltou a descartar medidas imediatas de retaliação comercial. “A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou Alckmin na terça-feira.
Histórico
O Plano Brasil Soberano foi criado em 2025 para apoiar empresas exportadoras diante das primeiras medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.
As três etapas do programa somam:
- Agosto de 2025: Brasil Soberano 1: R$ 30 bilhões
- Março de 2026: Brasil Soberano 2: R$ 21 bilhões
- Julho de 2026: Brasil Soberano 3: R$ 18,5 bilhões
Com a nova etapa, o governo amplia os instrumentos de financiamento para empresas exportadoras e setores considerados estratégicos, enquanto busca reduzir os impactos das barreiras comerciais e preservar a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.




