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Com safra maior, entregas de fertilizantes crescem 7,7% no Brasil
Distribuição soma 49,11 milhões de toneladas, produção nacional cresce e importações seguem como principal fonte de abastecimento.

De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 49,11 milhões de toneladas em 2025, com crescimento de 7,7% em relação às 45,61 milhões de toneladas registradas em 2024. O desempenho atual das entregas de fertilizantes está alinhado ao crescimento da safra de grãos, que atingiu 346,1 milhões de toneladas em 2025 e 292,5 milhões de toneladas em 2024, segundo o IBGE. Apenas no mês de dezembro, foram 3,83 milhões de toneladas, volume 6,3% superior às 3,60 milhões de toneladas contabilizadas em dezembro de 2024.
Na análise regional, Mato Grosso manteve a liderança nas entregas, concentrando 23,2% do total nacional, com 11,40 milhões de toneladas ao longo de 2025. Em seguida, aparecem Paraná, com 5,87 milhões de toneladas, São Paulo (5,23 milhões), Rio Grande do Sul (4,85 milhões), Goiás (4,75 milhões), Minas Gerais (4,70 milhões) e Bahia (3,12 milhões).
Produção nacional
A produção nacional de fertilizantes intermediários fechou o ano com 7,22 milhões de toneladas, avanço de 2,5% sobre as 7,04 milhões de toneladas produzidas em 2024. Em dezembro, entretanto, houve retração: 494 mil quilos, queda de 14,8% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
As importações seguiram como principal fonte de abastecimento. No acumulado de 2025, o Brasil importou 43,32 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, crescimento de 4,8% frente às 41,34 milhões de toneladas adquiridas em 2024. Em dezembro, as compras externas somaram 3,62 milhões de toneladas, alta de 5,2% em relação a igual mês do ano anterior.
O porto de Paranaguá manteve-se como principal porta de entrada dos fertilizantes no País. Ao longo de 2025, foram descarregadas 10,76 milhões de toneladas pelo terminal, avanço de 4% frente às 10,34 milhões de toneladas registradas em 2024. O volume representou 24,80% do total importado por todos os portos brasileiros, conforme dados consolidados pela ANDA.
De acordo com Elias Lima, presidente do conselho da Anda “Em 2025, mesmo diante de um cenário desafiador marcado ao longo do ano por instabilidades climáticas, oscilações de custos logísticos e um ambiente econômico ainda pressionado, o setor manteve seu compromisso com o produtor rural. As entregas de fertilizantes ocorreram de forma regular e organizada, garantindo previsibilidade ao planejamento da safra. Esse desempenho foi fundamental para assegurar a produtividade no campo e contribuir para o alcance de uma safra recorde, reforçando o papel estratégico da cadeia de insumos para o agronegócio brasileiro.”

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Trigo sobe no mercado interno mesmo com queda externa e dólar mais fraco
Reposição de estoques na entressafra, oferta restrita no spot e gargalos logísticos elevam cotações. Farinhas encarecem e farelo recua com menor demanda na ração.

Os preços do trigo no Brasil seguem em alta, na contramão do mercado internacional e da desvalorização do dólar frente ao real. A leitura é do Cepea, que atribui o movimento doméstico à necessidade de reposição de estoques pelos compradores, à baixa disponibilidade no mercado spot durante a entressafra e à postura retraída dos vendedores, concentrados nos trabalhos da safra de verão.

Foto: Cleverson Beje
Com menos oferta imediata e compradores ativos para recompor posições, as negociações internas ganharam firmeza. Do lado vendedor, a prioridade dada às atividades de campo reduz a liquidez no físico e reforça a pressão altista nas cotações.
No exterior, o cenário é distinto. As cotações futuras recuaram nas bolsas norte-americanas, influenciadas pelo aumento dos estoques globais e pelas chuvas recentes nas Grandes Planícies do sul dos Estados Unidos, fator que melhora a condição das lavouras e reduz prêmios de risco climático.

Foto: Luiz Magnante
Nos derivados, o comportamento é divergente. O farelo de trigo registrou queda na última semana, pressionado pelo aumento da oferta e pela menor demanda, com consumidores já abastecidos ou substituindo o insumo em formulações de ração animal.
Já as farinhas avançaram, refletindo o encarecimento da matéria-prima e a necessidade de reposição por parte dos moinhos.
Além da dinâmica de oferta e demanda, moinhos relatam dificuldades logísticas. Restrições no transporte, associadas ao pico da colheita de soja, reduzem a disponibilidade de fretes e atrasam fluxos de entrega, adicionando custo e incerteza às operações no mercado de trigo.
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Projeto Patrulheiros da Sustentabilidade começa formação prática em Toledo
Capacitação organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná treina equipes municipais para readequação de estradas rurais, conservação de solo e recuperação de nascentes.

O Projeto Patrulheiros da Sustentabilidade inicia nesta quinta-feira (16), às 14 horas, em Toledo, a etapa prática de formação de técnicos municipais que atuam no meio rural. O curso será realizado no Centro de Eventos Ismael Sperafico e marca o início das atividades após o lançamento institucional ocorrido em dezembro, em Curitiba (PR).

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
A formação é direcionada principalmente a profissionais das prefeituras envolvidos na operação de máquinas da chamada “linha amarela” e na readequação de estradas rurais. A proposta combina orientação técnica para manejo de solo e drenagem com ações de recuperação de nascentes e educação ambiental.
A coordenação geral do projeto está a cargo de Altair Bertonha. A organização do curso foi estruturada pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), que indicaram articuladores locais.
De acordo com o engenheiro agrônomo Samuel Mokfa, o objetivo é alinhar práticas de conservação ambiental às rotinas operacionais das prefeituras. “A proposta é qualificar tecnicamente as equipes municipais para que as intervenções em estradas rurais considerem critérios de conservação do solo, da água e da paisagem”, afirma.
O evento também marca o lançamento de dois materiais didáticos que serão utilizados no curso: um Manual de Boas Práticas e uma

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
história em quadrinhos voltada à educação ambiental. A intenção, conforme a organização, é alcançar tanto técnicos quanto estudantes da rede escolar. “Os materiais foram pensados para traduzir conceitos técnicos em linguagem acessível e apoiar as ações nas comunidades”, menciona Mokfa.
A equipe de instrutores reúne engenheiros agrônomos, agrícolas, ambientais e de produção, além de biólogos, geógrafos e economistas. A abordagem é interdisciplinar e inclui aspectos produtivos, ambientais, sociais e de planejamento público.
O projeto prevê ainda a produção de trabalhos acadêmicos e a criação de uma plataforma digital para registro de demandas dos municípios, com foco na organização das informações sobre intervenções em estradas e pontos críticos de erosão e drenagem.
A cerimônia contará com representantes da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI), além de lideranças municipais e instituições de ensino superior.
Além da programação presencial, o evento também será transmitido de forma remota pelo link https://meet.google.com/iam-oxvj-bmu, ampliando o acesso e permitindo a participação de interessados de diferentes regiões.
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Mapa e CVM firmam acordo para ampliar financiamento do agro via mercado de capitais
Parceria prevê compartilhamento técnico e ações para facilitar acesso de produtores a instrumentos financeiros fora do crédito tradicional.

O Ministério da Agricultura e Pecuária e a Comissão de Valores Mobiliários formalizaram um Acordo de Cooperação Técnica com foco na ampliação do financiamento ao setor agropecuário por meio do mercado de capitais.
A iniciativa ocorre em um contexto em que uma parcela relevante dos recursos destinados ao agro já tem origem em operações com títulos e valores mobiliários, como instrumentos de securitização e crédito privado. A parceria busca aprofundar esse movimento, ampliando o uso dessas ferramentas no financiamento da produção.
O convênio prevê o compartilhamento de conhecimento técnico entre as instituições, além do desenvolvimento de diagnósticos, estudos e análises voltadas ao aprimoramento do ambiente de financiamento do setor. Também estão previstas ações para promover o acesso de produtores e empresas agropecuárias ao mercado de capitais.
A coordenação ficará sob responsabilidade da Secretaria de Política Agrícola do ministério, com apoio do Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, e da área de securitização e agronegócio da CVM.
O acordo tem vigência inicial de dois anos, contados a partir da publicação no Diário Oficial da União, com possibilidade de prorrogação. A expectativa é que a cooperação contribua para diversificar as fontes de recursos do agro e reduzir a dependência exclusiva das linhas tradicionais de crédito rural.



