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Com recuo das exportações da soja e aumento dos estoques, preços caem

Os Indicadores ESALQ/BM&FBovespa – Paranaguá (PR) e CEPEA/ESALQ – Paraná da soja cederam 2,3%, com respectivos fechamentos de R$ 184,99/sc e de R$ 179,69/sc de 60 kg na sexta-feira (19). 

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Foto: Arquivo/OP Rural

Os preços da soja caíram nos Estados Unidos e no Brasil nos últimos dias, devido à redução das transações internacionais da oleaginosa, que resultou em maior volume de estoque de passagem (da safra 2021/22) em relação à quantidade estimada até o mês passado.

Além disso, as recentes chuvas no Hemisfério Norte beneficiaram as lavouras em desenvolvimento, aliviando as tensões de produtores.

A queda nas transações internacionais se deve à menor demanda da China, que deve importar 90 milhões de toneladas na safra 2021/22, quase 10% abaixo da safra passada e o menor volume das últimas três temporadas.

Segundo o relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado no dia 12, o estoque de passagem da safra 2021/22 no Brasil (que se encerra em setembro deste ano) devo somar 22,7 milhões de toneladas, volume 22,77% inferior ao da safra anterior, mas ainda 1,1% superior ao estimado em julho pelo USDA.

Isso se deve às estimativas de recuo na exportação brasileira nesta temporada, prevista em 80 milhões de toneladas, 1,2% abaixo do relatório do mês passado e 2% inferior à quantidade embarcada na temporada 2020/21.

Assim, de 12 a 19 de agosto, ambos os Indicadores ESALQ/BM&FBovespa – Paranaguá (PR) e CEPEA/ESALQ – Paraná da soja cederam 2,3%, com respectivos fechamentos de R$ 184,99/sc e de R$ 179,69/sc de 60 kg na sexta-feira (19).

Fonte: Cepea

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Capacitação apresenta novas exigências sanitárias para granjas de suínos no Rio Grande do Sul

Evento reuniu técnicos do serviço veterinário e responsáveis por granjas para detalhar critérios de certificação e biosseguridade.

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Foto: Marcelo Borba/ Fundesa

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), por meio do Programa Nacional de Sanidade dos Suídeos (PNSS), realizou entre os dias 09 e 11 de março um ciclo de treinamentos sobre a Portaria nº 1.358/2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A normativa regulamenta as Granjas de Reprodutores Suídeos Certificadas (GRSCs) e estabelece critérios atualizados para certificação, biosseguridade e monitoramento sanitário desses estabelecimentos.

O treinamento ocorreu na Casa do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), e reuniu técnicos do Serviço Veterinário Oficial (SVO) e responsáveis técnicos (RTs) de granjas de reprodutores. Nos dias 09 e 10 de março, a capacitação foi destinada aos profissionais do SVO. Já no dia 11, o treinamento foi direcionado aos responsáveis técnicos das granjas.

Foto: Shutterstock

Especialistas do Mapa apresentaram as principais mudanças previstas na portaria, com orientações sobre a aplicação das novas exigências sanitárias e a padronização dos procedimentos entre o serviço oficial e a iniciativa privada.

Durante os dois primeiros dias, os técnicos do SVO receberam atualizações sobre os critérios técnico-sanitários para certificação das GRSCs, além das responsabilidades relacionadas às auditorias e supervisões nas granjas. Também foram abordados os novos parâmetros para verificação documental e de biosseguridade, com o objetivo de padronizar os procedimentos no Rio Grande do Sul e garantir a correta aplicação da normativa.

No terceiro dia, o treinamento foi voltado aos responsáveis técnicos das granjas registradas como GRSCs ou que pretendem se adequar às novas exigências. A programação abordou aspectos práticos da portaria, incluindo requisitos de infraestrutura, procedimentos de biosseguridade e rotinas de notificação e registro de informações sanitárias.

A Portaria nº 1.358/2025 também reforça medidas de prevenção e controle de enfermidades de alto impacto sanitário e econômico, como a Peste Suína Africana (PSA), a Peste Suína Clássica (PSC) e a Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRS). A normativa estabelece ainda a classificação das granjas em três níveis de biosseguridade: A, B e C.

De acordo com a coordenadora do Programa Nacional de Sanidade Suína da Seapi, Gabriela Cavagni, o treinamento teve foco na aplicação prática das exigências previstas na portaria, especialmente nos requisitos de biosseguridade e nas responsabilidades dos responsáveis técnicos no processo de certificação das granjas.

Durante a capacitação, também houve espaço para esclarecimento de dúvidas e troca de experiências entre os participantes. Técnicos da Seapi, especialistas do Mapa e responsáveis técnicos discutiram exemplos observados em supervisões, orientações para adequação das estruturas físicas das granjas e práticas recomendadas para garantir a biosseguridade e a qualidade sanitária dos reprodutores.

Os participantes receberam ainda informações sobre os prazos e o processo de adaptação às novas regras, além das responsabilidades compartilhadas entre os estabelecimentos, os responsáveis técnicos e o serviço oficial.

Segundo a Seapi, a iniciativa reforça o trabalho conjunto entre o setor público e a iniciativa privada para fortalecer a sanidade da suinocultura no Estado. O alinhamento técnico durante a transição para as novas exigências busca contribuir para a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade da cadeia suinícola no Rio Grande do Sul.

Fonte: Assessoria Seapi
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Reduzir jornada sem elevar produtividade pode afetar emprego e competitividade

Estrutura produtiva brasileira ainda depende fortemente do trabalho humano e enfrenta baixo investimento em modernização.

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Foto: Shutterstock

O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso Nacional sob uma justificativa que, embora sedutora no discurso, carece de aderência à realidade produtiva brasileira. Sustenta-se que as novas tecnologias e supostos ganhos de produtividade justificariam a diminuição das horas trabalhadas. Entretanto, quando se observam os dados concretos da estrutura produtiva nacional, percebe-se que a automação ainda está longe de constituir uma base sólida capaz de sustentar tal mudança.

Indicadores internacionais desse avanço evidenciam o tamanho do desafio. Enquanto economias líderes operam com centenas de robôs e redesenham seus processos produtivos, o Brasil permanece na base da pirâmide tecnológica, com apenas 10 robôs por 10 mil trabalhadores, muito abaixo da média mundial de 162 robôs. O Brasil está muito distante de países como Estados Unidos, Alemanha, China e Coreia do Sul.

Artigo escrito por José Velloso é engenheiro mecânico, administrador de empresas e presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).

Essa lacuna tecnológica é parte de um problema estrutural mais profundo: o reduzido estoque de capital produtivo por trabalhador. Estimativas comparativas indicam que o Brasil dispõe de apenas cerca de 35% do capital produtivo observado nos Estados Unidos, o que ajuda a explicar por que a produtividade do trabalho brasileira equivale a aproximadamente um quarto da norte-americana. Em um ambiente marcado por baixo investimento, custo de capital elevado e incertezas que inibem a modernização, a produção contínua fortemente dependente do fator humano, o que limita ganhos de eficiência e torna arriscada qualquer redução de jornada dissociada do aumento efetivo de produtividade.

Esse quadro estrutural ajuda a entender o desempenho historicamente baixo da produtividade no país, mantendo o Brasil em posições pouco favoráveis nos rankings internacionais. O Brasil ocupa o 100º lugar no ranking da OIT (Organização Internacional do Trabalho) da produtividade do trabalho. Reduzir a jornada sem alterar esse fundamento não configura política social sustentável: o acréscimo de custos de mão de obra para as empresas poderá, no médio e no longo prazo, resultar em redução de postos de trabalho em setores expostos à concorrência internacional, em razão da perda adicional de competitividade. Estudos empíricos também indicam que a estrutura do mercado de trabalho brasileiro revela forte presença de jornadas superiores a 40 horas justamente entre ocupações de menor qualificação e remuneração, muitas delas localizadas em serviços pessoais, comércio e atividades operacionais. Nesses segmentos, a elevação do custo do trabalho tende a gerar pressões sobre preços, margens ou nível de formalização, exigindo continuidade da política monetária contracionista e medidas que visem evitar efeitos adversos sobre emprego e renda, sobretudo nas pequenas empresas, que reúnem milhões de trabalhadores e possuem menor capacidade de absorver mudanças abruptas.

Diante desse cenário, impor a redução da jornada sem enfrentar previamente os determinantes estruturais da baixa produtividade nacional significa atacar o sintoma, não a causa. O verdadeiro caminho para jornadas menores e salários maiores passa pela expansão do investimento produtivo e pela modernização tecnológica. Um país em que a indústria de transformação possui maior participação de bens complexos tende a absorver serviços mais sofisticados e, portanto, remunera melhor a sua mão de obra. Esse é o caminho para tirar o país da armadilha da renda média — o caminho para o desenvolvimento.

Avanços sociais duradouros não nascem de decretos, mas do aumento consistente da capacidade de produzir mais e melhor. Países que hoje trabalham menos horas chegaram a esse estágio após décadas de acumulação de capital, difusão tecnológica e elevação sustentada da produtividade. O Brasil ainda precisa percorrer esse caminho. Somente ao remover os entraves que limitam investimento, eficiência e formalização será possível reduzir jornadas de forma responsável, ampliando bem-estar sem comprometer emprego, competitividade ou crescimento econômico.

Fonte: Artigo escrito por José Velloso é engenheiro mecânico, administrador de empresas e presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).
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Transição para economia de baixo carbono pode redefinir empregos no agro em Mato Grosso

Estudo aponta que cinco municípios concentram mais de 22 mil empregos na agropecuária extensiva e alerta que adaptação tecnológica e ambiental será decisiva para manter competitividade.

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Fotos: Shutterstock

A transição global para uma economia de baixo carbono já começa a produzir efeitos concretos em uma das regiões mais estratégicas do agronegócio brasileiro. Um estudo da Agenda Pública indica que municípios do estado de Mato Grosso, maior polo de agropecuária extensiva do país, podem enfrentar impactos relevantes sobre emprego e competitividade nos próximos anos.

A pesquisa Empregos do Futuro analisou dados entre 2018 e 2024 e identificou forte dependência econômica da agropecuária em cinco municípios mato-grossenses: Diamantino, Sorriso, Campo Novo do Parecis, Nova Ubiratã e Sapezal. Juntas, essas cidades concentram mais de 22 mil vínculos formais ligados à agropecuária extensiva.

Foto: Jonathan Campos

Em algumas localidades, a dependência é ainda mais expressiva. Em Nova Ubiratã e Sapezal, por exemplo, mais da metade dos empregos formais e da massa salarial estão diretamente vinculados ao setor agropecuário.

Segundo o estudo, essa concentração torna as economias locais mais vulneráveis a oscilações do mercado internacional, eventos climáticos extremos e às novas exigências ambientais impostas por mercados compradores, especialmente nas cadeias voltadas à exportação.

Sem estratégias de adaptação, o risco é perda de competitividade e dificuldade de acesso a mercados cada vez mais exigentes em relação a critérios ambientais e de sustentabilidade.

Caminhos para modernização

Ao mesmo tempo em que aponta riscos, o levantamento também identifica oportunidades de transformação produtiva no campo. Tecnologias e práticas sustentáveis podem impulsionar ganhos de produtividade e criar novas demandas por mão de obra qualificada.

Entre as soluções citadas estão a agricultura de precisão, o uso de bioinsumos e a expansão de sistemas integrados lavoura–pecuária–floresta (ILPF), modelo produtivo que combina diferentes atividades agrícolas em uma mesma área.

A estimativa apresentada pela pesquisa é de que cerca de 2 milhões de hectares com sistemas ILPF sejam implementados até 2030, ampliando o potencial de geração de empregos e fortalecendo a sustentabilidade da produção agropecuária.

Juventude rural no centro da transformação

Outro ponto destacado no estudo é o papel da juventude rural nesse processo de transição. Os municípios analisados concentram uma parcela significativa da população com idade entre 15 e 29 anos, grupo que pode desempenhar papel decisivo na modernização do setor.

A pesquisa alerta, no entanto, que o potencial dessa geração depende de políticas de qualificação profissional e de criação de oportunidades ligadas à chamada economia verde. Sem essas iniciativas, existe o risco de ampliação da exclusão econômica em áreas rurais.

Políticas públicas em curso

O relatório também analisa iniciativas já em andamento que buscam estimular uma produção mais sustentável no estado, entre elas os programas Mato Grosso Sustentável, MT Mais Verde e o Plano Estadual de Educação Profissional Rural.

No âmbito federal, são citadas políticas como o Plano de Transformação Ecológica e a estratégia industrial Nova Indústria Brasil, que incluem medidas voltadas à descarbonização da economia e ao fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis.

Potencial de liderança

A conclusão do estudo aponta que Mato Grosso reúne condições estratégicas para liderar a transição sustentável no agronegócio brasileiro. No entanto, o sucesso desse processo dependerá da capacidade de integrar inovação tecnológica, qualificação da mão de obra e coordenação entre setor público e iniciativa privada.

Nesse cenário, especialistas destacam que a adaptação às novas demandas ambientais e de mercado não será apenas um desafio, mas também uma oportunidade para redefinir o futuro do trabalho no campo e fortalecer a competitividade do agro brasileiro no cenário internacional.

Fonte: O Presente Rural
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