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Com olhar inovador para o campo, IDR-Paraná recebe homenagem da Assembleia Legislativa
Órgão do Governo do Estado completa 50 anos, data que remete ao aniversário do antigo Iapar. Na sessão da Alep, foram enfatizados os avanços voltados à uma agricultura produtiva, sustentável, que dá retorno aos agricultores e, também, a viabilização da propriedade familiar.

O IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater) recebeu nesta segunda-feira (27) uma homenagem da Assembleia Legislativa pelos seus 50 anos de atuação. O destaque foi a contribuição da pesquisa e das inovações introduzidas pelo órgão para o desenvolvimento da agricultura do Estado e a melhoria na qualidade de vida no campo.
“Foram anos de muito trabalho e de grandes avanços em novas tecnologias, novos equipamentos e lançamento de cultivares”, disse Natalino Avance de Souza, presidente do IDR-Paraná. “Trabalho que sempre focado em preocupações centrais: a prática de uma agricultura produtiva, ambientalmente sustentável, que dá retorno econômico aos agricultores e, também, a viabilização da pequena agricultura familiar, característica do meio rural paranaense”.
O cinquentenário remete ao aniversário do antigo Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), centro de pesquisas agropecuárias, fundado em 1972. Em dezembro de 2019, o Iapar foi integrado ao IDR-Paraná por reforma administrativa, que promoveu a fusão com a Emater-PR, a Codapar (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná) e o CPRA (Centro Paranaense de Referência em Agroecologia).

Deputados fazem homenagem ao trabalho de pesquisa e inovação do IDR-Paraná
O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, participou da sessão e destacou a importância da pesquisa pública para a agropecuária. “A alta produtividade e a qualidade da agropecuária paranaense têm muito do suor dos agricultores e bastante do esforço de servidores que se deslocam do campo para o laboratório na missão de desenvolver cultivares e produtos que exijam menos esforço físico, tragam bons rendimentos financeiros e garantam a sustentabilidade para o Planeta”, disse Ortigara.
“Essa tarefa foi abraçada com entusiasmo pelos pesquisadores do antigo Iapar, que levaram o nome do instituto a vários cantos da Terra, e se perpetua agora, no IDR-Paraná, onde todos mostram que é possível fazer melhor aquilo que já era bom”, completou.
Pioneirismo
Vania Moda Cirino, diretora de Pesquisa do IDR-Paraná, destacou a trajetória da pesquisa na agricultura do Estado, marcada pelo pioneirismo. O Estado foi um dos precursores em estudos sobre plantio direto no Brasil.
Com abordagem em microbacias, pesquisadores desenvolveram e adaptaram métodos de terraceamento e cultivo mínimo que possibilitaram recuperar milhares de hectares de solo cultivado e inspiraram projetos similares em outras regiões brasileiras e também na América Latina e na África.
“Outro exemplo é o caso dos citros e os estudos que possibilitaram manejar o cancro cítrico e viabilizar a inserção do Paraná no mapa da produção nacional e internacional destas frutas”, relatou a pesquisadora.
No melhoramento genético de plantas, destaca-se o desenvolvimento de cultivares de maçã apropriadas para cultivo em regiões de inverno ameno, hoje cultivadas em todos os Estados do Sul do Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. “Em 50 anos de atividades, a instituição registrou 220 cultivares no Ministério da Agricultura, das mais variadas culturas de interesse econômico”, disse Vania.
Também é obra do IDR-Paraná a criação da primeira raça paranaense – e a primeira no Brasil desenvolvida em um centro estadual de pesquisa – de bovino para corte, o Purunã, obtido a partir de cruzamentos envolvendo animais puros das raças Aberdeen Angus, Canchim, Caracu e Charolês.
A diretora, destacou, ainda a atuação institucional na formação de novos pesquisadores e técnicos, por meio de um mestrado em agricultura conservacionista, mantido em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL). “Também conduzimos há 30 anos um programa de iniciação científica que já acolheu 1,8 mil estudantes de graduação”, explicou.
Cultivares
Em meio século de atividades o IDR-Paraná ofereceu ao setor produtivo 220 cultivares para as mais diversas culturas de interesse econômico – feijão, trigo, café, milho, arroz, batata, forrageiras, frutas de clima temperado e tropical, mandioca e plantas para adubação verde e cobertura do solo.
“É uma média de quatro lançamentos por ano. Um trabalho que seguramente resultou em aumento na produtividade, melhoria de vida de agricultores e consumidores, diminuição de impactos ambientais e maior disponibilidade de alimentos a preços compatíveis com o nível de renda da população brasileira”, destaca Vania.
Dentre as mais de duas centenas de cultivares, a IPR Uirapuru foi das que mais alcançaram repercussão. Lançada em 2000, manteve-se por muito tempo como a semente preferida por agricultores de quase todas as regiões produtoras de feijão-preto no Brasil, até ser substituída, em 2017, pela cultivar IPR Urutau, também do IDR-Paraná e igualmente bem recebida por produtores e consumidores.
Outro material de grande destaque é a aveia preta IAPAR 61 – Ibiporã, de 1993, a única cultivar de ciclo longo no mercado, que permite oito a nove ciclos de pastejo — contra apenas três a quatro dos outros materiais disponíveis. É cultivada nos estados do Sul do Brasil e cerrados de Goiás e Mato Grosso, tendo alcançado também Estados Unidos, Paraguai, Argentina, Uruguai e países da Europa.
Talvez a maior parte dos apreciadores de canjica – ou mugunzá, como também é chamada em várias regiões – nem saiba, mas quase a totalidade dessa brasileiríssima iguaria consumida no país provém da cultivar de milho branco IPR 127, lançada pelo IDR-Paraná em 2005 e ainda hoje praticamente a única neste mercado, sendo cultivada também em Goiás, Mato Grosso e São Paulo.
Também foram desenvolvidas pelo IDR-Paraná as duas cultivares de trigo-mourisco, ou sarraceno, mais plantadas no Paraná, IPR 91 Baili e IPR 92 Altar, lançadas no ano 2000.
A pesquisa do IDR-Paraná foi pioneira no desenvolvimento de cultivares de maçã para regiões de inverno ameno. IAPAR Eva e IAPAR Julieta são cultivadas nos Estados do Sul e em regiões produtoras de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e até da Bahia.
Café
Destaque-se, ainda, o melhoramento genético de café. O IDR-Paraná foi o primeiro centro de pesquisas a reunir em uma só cultivar de arábica porte baixo, alta produtividade e resistência aos nematoides Meloidogyne paranaensis, Meloidogyne incognita e Meloidogyne exigua. Com esses atributos, IPR 100 é bastante procurada pelos cafeicultores do Paraná e também de São Paulo e Minas Gerais.
Por aliar elevada produtividade com resistência ao calor e à seca, IPR 103 é outra cultivar desenvolvida pelo IDR-Paraná que vem se ganhando espaço em Minas Gerais. Já a cultivar IPR 107 se sobressai pela alta resistência à ferrugem, maturação precoce, frutos grandes, facilidade de colheita e excelente qualidade de bebida.
Salto
O deputado Tercílio Turini, que propôs a homenagem, destacou o salto que o Paraná deu em qualidade e produtividade no agronegócio a partir do desenvolvimento e utilização de tecnologias inovadoras. Ele enfatizou que o avanço no setor colocou o País no patamar de um dos maiores produtores mundiais e fortaleceu o agronegócio como um os principais alicerces da economia. “Neste cenário de avanço científico, um dos centros de pesquisa que conquistou os mais elevados índices de resultados positivos foi o Instituto Agronômico do Paraná, hoje IDR” afirmou.
Celebração
Na quinta-feira (30) será realizado um evento em comemoração aos 50 anos da pesquisa pública voltada ao desenvolvimento da agropecuária. O evento será na sede do IDR-Paraná em Londrina e vai contar com lançamentos de cinco cultivares e dois livros. São opções de cultivo no inverno – aveia branca IPR Andrômeda, cártamo IPR 211 e canola IPR 212 para a produção de grãos e geração de renda no período de inverno, e o nabo forrageiro IPR 210, prioritariamente destinado ao uso como planta de cobertura em estratégias de manejo conservacionista do solo.
Também será lançada uma variedade de milho precoce, IPR 216, apropriada tanto para produzir grãos como para ensilagem da planta inteira.
Também está previsto na solenidade comemorativa o lançamento de dois livros, ambos abordando o tema plantas daninhas. “Plantas daninhas em pastagens do Paraná”, do pesquisador Walter Miguel Kranz, apresenta o resultado de levantamento conduzido em 167 propriedades típicas de quatro grandes regiões – Primeiro e Segundo Planaltos, Terceiro Planalto, Arenito e Campos Nativos.
Escrito pelo pesquisador Francisco Skora Neto, a redução do uso de herbicidas para controlar plantas daninhas em plantio direto é a abordagem central do segundo livro, “Manejo sustentável de plantas daninhas: fundamentos para um sistema de plantio direto sem herbicida”.

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Regras para proteger consumidores do Mercosul são aprovadas no Senado
Novas normas devem tornar contratos internacionais mais previsíveis e ampliar participação do país nas cadeias de consumo.

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) aprovou por unanimidade, na terça-feira (10), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL 170/2022), que moderniza e harmoniza o ambiente regulatório do Mercosul, com foco na circulação de bens, serviços e informações entre os países do bloco.
Segundo a vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), a proposta estabelece normas comuns para contratos internacionais de consumo e deve tornar o mercado regional mais integrado, previsível e seguro.

Vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS): “Para o nosso país, a consolidação desse marco representa um passo essencial para ampliar sua participação nas cadeias regionais de consumo” – Foto: Divulgação/FPA
A aprovação ocorre poucos dias depois do Senado Federal dar aval ao acordo Mercosul-União Europeia, após 26 anos de negociações. O acordo provisório prevê a redução de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela União Europeia.
Tereza Cristina destacou que a iniciativa começou ainda em 2010, no contexto da construção de um marco ampliado de direitos para os cidadãos do Mercosul, que culminou no Estatuto da Cidadania do Mercosul, adotado em 2021.
A senadora explicou que, especificamente na proteção do consumidor, o projeto cria um Sistema de Defesa do Consumidor do Mercosul, com regras claras para o tratamento jurídico de contratos internacionais de consumo. “Foi nesse contexto que se chegou ao instrumento de proteção ao consumidor do Mercosul que discutimos e conseguimos aprovar. Trata-se de uma construção voltada a um mercado mais integrado, previsível e seguro, criando condições para o fortalecimento do comércio eletrônico, do turismo intrarregional e das novas modalidades de serviços digitais. Para o nosso país, a consolidação desse marco representa um passo essencial para ampliar sua participação nas cadeias regionais de consumo”, afirmou.
O projeto agora segue para análise do Plenário do Senado.
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Workshop de Bioinsumos reúne mercado e inteligência de dados em São Paulo
Pela primeira vez aberto ao público, evento será realizado nos dias 17 e 18 de março, com foco em análises estratégicas, dados inéditos e projeções sobre o mercado brasileiro e internacional.

A Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio) está com as inscrições abertas para a 3ª edição do Workshop de Inteligência de Mercado em Bioinsumos, que será realizado nos dias 17 e 18 de março, em Campinas (SP).
Em um momento marcado pelos desdobramentos regulatórios da Lei dos Bioinsumos (nº 15.070) e pela forte expansão do setor no país, o evento se propõe a ser um espaço estratégico de análise e interpretação desse novo ambiente de mercado, reunindo representantes da indústria, especialistas e profissionais do setor, além de demais agentes da cadeia de bioinsumos, para discutir tendências, desafios e oportunidades, com base em dados e projeções sobre o cenário brasileiro e internacional.
Consolidado como um espaço qualificado de acesso a dados exclusivos e discussões de alto nível, esta edição contará com um número maior e mais diversificado de apresentações, tendo como foco a inteligência de mercado.
A programação, que será combinada a momentos de debate e networking entre os participantes, trará análises sobre o panorama global dos bioinsumos, incluindo projeções e tendências para os próximos anos, o cenário das commodities agrícolas e seus impactos sobre o setor, os desafios de adoção das tecnologias biológicas no campo, além de um retrato atualizado do mercado brasileiro, com detalhamento de segmentos como inoculantes e biodefensivos.
A participação é aberta aos associados da ANPII Bio e, pela primeira vez, profissionais não associados também poderão participar, mediante inscrição prévia. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser realizadas por meio de formulário online.
Colunistas
A matemática do fomento para inovação no agronegócio
Da porteira para dentro, o Brasil é líder. Mas o próximo salto competitivo não está na lavoura, está no laboratório.

O agro brasileiro construiu uma potência produtiva admirada no mundo inteiro. Somos referência em produtividade, eficiência operacional e capacidade de adaptação. Da porteira para dentro, o Brasil é líder. Mas o próximo salto competitivo não está na lavoura, está no laboratório.
O lançamento de R$ 3,3 bilhões em editais de subvenção econômica pela Finep, dentro do programa Finep Mais Inovação Brasil, sinaliza que o país decidiu acelerar sua transformação industrial. Entre esses editais, há um recorte estratégico para as cadeias agroindustriais sustentáveis, com R$ 300 milhões destinados especificamente a projetos de inovação no setor. O edital, disponível no portal oficial da Finep, prevê apoio não reembolsável para o desenvolvimento de novos produtos, processos e tecnologias voltados à agroindústria.

Artigo escrito por Francisco Tripodi, executivo especializado em inovação e financiamento à pesquisa e desenvolvimento.
Esse movimento abre uma oportunidade para o agronegócio brasileiro dar um passo além da exportação de commodities e avançar na agregação de valor por meio de biotecnologia, bioinsumos, fertilizantes de nova geração, processamento industrial e biocombustíveis avançados.
O Brasil já domina a produção de grãos, proteína animal e fibras, mas a pergunta estratégica agora é: queremos continuar exportando matéria-prima ou queremos exportar tecnologia embarcada, soluções industriais e propriedade intelectual derivada daquilo que produzimos?
A matemática do fomento ajuda a dimensionar essa oportunidade e ter a resposta para o questionamento.
Dados dos dez editais da primeira edição do programa Finep Mais Inovação mostram que, a cada R$ 1 investido em projetos apoiados, 69,7% foram aportados pela Finep e apenas 30,3% corresponderam à contrapartida das empresas. Como a subvenção é um recurso não reembolsável, ela reduz diretamente o custo de capital do projeto. Quando essa contrapartida empresarial é estruturada de forma estratégica, pode ainda gerar benefícios fiscais por meio da Lei do Bem, do MOVER e da Lei das TICs, com recuperação que pode chegar a 49% sobre os dispêndios elegíveis.
Na prática, isso significa que cada R$ 1 em subvenção pode gerar aproximadamente até R$ 3 em retorno financeiro em projetos de inovação, considerando os efeitos combinados entre recurso não reembolsável e incentivos fiscais. Para um setor que convive com volatilidade de preços internacionais, pressão de custos e margens apertadas, essa engenharia financeira altera substancialmente a análise de risco.
Não se trata simplesmente de captar recurso público. Trata-se de estruturar projetos com estratégia, governança e visão de longo prazo. Equipamentos de maior risco tecnológico, plantas piloto, unidades de processamento ou soluções biotecnológicas podem ser viabilizados com subvenção. Equipes técnicas e pesquisadores podem gerar créditos fiscais relevantes. O resultado é um projeto mais robusto, com menor exposição financeira e maior capacidade de diferenciação competitiva.
Fazendo uma análise baseada em estimativas de mercado e no meu histórico de atuação no seguimento, indica que empresas que combinam fomento direto e indireto podem crescer até 20% mais rápido que a média de seus setores. Esse crescimento não vem apenas do capital acessado, mas da disciplina estratégica que a inovação exige.
Para mim, o agro brasileiro venceu a batalha da produtividade e agora precisa vencer a batalha da sofisticação tecnológica. O mundo caminha para cadeias mais exigentes em rastreabilidade, sustentabilidade, descarbonização e diferenciação de produto. Quem dominar biotecnologia, processamento avançado e ativos intangíveis terá maior poder de precificação e menor dependência de ciclos internacionais.
Os R$ 300 milhões destinados às cadeias agroindustriais sustentáveis representam uma oportunidade de reposicionamento estratégico. O capital está disponível. O ambiente regulatório está estruturado. O que ainda precisa evoluir, em muitos casos, é a gestão da inovação dentro das empresas, tratando P&D como investimento central na estratégia do negócio.
O agro brasileiro já provou que sabe produzir em escala. O próximo passo é provar que sabe inovar em escala. Dominar a porteira foi uma conquista histórica. Dominar o laboratório pode ser o movimento que garantirá as próximas décadas de liderança global.



