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Com oferta reduzida, preços dos produtos lácteos sobem
O aumento se deve sobretudo à limitação da produção no campo. Já a redução na captação de leite cru, por sua vez, está atrelada aos efeitos negativos do clima sobre a atividade.

A tendência de queda nos preços observada nos últimos meses do ano passado deu lugar a um movimento atípico de alta nas cotações neste início de 2023. Pesquisas do Cepea realizadas com o apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostram que, em janeiro, o leite longa vida (UHT), o queijo muçarela e o leite em pó (400g) tiveram médias de R$ 4,01/l, de R$ 29,70/kg e de R$ 29,41/ kg, respectivamente, altas reais de 4,2%, de 3,3% e de 1% frente ao mês anterior. Na Média Brasil, o leite pasteurizado, o queijo prato e a manteiga fecharam janeiro com valorizações reais de 0,36%, 1,18% e 0,12%, na mesma ordem (os valores foram deflacionados pelo IPCA de janeiro/23).
O aumento nos preços dos lácteos se deve sobretudo à limitação da produção no campo. A redução na captação de leite cru (matéria-prima dos derivados), por sua vez, está atrelada aos efeitos negativos do clima sobre a atividade – as regiões do Sudeste e Centro-Oeste enfrentaram chuvas intensas, ao passo que, no Sul, verifica-se estiagem. Além disso, os baixos estoques de derivados e a retração das importações de lácteos reforçaram a diminuição da oferta em janeiro.
Ressalta-se, contudo, que a demanda por lácteos ainda fragilizada na ponta final da cadeia limitou valorizações mais intensas. Empresas seguem adotando diferentes estratégias, visando assegurar liquidez e rentabilidade aos laticínios.
Fevereiro
Agentes de mercado consultados pelo Cepea relataram que o mercado de derivados mostra sinais de recuos em fevereiro, uma vez que a demanda segue enfraquecida. Ainda assim, na primeira quinzena do mês, os valores se sustentaram, devido à baixa oferta da matéria-prima. Pesquisas ainda em andamento indicam que o UHT e a muçarela tiveram médias parciais de R$ 4,45/l e de R$ 31,38/kg (de 1º a 15 de fevereiro), respectivas elevações de 11,1% e 5,7% frente às de janeiro.

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Brasil mira mercado sul coreano e avanço sanitário pode destravar exportações de carne
Inspeções técnicas, exigências sanitárias rigorosas e perfil premium de consumo posicionam a Coreia do Sul como oportunidade estratégica para a proteína animal brasileira.

A intensificação das negociações entre Brasil e Coreia do Sul recoloca no centro do debate uma agenda estratégica para o agronegócio brasileiro. Após mais de uma década de restrições sanitárias, o envio de técnicos sul-coreanos para inspeção de plantas frigoríficas brasileiras é visto por analistas como etapa decisiva para abertura de um dos mercados mais exigentes e valiosos da Ásia.
Além da relevância sanitária, o contexto econômico amplia o peso das negociações. Com PIB próximo a US$ 2 trilhões, a Coreia do Sul está entre os maiores importadores do mundo, movimentando mais de US$ 600 bilhões anuais em compras externas. Ainda assim, o Brasil responde por apenas cerca de 1% dessas importações, em um fluxo bilateral estimado em aproximadamente US$ 10,8 bilhões, sendo que as exportações brasileiras para o país asiático se concentram principalmente em petróleo, minério de ferro e farelo de soja.

Economista Johnny Mendes: “Nós já temos essa barreira sanitária desde 2012. O Brasil é um dos maiores players globais em proteína animal e a Coreia do Sul possui elevada dependência de importações”
Para o economista Johnny Mendes, o movimento é esperado dentro da lógica do comércio internacional. “Nós já temos essa barreira sanitária desde 2012. O Brasil é um dos maiores players globais em proteína animal e a Coreia do Sul possui elevada dependência de importações. Existe complementaridade clara, mas a remoção de barreiras sanitárias exige validação técnica presencial. Não é algo que se resolve apenas com acordos diplomáticos”, afirma.
Dados do comércio internacional reforçam o potencial econômico da negociação. A Coreia do Sul figura entre os maiores importadores globais de carne bovina e depende do mercado externo para suprir aproximadamente 60% do consumo interno, cenário impulsionado por limitações geográficas e custos de produção. Atualmente, Estados Unidos e Austrália lideram o fornecimento ao país asiático. “O Brasil tem condições plenas de atender padrões sanitários rigorosos. Já exportamos para mercados com alto nível de exigência. A presença de delegações técnicas faz sentido e é uma etapa necessária para destravar o fluxo comercial”, explica Mendes.
Mendes observa ainda que fatores geoeconômicos ampliam a relevância da negociação. Tensões comerciais, reconfigurações tarifárias e disputas por cadeias de suprimento têm levado economias asiáticas a diversificar fornecedores estratégicos. “Sempre que há ruídos tarifários ou rearranjos comerciais entre grandes economias, surgem janelas de oportunidade. O Brasil pode se beneficiar, mas o ponto central continua sendo a eliminação da barreira sanitária”, avalia.
Além do volume, o mercado sul-coreano é reconhecido pelo alto valor agregado. Trata-se de um destino premium, com demanda por cortes específicos e rigorosos critérios de qualidade. “Não é apenas uma questão de ampliar destinos. É acessar um mercado que pode elevar o valor médio das exportações brasileiras. Isso exige adequações produtivas, industriais e sanitárias. A própria missão técnica também serve para alinhar expectativas e padrões”, destaca.

Foto: Shutterstock
As negociações também se inserem em uma agenda estratégica mais ampla. A Coreia do Sul é altamente dependente da importação de minerais críticos utilizados em cadeias de semicondutores, baterias e veículos elétricos.
O Brasil, por sua vez, reúne vantagens estruturais relevantes, incluindo a maior concentração global de reservas de nióbio, além de volumes expressivos de grafita, níquel, lítio e terras raras. “O desafio brasileiro não é capacidade produtiva. É alinhamento regulatório e sanitário. Uma vez superadas essas etapas, o potencial de expansão comercial e de diversificação da pauta exportadora é relevante”, enfatiza Mendes.
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Dia Mundial da Agricultura destaca força do agro brasileiro no cenário global
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