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Com novo status, Paraná atraiu R$ 9 bilhões de investimento no setor de proteínas animais

Certificação de livre de febre aftosa sem vacinação e livre de Peste Suína Clássica de forma independente completa dois anos com ampliação do mercado exterior. Os setores público e privado estão em conversa constante com compradores das proteínas animais.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

Com novos mercados em prospecção e outros já conquistados, o Paraná completa neste 27 de maio dois anos da obtenção dos certificados de estado livre de febre aftosa sem vacinação e de área livre de peste suína clássica de forma independente, concedidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), após um trabalho conjunto com a iniciativa privada que levou algumas décadas.

Com a confiança em alta, os investimentos anunciados ou previstos nos últimos anos somam mais de R$ 9 bilhões, contemplando várias proteínas animais, como bovinos, suínos, aves e peixes, uma vez que a certificação vale para todos os segmentos no mercado internacional.

São dezenas de novas plantas industriais e de melhoramento genético, reativação de outras ou ampliação das existentes. Mais de 24 mil empregos estão sendo gerados não apenas no chão de fábrica, mas em toda a cadeia, segundo estimativas da Invest Paraná.

Os setores público e privado estão em conversa constante com compradores das proteínas animais, enquanto o mercado chinês habilitou a primeira planta paranaense, que já começou a exportar carne bovina para o país asiático. Além da China, o Frigorífico Astra, de Cruzeiro do Oeste, passou a vender para a Indonésia. A empresa também foi aprovada em auditoria de autoridades mexicanas para enviar carne bovina àquele país.

O Estado recebeu ainda equipes de auditores da República Dominicana, que aprovaram plantas de suínos, e dos Estados Unidos, que vão receber aves paranaenses. O Chile enviou seus auditores e pode importar suínos do Estado. “Tudo aquilo que produzimos pode ser apresentado para o planeta, temos um selo de garantia que vale para todas as proteínas. Nós temos grau de sanidade animal igual à Austrália, igual aos Estados Unidos e boa parte dos países da Europa”, afirma o governador Carlos Massa Ratinho Junior, acrescentando: “Há o esforço, o suor de muitos técnicos, de muitos professores, de muitos produtores para chegar onde chegamos há dois anos, o que nos dá a oportunidade de negociar bilhões de dólares com o mundo”.

O secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, destaca a importância do trabalho conjunto entre as forças políticas, econômicas e produtivas para a conquista da condição de livre de febre aftosa sem vacinação. E acentuou o esforço conjunto para a prospecção de mercados. “Foram dezenas de anos ultrapassando barreiras, algumas vezes retrocedendo passos e em outras acelerando o processo para cumprir todas as exigências colocadas pela legislação paranaense, pelas orientações federais e pelas cobranças internacionais para que tivéssemos o reconhecimento de que somos bons na produção saudável de proteínas animais”, afirma.

Nesta nova etapa, segundo ele, o Estado precisa aprender e exercitar a habilidade comercial. O que tem sido feito com participação ativa de todas as esferas de governo. Em março o governador liderou uma comitiva que realizou diversas reuniões com autoridades governamentais e empresariais no Japão e na Coreia do Sul.

O Japão é um dos maiores mercados importadores da produção estadual de frango e tem potencial para comprar outras proteínas animais. Em 2022 as exportações paranaenses para o país totalizaram US$ 545,3 milhões, sendo que mais da metade proveniente da carne de frango.

Na Coreia do Sul houve convite para que inspetores da Animal and Plant Quarantine Agency (APQA), a agência sanitária que analisa produtos de origem animal e vegetal, visite o Estado. Esse é um passo importante no processo de chancela de frigoríficos e abatedouros para que possam exportar ao país asiático. O Brasil tem tratativas para habilitar a venda de carne suína a esse mercado que paga mais pelo produto de qualidade.

“Todos esses países têm protocolos e procedimentos próprios. No comércio exterior é importante que tudo isso seja respeitado, ainda que para nós pareça um tempo interminável”, pondera o secretário da Agricultura e do Abastecimento. “Não há entraves nas conversas até porque demonstramos que nossa produção é segura, sustentável, com qualidade, escala e preço competitivo”.

Status garantido

Para a manutenção da condição de livre de febre aftosa sem vacinação, o Governo do Estado atua fortemente na vigilância dos rebanhos, no fortalecimento da estrutura de fiscalização da Adapar e na promoção de campanha de atualização dos plantéis.

Logo após a entrega do certificado de qualidade foram nomeados 25 médicos veterinários e 13 técnicos de manejo e meio ambiente aprovados em concurso público. Também foram contratados 34 técnicos agrícolas por meio de Processo Seletivo Simplificado. Outros seis veterinários foram incorporados em março deste ano.

Este ano o governo estadual autorizou a realização de concurso público para contratação de mais 55 técnicos agrícolas, 37 agrônomos, 18 veterinários e oito servidores administrativos. O edital será publicado nos próximos meses.

Também há empenho para melhorar a mobilidade e a infraestrutura de trabalho dos fiscais da Adapar. De 2019 até 2022 tinham sido adquiridos 103 veículos, 300 computadores e 180 tablets. No início desta semana foram entregues mais 393 computadores e 50 caminhonetes às regionais da instituição.

Outros 60 veículos devem ser entregues ainda este ano para completar o processo de renovação da frota, que tem 12 anos. Somente nos carros e equipamentos entregues agora foram investidos R$ 16,1 milhões, dos quais R$ 15,5 milhões de recursos próprios da agência e R$ 597 mil de convênio com o Ministério da Agricultura e Pecuária.

“O Estado não tem medido esforços para garantir suporte para as ações de vigilância, e os servidores da Adapar estão dando respostas ágeis para as demandas da sociedade”, afirmou o presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins.

Cadastro

Como forma de monitorar e manter a vigilância atenta e preparada, o Estado passou a exigir do produtor a declaração de rebanho, que é feita uma vez por ano e sem custos. É uma ferramenta de planejamento, que possibilita intervenções eficazes caso haja alguma suspeita de enfermidade.

A campanha de atualização cadastral começou em 1º de maio e vai se estender até 30 de junho. Os produtores podem cumprir seu dever pelo site ou pelo aplicativo Paraná Agro. Também podem fazer a atualização presencialmente em uma das unidades locais da Adapar, sindicatos rurais ou escritório de atendimento das prefeituras municipais.

Confira os investimentos que estão sendo feitos ou foram efetivados nos últimos anos no setor de proteínas animais:

Suínos

Foto: Ari Dias/AEN

Assis Chateaubriand – Foi inaugurado na cidade o maior frigorífico de suínos da América Latina. Ele pertence à Frimesa – resultado da união das cooperativas Copacol, C. Vale, Lar, Primato e Copagril – e tem capacidade para abater 15 mil suínos por dia. O investimento na planta industrial foi de R$ 1,4 bilhão e mais R$ 2,5 bilhões no processo produtivo. Previsão de criar até 8,5 mil empregos diretos e indiretos.

Cascavel – A Coopavel fez investimento de R$ 220 milhões para ampliar estruturas e aumentar a produção e abate de suínos.

Castro – A Alegra Foods, empresa das cooperativas Frísia, Capal e Castrolanda, investiu cerca de R$ 60 milhões nos últimos anos para ampliar de 3,2 mil para 3,9 mil abates de suínos/dia. Já a Castrolanda inaugurou em 2021 a quinta maternidade da Unidade de Produção de Leitões.

Ibiporã – O RPF Group, que abate 3,1 mil cabeças diariamente, investiu R$ 20 milhões em unidade para processamento dos subprodutos suínos para fabricação de farinha e óleo para alimentação dos animais (capacidade para 50 toneladas dia de matéria-prima) e em uma fábrica de banha com capacidade para 20 toneladas/dia

Jesuítas – A nova Unidade de Produção de Desmamados (UPD) da Copacol recebeu investimento de R$ 120 milhões.

Laranjeiras do Sul – A Agro Laranjeiras investe R$ 480 milhões em unidade para produção de um milhão de leitões desmamados por ano.

Paranavaí/Santo Antônio do Caiuá – A Agroceres Pic, núcleo genético e unidade de disseminação de genes de suínos, recebeu investimento superior a R$ 100 milhões com capacidade para alojar 3,6 mil fêmeas de elite com produção de até 110 mil animais por ano. A unidade tem potencial para processar 1,2 milhão de doses de sêmen por ano.

Rio Negro – O frigorífico Primaz recebeu, em 2019, o selo do Sisbi – Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal, à época o 32º do Estado, e está aumentando a produção.

Santa Helena – A Alimentos Friella constrói um moderno frigorífico, com previsão de abate de 6 mil suínos por dia, e estima que cerca de mil empregos sejam gerados em cada turno.

Palotina – A C.Vale constrói uma UPD em Palotina, visando ao fornecimento a integrados para atender o novo frigorífico da Frimesa que está sendo construído em Assis Chateaubriand. O investimento é de R$ 75 milhões.

Iporã – A BMG Foods inaugurou um moderno frigorífico nas instalações do antigo Frigorífico Larissa, que foi totalmente reformado. São abatidos 1.400 suínos por dia. O complexo deve se completar com fábrica de ração e de embutidos. O investimento total é de R$ 30 milhões.

Itapejara d´Oeste – A rede No Ponto vai investir R$ 20 milhões em um projeto que inclui um frigorífico com capacidade de abater 400 suínos ou 200 bovinos por dia. Serão gerados 60 empregos diretos. As obras ainda não têm previsão de início. O empreendimento está na fase de organização da documentação.

Frango

Cascavel – A Lar Cooperativa Agroindustrial investe R$ 82 milhões.

Iporã – Administrada pela PlusVal (joint venture da Pluma Alimentos, de Dois Vizinhos, e C. Vale, de Palotina), tem capacidade para 13,5 milhões de ovos por mês. Nessa estrutura foram investidos R$ 76 milhões. Os pintinhos atenderão as demandas das granjas das empresas proprietárias e outros clientes do Brasil.

Iporã – Novo frigorífico da Levo Alimentos, marca pertencente à PlusVal (joint venture da Pluma Alimentos, de Dois Vizinhos, e C. Vale, de Palotina), recebeu investimentos de R$ 180 milhões. Tem capacidade para abater 200 mil frangos por dia e gerar 1,5 mil postos de trabalho. Produção para mercado interno e exportação.

Marechal Cândido Rondon – A Lar Cooperativa assumiu o comando de um frigorífico local, passando a ter quatro unidades e abate de 925 mil aves/dia. Investimento de R$ 410 milhões.

Rolândia – Complexo da Lar com capacidade para processamento diário de 175 mil frangos, fábrica de ração com capacidade de produzir 19 mil toneladas/mês e unidade de recepção e beneficiamento de grãos com capacidade de 16,8 mil toneladas. Geração de 1.900 empregos diretos.

Medianeira – Cooperativa Lar anunciou investimento de R$ 135 milhões para aumentar capacidade de produção.

Rondon – Foi reativado, em 2019, o frigorífico da antiga Averama, que funciona em parceria operacional com a Jaguafrangos, de Jaguapitã.

Umuarama – PlusVal realiza investimentos com vista a ampliar a capacidade de abate para até 200 mil frangos/dia, com possibilidade de ter pelo menos mais 1 mil novos empregos.

Foto: Jaelson Lucas

Peixes

Alvorada do Sul – Unidade de Beneficiamento de Pescados Luís Carlos Bufalo foi reativada, com investimentos dos governos federal, estadual e municipal em valor de R$ R$ 4,2 milhões, além de mais de R$ 10 milhões investidos pela empresa para modernização da planta. Já está em operação desde outubro e gerou 60 empregos. O empreendimento impulsionou a geração de produção e renda aos produtores, que estão aderindo ao projeto da piscicultura, uma forma de incentivar a produção rural, por meio da criação de tilápias.

São João do Ivaí – O frigorífico Mais Fish recebeu chancela do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), concedido pelo Consórcio Cid Centro. Com isso, os produtos da marca Mais Fish podem ser vendidos em todo o Brasil. De 30 funcionários deve duplicar e o proprietário já projeta expansão do frigorífico.

Toledo – Copacol adquiriu o frigorífico da Tilápia Pisces, em investimento de R$ 60 milhões. Abate de 40 mil tilápias ao dia.

Cornélio Procópio – A Coopermota inaugurou recentemente as obras de reestruturação do frigorífico de peixes. O investimento é de mais de R$ 7 milhões. A capacidade total de abate na primeira fase do projeto é de 15 toneladas por turno.

São Jorge d´Oeste – A Alpha Fish pretende explorar um milhão de hectares de água em 12 áreas. A primeira já foi implantada. Até agora, foram instalados 170 tanques, sendo 105 alojados com peixes. Com toda a estrutura montada, devem ser gerados de 800 a mil empregos diretos. O investimento total será de R$ 450 milhões

Mandaguaçu – A GT Foods assumiu operação de tilápias como parte de planejamento estratégico da companhia, que busca a diversificação e se posicionar entre os líderes desse mercado. O planejamento é investir R$ 1 bilhão para ampliar o abatedouro Sol Nascente, que foi comprado, modernizar o maquinário e expandir a distribuição.

Bovinos

Piraí do Sul – O Grupo Boi Barão constrói um frigorífico com investimento de mais de R$ 10 milhões e previsão de gerar 70 empregos diretos.

Pitanga – A FrigoDasko vai ampliar o frigorífico, com vistas a ampliar o abate de 270 bovinos e suínos por dia para 400. A unidade fornece carne e processa cerca de 50 subprodutos.

Peru

Francisco Beltrão – A BRF investe R$ 292 milhões em modernização e ampliação de suas unidades no Paraná. Também foi confirmada a retomada da produção de perus em Francisco Beltrão, poucas semanas depois de a planta ter recebido a habilitação para exportar ao México.

O abate de perus foi iniciado em maio e também já começaram os embarques para o México. A nova linha criará mais de 400 empregos diretos.

Geral

Guarapuava – CooperAliança Carnes Nobres investe R$ 83 milhões e gera 219 empregos diretos para abater 345 cabeças/dia de bovinos e ovinos para carnes nobres.

Rolândia – A JBS investiu R$ 2,2 bilhão para construção da maior fábrica de empanados e salsichas do mundo.

Toledo – A Primato tem investimento de R$ 250 milhões na cidade.

São Jorge d’Oeste – A Piracanjuba vai aplicar R$ 80 milhões na maior fábrica de queijos do Brasil, com capacidade para processar até 2 milhões de litros por dia. A empresa anunciou o novo projeto no final de 2020. A primeira etapa deve ser concluída em 2024 e a previsão é de que até o segundo semestre de 2025 a fábrica esteja funcionando em sua totalidade. A unidade prevê a abertura de 250 postos de trabalho.

Ponta Grossa – Com investimento de R$ 460 milhões, a Queijaria Unium tem expectativa de iniciar as

Fonte: AEN-PR

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IAT amplia lista e dispensa 27 atividades agropecuárias de licenciamento ambiental no Paraná

Nova regulamentação reconhece baixo potencial poluidor de empreendimentos rurais e busca dar mais agilidade aos processos no campo.

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Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST

O Instituto Água e Terra (IAT) publicou nesta semana uma nova regulamentação que classifica alguns tipos de empreendimentos agrícolas como inexigíveis de licenciamento ambiental no Paraná. Entre os itens da Instrução Normativa IAT Nº 01/2026, está uma lista de 27 tipos de atividades agropecuárias de insignificante potencial poluidor e degradador do meio ambiente, que passam agora a ser isentas da necessidade do processo licenciatório. Os responsáveis por essas atividades podem agora solicitar ao órgão ambiental a Declaração de Inexigibilidade de Licença Ambiental (DILA), caso exista a necessidade comprovar a categorização.

Para entrar nessa classificação, os empreendimentos devem atender a um conjunto de exigências. Elas incluem não necessitar de acompanhamento de aspectos de controle ambiental pelo Instituto; não estar localizada em uma área ambientalmente frágil ou protegida; e não necessitar da supressão de vegetação nativa. Além disso, devem ser respeitadas condições estabelecidas pelas legislações municipais vigentes.

Entre as atividades englobadas destacam-se benfeitorias e equipamentos necessários ao manejo da apicultura fixa e migratória; cultivo de flores e plantas ornamentais; aquisição de equipamentos e instalações de estrutura de apoio para plantio em ambiente protegido (casas de vegetação/estufas); aquisição de máquinas, motores, reversores, guinchos, sistemas de refrigeração e armazenagem de pescado;  implantação de viveiros de mudas florestais; adequação do solo para o plantio; e pecuária extensiva, exceto bovinocultura.

Segundo a diretora de Licenciamento e Outorga do IAT, Ivonete Coelho da Silva Chaves, essa classificação de inexigibilidade de licenciamento vem para agilizar o processo para os agricultores. Como são atividades de baixo impacto ambiental, eles não precisam passar pelo processo licenciatório simplificado ou trifásico, que é aplicado em empreendimentos com médio e alto potencial poluidor. “Também não existe a obrigatoriedade da emissão da DILA, que pode ser solicitada apenas se for requisitada para o proprietário por um órgão que exige uma comprovação da inexigibilidade, como um banco por exemplo”, explica.

Licenciamento

O Licenciamento Ambiental é um procedimento administrativo emitido pelo IAT que autoriza a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.

Para mais informações sobre o processo de licenciamento ambiental no Estado do Paraná, é possível consultar o site do Instituto Água e Terra.

Fonte: AEN-PR
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Biológicos impulsionam produtividade de soja a 126,7 sc/ha em lavoura de São Paulo

Campeão do Desafio Nacional do CESB, consultor destaca manejo integrado com produtos biológicos, monitoramento em tempo real e estratégias para enfrentar a variabilidade climática.

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Foto: Jaelson Lucas/AEN

Imagine uma produtividade de 126,71sc/ha em uma lavoura de soja, com a utilização estratégica de produtos biológicos. Foi o que aconteceu na Fazenda Santana, de Itapeva (SP).

O consultor Adriano Oliveira, campeão da Categoria Irrigado/Nacional no último Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, organizado pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), destaca que a utilização de produtos biológicos no sulco e em cobertura para controle de nematoides e doenças de solo contribuiu para a elevada produtividade. “Também realizamos tratamento de sementes com fungicidas, inseticidas e bioestimulantes, e incluímos inoculantes com rizóbios e promotores de crescimento”, acrescenta.

Desafios na lavoura

Adriano aponta que um dos principais desafios foi lidar com a variabilidade climática, especialmente no período de florescimento e enchimento de grãos. “Tivemos veranico no início da formação de vagens e chuvas excessivas na maturação. Para superar isso, apostamos em cultivares com bom teto produtivo e estabilidade, fizemos o escalonamento do plantio dentro da janela ideal e utilizamos tecnologias de monitoramento em tempo real para antecipar manejos e proteger o potencial produtivo”, observa.

Em relação ao controle de pragas e doenças, o consultor sinalizou que priorizou a ferrugem asiática, mancha-alvo e percevejo-marrom, por serem recorrentes na região. “Atuamos com fungicidas protetores desde o V4-V5 e intensificamos o manejo com alternância de mecanismos de ação. Para pragas, adotamos controle antecipado com aplicações programadas e monitoramento semanal. A adoção de produtos com efeito fisiológico e residual ajudou a manter o estande e o enchimento de grãos”, lembra.

Importância do desafio

O consultor considera o Desafio do CESB um termômetro técnico. “Ele nos tira da zona de conforto e exige um nível de excelência em cada detalhe”, expõe, acrescentando: “Durante o ciclo, tivemos momentos de preocupação com o clima, mas mantivemos o foco com base nos dados e no planejamento técnico bem feito. Cada decisão foi tomada com respaldo em monitoramento e histórico da área”.

Fonte: Assessoria CESB
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Suínos e frangos representam 54% do faturamento do agro catarinense

VBP estadual cresce em valores correntes e alcança nível histórico, com impactos diretos sobre renda, indústria e exportações.

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Fotos: Shutterstock

Santa Catarina encerra 2025 com um Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) estimado em R$ 57,8 bilhões, crescimento nominal de 8,5% em relação aos R$ 53,29 bilhões computados em 2024. O avanço ocorre em valores correntes, ou seja, sem descontar a inflação acumulada no período, o que significa que parte da elevação pode estar associada a variações de preços, e não exclusivamente a aumento físico de produção.

A composição interna do VBP catarinense segue marcada pela forte presença das cadeias animais. Suínos (R$ 16,37 bilhões) e frangos (R$ 15,01 bilhões) lideram com folga o ranking estadual e, somados, respondem por 54,3% de todo o faturamento do agro do estado em 2025. Trata-se de uma participação estruturalmente elevada, coerente com o perfil agroindustrial catarinense e com a especialização histórica do território na produção de proteína animal.

O leite ocupa a terceira posição, alcançando R$ 8,49 bilhões em 2025, também com alta nominal frente aos R$ 8,79 bilhões de 2024. Neste caso, porém, observa-se estabilidade, já que a variação é pequena e pode refletir ajustes de mercado e custos, além das condições climáticas que impactaram algumas bacias leiteiras.

A soja, que historicamente figura entre os principais produtos de Santa Catarina, apresentou recuperação em 2025: salta de R$ 5,75 bilhões para R$ 6,42 bilhões, equivalente a 11,7% de aumento nominal. Embora o valor absoluto seja inferior ao das cadeias animais, a oleaginosa mantém papel relevante na composição do VBP catarinense, especialmente em regiões como o Oeste e o Planalto Norte.

Entre os demais produtos, bovinos (R$ 3,09 bilhões), milho (R$ 2,53 bilhões) e arroz (R$ 1,79 bilhão) formam um segundo bloco de importância econômica. No caso do milho, mesmo com produção robusta, o valor permanece abaixo do registrado na soja e nas proteínas animais, reflexo direto da destinação majoritária do grão para consumo interno, especialmente na alimentação de aves e suínos, setores que movimentam a indústria local.

O mapa de variações também mostra movimentos relevantes entre 2024 e 2025. O VBP de suínos registra a maior expansão nominal do estado, avançando 27% em relação ao ano anterior (R$ 12,87 bi → R$ 16,37 bi). Já frangos crescem aproximadamente 5,2% (R$ 14,27 bi → R$ 15,01 bi). Esses dois segmentos foram os que mais contribuíram para o aumento do faturamento agropecuário catarinense no período. Outros produtos, como banana, ovos, uva e batata-inglesa, também apresentam crescimento, mas com impacto geral menor na composição total.

No conjunto, os números reforçam a característica mais marcante do agro catarinense: um setor fortemente impulsionado pela produção de proteína animal, complementado por culturas relevantes como soja, leite e arroz, além de nichos frutícolas e hortícolas que agregam diversidade ao portfólio estadual.

A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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