Suínos Focada no Mercado
Com novo modelo de gestão, Frimesa projeta faturamento de R$ 15 bilhões até 2032
Cooperativa entra em um novo ciclo de crescimento com uma gestão inovadora, focada em agilidade, sustentabilidade e geração de valor para toda a cadeia produtiva.

Em um cenário cada vez mais competitivo e dinâmico, a Frimesa, uma das maiores empresas do setor de proteína animal no Brasil e a quarta maior no segmento de suínos, iniciou o ano com um passo decisivo rumo ao futuro: a adoção de um novo modelo de gestão, mais moderno, integrado e orientado para resultados.
A reestruturação reflete o compromisso da Frimesa em se manter na vanguarda do setor, se adaptando rapidamente às dinâmicas do consumo e às inovações tecnológicas. Com essa nova abordagem, a cooperativa busca otimizar seus processos, agilizar a tomada de decisões e fortalecer sua capacidade de resposta às necessidades de seus clientes e consumidores.

Presidente Executivo Elias José Zydek (sentado à esquerda) com os novos superintendentes: da esquerda para direita – Marcelo Rodrigues Cerino (Operações), Carlos Alberto Pereira (Administrativo Financeiro) e Rodrigo Fabiano Fossalussa (Comercial) – Fotos: Divulgação/Frimesa
Com 47 anos de história, a Frimesa sempre foi reconhecida por sua solidez, planejamento estratégico e compromisso com a cadeia produtiva. A reestruturação reflete a maturidade da cooperativa e a disposição de evoluir sem perder a essência. “A habilidade de se ajustar rapidamente ao mercado tornou-se um imperativo estratégico. Estamos incorporando na nossa equipe profissionais alinhados às exigências do presente, para garantir que nossa missão continue sendo cumprida com excelência e foco em valor para as cooperativas filiadas e para a sociedade”, diz o presidente executivo Elias José Zydek.
A mudança vem em um momento decisivo para a empresa, que traçou um plano ambicioso: dobrar seu faturamento até 2032, alcançando R$ 15 bilhões, e aumentar sua capacidade de produção para 23 mil suínos industrializados por dia. Para atingir esse marco, a Frimesa está se inspirando nas práticas de governança e gestão adotadas pelas líderes globais do setor de alimentos.
Os primeiros resultados já demonstram o impacto positivo dessa mudança. No primeiro quadrimestre de 2025, a Frimesa alcançou um faturamento de R$ 2,37 bilhões, um crescimento de 14,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho operacional também melhorou significativamente, reflexo direto do aumento nas vendas e da valorização dos preços no mercado de carnes.
Confira a entrevista sobre esta nova fase da Frimesa
A nova estrutura organizacional reduziu as divisões da empresa de quatro para três – Operações, Administrativa Financeira e Comercial – e reorganizou o organograma com foco na fluidez dos processos e na tomada de decisões mais rápida e estratégica.
Divisão Comercial
Com foco em uma gestão orientada para o mercado, essa divisão teve o maior impacto, incorporando a área de marketing. Sob a liderança do novo superintendente comercial, Rodrigo Fossalussa, que se uniu à Frimesa em janeiro, a missão é entender os movimentos do mercado e da concorrência, conduzir o time comercial por uma cultura de metas e fortalecer a marca.
A divisão também terá o desafio de implementar uma área comercial corporativa em São Paulo, visando aumentar de 14% para 30% a participação das vendas da Frimesa no estado até 2030, fortalecendo a marca no mercado interno (70% das vendas) enquanto a exportação (30%) complementa.
Divisão de Operações
Resultante da unificação das antigas divisões Industrial e Logística Integrada, essa mudança busca maior eficiência e sinergia. Liderada por Marcelo Rodrigo Cerino, a divisão integra as áreas industriais de lácteos e carnes, Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), engenharia, supply chain e logística.
O redesenho organizacional cria as condições necessárias para um crescimento planejado, otimizando processos, reduzindo desperdícios e aprimorando a utilização de recursos.
Divisão Administrativa Financeira
Sob a liderança de Carlos Alberto Pereira, essa divisão tem como missão ser o suporte ao crescimento da Frimesa, garantindo processos administrativos atualizados, gestão financeira eficiente e a disponibilização de profissionais qualificados. A área é responsável por Finanças, Gente & Gestão (antiga Gestão de Pessoas), Controladoria, Tecnologia da Informação (TI), Pricing, Custos e Produtividade.
Sobre a Frimesa
Fundada em 1977, a Frimesa é uma cooperativa central paranaense que atua nos segmentos de carne suína e derivados, leite e produtos lácteos. Com forte presença nacional e crescente participação no mercado externo, a empresa se destaca por sua atuação sustentável, modelo cooperativista e compromisso com a qualidade, inovação e desenvolvimento da cadeia produtiva. Em 2024 o faturamento da empresa chegou a R$6,5 bilhões.

Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.
Suínos
Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas
Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.
Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.
Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.
Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.
Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.
Suínos
Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína
Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.
De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.
Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.
Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.
Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.
O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.
Raça Landrace
No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.
A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.
É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.
Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.
Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.






