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Com novo cenário global, Paraná pode ampliar exportações para China

Nos últimos anos o Governo do Estado tem investido em uma série de melhorias estruturais e logísticas para ampliar capacidade de envio de mercadorias para o mercado asiático, que é o maior destino internacional da produção paranaense (27%).

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Foto: Claudio Neves

A mudança na presidência dos Estados Unidos e a consequente perspectiva de um possível retorno do embate comercial com a China, com aumento da taxação das importações de forma mútua, podem beneficiar o Paraná, que já tem no país asiático o seu maior destino de exportações. De olho nesta janela de oportunidade, o Governo do Estado tem buscado investir em melhorias contínuas da estrutura portuária, que é o grande canal por onde os produtos paranaenses ganham espaço no mercado mundial, e no fortalecimento das relações comerciais com a China.

Dos US$ 20 bilhões obtidos com a venda de produtos paranaenses entre janeiro e outubro de 2024, US$ 5,4 bilhões foram comprados pelos chineses, o equivalente a 27% das receitas do ano. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), analisados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

No mesmo período, as exportações estaduais para os Estados Unidos somaram US$ 1,2 bilhão, pouco mais de um quarto do volume do 1º colocado. Depois, aparecem as exportações para a Argentina (US$ 951 milhões), México (US$ 849 milhões) e Paraguai (US$ 526 milhões).

Este potencial crescente das exportações para China também pode ser percebido a partir do avanço econômico do país asiático frente aos Estados Unidos. Em 2003, a economia chinesa teve um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1,66 trilhão, enquanto os EUA produziram US$ 11,52 trilhões. Em 2023, o PIB da China chegou a US$ 17,79 trilhões, um crescimento de 971% em duas décadas. No mesmo período, os norte-americanos tiveram um aumento de 121% no PIB, alcançando US$ 25,46 trilhões.

Para fortalecer ainda mais essa relação comercial com o país asiático, o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, e o presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, estiveram na China na última semana. Entre outras agendas, os dois assinaram na quarta-feira (6) uma carta de intenções com representantes da China Merchants Port Holdings (CMPort), que é uma das maiores operadoras globais de terminais de contêineres.

“Em 2024, o Brasil e a China completaram 50 anos de relações diplomáticas e esta assinatura é um marco nas relações entre os dois países em prol do crescimento comercial e fortalecimento de laços. O acordo tem um forte potencial para gerar riqueza sustentável e promover ainda mais o desenvolvimento econômico no Paraná”, comentou o secretário estadual de Infraestrutura e Logística.

Desde março de 2018, quando a CMPort passou a controlar o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), o grupo mantém uma parceria estratégica com a Portos do Paraná e o Governo do Estado para a execução de projetos e investimentos. Em 2024, o TCP ocupa a 2ª colocação entre os maiores movimentadores de contêineres do Brasil.

O compromisso firmado pela Portos do Paraná com a empresa busca a promoção conjunta e colaboração comercial, a construção de portos verdes e inteligentes, a aplicação de novas tecnologias, o intercâmbio de pessoal para troca de experiências e a cooperação técnica sobre a agenda ESG.

“O Paraná foi o primeiro lugar do Brasil onde a CMPort escolheu investir em 2018 e, anos depois, a empresa continua aplicando no Estado, o que mostra a credibilidade e a relevância que o Paraná tem perante um dos maiores grupos econômicos do mundo. A carta de intenções que assinamos busca melhorar e expandir a infraestrutura da TCP”, disse o presidente da Portos do Paraná.

Na quinta-feira (7), a comitiva paranaense participou de uma reunião com representantes do Ministério dos Transportes chinês. O foco do encontro foi o aprofundamento das relações entre o Estado e a China com o objetivo de aumentar os investimentos no Paraná buscando uma logística ainda mais eficiente para os portos paranaenses.

Crescimento

Em 1997, ano do início da série histórica do MDIC, a China representava 4,3% das exportações paranaenses, com um total de US$ 206,8 milhões em receita obtida. Com algumas exceções, essa proporção seguiu uma tendência de alta ao longo dos anos, subindo para 10,4% em 2003 (US$ 738,5 milhões), 22% em 2013 (US$ 4 bilhões) e 28,2% em 2023 (US$ 7,1 bilhões).

O principal produto que alimenta essa relação comercial entre o Paraná e a China é a soja, que representa o maior volume de exportações tanto em peso quanto em dinheiro. Em 2003, a venda da soja paranaense ao mercado chinês rendeu US$ 461,2 milhões, valor que saltou para US$ 3,3 bilhões em 2013 e US$ 5,4 bilhões em 2023.

Nos oito primeiros meses de 2024, mais de 11,7 milhões de toneladas de soja saíram dos portos paranaenses com destino ao mercado chinês. O volume foi 5,72% maior do que as 11,1 milhões de toneladas de soja que foram exportadas no mesmo período do ano passado. Com isso, a participação do grão em relação ao total de exportações para a China subiu de 90% em 2023 para 91,36% neste ano no peso total.

Os números do Paraná podem se tornar ainda mais expressivos caso o a China volte a subir as tarifas de importação dos produtos agrícolas originados nos Estados Unidos, como já ocorreu no primeiro governo de Donald Trump. Se isso ocorrer, a estimativa de associações de produtores norte-americanos é de uma queda de até 50% nas exportações esperadas de soja para o país asiático nos próximos anos.

Outro produto que vem ganhando cada vez mais peso nesta relação comercial é a carne de frango, cuja grande movimentação acontece justamente via TCP. Em 1997, este produto alimentício representava apenas US$ 206 mil, o equivalente a 0,1% das exportações para a China. Essa proporção dobrou até 2003, para 0,21% (US$ 1,6 milhão), com novo salto para 3,64% em 2013 (US$ 144,9 milhões) e chegando a 11,65% no ano passado (US$ 830,8 milhões).

Enquanto a China representa o maior mercado consumidor da carne de frango do Paraná e do Brasil em geral, ela é apenas a 7ª maior compradora da produção dos Estados Unidos.

Melhorias portuárias

Para que o desempenho do Estado continue melhorando no mercado internacional, a capacidade de movimentação de cargas pelos portos de Paranaguá e Antonina precisa acompanhar esse ritmo de crescimento. Nos últimos cinco anos a Portos do Paraná alavancou a movimentação de cargas em mais de 12 milhões de toneladas, saindo de 53 milhões para 65 milhões de toneladas movimentadas por ano.

A melhora no desempenho passa, entre outros fatores, pelos investimentos do Governo do Estado na infraestrutura e logística dos portos, assim como na modernização do modelo de gestão portuária.

A obra que melhor simboliza esta nova fase é o Moegão, considerada a maior intervenção portuária em execução no Brasil, com investimento de R$ 592 milhões. A estrutura, que deverá ser concluída até o segundo semestre de 2025, vai aumentar em 65% a capacidade de desembarque simultâneo de cargas por trem no Porto de Paranaguá, que passará de 550 para 900 vagões por dia – sendo grande parte destes carregamentos de grãos de soja.

O Paraná também foi o primeiro estado a receber autonomia para administrar contratos de exploração de áreas dos portos organizados. Desde 2019, a Portos do Paraná já conduziu cinco leilões, que alavancaram cerca de R$ 4 bilhões em melhorias. Mais três leilões – das áreas PAR 14, 15 e 25 – devem atrair outros R$ 2 bilhões em investimentos privados.

Outro destaque é a concessão do canal de acesso do Porto de Paranaguá, um projeto inédito no País, que abrangerá a ampliação, manutenção e exploração do acesso aquaviário por 25 anos.

Melhor gestão

Em agosto, a Portos do Paraná conquistou, pelo 5º ano consecutivo, o prêmio de melhor gestão portuária do Brasil. Os portos de Paranaguá e Antonina tiraram nota máxima no Índice de Gestão das Autoridades Portuárias (IGAP), que leva em conta 15 indicadores diferentes em áreas como eficiência operacional, estrutura organizacional, índices financeiros, manutenção dos acessos aquaviários, regularidade tributária e trabalhista e transparência administrativa.

Fonte: AEN-PR

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Copercampos supera R$ 9,6 milhões em economia com Mercado Livre de Energia

Estratégia iniciada em 2018 já envolve 13 unidades da cooperativa e reduz custos com eletricidade em mais de 25% em comparação ao mercado cativo.

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Foto: Divulgação

A decisão estratégica da Copercampos de migrar parte de suas unidades para o Mercado Livre de Energia segue gerando resultados expressivos e consolida a cooperativa como referência em gestão eficiente de custos e visão de longo prazo. Iniciado em 2018, o projeto começou com a migração de cinco unidades e, ao longo dos anos, foi sendo ampliado de forma planejada, acompanhando a evolução do consumo energético e as oportunidades do setor elétrico brasileiro.

Somente em 2025, as unidades da Copercampos inseridas no mercado livre registraram uma economia de R$ 1.866.154,16, o que representa uma redução média de 25,55% nos custos com energia elétrica em comparação ao mercado cativo, sem considerar o ICMS. No período, o consumo total dessas unidades somou 11.168,040 MWh, evidenciando a relevância do impacto financeiro da estratégia adotada.

Além do ganho econômico, toda a energia adquirida pela cooperativa no Mercado Livre é proveniente de fontes 100% renováveis, o que reforça o compromisso da Copercampos com práticas sustentáveis e responsáveis. “A utilização de energia limpa contribui diretamente para a sustentabilidade econômica, social e ambiental, alinhando eficiência operacional com responsabilidade ambiental”, destaca o Gerente Operacional Ricardo Saurin.

Desde o início do projeto, a cooperativa avançou de forma consistente. Em 2018, cinco unidades passaram a operar no mercado livre. Em 2024, outras três migraram, seguidas por mais cinco unidades em 2025. Atualmente, o grupo conta com 13 unidades no ambiente de contratação livre, e o planejamento segue ativo, com mais cinco unidades em processo de migração em 2026, reforçando o compromisso contínuo com a eficiência energética e a competitividade.

No acumulado desde 2018, a economia total alcançada pela Copercampos com o mercado livre de energia é superior a R$ 9,6 milhões. O maior destaque está na Indústria de Rações, unidade que apresenta o maior consumo energético do grupo. Migrada ainda em 2018, essa unidade já acumula, até o momento, uma economia de R$ 5,3 milhões, demonstrando como o modelo é especialmente vantajoso para operações industriais de grande porte e consumo intensivo.

“Além da redução direta de custos, a atuação no mercado livre proporciona ganhos estratégicos, como previsibilidade orçamentária, análises de impacto de reajustes tarifários, otimização de demanda e avaliação contínua do perfil de consumo. Para 2026, estamos realizando a contratação de três novos contratos de fornecimento, ampliando a gestão ativa da energia e fortalecendo a segurança no abastecimento”, ressalta Ricardo Saurin.

O gerente da área ressalta ainda que a experiência da Copercampos no Mercado Livre de Energia demonstra que a eficiência energética vai além da economia financeira. “Trata-se de uma ferramenta estratégica para fortalecer a competitividade, sustentar investimentos e contribuir para um modelo de gestão cada vez mais moderno, sustentável e alinhado às boas práticas ambientais”, complementa.

Fonte: Assessoria Copercampos
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Inventário pode consumir até 40% do patrimônio familiar

Holding rural pode reduzir custos e evitar inventário na sucessão patrimonial

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Manoel Terças - Foto: Divulgação

Até 40% do patrimônio bruto de uma família pode ser consumido em um processo de inventário, somando impostos, custas judiciais e outras despesas. Além do custo elevado, o procedimento costuma se arrastar por anos: em média, cinco até a conclusão.

O advogado Manoel Terças, com 18 anos de atuação jurídica e especialista em holding rural, explica que a constituição de uma holding é hoje uma das estratégias mais utilizadas para organizar o planejamento patrimonial, sucessório e tributário no meio rural.

Segundo ele, a estrutura permite organizar a transferência de bens ainda em vida, reduzir a carga tributária, prevenir conflitos familiares e dar maior previsibilidade à sucessão, evitando a necessidade de inventário judicial.
A possibilidade de criação de holdings no Brasil existe há quase cinco décadas e tem sido amplamente utilizada como instrumento de proteção e gestão do patrimônio familiar. Em determinadas operações, a estrutura também pode oferecer vantagens fiscais, como a não incidência de ITBI.

Fonte: Artigo escrito por Manoel Terças, advogado com 18 anos de atuação jurídica e especialista em holding rural.
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Conflito no Oriente Médio pressiona custos e fertilizantes do agro brasileiro, aponta estudo

Interrupção de rotas logísticas e alta nos preços do petróleo e fertilizantes pode encarecer produção de grãos, rações e carne, enquanto safra recorde mantém perspectiva positiva.

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Foto: Freepik/Divulgação

A escalada do conflito no Oriente Médio após a intervenção dos Estados Unidos no Irã pode gerar impactos relevantes para o agronegócio brasileiro, com pressão sobre custos logísticos, fertilizantes e cadeias de produção de alimentos. A avaliação integra o relatório econômico Cenário do Agronegócio, apresentado pela Bateleur durante a Expodireto Cotrijal, que está sendo realizada até esta sexta-feira (13) em Não-Me-Toque (RS).

Ainda de acordo com o estudo, o impacto do conflito sobre a inflação global influencia o nível das taxas de juros, o que, no Brasil, associado à pressão inflacionária decorrente do repasse das cadeias globais e da desvalorização do câmbio, pode dificultar o ciclo de cortes na Selic e diminuir a perspectiva de redução dos juros do Plano Safra, encarecendo o crédito e prejudicando a capacidade de investimento.

Fotos: Claudio Neves

Outro fator de preocupação é a interrupção parcial do fluxo global de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. A restrição elevou os preços da commodity e ampliou os custos logísticos em escala global. “O fechamento do canal gerou um entrave logístico extremamente relevante, resultando em uma disparada nos preços do petróleo e, por consequência, no aumento sistêmico do custo logístico global”, destaca o relatório. O impacto sobre as cadeias de suprimento que passam pelo Oriente Médio, somado à necessidade de alterar rotas marítimas e ao encarecimento do frete, tende a gerar efeitos indiretos sobre diversas commodities.

Fertilizantes e cadeia produtiva

O Oriente Médio também tem papel relevante no fornecimento global de fertilizantes, insumo essencial para a produção agrícola. Eventuais restrições na oferta podem elevar custos ao longo de toda a cadeia do agronegócio, com efeitos que começam na produção de grãos e se estendem à pecuária, por meio do aumento no preço das rações. “No Brasil, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados são importados, e aproximadamente um terço da ureia vem do Oriente Médio. Esse cenário torna o setor particularmente sensível a choques de oferta e de preços”, aponta o estudo.

O aumento dos custos de energia também pode afetar polos industriais estratégicos, como a China, principal compradora de commodities brasileiras, pressionando a inflação global e influenciando decisões de política monetária. No Brasil, esse contexto pode impactar investimentos.

Exportações

No que tange às exportações, o Brasil vende para o Oriente Médio principalmente carne de frango, carne bovina, milho e açúcar. Eventuais bloqueios logísticos na região podem afetar temporariamente essa demanda, exigindo o redirecionamento das exportações para outros mercados.

Por outro lado, o relatório aponta que o cenário internacional também pode abrir oportunidades. O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia tende a ampliar o acesso do agronegócio brasileiro a novos mercados nos próximos anos, ainda que a indústria nacional enfrente maior concorrência.

Apesar das incertezas externas, as perspectivas para a produção agrícola brasileira permanecem positivas. A safra nacional 2025/2026 pode alcançar 353,4 milhões de toneladas de grãos, um novo recorde.

Fonte: Assessoria Bateleur
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