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Com mudanças climáticas, brusone pode reduzir em 13% a produção mundial do trigo

Causada por um fungo, o Pyricularia oryzae Triticum (Magnaporthe oryzae patótipo Triticum), que ataca folhas e espigas, com danos que podem comprometer até 100% do rendimento no trigo.

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A brusone tem potencial de afetar 13,5 milhões de hectares e risco de reduzir em 13% a produção mundial de trigo - Foto: Flávio Martins Santana

As mudanças climáticas estão favorecendo o fungo causador da brusone, doença que causa impactos importantes na produção de trigo. Ela tem potencial de afetar 13,5 milhões de hectares e risco de reduzir em 13% a produção mundial de trigo. As projeções são do estudo Production vulnerability to wheat blast disease under climate change (Vulnerabilidade da produção de trigo à brusone sob mudanças do clima) publicado na Nature Climate Change.

A brusone é considerada a doença de importância econômica mais recente identificada em trigo no mundo. Ela é causada por um fungo, o Pyricularia oryzae Triticum (Magnaporthe oryzae patótipo Triticum), que ataca folhas e espigas, com danos que podem comprometer até 100% do rendimento no trigo.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo (RS) José Maurício Fernandes, o desenvolvimento do fungo causador da brusone é favorecido por altas temperaturas e umidade, condições presentes em países de clima tropical e subtropical. Segundo ele, o que tem chamado a atenção é a incidência da doença também em condições de clima frio ou mesmo com baixa umidade.

Foto: Divulgação/Embrapa

Nos últimos anos, lavouras com brusone têm sido observadas ao norte de Bangladesh, onde o fungo sobrevive ao clima seco e às baixas temperaturas durante a safra de trigo, especialmente em função de as temperaturas mínimas terem subido nos últimos anos.

As temperaturas mais elevadas no inverno gaúcho também resultaram em surtos localizados de brusone na safra de trigo 2023 no Rio Grande do Sul, principalmente na região noroeste do estado, onde as temperaturas mínimas estiveram acima de 15 ºC ao longo da safra. “Num cenário de mudanças climáticas globais, com aumento de temperaturas e variação do regime de chuvas, o fungo vai encontrar novos ambientes para se instalar”, prevê o pesquisador, lembrando que a dispersão dos esporos do fungo pode ser pelo vento ou pelo comércio internacional por meio de grãos e sementes contaminadas.

Um fungo que ataca cereais

O fungo é um velho conhecido do arroz, já que os primeiros relatos de brusone na cultura datam de 1600 na China. Em trigo, o microrganismo causador da brusone foi identificado pela primeira vez no Brasil, em 1985, em lavouras do estado do Paraná, mas a doença rapidamente disseminou-se para outros estados brasileiros (Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais), além de diferentes países da América do Sul. Veja a dispersão da brusone na América do Sul no mapa abaixo:

Conforme informações do Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (CIMMYT), uma epidemia de brusone afetou 3 milhões de hectares com trigo na América do Sul na década de 1990. Em 1996, o primeiro surto de brusone na Bolívia resultou em quase 80% de perdas na produção. No Paraguai, a primeira epidemia ocorreu em 2002, quando foram registradas perdas de produção de mais de 70%. No Brasil, ocorreram perdas por brusone em trigo nos anos de 2009 e de 2012, quando danos acima de 40% comprometeram lavouras na fase de espigamento do trigo no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Nos anos seguintes, tem crescido a incidência de brusone também nos estados do Sul do Brasil, com registros frequentes no Rio Grande do Sul e no centro-sul do Paraná.

Na Argentina, 10º maior produtor mundial de trigo, a brusone apareceu em 2007, em lavouras ao norte do país, mas foi em 2012, quando ela chegou à província de Buenos Aires, principal polo de triticultura argentina, que a doença acendeu o alerta vermelho para o risco de perdas nas lavouras. Em 2023, o problema foi registrado pela primeira vez no Uruguai.

Em 2016, houve o primeiro registro de brusone em trigo fora da América do Sul, com epidemia da doença em Bangladesh, país ao sul da Ásia, com perdas acima de 30% nas lavouras. No ano de 2018, ela apareceu nas lavouras da Zâmbia, no centro-sul do continente africano.

Modelos de simulação para avaliar impactos da doença

A partir dos cenários do futuro do clima, projetados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), pesquisadores das áreas agronômicas e da ciência da computação utilizaram técnicas de modelagem e simulação para estimar os possíveis impactos da disseminação da brusone nos diversos continentes onde o trigo é cultivado, considerando um ambiente de mudanças climáticas que favorece a doença.

Os pesquisadores utilizaram o modelo DSSAT Nwheat, desenvolvido na Universidade da Flórida com atualização colaborativa por diversos centros de pesquisa no mundo, analisando variáveis como aumento das temperaturas, umidade relativa do ar e elevação do CO2 na atmosfera. Para estimar cenários, foram utilizados registros históricos de dados entre 1980 e 2010, projetando mudanças climáticas para o período de 2040 a 2070.

 

Brusone pode chegar a todos os continentes

Com exceção da Antártida, a brusone do trigo pode se favorecer com as mudanças climáticas e chegar a todos os continentes.

Nos países da América do Sul onde o problema já ocorre, as áreas de trigo vulneráveis à doença passariam de 13% para 30%. As projeções indicam o risco de a doença chegar às lavouras de trigo dos Estados Unidos, México e Uruguai (América); Itália, Espanha e França (Europa); Japão e sul da China (Ásia); Etiópia, Quênia e Congo (África); Nova Zelândia e oeste da Austrália (Oceania).

“Apesar de as condições ambientais do Hemisfério Norte ainda não se mostrarem favoráveis à brusone, em um cenário de aumento das temperaturas e da umidade é provável a incidência da doença nas lavouras de trigo, especialmente em regiões próximas ao mar Mediterrâneo. Da mesma forma, no sul da China, onde o cultivo do trigo tem crescido nos últimos anos”, explica o professor da Universidade da Flórida Willingthon Pavan.

Nas condições atuais, a brusone já representa ameaça a 6,4 milhões de hectares de trigo no mundo. Em um cenário de mudanças climáticas, por volta de 2050, a doença poderia afetar 13,5 milhões de hectares, resultando em redução de 13% na produção mundial de trigo, com perdas que podem chegar a 69 milhões de toneladas de trigo por ano.

“Existem diversas iniciativas no mundo tentando conter a doença, desde o melhoramento de plantas, biotecnologia, estratégias de controle químico e manejo da cultura, mas ainda não conseguimos sucesso total capaz de erradicar o problema da brusone das lavouras de trigo. A resiliência às mudanças climáticas exige o preparo com base em projeções capazes de orientar a tomada de decisão para minimizar as perdas por brusone no trigo e garantir a segurança alimentar do planeta”, conclui Fernandes.

Fonte: Assessoria Embrapa

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Da visita à propriedade ao ganho de produtividade

Mobilização regional fortalece grupos de ATeG e amplia o alcance da capacitação no meio rural.

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Foto: Divulgação/Arquiv o OPR

Ao longo de seis décadas, a proximidade com o produtor rural consolidou-se como uma das principais marcas do Sistema Faep. Nesse período, as estratégias de mobilização da entidade passaram por ajustes sucessivos, acompanhando as transformações e as demandas do meio rural. Em mais um movimento nesse sentido, o Sistema Faep implantou um modelo inédito no país: a atuação de Agentes de Desenvolvimento Rural (ADRs), com um profissional em cada uma das 11 regionais da entidade. Mesmo em curto período de funcionamento, a iniciativa já apresenta resultados concretos.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “Essa estratégia (atuação dos ADRs) permite fortalecer a representatividade rural e alcançar cada vez mais pessoas com nossos cursos e ações” – Foto: Divulgação/Faep

A criação dos ADRs tem como objetivo reforçar a mobilização nos municípios, ampliar o diálogo com parceiros estratégicos e intensificar o contato direto com os produtores rurais. Segundo o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, a estratégia fortalece a representatividade do setor e amplia o alcance das ações desenvolvidas pela entidade. “Essa estratégia permite fortalecer a representatividade rural e alcançar cada vez mais pessoas com nossos cursos e ações”, afirma.

Na regional de Umuarama, o agente Zaqueu Ferreira Rodrigues tem percorrido propriedades rurais para mapear as principais demandas locais. O trabalho inclui visitas a produtores e parceiros institucionais, com foco na coleta de informações que subsidiem futuras ações. “O ADR atua como um mobilizador, assim como os profissionais dos sindicatos, mas com abrangência regional”, explica.

Um dos resultados desse trabalho foi a formação de uma turma de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) no município de Moreira Sales. Parte dos produtores aderiu ao programa após a atuação direta do ADR, entre eles João Pedro Pizzolio de Souza. Há seis meses, ele deixou o emprego de mecânico de máquinas agrícolas para retornar à propriedade da família e investir na produção de leite. “Estamos seguindo com o negócio, mas sabemos que há pontos a melhorar. A expectativa com a consultoria é grande”, relata.

Foto: Divulgação/Faep

Em uma área de 11 hectares, a família mantém 23 bovinos leiteiros, sendo 17 em lactação, com produtividade média de 11 litros por animal ao dia. Entre os desafios identificados estão aspectos ligados à eficiência da inseminação artificial. Souza destaca que já participou de diversos cursos do Sistema Faep, voltados ao manejo e ao casqueamento de gado leiteiro, e vê na ATeG uma oportunidade para avançar na profissionalização da atividade. “A ideia é promover as melhorias necessárias para qualificar ainda mais nossa leiteria”, afirma.

No Sudoeste do Paraná, o município de Bela Vista da Caroba também passou a contar com uma turma de ATeG a partir da atuação direta da agente Andresa de Cassia Sampaio Pacheco. O município não possui sindicato rural, o que exigiu um trabalho de mobilização intensiva. “Passei vários dias no interior, visitando os produtores de porta em porta, explicando o projeto, seus objetivos e o tempo de acompanhamento. O resultado foi a confirmação de 35 produtores no primeiro encontro”, relata.

Para o coordenador da Secretaria de Agricultura de Bela Vista da Caroba, Niléu Pedro Villani, a iniciativa atende a uma demanda estratégica do município, onde a produção de leite é a segunda atividade mais relevante, atrás apenas dos grãos. “É fundamental levar conhecimento ao produtor, abordando temas como pastagem, ordenha, manejo do rebanho e silagem. Isso reflete diretamente na qualidade do produto e na rentabilidade da atividade”, destaca.

Além da ATeG, os ADRs também têm atuado na viabilização de cursos e outras ações do Sistema Faep. Na Região Metropolitana de

Foto: Divulgação/Faep

Curitiba, a agente Fabieli Borssatti articulou a formação de uma turma do curso “Alimentos sem glúten e lactose” no município de Campo Magro, que também não conta com sindicato rural. A demanda partiu de uma trabalhadora rural da região. “O contato direto com produtores e trabalhadores permite identificar as reais necessidades e responder com mais agilidade”, avalia Fabieli.

A trabalhadora rural Nadirene Pereira Rodrigues, autora da solicitação, mudou-se de Goiás para o Paraná no fim de 2024, após receber uma oportunidade de trabalho em uma propriedade rural de Campo Magro. Com experiência prévia em cursos realizados pelo Senar-GO, ela vê na capacitação uma ferramenta de desenvolvimento regional. “Fui bem atendida e conseguimos viabilizar rapidamente uma turma com 12 participantes. A partir desse primeiro curso, a ideia é trazer outras capacitações para a região”, projeta.

A criação dos ADRs surgiu durante o processo de reestruturação do Sistema Faep, a partir de sugestões de colaboradores das regionais e de sindicatos rurais. De acordo com o gerente do Departamento de Gestão Regional da entidade, Henrique de Salles Gonçalves, o modelo não encontra paralelo em outras administrações estaduais no Brasil. “O agente atua diretamente na mobilização e no contato com o produtor rural, além de dar suporte a parceiros estratégicos, como secretarias municipais e empresas”, explica.

Neste primeiro momento, segundo Gonçalves, o foco está na consolidação da Assistência Técnica e Gerencial, com a formação de novos grupos e o estreitamento da relação com os produtores. “A proximidade permite identificar demandas reais e alinhar nossas ações às necessidades do campo. Além da ATeG, outras iniciativas do Sistema Faep, como cursos e programas especiais, também serão estimuladas”, menciona.

Fonte: Sistema Faep
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UE e Índia selam acordo e criam uma das maiores áreas de livre comércio do mundo

Após 20 anos de negociações, acordo reduz tarifas, amplia fluxos comerciais e consolida parceria estratégica em meio a tensões geopolíticas.

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Foto: Criada por ChatGPT

A União Europeia (UE) e a Índia formalizaram nesta terça-feira (27) um acordo de livre comércio que encerra um processo de negociações iniciado há duas décadas e cria uma das maiores zonas comerciais do mundo, abrangendo um mercado potencial de cerca de dois bilhões de pessoas.

Primeiro-ministro indiano Narendra Modi: O acordo trará muitas oportunidades” – Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O entendimento surge em um momento de elevada incerteza geopolítica e econômica e é visto por ambos os lados como um instrumento para diversificar parcerias, reduzir vulnerabilidades e fortalecer cadeias produtivas fora do eixo sino-americano. “O acordo trará muitas oportunidades”, afirmou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, antes de se reunir com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O acordo representa quase 25% do PIB mundial e um terço do comércio internacional, dimensão que reforça o peso econômico e político da iniciativa.

A presidente da Comissão Europeia celebrou o desfecho das negociações. “Europa e Índia fizeram história hoje”, escreveu Ursula von der Leyen na rede social X. “Concluímos o maior acordo de todos. Criamos uma zona de livre comércio de 2 bilhões de pessoas que beneficiará ambos os lados”, acrescentou.

Os últimos entraves técnicos e políticos foram superados na segunda-feira (26), durante a rodada final de negociações. O acordo prevê uma redução expressiva de tarifas em diversos setores, com impacto direto sobre o fluxo bilateral de bens e serviços. De acordo com Bruxelas, a diminuição das taxas aplicadas pela Índia a produtos europeus pode gerar uma economia anual de até € 4 bilhões para empresas do bloco.

A Alemanha classificou o tratado como um motor de crescimento e geração de empregos, sinalizando o interesse particular da indústria

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen: “Concluímos o maior acordo de todos. Criamos uma zona de livre comércio de 2 bilhões de pessoas que beneficiará ambos os lados” – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

europeia em ampliar presença no mercado indiano, historicamente protegido por altas barreiras tarifárias.

Acordo com bloco sul-americano

O anúncio ocorre pouco mais de uma semana após a UE ter fechado um acordo com o Mercosul, em 17 de janeiro, também depois de mais de 25 anos de negociações. Embora o tratado com o bloco sul-americano ainda enfrente questionamentos jurídicos no Parlamento Europeu, que suspenderam sua ratificação por até um ano e meio, o avanço simultâneo dessas frentes comerciais evidencia a estratégia europeia de ampliar sua rede de acordos em escala global.

Ganhos com o acordo

No caso indiano, os ganhos tarifários são considerados expressivos. As taxas de importação sobre veículos produzidos na Europa cairão de 110% para 10%. No segmento de bebidas, as tarifas sobre o vinho serão reduzidas de 150% para 20%. Já os impostos aplicados à massa e ao chocolate, atualmente em torno de 50%, serão totalmente eliminados, segundo autoridades europeias. “A UE espera se beneficiar do maior nível de acesso já concedido a um parceiro comercial ao mercado indiano, tradicionalmente protegido”, disse Von der Leyen.

Foto: Claudio Neves

A avaliação da Comissão Europeia é de que o acordo pode permitir ao bloco dobrar suas exportações para o país asiático nos próximos anos.

Do lado indiano, a expectativa é de expansão das vendas externas de têxteis, joias, pedras preciosas e produtos de couro. Em 2024, o comércio de mercadorias entre as partes alcançou 120 bilhões de euros, alta de quase 90% em dez anos, enquanto o intercâmbio de serviços somou 60 bilhões de euros, segundo dados da UE.

O interesse europeu é reforçado pelo tamanho e pelo dinamismo da economia indiana. Com cerca de 1,5 bilhão de habitantes, o país registrou crescimento anualizado de 8,2% no último trimestre. Projeções do Fundo Monetário Internacional indicam que a Índia deve ultrapassar o Japão ainda neste ano e se tornar a quarta maior economia do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Alemanha, com possibilidade de alcançar a terceira posição antes de 2030.

Para Nova Délhi, a Europa é vista como uma fonte estratégica de tecnologia e investimentos, essenciais para acelerar a modernização da

Foto: Claudio Neves

economia e criar milhões de empregos. Além do comércio, o acordo abre caminho para entendimentos adicionais sobre circulação de trabalhadores temporários, intercâmbio de estudantes, pesquisadores e profissionais altamente qualificados, bem como cooperação nas áreas de segurança e defesa. “Índia e Europa fizeram uma escolha clara: a da parceria estratégica, do diálogo e da abertura”, escreveu Von der Leyen, acrecentando: “Mostramos a um mundo dividido que existe outro caminho possível.”

No campo militar, o entendimento também ganha relevância estratégica. A Índia vem diversificando suas compras de equipamentos, reduzindo a dependência histórica da Rússia, enquanto a Europa busca ampliar sua autonomia em relação aos Estados Unidos. Nesse contexto, o acordo de livre comércio consolida não apenas uma aproximação econômica, mas um alinhamento mais amplo entre duas das principais potências globais emergentes do século XXI.

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Governo do Paraná lança programas que levam energia mais potente e conectividade às propriedades rurais

Se Liga Aí Paraná busca incentivar a migração das propriedades rurais para a rede elétrica trifásica, que oferece maior estabilidade e capacidade de fornecimento de energia, com investimento direto da Copel e juros subsidiados pelo Estado. E o Paraná Conectado foi estruturado para ampliar a conectividade rural por meio de duas frentes complementares: credenciamento de provedores de internet e instalação de novas estações de rádio base.

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Foto: Albari Rosa/AEN

O governador Carlos Massa Ratinho Junior lançou na segunda-feira (26) dois programas estratégicos para fortalecer a infraestrutura do meio rural paranaense, com foco em energia elétrica mais estável e ampliação da conectividade no campo. As iniciativas Se Liga Aí Paraná e Paraná Conectado têm como objetivo modernizar as propriedades rurais, impulsionar a produção agropecuária, ampliar a inclusão digital e melhorar a qualidade de vida das famílias do interior do Estado.

Governador do Paraná, Ratinho Junior: “O Paraná é o maior produtor de alimentos por metro quadrado do Brasil e um dos que mais produzem no mundo, e essas ações ajudam a manter o Estado como um verdadeiro supermercado do mundo” – Foto: Geraldo Bubniak/AEN

As ações integram uma política mais ampla do Governo do Estado para reduzir desigualdades entre áreas urbanas e rurais e criar condições para que produtores, jovens e famílias tenham acesso à tecnologia, informação e serviços essenciais ao desenvolvimento econômico e social. “Hoje é um dia muito importante para a agricultura do Paraná porque estamos falando de investimentos em várias áreas para atender o agricultor e fortalecer a vocação do nosso Estado, que é produzir alimentos. O Paraná é o maior produtor de alimentos por metro quadrado do Brasil e um dos que mais produzem no mundo, e essas ações ajudam a manter o Estado como um verdadeiro supermercado do mundo”, afirmou o governador.

O programa Se Liga Aí Paraná busca incentivar a migração das propriedades rurais para a rede elétrica trifásica, que oferece maior estabilidade e capacidade de fornecimento de energia. Atualmente, a maior parte das propriedades do Estado ainda utiliza redes monofásicas ou bifásicas, que atendem ao consumo básico, mas não garantem energia firme para atividades produtivas que dependem de funcionamento contínuo.

Ratinho Junior ressaltou que o programa vai ampliar a segurança energética no campo e permitir a expansão da produção. “O Paraná investiu nos últimos anos cerca de 25 mil quilômetros de rede trifásica, mas muitas propriedades ainda não estão conectadas. Com esse programa, vamos ajudar o produtor a fazer essa ligação, garantindo mais estabilidade no fornecimento de energia e dando condição para que ele amplie a produção, seja no aviário, na piscicultura ou em outras atividades que dependem de energia firme”, salientou.

O diretor-presidente da Copel, Daniel Slaviero, explicou que o desafio agora é ampliar a adesão dos produtores à rede trifásica. “Não

Diretor-presidente da Copel, Daniel Slaviero: “Não adianta a rede passar na frente da propriedade se o produtor não se conectar” – Foto: Geraldo Bubniak/AEN

adianta a rede passar na frente da propriedade se o produtor não se conectar. O investimento médio para essa ligação é de aproximadamente R$ 32 mil. Com o programa, a Copel paga metade desse valor e o restante é financiado pelo Governo do Estado, por meio do Banco do Agricultor, com juros zero. É o maior estímulo que podemos dar para promover esse salto de produtividade no campo”, analisou.

O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, destacou que o programa foi pensado para caber no bolso do produtor rural. “Em uma ligação que custa em torno de R$ 32 mil, a Copel paga metade. Os outros R$ 16 mil são financiados pelo Governo do Estado. Para o agricultor familiar enquadrado no Pronaf, isso significa cinco anos para pagar, sem juros. Na prática, dá cerca de R$ 200 por mês para sair da rede monofásica e entrar na trifásica”, destacou.

A rede trifásica utiliza três fios de energia, o que aumenta a estabilidade e reduz oscilações no fornecimento. Esse tipo de estrutura é fundamental para atividades como produção de leite, aves, suínos, peixes, agroindústrias e secagem de fumo, nas quais a falta de energia pode causar perdas significativas de produção e prejuízos ao produtor. “O produtor que trabalha com proteína animal ou com agroindústria não pode correr o risco de ficar sem energia. Se faltar luz, ele perde o produto. A ideia do programa é dar segurança, estabilidade e qualidade de energia para evitar essas perdas e preservar a riqueza que é produzida no campo”, afirmou o coordenador de Energias Renováveis e Conectividade Rural da Seab, Herlon de Almeida.

Foto: Divulgação/Copel

O Se Liga Aí Paraná prevê a subvenção de parte dos juros do crédito rural para estimular a adesão dos produtores. “O Estado vai subvencionar cinco pontos percentuais da taxa de juros do crédito rural. Para o agricultor familiar, que normalmente acessa linhas com juros em torno de 5%, isso significa juros zero. Já o produtor médio, que hoje paga em média 10%, passa a pagar 5%. É uma forma de garantir energia firme, estável e de qualidade para quem precisa e evitar a perda de produto no campo”, explicou Herlon Almeida.

A meta é beneficiar 12,5 mil propriedades nos próximos cinco anos, ampliando de forma consistente a presença da rede trifásica no meio rural paranaense.

Para participar do programa, os produtores rurais podem inscrever projetos individuais ou coletivos. O primeiro passo é solicitar a avaliação técnica para verificar a possibilidade de ligação à rede trifásica. A partir disso, é possível solicitar orçamento da extensão da rede à Copel pelo site copel.com ou pelo telefone 0800 51 00116.

Como vai funcionar:

  • Investimento direto de R$ 15 mil da Copel
  • Investimento com juro subsidiado pelo Estado para complementar o projeto

Paraná Conectado

O segundo programa lançado nesta segunda-feira, o Paraná Conectado, foi estruturado para ampliar a conectividade rural por meio de duas frentes complementares. A primeira é a expansão do acesso à internet fixa, por fibra óptica ou rádio, especialmente em regiões onde o investimento privado é mais limitado devido às grandes distâncias e ao baixo número de usuários por quilômetro de rede.

Nesse modelo, o Governo do Estado vai abrir um processo de credenciamento de provedores de internet que atuam no meio rural. As

Foto: Divulgação/Copel

empresas interessadas poderão acessar financiamento com subvenção de juros para investir na ampliação das redes, tornando viável a chegada do sinal a comunidades, assentamentos e propriedades hoje sem cobertura adequada. A proposta é estimular a atuação de provedores locais, garantindo preços mais acessíveis e maior capilaridade do serviço.

Ratinho Junior explicou que o Paraná Conectado vai ampliar o acesso à internet no meio rural e permitir que o produtor utilize melhor a tecnologia disponível nas propriedades. “Hoje, muitos equipamentos agrícolas modernos têm alta tecnologia, mas acabam sendo subutilizados por falta de conectividade. Com o Paraná Conectado, queremos garantir internet no campo para que o produtor possa usar todo o potencial do maquinário, acessar informação, aprender novas técnicas e emitir nota fiscal eletrônica”, destacou.

A segunda frente do programa é a ampliação do sinal de telefonia móvel 4G no campo, por meio da instalação de novas estações rádio base. Para isso, o Estado foi dividido em 22 regiões e vai realizar processos licitatórios por área. O projeto piloto começa no Vale do Ivaí, abrangendo 33 municípios.

Antes da licitação, será feito um mapeamento técnico das áreas com baixa ou nenhuma cobertura de celular, utilizando softwares e imagens de satélite para identificar a concentração de pessoas e propriedades rurais e definir os pontos ideais para a instalação das torres. As empresas vencedoras serão aquelas que apresentarem o menor custo para implantação das estações e o menor valor de pacote para o usuário rural.

Foto: Divulgação/Copel

Após a execução das obras e a verificação do sinal nas coordenadas definidas em projeto, o Estado fará o pagamento às empresas responsáveis. A partir da implantação, as operadoras estarão habilitadas a comercializar chips e prestar o serviço de telefonia móvel nas áreas atendidas.

Segundo Herlon de Almeida, o foco do programa é levar conectividade onde ela é mais necessária. “A gente não fala em cobrir todo o território, porque nem na área urbana isso acontece. O Paraná Conectado vai priorizar distritos e comunidades rurais com maior concentração de pessoas, usando critérios técnicos para garantir que o investimento chegue onde gera mais impacto social”, afirmou.

Almeida reforçou que o acesso à internet no campo vai além da comunicação. “A conectividade rural permite que o produtor e a família tenham acesso à informação, à educação e à capacitação. O aluno do campo passa a ter as mesmas condições de estudar e entregar atividades que um aluno da cidade, e o produtor consegue acessar tecnologia, emitir nota fiscal eletrônica e melhorar a gestão da propriedade”, explicou.

Como vai funcionar:

  • Credenciamento de provedores de internet, que terão subvenção do Estado nos investimentos

    Foto: Ricardo Ribeiro/AEN

  • Instalação de novas estações de rádio base para cobertura 4G

Outros anúncios

Além do lançamento dos programas, o governador Ratinho Junior entregou 250 veículos novos para o Sistema Estadual de Agricultura do Paraná (Seagri), e empossou 250 novos servidores que atuarão nos órgãos ligados à agricultura do Estado (Seab, Adapar e IDR-PR). O governador também entregou à Campo Mourão o 200° selo Susaf, o que permite a padronização dos serviços de inspeção municipal e estadual, o que traz maior segurança alimentar e comercialização dos produtos da agricultura familiar e agroindústrias de pequeno porte.

Fonte: AEN-PR
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