Conectado com

Notícias Aftosa

Com fim da vacinação, indústrias de carne planejam investimentos bilionários no Paraná

Para o setor produtivo, o Estado, que já é o principal produtor de carne de frango e peixe, também deve tomar a liderança nacional na suinocultura nos próximos anos

Publicado em

em

Foto: Jonathan Campos/AEN

O novo status sanitário alcançado pelo Paraná, de área livre de febre aftosa sem vacinação, vai representar um salto ainda maior na cadeia de carne do Estado, o principal produtor de proteína animal do País. De olho na abertura de mercados que deve vir na esteira da chancela da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), frigoríficos instalados no Paraná começam, desde já, a tirar investimentos bilionários do papel.

Com impacto maior nas indústrias bovina e suína, cujos rebanhos são diretamente prejudicados pela marca da doença, a erradicação da aftosa também deve influenciar o setor leiteiro, a piscicultura e a avicultura paranaense, que hoje é responsável por um terço da produção e 40,9% da exportação brasileira. Cadeias como a de suínos, por exemplo, visualizam até dobrar a exportação nos próximos anos, tomando, finalmente, a liderança da produção nacional.

Somadas, as carnes de frango, porco e boi do Paraná totalizaram quase 6 milhões de toneladas em 2020, representando 22,3% da produção nacional. De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, mesmo com essa escala, 65% do mercado internacional ainda não compra as carnes suína e bovina paranaense por causa do status sanitário vigente até então. Esse cálculo inclui aqueles países que pagam melhor pelo produto, como Japão, Coreia do Sul, Chile, México e membros da União Europeia.

“Quando o Estado consegue conter uma doença como a aftosa, que é altamente transmissível e requer um aparato de prontidão para dar uma resposta instantânea, ele mostra aos importadores que tem um sistema de vigilância e controle sanitários de qualidade, com capacidade para combater outras enfermidades que são mais difíceis de detectar ou que, diferente da aftosa, podem ser transmitidas aos humanos”, explica o economista Gustavo Fanaya, coordenador técnico do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne).

Segundo Fanaya, ainda que a entidade não tenha um levantamento atualizado, todas as empresas do setor se encontram em processo de expansão – o Sindicarne representa as indústrias de carne bovina e suína. “São projetos em diferentes níveis e fases, mas que vão aumentar a capacidade produtiva para acessar ou ampliar o acesso ao mercado externo. O novo status vai, certamente, alavancar ainda mais essa tendência”, avalia.

EXEMPLO – Um exemplo emblemático nesse processo é a Frimesa, que está construindo em Assis Chateaubriand, no Oeste do Estado, aquele que será o maior frigorífico de suínos da América Latina. A primeira fase da obra deve ser concluída em 2022, com a capacidade inicial de abate de 7.500 suínos por dia e investimentos de R$ 840 milhões.

Com a finalização do projeto, a previsão é dobrar a produção na unidade até 2030, fechando um investimento total de R$ 1,2 bilhão e o abate de até 15 mil cabeças por dia. A previsão é de gerar 3,5 mil empregos diretos na primeira fase de implantação e 8,5 mil quando a planta estiver em pleno funcionamento.

“A Frimesa já planejava ampliar a produção suína, mas o investimento dessa envergadura só está sendo tirado do papel porque sabíamos que o Paraná estava se estruturando para se tornar área livre de febre aftosa sem vacinação”, afirma Elias Zydek, diretor-executivo da cooperativa. “Um empreendimento como esse gera muito impacto. Calcula-se que a cada vaga de trabalho direta na suinocultura impacta em outras quatro, porque inclui os produtores associados, fornecedores, transportadoras, entre outros”.

Para ele, a conquista do novo status sanitário é resultado de esforços conjuntos do Governo do Estado e do setor produtivo paranaense, que se organizaram, investiram nas divisas sanitárias e promoveram campanhas e audiências públicas com os produtores. “O Paraná terá agora uma grande oportunidade de ampliar o mercado de carne. Estamos muito otimistas, essa é a conquista da década”, salienta Zydek, que também ocupa a vice-presidência do Sindicarne.

O Paraná tem condições de ultrapassar Santa Catarina, atualmente o principal produtor de carne de porco do País, em até três anos. “O Estado reúne as melhores condições, tem área disponível, espaço para expansão, tecnologia e é um dos maiores produtores de grãos do País, usado na alimentação dos suínos. Santa Catarina já está no limite, não tem mais espaço físico, mas mantinha a vantagem competitiva de contar com o mercado aberto para carne”, completa.

AVICULTURA – Mesmo que já mantenha um bom mercado e a liderança disparada na exportação de carne de frango, e não seja impactada diretamente pela vacinação contra a aftosa, a avicultura paranaense também é beneficiada com o reforço no sistema de sanidade animal. Para Irineo da Costa Rodrigues, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), o Estado tem condições de disputar internacionalmente esse mercado.

Produção paranaense de frango é destaque nacional. Foto: Jonathan Campos/AEN

“O Paraná exporta carne de frango para cerca de 170 países, mas vários deles estão se organizando para uma produção própria, tanto para abastecer o mercado interno como para competir com fortes produtores como o Brasil”, explica. “Com a chancela da OIE, o Paraná ganha credibilidade e mostra que está fazendo a lição de casa para resolver pendências na área de sanidade animal e melhorar a sua produção. É uma questão que precisa ser levada a sério tanto pelo setor público como pelo privado se quisermos ser competitivos internacionalmente”.

Segundo ele, as empresas do setor estão buscando incrementar a produção e aumentar ao máximo a estrutura operacional. Irineo cita o exemplo da Lar, cooperativa da qual é diretor-presidente. “A Lar tinha apenas uma planta de abate de frango há cerca de dois anos, e hoje está operando quatro unidades em cidades diferentes. O abate no período passou de 340 mil para 920 mil aves por dia”, afirma. Há no horizonte R$ 2,4 bilhões de investimentos planejados.

“O frango é uma cadeia bastante complexa, que exige uma estrutura robusta para garantir a sanidade e a produtividade. Isso vem desde a nutrição até o zelo total nas granjas, frigoríficos e no transporte para a comercialização”, explica. “Assim como o fim da vacinação contra aftosa, Paraná e Brasil também podem avançar para conter a salmonela. O controle pode ser difícil, mas não é impossível e vai representar muito para a abertura de mercados e para manter a competitividade da carne de frango”.

PROCESSAMENTO – Além do abate e da venda de carne in natura, o processamento das proteínas animais também ganha cada vez mais força no Estado. Há duas semanas, a JBS anunciou a ampliação de sua planta em Rolândia, no Norte do Paraná. O investimento de R$ 1,85 bilhão será usado para a construção da maior fábrica de empanados e salsichas do mundo e a expansão da atual unidade de aves.

Com previsão de produzir até mil toneladas de alimentos preparados por dia a partir do quarto trimestre de 2022, há expectativa de criar cerca de 2,6 mil novos empregos diretos. Presente em 14 municípios, incluindo unidades de produção, centros de distribuição, incubatórios e fábricas de ração, a companhia planeja mais investimentos no Estado para os próximos anos. No Paraná, a JBS emprega 14,2 mil pessoas, além de gerar outros 42 mil empregos indiretos e contar com mais de 2 mil produtores integrados.

Darlan José Carvalho, diretor de Negócios da JBS no Paraná, ressalta que o Estado é prioridade na expansão dos negócios da empresa. “Decidimos colocar um investimento importante no Paraná porque é um estado que tem em seu DNA a produção de frango, com produtores bastante competitivos e que conhecem a atividade”, afirma. “O Estado tem uma infraestrutura logística muito boa e agora as conquistas na sanidade animal, que é um item importante para acessar mercados internacionais”.

Na industrialização, há perspectivas de novos investimentos também por parte da BRF, Coopavel, Copacol, Frísia, Castrolanda, C.Vale e diversas outras cooperativas e empresas, montante que ultrapassa R$ 2 bilhões apenas neste ano, no cálculo da Ocepar.

Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, o principal recado que o Paraná passa é mostrar ao mundo uma estrutura produtiva mais desenvolvida e sadia, com um serviço de inspeção sanitária de qualidade. “Tudo isso vai refletir em novos negócios e na geração de empregos, que foi o motivo para lutarmos por essa chancela. O aumento na produção, com a expansão de novas plantas e abertura de mais turnos, significa mais gente trabalhando”, afirma.

Fonte: Agência Estadual de Noticias-PR

Notícias

Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Publicado em

em

Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Notícias

Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
Continue Lendo

Notícias

Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo

Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Publicado em

em

Foto: Paulo Kurtz

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.

O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.

Potencial de uso da plataforma

O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.

Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.

Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.

Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.

Avanços para o melhoramento genético

As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:

“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje

“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.

Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.

No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.

Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.

Fonte: Assessoria Embrapa Trigo
Continue Lendo
Editora O Presente 35 anos

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.