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Notícias Fim do entrave?

Com estoques de soja no fim em portos no Pará, Abiove vê retomada na BR-163

Porto de Miritituba recebia cerca de 35 mil toneladas/dia de soja antes da interrupção

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REUTERS/Paulo Whitaker

Com os estoques de soja perto do fim nos terminais portuários de Miritituba e Barcarena, no Pará, a indústria exportadora espera que se confirme uma expectativa do governo de liberar nesta sexta-feira (08) o tráfego de caminhões com o produto na BR-163 em direção ao Norte, disse o economista-chefe da Abiove, Daniel Amaral.

Chuvas interditaram desde o final do mês passado o tráfego de caminhões na importante rodovia que abastece o porto fluvial de Miritituba, do qual barcaças partem com soja em direção aos terminais de Barcarena, onde navios seguem com o produto com destino aos países importadores.

“Os terminais em Miritituba e Barcarena estão abastecidos até hoje (sexta-feira). Como a colheita foi antecipada, então os terminais conseguiram ficar abastecidos (no período da interrupção)”, disse Amaral à Reuters, acrescentando que uma retomada do transporte de soja pela BR-163, conforme previsto pelo Dnit, deve permitir que os portos voltem a ser abastecidos.

O porto de Miritituba recebia cerca de 35 mil toneladas/dia de soja antes da interrupção, segundo a Abiove.

A interrupção do tráfego na BR-163 foi o primeiro problema logístico relevante nesta safra 2018/19, disse Amaral, lembrando que dessa vez o setor vem recebendo apoio das autoridades para que a situação seja normalizada com maior celeridade na região da rodovia, principal acesso aos portos paraenses, que enfrentou problemas mais graves no passado.

“Este ano temos uma situação um pouco diferente da de dois anos atrás, porque temos um acompanhamento de perto pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte), pelo Exército, pelo ministro (da Infraestrutura, Tarcísio Freitas), que está pessoalmente acompanhando as obras. Do ponto de vista institucional, estamos tendo uma assistência muito melhor”, disse ele, ressaltando que isso inclui fornecimento de água e alimentos para os caminhoneiros que ficam parados na estrada.

Segundo o economista da Abiove, ainda não é possível mensurar perdas decorrentes da interrupção no tráfego da BR-163. Mas ele lembrou que algumas tradings globais estão realocando a carga para outros terminais, ainda que não seja algo generalizado, o que acarreta um custo adicional de R$ 35 a 40 por tonelada, em média.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, por enquanto não houve impacto nas exportações brasileiras, uma vez que o setor contou com estoques. “Havia estoques lá. Não resultou em ‘demurrage’ ainda, mas já estamos em um ponto crítico, se continuar mais dois ou três dias teremos problemas. Navio ter de pagar ‘demurrage’ é lamentável”, afirmou ele à Reuters.

A “demurrage” é cobrada dos contratantes quando navios extrapolam o tempo de permanência nos portos em relação ao que fora previamente acertado com os armadores. Segundo Mendes, essa multa pode chegar aos US$ 15 mil por dia.

O Brasil é o maior exportador global de soja e um dos maiores de milho. Os portos do Norte têm sido importante rota para reduzir os gargalos logísticos nos portos do Sul/Sudeste. “Na exportação em si, ainda não tivemos problemas, mas estamos no limite…”, acrescentou Mendes.

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O dirigente da Anec ressaltou, contudo, que tais problemas afetam a imagem do Brasil como exportador. “Estamos transmitindo a imagem de um exportador com problemas que já deveriam ter sido solucionados, em um momento que os Estados Unidos estão com estoques”, afirmou Mendes, lembrando que os norte-americanos detêm amplas reservas de soja para comercialização devido a impactos da guerra comercial com a China desde o ano passado.

A liberação dos caminhões no sentido sul da BR-163, retornando dos portos de Miritituba, ocorreu na tarde de quarta-feira. Mais de 1.200 carretas passaram pelo posto de controle e atravessaram os trechos críticos restaurados pelo Exército e pelo Dnit.

Amaral, da Abiove, explicou que, por conta dos trechos ainda sem asfalto, a rodovia não aguentou o volume elevado de caminhões nesta época de escoamento da safra, principalmente de Mato Grosso, e isso trouxe um problema de congestionamento, “que está sendo equacionado pelas autoridades”.

A partir da liberação, o trânsito de carretas na região ocorrerá alternadamente em sentido único, das 6h às 22h, segundo o Dnit. A operação será mantida com o objetivo de evitar novas paralisações. Durante as madrugadas, as equipes do Exército e Dnit realizaram as obras de manutenção e recuperação necessárias.

Fonte: Reuters
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Notícias Brasil

Abiove reduz safra de soja em 2019 e eleva previsão de colheita de 2018

Com a mudança no número da colheita de 2018, a Abiove elevou para 2,79 milhões de toneladas a previsão de estoques iniciais em 2019

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Arquivo/OP Rural

A safra de soja do Brasil em 2019 foi estimada na terça-feira (19) pela associação da indústria Abiove em 116,9 milhões de toneladas, redução de 1 milhão de toneladas na comparação com a projeção de janeiro, com o setor ajustando seus números após uma seca atingir a colheita deste ano.

Em comunicado, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) ainda elevou em quase 2 milhões de toneladas a previsão da safra passada, para um recorde de 123,08 milhões de toneladas.

Com a mudança no número da colheita de 2018, a Abiove elevou para 2,79 milhões de toneladas a previsão de estoques iniciais em 2019, ante 778 mil toneladas de soja na previsão de janeiro.

Dessa forma, a associação manteve as previsões de exportação (70,1 milhões de toneladas) e processamento (43,2 milhões de toneladas) de soja em 2019, ainda que tenha reduzido a projeção de safra.

Na comparação com a temporada passada, as exportações de soja do Brasil, maior exportador global da oleaginosa, vão cair 16,2%. Em 2018, o país colheu uma safra recorde e ainda foi beneficiado pela forte demanda da China, que reduziu compras do produto dos EUA devido a uma disputa comercial com os norte-americanos.

As exportações brasileiras do grão, farelo e óleo de soja deverão somar 32,8 bilhões de dólares, praticamente estável ante a projeção de janeiro, mas uma forte redução ante o recorde de 2018, de 40,9 bilhões de dólares, segundo os números da Abiove.

A soja tem sido nos últimos anos o principal produto exportado pelo Brasil.

Fonte: Reuters
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Notícias Diz autoridade norte-americana

EUA e China retomarão negociações comerciais na próxima semana

Negociações entre a China e os EUA estão nas etapas finais, com uma data-alvo para o acordo até o final de abril

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Mark Schiefelbein/Pool via REUTERS

O representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, planejam viajar para a China na próxima semana para outra rodada de negociações comerciais com o vice-premiê chinês, Liu He, disse uma autoridade do governo do presidente norte-americano, Donald Trump, nesta terça-feira.

A retomada da negociação presencial, a primeira desde que Trump atrasou o prazo de 1º de março para aumentar as tarifas sobre importações chinesas no valor de 200 bilhões de dólares, foi relatada pela primeira vez pelo Wall Street Journal.

Segundo o jornal, que cita autoridades do governo norte-americano, He irá a Washington na semana seguinte.

As negociações entre a China e os EUA estão nas etapas finais, com uma data-alvo para o acordo até o final de abril, de acordo com a reportagem.

Washington e Pequim adotaram tarifas de importação sobre os produtos um do outro que custaram bilhões de dólares às duas maiores economias do mundo, afetaram os mercados e prejudicaram cadeias de oferta e de indústria.

Fonte: Reuters
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Notícias Tensão no setor

Acordo sobre trigo entre EUA e Brasil preocupa produtores brasileiros e argentinos

Pelo pacto, os EUA poderiam exportar 750 mil toneladas do cereal ao ano ao Brasil sem pagar a tarifa de 10% estabelecida para compras do produto fora do Mercosul

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Cleverson Beje

Um acordo anunciado na terça-feira (19) entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, que prevê a implementação da uma cota isenta de tarifa para moinhos brasileiros importarem trigo norte-americano, foi recebido com preocupações por integrantes do setor agrícola no Mercosul. Pelo pacto, os EUA poderiam exportar 750 mil toneladas do cereal ao ano ao Brasil sem pagar a tarifa de 10% estabelecida para compras do produto fora do Mercosul.

No caso do Brasil, um dos maiores importadores mundiais de trigo, com importações de cerca de 7 milhões de toneladas ao ano, as compras sem tarifa do produto dos EUA poderão fazer concorrência com o produto brasileiro, desestimulando o cultivo no caso de haver pressão sobre preços no mercado interno pelo aumento da oferta importada.

Na Argentina, principal exportador de trigo ao Brasil, onde os brasileiros compram a maior parte do que importam, a notícia sobre o acordo com os EUA também gerou reclamações. “Se permanecer uma exceção à tarifa de 10%, isso não é tão ruim. Mas se isso se tornar uma norma, então seria extremamente preocupante”, declarou à Reuters o presidente da câmara da indústria argentina de trigo ArgenTrigo, David Hughes.

Em geral, quando a oferta no Brasil e no Mercosul não é suficiente para atender a demanda dos brasileiros, o governo autoriza uma cota temporária isenta de tarifa, com o objetivo de ajudar a indústria e evitar pressões inflacionárias.

Mas, pelo acordo firmado entre os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro, a isenção de tarifa para 750 mil toneladas seria permanente, entrando como parte das negociações agrícolas entre Brasil e Estados Unidos acontecidas em Washington esta semana.

A isenção tarifária para uma cota permanente, aliás, faz parte de um acordo na rodada Uruguai de negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas nunca implementado pelo Brasil. “Isso é ruim para nós”, disse o produtor argentino Jorge Bianciotto, que administra 2.300 hectares em Pergamino, na importante região produtora dos Pampas argentinos.

Dos 1,2 milhão de toneladas de trigo importado pelo Brasil em janeiro e fevereiro deste ano, a Argentina forneceu quase tudo, ou 1,1 milhão de toneladas, segundo dados do governo publicados no site da Associação Brasileira das Indústrias do Trigo (Abitrigo), que representa os moinhos. Dos EUA, pagando tarifa, brasileiros importaram apenas 10 mil toneladas no mesmo período.

No ano passado, das 6,8 milhões de toneladas que o Brasil importou, um volume de 5,9 milhões de toneladas de trigo veio da Argentina e 330 mil do Paraguai, com os EUA vendendo 270 mil toneladas —os demais países forneceram volumes menores.

A Abitrigo afirmou que apenas vai se pronunciar quando receber a confirmação do acordo.

Queixa no Paraná

“Sempre trabalhamos junto ao governo para que não fosse aprovada a isenção tarifária… São mais 750 mil toneladas, que vão concorrer com o trigo nacional, e é sabido que os americanos subsidiam o trigo deles lá”, disse uma liderança do setor produtivo no Paraná, principal Estado produtor nacional do cereal.

Falando na condição de anonimato, para não se indispor com o governo, ele disse ainda que o trigo dos EUA virá para concorrer com o produto do Paraná que vem sendo vendido aos moinhos do Norte e Nordeste do país, duas das regiões que provavelmente receberão o maior volume do produto norte-americano, pelos custos menores de frete.

A liderança afirmou ainda que provavelmente a exportação dos EUA vai prejudicar a intenção de plantio no Paraná, em momento em que o produtores locais estão se preparando para iniciar o cultivo da nova safra.

O acordo entre EUA e Brasil também estabelece condições técnicas para permitir a importação de carne de porco dos EUA pelos brasileiros, gerando por ora menos protestos do que entre os agricultores.

“O setor de suínos do Brasil se manifestou em concordância com a abertura, ao mesmo tempo em que espera reciprocidade de tratamento com a autorização de todos os Estados brasileiros para exportar carne suína para os EUA”, disse a Associação Brasileira de Proteína Animal em nota.

Em contrapartida, os EUA também concordaram em enviar inspetores ao Brasil para uma “visita técnica” de auditoria ao sistema brasileiro de inspeção de carne bovina in natura, para que o produto brasileiro possa voltar a ser exportado aos norte-americanos.

Fonte: Reuters
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