Conectado com

Peixes

Com energia solar, família de piscicultores reduz custo e aumenta produção no Paraná

Com economia na conta de luz, o casal Marino e Noemia Finckler se consolidou na atividade. Hoje produzem 65 mil tilápias por ciclo e instalaram gerador de energia, sondas e sistema com aeradores.

Publicado em

em

A vida nunca foi fácil para o casal Finckler. Seu Marino, de 64 anos, e Dona Noemia, de 52, trabalharam por quase três décadas em granjas de porcos até que, cansados de lidar com a suinocultura, somado a uma lesão na coluna da esposa, buscaram um outro meio de ganhar a vida no campo, sem precisar se mudar para a cidade.

Produtores Marino Finckler e sua esposa Noemia Roseli: “Se fosse pagar energia não poderia por muito aerador, porque o gasto é muito alto” – Fotos: Roberto Dziura Jr/AEN

Foi então que eles decidiram, há sete anos, comprar uma “chacrinha”, como Marino denomina o local onde o casal decidiu fazer morada, na área rural de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná. Determinado a produzir bovinos, foi aconselhado pelos vizinhos a investir em uma outra cultura. “O povo falava ‘não comece com vaca que isso não dá certo’ e nos incentivaram a começarmos com piscicultura”, lembra o produtor.

Para ajudá-los na consolidação da atividade, o casal contou com um apoio fundamental: o Paraná Energia Rural Renovável (RenovaPR), do Governo do Estado, para instalação de placas solares com juros zero no financiamento, barateando custos da instalação de placas solares e possibilitando o investimento em automatização dentro da propriedade. O programa é desenvolvido pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), por meio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR).

A história do casal Finckler é o tema desta semana da série de reportagens “Paraná, a Energia Verde que Renova o Campo”, produzida pela Agência Estadual de Notícias (AEN) e publicada sempre às terças-feiras.

A permanência na área rural, com uma produção rentável, Marino credita ao RenovaPR. “Se não tivesse as placas, acho que não ia ser viável ter peixe. O custo da luz é muito alto, não daria certo. Assim, a gente quase não paga, ficou bem melhor”, opina. “Sem o programa não tinha condições de continuar aqui e nem de comprar essas placas no dinheiro. Ter conseguido financiamento com juros zero foi muito bom.”

Apoio

Conhecendo quase nada de piscicultura, o casal decidiu arriscar com a tilápia, espécie da qual o Paraná é líder nacional na produção e com mercado tanto no Brasil quanto no

Exterior, sobretudo nos Estados Unidos, país que mais importou tilápia do Estado no primeiro semestre de 2024. Para isso, Marino e Noemia contavam com o apoio de técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná) e também de fornecedores, que davam dicas sobre como manejar a cultura.

Foi justamente esse apoio técnico que deu o start para que o casal visse, na produção própria de energia, uma maneira de se manter no campo. “Quem me falou sobre o programa foi a técnica do IDR-Paraná que me acompanha aqui. Ela vem todo mês e comentou sobre o RenovaPR. Na hora eu disse para ela ‘meter ficha’ e deu certo”, recorda o piscicultor.

Redução de custo

A propriedade de Marino e Noemia conta com dois tanques, com capacidade para produzir até 65 mil tilápias simultaneamente, por ciclo. Por mês, o casal chegava a gastar R$ 2 mil em energia elétrica, mas com um número bem menor de peixes. A termos de comparação, com a produção atual, eles estimam que a conta ficaria entre R$ 7 mil e R$ 8 mil.

Buscando reduzir custos, Marino buscou financiamento de 96 placas solares com juros zero pelo RenovaPR, por meio do Banco do Agricultor Paranaense, operacionalizado pela Fomento Paraná, ao valor total de R$ 165 mil. Enquanto que no ano eles pagariam cerca de R$ 84 mil com a conta de luz, a parcela do financiamento das placas solares, que é anual, fica em R$ 16,5 mil, redução de 80%.

Com prazo de pagamento de 10 anos, o casal foi pioneiro na obtenção de financiamento pelo programa em Marechal Cândido Rondon, ainda em 2021. “O primeiro contrato que entrou no banco aqui da região foi o nosso”, recorda Noemia. A economia proporcionou que a produção fosse aumentada. “Naquela época, quando não tínhamos as placas, eram poucos peixes. Agora eu tenho bem mais. No calorão chego a gastar 10 mil quilowatts no mês”, explica Marino, que se livrou da conta de luz. “Hoje eles só descontam a taxa da rede, de R$ 19 em média.”

Outros equipamentos

Além de aumentar a produção, permitida pela redução na conta de luz e financiamento sem juros, o casal pôde investir em outros equipamentos para otimizar ainda mais a propriedade. Eles também financiaram pelo Banco do Agricultor um gerador de energia (evitando que os picos de luz prejudiquem a produtividade) e sondas (que medem o oxigênio na água). Instalaram, ainda, um sistema com aeradores, que movimentam a água para aumentar o oxigênio nos tanques.

A exceção do gerador, que liga automaticamente em caso de pico de luz, os demais sistemas podem ser operados tanto de forma automática quanto pelo celular. À medida que a temperatura da água cai, ou então os níveis de oxigênio fiquem mais baixos, os aeradores automaticamente entram em operação. Quando atingido o valor ideal, o sistema também, de forma automática, desliga.

“Se fosse pagar energia não poderia por muito aerador, porque o gasto é muito alto. Assim a gente pôde colocar mais e aumentar a produção de peixe. Enquanto estamos pagando as placas, tem que ir se acertando com o gasto, mas depois de finalizar, será tudo de bom”, afirma o piscicultor.

Cuidado no inverno

Deu tão certo a produção de energia que o casal decidiu investir, por conta própria, em mais 48 placas, totalizando agora 144. Com o excedente do que é produzido nos meses que

demandam menos energia (geralmente no inverno), o casal abate em meses em que a produção está plena, quando os peixes atingem um tamanho superior a 400 gramas.

Apesar de ser uma região com temperaturas mais elevadas, quando ocorrem dias frios os produtores já redobram os cuidados. Isso porque a produção de alevinos (estágio embrionário dos peixes) ocorre nos períodos de calor, entre novembro e abril. Deixar os peixes morrerem fora desse período, sem ter como repor, é perder dinheiro.

Outro fator de cuidado é com a alimentação. Em dias frios, os peixes se movimentam menos, o que demanda porções menores de ração, facilitando a digestão e evitando perdas. “No inverno é complicado. A água fica muito fria e se bobear um pouquinho, tratar um pouco demais, mata os peixes”, comenta Marino. “Tem que cuidar mais. Por isso que para mim não é bom o frio. Eu prefiro o calor, porque os peixes vêm mais rápido.”

Piscicultura

O Paraná é o maior produtor de peixes do Brasil. A região que mais produz a proteína é o Oeste, sobretudo o Núcleo Regional de Toledo, da Seab, que principal produtora. Em 2023, essa regional Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 1,08 bilhão, representando 52,7% do total estadual. Marechal Cândido Rondon, que pertence a esse Núcleo Regional, figura entre as principais produtoras. Dos 399 municípios do Estado, 364 apresentaram atividade de piscicultura no ano passado. Os 10 maiores municípios totalizam 58% do VBP paranaense.

Para se ter uma ideia da força da região Oeste, das dez cidades que mais produzem peixe no Paraná, nove são de lá. Nova Aurora lidera o VBP, com R$ 213,4 milhões, seguida por Palotina (R$ 189,1 milhões), Assis Chateaubriand (R$ 140,4 milhões), Toledo (R$ 131,9 milhões), Terra Roxa (R$ 101 milhões), Maripá e Nova Santa Rosa (R$ 99,9 milhões cada), Marechal Cândido Rondon (R$ 73 milhões), e Tupãssi (R$ 69,9 milhões). Guaratuba, no Litoral (R$ 81,3 milhões), completa a lista.

Os 10 municípios respondem por 58% da produção estadual. Os outros 354 produtores de peixe no Estado somaram R$ 864,6 milhões e 42% do mercado paranaense. “Para nós a tilápia é mais viável. Esse peixe é muito bom, é o melhor que tem. Uma partezinha da produção do Paraná vem daqui de Marechal”, exalta o piscicultor.

Fonte: AEN-PR

Peixes

Embrapa apresenta aplicativo gratuito para auxiliar gestão da piscicultura

Ferramenta reúne inteligência artificial, monitoramento da água, controle de custos e manejo de tilápia e tambaqui. Apresentação será no dia 05 de agosto.

Publicado em

em

Foto: MDA

A Embrapa promoverá no dia 05 de agosto, às 14 horas, uma apresentação on-line sobre o aplicativo Aquicultura Certa para técnicos, piscicultores e demais interessados. Disponível gratuitamente para dispositivos com sistema Android, o app é uma ferramenta de gestão inteligente da piscicultura, auxiliando no manejo e na tomada de decisões.

A apresentação será feita pelo pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (Campinas-SP) Silvio Evangelista, que explicará cada uma das funcionalidades da ferramenta. A participação é gratuita e o acesso pode ser feito clicando aqui.

Foto: Divulgação/Embrapa

A primeira versão do aplicativo conta com informações para a criação de tambaqui e tilápia. Nele, o usuário pode cadastrar seus tanques e criadouros, inserir informações sobre o número de alevinos, data de início da criação e peso alvo.

Um relatório traz indicadores sobre estimativa de despesca, estimativa de produção, custos com análises e tratamento da água, energia elétrica, produtos veterinários e manutenção do viveiro. O relatório traz também análises sobre a viabilidade econômica de cada viveiro.

O aplicativo ainda recebe dados sobre a biometria dos peixes, indicando curva de crescimento, calculando e orientando sobre a alimentação diária necessária. A qualidade da água também pode ser monitorada e as indicações de correção são feitas automaticamente usando, entre outras informações, os dados meteorológicos.

Alertas meteorológicos são emitidos pelo aplicativo, indicando, por exemplo, a recomendação de diminuir a quantidade de ração em certas condições climáticas, que mudam o comportamento dos peixes. O Aquicultura Certa conta ainda com recursos de inteligência artificial, que possibilitam tirar dúvidas do piscicultor por meio de um chat.

Reaqua

A apresentação do dia 05 será uma oportunidade de técnicos e piscicultores de todo o Brasil conhecerem melhor a ferramenta que está disponível gratuitamente. A iniciativa faz parte da Reaqua, rede que integra agentes de assistência técnica e extensão rural de todo o país. A coordenação da rede é da zootecnista Marcela Mataveli, da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO).

Foto: Paulo Michellon

De acordo com ela, “a Reaqua vem se consolidando como um espaço de articulação e troca de conhecimentos entre esses profissionais voltados à aquicultura. Nesse processo, vêm sendo realizadas oitivas com todas as instituições integrantes da rede, cujas contribuições têm orientado a definição das ações prioritárias”.

Marcela continua: “entre as principais demandas identificadas, destacam-se a apresentação e o compartilhamento de tecnologias voltadas aos sistemas intensivos de produção, alinhadas às soluções desenvolvidas pelo projeto BRS Aqua, fortalecendo a transferência de conhecimento e a inovação para o setor”.

Coordenado pela Embrapa, o BRS Aqua tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNA / MPA) e da própria Embrapa, contando ainda com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Para a live, Marcela espera a participação de diferentes públicos: extensionistas, técnicos, produtores e representantes de instituições parceiras. “A live busca fortalecer o engajamento da rede, ampliar o acesso a informações técnicas qualificadas e apresentar novas tecnologias que contribuam para o desenvolvimento e a competitividade da aquicultura brasileira”, entende.

Fonte: Assessoria Embrapa Agricultura Digital
Continue Lendo

Peixes

Tilápia registra queda nas cotações em todas as principais regiões produtoras

Levantamento do Cepea mostra retração semanal entre 0,10% e 0,61% nos preços pagos ao produtor.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Os preços da tilápia apresentaram recuo em todas as principais regiões produtoras monitoradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na semana de 13 a 17 de julho.

O maior valor foi registrado no Norte do Paraná, onde o quilo da tilápia foi negociado a R$ 10,31, apesar da retração semanal de 0,61%. Em seguida aparecem o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com cotação de R$ 10,04 por quilo e queda de 0,50%, e a região dos Grandes Lagos, onde o preço fechou em R$ 9,80, recuo de 0,52%.

Em Morada Nova de Minas, o quilo da tilápia foi comercializado a R$ 9,48, com desvalorização de 0,26% na comparação com a semana anterior.

No Oeste do Paraná, a cotação ficou em R$ 8,70 por quilo, a menor entre as regiões pesquisadas. Apesar disso, o mercado registrou a menor variação negativa da semana, com queda de 0,10%.

Os dados são do levantamento semanal do Cepea, que acompanha a evolução dos preços da tilápia nas principais regiões produtoras do país.

Fonte: Assessoria Cepea
Continue Lendo

Peixes

Seguro-defeso pode passar a ser pago durante todo o período de proibição da pesca

Mudança também prevê cadastro nacional de pescadores artesanais e regras mais rígidas para combater fraudes na concessão do benefício.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê que o Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal seja pago durante todo o período em que a pesca estiver proibida por medidas de preservação ambiental.

O Projeto de Lei 806/2026 altera a Lei nº 10.779/2003, que regulamenta o seguro-defeso, benefício concedido aos pescadores artesanais durante a paralisação temporária da atividade para garantir a reprodução das espécies.

Foto: Claudio Neves

Segundo o texto, o objetivo é evitar situações em que o pescador permanece impedido de exercer a atividade por determinação legal, mas deixa de receber o benefício durante parte do período de restrição.

Além da ampliação da cobertura, a proposta cria o Cadastro Nacional de Pescadores Artesanais e Marisqueiras. A ferramenta deverá reunir informações para registro, controle e cruzamento de dados, permitindo maior fiscalização na concessão e no acompanhamento do seguro-defeso.

O projeto também endurece as regras contra fraudes. Pela proposta, quem obtiver ou tentar obter o benefício mediante fraude ou má-fé ficará impedido de participar ou receber benefícios de programas sociais.

Autores da proposta, os deputados Carla Dickson (PL-RN) e Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmam que a medida busca garantir que os recursos do seguro-defeso sejam destinados exclusivamente aos profissionais que dependem da pesca artesanal como fonte de renda.

Tramitação

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Editora O Presente 35 anos

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.