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Com crescimento de 10% ao ano na última década, piscicultura brasileira enfrenta gargalos para se manter em expansão

Entre os principais entraves ao desenvolvimento dos peixes nativos no país estão a falta de industrialização, de genética aprimorada, de nutrição adequada e de políticas eficazes de sanidade.

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Mesmo diante de desafios, a piscicultura brasileira vem se expandindo a uma taxa de 10% ao ano na última década, tendo atingido no último ano 887.029 toneladas de peixes de cultivo produzidas, crescimento de 3,1% em relação a 2022. Superando adversidades como clima, questões sanitárias e gargalos logísticos, a atividade posiciona o Brasil entre os maiores produtores mundiais de peixes de cultivo, especialmente de tilápia, espécie que é o carro-chefe da produção nacional. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, destaca o crescimento robusto do setor, os gargalos e as perspectivas para os próximos meses de 2024.

Criada em outubro de 2014, a Peixe BR completa uma década de atuação este ano, período em que desempenhou um papel importante para o desenvolvimento da piscicultura nacional. “Nos últimos 10 anos, os peixes de cultivo foram a proteína animal que mais cresceu percentualmente no Brasil”, exalta Medeiros, atribuindo esse sucesso às ações estratégicas realizadas pela Associação junto aos seus associados, que resultaram em um aumento expressivo na produção e na melhoria dos processos de abate nas agroindústrias.

Um dos exemplos mais expressivos desse crescimento é da região Oeste do Paraná, considerada o maior polo de piscicultura do país. “As principais tecnologias e a maior produtividade se concentram nessa região, servindo de exemplo para outras regiões, como dos Grandes Lagos, em São Paulo, Triângulo Mineiro, Alto Paraíba e Morada Nova de Minas, no estado de Minas Gerais, além de Paulo Afonso, na Bahia”, expôs Medeiros, enfatizando que o Mato Grosso se destaca atualmente como o estado com maior número de investimentos na atividade, impulsionado pelas experiências bem-sucedidas no Oeste paranaense.

Principal espécie produzida no país, a tilápia representa mais de 65% da produção total, atingindo um crescimento de 10,2% ao ano na última década. “Um fator importante para o crescimento da tilapicultura é o fato de que a tilápia é o único pescado que é commodity no mundo, produzido em mais de 100 países e comercializado em mais de 140. Isso favorece o desenvolvimento da atividade, permitindo trocas de informações e acesso a tecnologias avançadas”, frisou o presidente da Peixes BR, evidenciando o interesse crescente de empresas de saúde animal, genética e nutrição no setor, impulsionado pela natureza globalizada da produção de tilápia. “Os grandes players do agronegócio, tanto nacional como internacional, estão entrando no mercado da piscicultura, o que traz novas oportunidades, mas também muitos desafios”, frisa.

Resiliência do setor

Apesar dos bons resultados, Medeiros ressalta que a atividade tem muito a melhorar, especialmente em termos de gestão e adaptação às condições climáticas, como as variações de temperatura que impactam a alimentação e o peso dos peixes. Porém, salienta que a cadeia produtiva é resiliente e está atenta às mudanças que afetam o setor e ao comportamento do mercado consumidor.

O presidente da Peixe BR também reforça que a estação mais fria do ano influencia diretamente na criação de tilápias. Ele explica que tradicionalmente, por volta de abril, as tilápias reduzem a alimentação devido à queda na temperatura da água, resultando em uma menor oferta de filé de tilápia no mercado. No entanto, Medeiros diz que 2024 foi atípico. “Em julho, o Paraná experimentou um frio mais prolongado, enquanto no início do inverno os períodos de frio foram curtos e menos intensos. Isso permitiu que as tilápias crescessem mais, atingindo um peso maior, o que resultou em um aumento na oferta de filé no mercado, já que os consumidores compram o produto por peso. Em 2023, a média de abate no Paraná era de 700 gramas, enquanto que em 2024 está em 950 gramas, ou seja, o produtor aumentou em um ano quase 30% a oferta de filé com a mesma quantidade de peixe”, menciona.

Embora o preço da tilápia esteja abaixo do praticado no mesmo período do ano passado, os produtores tiveram uma redução no custo da ração, o que influência diretamente na rentabilidade do negócio. “Neste cenário, a gestão eficiente se torna fundamental. Enquanto alguns produtores enfrentam prejuízos, outros conseguem equilibrar as contas e há ainda aqueles que estão lucrando”, afirma Medeiros, acrescentando que historicamente o inverno é um período de baixa liquidez ao produtor, porque o consumidor acaba substituindo a tilápia por outras proteínas. “Esperamos uma retomada nos preços até o final de setembro”, afirma, otimista, o presidente da Peixe BR.

Presença do Brasil no mercado internacional

O Brasil tem se destacado cada vez mais no mercado internacional de pescado, especialmente na exportação de tilápia. Quarto maior produtor mundial da espécie, o país atualmente exporta para mais de 40 nações, com destaque para os Estados Unidos (EUA) e o Canadá, os maiores consumidores de filé de tilápia do mundo. “O mercado norte-americano tem sido o foco principal das exportações brasileiras, com mais de 50% do volume exportado sendo de filés frescos, que são melhor remunerados nos EUA. Em contrapartida, os filés congelados enfrentam forte concorrência com os produtos chineses, que, embora de qualidade inferior ao pescado brasileiro, dominam parte do mercado devido a questões logísticas e de preço”, detalha Medeiros.

Contudo, um dos principais desafios enfrentados pelo Brasil para aumentar sua competitividade no mercado global é a logística. O transporte do filé de tilápia, que deve chegar aos EUA em até 48 horas após o peixe sair da água, é realizado via voos comerciais de passageiros, o que impõe limitações. Além disso, o processo de liberação dos certificados de exportação pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) pode levar até quatro dias, um prazo que, embora razoável para outros produtos do agronegócio, é insuficiente para a exportação de filé de tilápia fresco. “Temos trabalhado junto ao Ministério para otimizar esses prazos e, assim, permitir que o Brasil aumente sua participação no mercado internacional de tilápia”, adianta.

Perspectivas de crescimento

Para que o Brasil se consolide como um dos maiores exportadores de pescado do mundo, Medeiros diz que é essencial continuar aumentando a produção. Em 2023, as exportações cresceram 48% em relação ao ano anterior, contudo, segundo ele, o crescimento poderia ter sido ainda maior. “A indústria optou por priorizar o mercado interno, que ainda está em expansão e apresenta grande potencial de consumo”, salienta.

O cenário cambial atual, com o dólar acima de US$ 5,60, tem sido favorável para as exportações, tornando o produto brasileiro mais competitivo no mercado internacional. Mesmo assim, a indústria continua a atender prioritariamente o mercado interno, o que indica que, com o aumento da produção, o Brasil pode explorar ainda mais o mercado externo sem comprometer o abastecimento doméstico.

De acordo com Medeiros, o Brasil está bem posicionado para expandir suas exportações de pescado, mas enfrenta desafios logísticos que precisam ser superados para que o país aproveite todo o seu potencial no mercado global. “Com um produto de alta qualidade e um mercado interno em crescimento, o país tem todas as condições de aumentar sua competitividade e alcançar posições ainda mais altas no ranking mundial de exportadores de pescado”, avalia o presidente da Peixe BR.

A tilápia responde atualmente por 65% da produção de peixes de cultivo no Brasil, consolidando-se como a espécie líder do setor. Com esse protagonismo, surgem questionamentos sobre as perspectivas de crescimento nos próximos anos e os riscos de uma possível dependência excessiva dessa espécie. “O mundo escolheu consumir a tilápia, não é uma decisão exclusiva dos consumidores brasileiros, mas uma tendência global”, aponta o presidente da Peixe BR, enfatizando: “Assim como o suíno branco, o frango de corte, a soja e o milho se tornaram commodities de relevância mundial, a tilápia se destaca por sua produção competitiva e acessível a todas as faixas etárias e classes sociais. Ou seja, não é uma escolha do produtor brasileiro, é uma escolha do mundo”.

Consumo Interno

Apesar dos avanços, o consumo per capita de pescado no Brasil permanece abaixo do ideal, com média de aproximadamente 9 kg/habitante/ano, quando a nível mundial a média pode chegar a 20 kg/habitante/ano. “A Peixe BR tem realizado várias ações em parceria com as empresas associadas para impulsionar o consumo interno, no entanto, reconhecemos que ainda há espaço para maior adesão dos brasileiros ao peixe em suas dietas. Temos trabalhado ativamente para implementar diversas estratégias de incentivo ao consumo, o que tem feito com essa seja a proteína animal que mais cresceu em termos percentuais entre os consumidores brasileiros na última década”, enfatiza.

Gargalos na produção de peixes nativos

Enquanto a tilápia segue em expansão, os peixes nativos do Brasil enfrentam um cenário de desafios. O presidente da Peixe BR aponta que, nos últimos sete anos, a produção de espécies nativas sofreu uma retração de mais de 13%. Entre os principais entraves ao desenvolvimento dos peixes nativos no país estão a falta de industrialização, de genética aprimorada, de nutrição adequada e de políticas eficazes de sanidade.

Segundo uma projeção recente do Instituto Escolhas, o crescimento esperado para os peixes nativos nos próximos 10 anos é de apenas 4,6%. “Esse crescimento é acumulado em uma década, não anual. Diferente da tilápia, os peixes nativos carecem de investimentos em todas as áreas, desde genética até a indústria de abate”, evidencia Medeiros.

Um exemplo que ilustra essa disparidade é um contraste entre a cidade mineira Morada Nova de Minas, que produz 35 mil toneladas de peixes e possui sete frigoríficos com serviço de inspeção, enquanto Rondônia, estado líder na produção de peixes nativos, possui apenas três frigoríficos, evidenciando o gargalo na industrialização. “Sem a indústria de processamento, não há como expandir a produção de peixes nativos, pois o consumidor final raramente compra um peixe fresco inteiro para processar em casa. O processamento industrial é essencial para que o pescado chegue de forma prática e acessível ao prato dos brasileiros”, observa Medeiros.

Conforme o presidente da Peixe BR, a reestruturação da cadeia produtiva dos peixes nativos vai exigir pelo menos uma década de investimentos estratégicos, especialmente no desenvolvimento de indústrias de processamento. “Atualmente, sem essa estrutura, os peixes nativos estão se tornando um produto de nicho, o que não é necessariamente ruim, mas precisa ser valorizado com preços mais altos para garantir rentabilidade. Caso contrário, a perda de margem tornará inviável a continuidade dessa produção”, ressalta.

A situação já impacta diretamente estados como Mato Grosso e Rondônia, onde muitas estruturas produtivas estão desativadas. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, mais de 30% dos viveiros que antes cultivavam peixes nativos foram desativados por falta de rentabilidade e perspectivas de melhoria. “A produção existe, mas sem uma indústria adequada para absorver e processar esse pescado, a atividade se torna insustentável”, acrescenta.

Receita do setor

Em 2024, a produção de peixes de cultivo movimentou cerca de R$ 9 bilhões no Brasil, refletindo a força crescente do setor. As perspectivas para os próximos anos são promissoras, com projeções de expansão significativa. “A única certeza que temos é que em 2024 o crescimento será muito superior ao de 2023”, destaca Medeiros, reforçando que a receita com a tilápia deverá se manter em dois dígitos este ano.

No contexto geral da cadeia de peixes de cultivo, o setor deve alcançar um dos maiores aumentos de produção já registrados no país, especialmente se os próximos quatro meses se mantiverem estáveis. “Se tudo correr conforme o esperado, 2024 será o ano com o maior crescimento na produção de peixes de cultivo no Brasil”, projeta Medeiros.

Esse cenário, contudo, favorece mais o consumidor do que o produtor, especialmente em um momento em que o Brasil caminha para uma supersafra de commodities. “O aumento da oferta tende a pressionar os preços para baixo, beneficiando os consumidores com produtos mais acessíveis, enquanto os produtores enfrentam margens de lucro reduzidas. Esse efeito varia de mercado para mercado, mas a tendência geral é de que o consumidor seja o principal beneficiado pela queda dos preços”, explica Medeiros.

Sanidade e mercado ditam rumos da piscicultura

O futuro da piscicultura no Brasil, especialmente no setor de tilapicultura, depende de uma série de fatores que vão além da capacidade produtiva dos criadores. “O sucesso da tilápia brasileira, por exemplo, está diretamente ligado a dinâmica do mercado de insumos, especialmente milho e soja, que são os principais componentes da alimentação dos peixes”, declara.

Além dos fatores econômicos, a sanidade tem se mostrado um dos maiores desafios tanto para a criação de tilápias quanto de peixes nativos. Segundo o presidente da Peixe BR, o mercado já é, por si só, um desafio permanente, com suas flutuações e demandas, mas a questão sanitária permanece como a maior preocupação para os piscicultores. “Todos os dias surgem novos desafios a serem superados. Precisamos aprender a conviver com isso e, ao mesmo tempo, investir em novas tecnologias e vacinas para garantir a saúde e a sustentabilidade do setor”, ressalta, contando que um dos maiores riscos enfrentados atualmente é a entrada do vírus TiLV, que pode causar grandes prejuízos à produção. “Estamos trabalhando incansavelmente para evitar a disseminação desse vírus, mas os riscos sanitários são sempre grandes”, expõe Medeiros.

Expectativas para encerrar 2024

Em contínua expansão, a expectativa da Peixe BR é que o Brasil consolide ainda mais sua posição como um dos principais produtores de tilápia no mundo. Medeiros diz que as perspectivas são promissoras, mas dependem de diversos fatores, desde o clima até mudanças regulatórias e de mercado. “Esperamos uma regularidade pluviométrica nos próximos meses de 2024, com maior concentração de chuvas entre setembro e outubro nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, essenciais para a reposição de represas e lagos para garantir boas condições para a produção, especialmente de peixes nativos, uma vez que a água é o principal insumo da piscicultura, e, sem ela, não há como sustentar o crescimento que projetamos”, enfatiza.

Medeiros destaca que o país conta com três principais tipos de produtores: independentes, empresas verticalizadas e as integradoras. Segundo o presidente da Peixe BR, o sistema de integração, que envolve parcerias entre pequenos produtores e grandes empresas ou cooperativas agropecuárias, está se tornando uma das formas mais seguras de operação, especialmente em um cenário de volatilidade de preços. Por outro lado, grandes grupos econômicos apostam na verticalização, controlando todas as etapas da cadeia produtiva. “A tendência é uma redução gradual do número de produtores independentes, que estão perdendo competitividade em comparação com

Presidente da Associação Brasileira da Piscicultura, Francisco Medeiros: “Um fator importante para o crescimento da tilapicultura é o fato de que a tilápia é o único pescado que é commodity no mundo” – Foto: Divulgação/Peixe BR

sistemas integrados e verticalizados. No médio e longo prazo, esse movimento deve continuar, com cada vez menos independentes no mercado”, prevê Medeiros.

Além disso, a gestão eficiente da propriedade se tornou tão ou mais importante do que a produção em si. “Protocolos de gestão são fundamentais para aprimorar processos e garantir a competitividade no setor”, reforça Medeiros, enfatizando que o futuro da piscicultura brasileira depende não só de inovações tecnológicas, mas também de uma gestão que acompanhe o crescimento do mercado, assegurando a sustentabilidade e a lucratividade dos negócios.

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Fonte: O Presente Rural

Peixes

Embrapa conquista quatro prêmios na Aquishow com projetos que vão da merenda escolar à redução de custos na tilapicultura

Pesquisas premiadas incluem livro sobre consumo de pescado nas escolas, documentário sobre piscicultura familiar e tecnologia capaz de reduzir em até 7% os custos de produção de tilápia.

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Representantes da Embrapa Pesca e Aquicultura durante a cerimônia de premiação da Aquishow Brasil 2026, ao lado do ministro da Pesca e Aquicultura - Foto: Divulgação

A Embrapa Pesca e Aquicultura teve quatro trabalhos premiados no Prêmio Inovação Aquícola 2026, durante a abertura da Aquishow Brasil 2026, realizada na última terça-feira (09), em Uberlândia (MG). O Centro de Pesquisa teve projetos reconhecidos nas três categorias da premiação: Sustentabilidade, Academia e Produção, com destaque para o primeiro lugar obtido pelo livro O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar.

O Prêmio Inovação Aquícola reconhece projetos e iniciativas que contribuem para o desenvolvimento da cadeia produtiva da aquicultura no Brasil. Os três primeiros colocados de cada categoria receberam troféu, certificado e ajuda de custo para participação no evento.

Além dos resultados no Prêmio Inovação Aquícola, o pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho esteve entre os finalistas do Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026, entregue na mesma solenidade. A Aquishow Brasil segue até 11 de junho.

Para Roberto Flores, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, o reconhecimento obtido na Aquishow Brasil 2026 demonstra que a pesquisa desenvolvida pela Unidade está conectada às necessidades da aquicultura brasileira. “Os prêmios mostram que estamos no caminho correto, atendendo às demandas que o setor precisa. São anos de desenvolvimento dessas inovações e de dedicação dos pesquisadores que resultam em reconhecimentos como esse”, destaca.

Livro sobre alimentação escolar vence categoria Sustentabilidade

O livro O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar foi o vencedor da categoria Sustentabilidade. A obra é resultado de uma parceria entre a Embrapa Pesca e Aquicultura e o curso de Nutrição da Universidade Federal do Tocantins (UFT), voltada à promoção da inserção do pescado na alimentação escolar por meio de ações de educação alimentar e nutricional.

A publicação reúne receitas à base de pescado desenvolvidas para o ambiente escolar com o uso da Carne Mecanicamente Separada (CMS), tecnologia que elimina o risco de consumo de espinhas e amplia as possibilidades de preparo para o cardápio das escolas.

O livro é um dos produtos do projeto Integração do pescado da piscicultura familiar nas políticas agroalimentares: estratégias de transferência de tecnologia para os atores envolvidos na alimentação escolar, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT), por meio da Rede de Desenvolvimento Regional do Tocantins (Rede Deser).

São autores da publicação Hellen Christina de Almeida Kato, Diego Neves de Sousa e Jefferson Cristiano Christofoletti, da Embrapa Pesca e Aquicultura, além de Caroline Roberta Freitas Pires e Rebeca Gomes Bruschi, da UFT. “O Prêmio Inovação Aquícola demonstra que os esforços desenvolvidos em pesquisa, transferência de tecnologia e articulação institucional têm gerado resultados concretos para a valorização da cadeia do pescado, contribuindo para a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento regional”, afirma Sousa.

Projeto de governança territorial conquista terceiro lugar

Também na categoria Sustentabilidade, o projeto Inovação em governança territorial para uma aquicultura de política de Estado alcançou o terceiro lugar. Desenvolvido em parceria com a Secretaria da Pesca e Aquicultura do Estado do Tocantins (Sepea) e coordenado pela pesquisadora Hellen Christina de Almeida Kato, o projeto apoia a elaboração de planos municipais de desenvolvimento da pesca e da aquicultura por meio de uma metodologia construída a partir das realidades locais.

Como parte da iniciativa, foram realizadas oficinas presenciais com representantes municipais, técnicos e lideranças comunitárias para identificar prioridades e definir estratégias de desenvolvimento adequadas a cada território.

Entre os resultados alcançados está a promulgação da Lei Estadual nº 4.508/2024, que instituiu o Programa Trilha da Pesca e Aquicultura no Tocantins. “Participamos da construção de um modelo que pode ser replicado para outros estados. Sistematizar essa experiência pode contribuir para o fortalecimento da governança da aquicultura para além dos limites do Tocantins”, afirma Hellen.

Documentário sobre piscicultura familiar

O documentário Entre Redes e Desafios foi reconhecido com o segundo lugar na categoria Academia. A produção é de autoria de Elizângela de França Carneiro Carvalho, Hellen Christina de Almeida Kato e Diego Neves de Sousa, da Embrapa Pesca e Aquicultura, e dos professores Carlos Franco e Keile Aparecida Beraldo, da Universidade Federal do Tocantins (UFT).

A produção foi realizada pela Embrapa, pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas (Gespol/UFT) e pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR/UFT), com apoio da Associação Bom Peixe, da Secretaria de Estado da Pesca e Aquicultura do Tocantins (Sepea) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/TO).

A obra retrata os desafios enfrentados por piscicultores familiares no acesso às políticas públicas, acompanhando a realidade da Associação Bom Peixe, localizada no Parque Aquícola de Sucupira, em Palmas (TO). “Receber esse prêmio na Aquishow, que é um evento de grande relevância para a aquicultura nacional, é muito significativo. O documentário Entre Redes e Desafios retrata a realidade da grande maioria dos piscicultores do Brasil. Estima-se que 99% deles são pequenos produtores e enfrentam dificuldades no acesso a políticas públicas”, pontua Elizângela.

Para a autora, a visibilidade proporcionada pela premiação pode contribuir para o avanço de ações conjuntas voltadas à implementação de políticas públicas capazes de atender às diferentes realidades dos piscicultores do país.

Soluções para redução de custos

O trabalho Eficiência produtiva da tilapicultura: soluções inovadoras para redução de custos e aumento do desempenho da produção de tilápia em tanques-rede no Tocantins obteve o segundo lugar na categoria Produção. O projeto foi conduzido pelos pesquisadores Ana Paula Oeda Rodrigues, Flávia Tavares de Matos, Giovanni Vitti Moro, Leandro Kanamaru Franco de Lima, Viviane Rodrigues Verdolin dos Santos e Manoel Xavier Pedroza Filho, da Embrapa Pesca e Aquicultura, com participação de Luiz Eduardo Lima de Freitas, da Embrapa Cerrados.

A pesquisa resultou em uma nova tabela de alimentação para tilápia em tanques-rede, com fornecimento de ração 10% inferior ao recomendado pela referência anterior. Como a ração responde por cerca de 70% dos custos da atividade, a nova tabela, associada a boas práticas de manejo, tem potencial para reduzir as despesas em até 7%.

Na prática, isso representa uma redução de R$ 7,00 para R$ 6,51 por quilo de peixe produzido. Os resultados foram obtidos em uma piscicultura comercial no reservatório de Lajeado, no Tocantins. “Esse prêmio é muito importante porque mostra que as pesquisas desenvolvidas pela Embrapa estão voltadas para a solução de problemas reais do produtor. O reconhecimento em um evento como a Aquishow demonstra que estamos no caminho certo para desenvolver tecnologias de aplicação prática. A adoção dessa tabela de alimentação pode gerar uma redução significativa nos custos de produção, aumentando a rentabilidade da tilapicultura no Tocantins”, destaca Moro.

Indicação ao Prêmio Personalidades

A Aquishow Brasil 2026 promoveu ainda a entrega do Prêmio Aline Brun e Geraldo Bernardino – Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026, homenagem anual a um homem e uma mulher que se destacaram no desenvolvimento da aquicultura brasileira. O pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho esteve entre os finalistas da categoria masculina, reconhecimento que reflete a relevância de sua atuação para o setor.

Entre as contribuições que embasaram a indicação estão a criação e manutenção do Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura (CIAQUI), plataforma online que reúne dados econômicos e estratégicos do setor; a publicação do Informe Trimestral de Comércio Exterior da Piscicultura, elaborado em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) desde 2019; e a realização de estudos de mercado e de cadeia de valor da aquicultura nos âmbitos nacional e internacional.

Também integra esse conjunto de contribuições sua atuação na implementação de um mecanismo federal de desoneração tributária para as exportações de tilápia, implantado em 2020. A medida reduziu a carga tributária incidente sobre os insumos utilizados na produção destinada ao mercado externo, ampliando a competitividade do produto brasileiro no cenário internacional.

Para Pedroza Filho, a indicação reforça a relevância de iniciativas desenvolvidas em apoio ao setor aquícola brasileiro. “Esse reconhecimento mostra a importância dos nossos trabalhos e serve como um indicador do impacto dessas ações. O CIAQUI e as iniciativas de apoio às exportações de tilápia estão entre os trabalhos reconhecidos, o que nos motiva a continuar dedicando esforços ao desenvolvimento da aquicultura no Brasil”, ressalta.

Fonte: Assessoria Embrapa Pesca e Aquicultura
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Peixes

Aquicultura brasileira busca lições em crise sanitária que transformou a produção de salmão no Chile

Especialistas de Brasil, Chile e Colômbia discutem durante Aquishow Brasil 2026 estratégias de biossegurança, uso responsável de antibióticos e gestão de doenças que impactaram algumas das principais cadeias aquícolas da América Latina.

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Foto: Divulgação

Os riscos sanitários que desafiam a produção mundial de peixes estão no centro das discussões da Aquishow Brasil 2026. Considerado um dos principais eventos da aquicultura nacional, o encontro promoveu um seminário internacional voltado à prevenção de doenças, biossegurança e gestão de crises sanitárias que já provocaram impactos significativos em importantes polos produtores da América Latina.

Com o tema “Crises Sanitárias na Aquicultura: Lições do Salmão no Chile e da Tilapicultura Colombiana para o Brasil”, o seminário foi realizado na quarta-feira (10), em Uberlândia (MG), reunindo especialistas do Chile, Colômbia e Brasil.

O objetivo foi analisar experiências internacionais e discutir como elas podem contribuir para fortalecer a sanidade, a competitividade e a sustentabilidade da aquicultura brasileira.

O que a crise do vírus ISA ensinou ao mundo

Um dos destaques da programação foi a análise da crise provocada pelo vírus da Anemia Infecciosa do Salmão (ISA), considerada um dos episódios sanitários mais marcantes da história da salmonicultura mundial.

Foto: Divulgação/Aquishow

A doença atingiu fortemente a produção chilena e levou o setor a revisar práticas produtivas, protocolos de biossegurança e mecanismos de controle sanitário.

Durante o seminário, o médico-veterinário e diretor técnico do Laboratório Pathovet, Miguel Fernandez, apresentou os impactos da crise e as mudanças implementadas posteriormente pelo setor chileno, incluindo medidas relacionadas à regulação da atividade, monitoramento sanitário e bem-estar animal, bem como fez uma contextualização sobre o cenário sanitário da aquicultura brasileira e os desafios enfrentados historicamente por Chile e Colômbia.

Uso de antibióticos e novas tecnologias

Outro tema que ganhou espaço nas discussões foi o uso responsável de antibióticos na produção aquícola, assunto que vem recebendo atenção crescente de mercados consumidores, autoridades sanitárias e organismos internacionais.

A programação também abordou tecnologias naturais e alternativas não farmacológicas para prevenção e controle de doenças em peixes, estratégias que têm sido cada vez mais estudadas como forma de reduzir riscos sanitários e ampliar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

Experiência colombiana com a tilápia

Foto: Pixabay

A experiência da Colômbia na gestão de riscos sanitários da tilapicultura foi apresentada pela patologista veterinária Paola Barato, especialista internacional em saúde de peixes e consultora global em aquicultura.

A proposta foi compartilhar experiências práticas relacionadas à prevenção de enfermidades, monitoramento sanitário e resposta a situações de emergência, temas que ganham importância à medida que a produção aquícola cresce em diferentes regiões do mundo.

Desafios para a aquicultura brasileira

O encerramento do seminário contou com um painel envolvendo representantes da cadeia produtiva brasileira, que discutirão os principais desafios sanitários enfrentados atualmente pelo setor.

Entre os temas debatidos estavam biossegurança, prevenção de doenças, sustentabilidade produtiva e os mecanismos necessários para fortalecer a competitividade da aquicultura nacional.

Segundo a diretora da Aquishow Brasil e secretária executiva da Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP), Marilsa Patrício, o debate ganha relevância diante do crescimento da atividade e da necessidade de antecipar riscos que já impactaram outros países. “O seminário internacional reforça o posicionamento da Aquishow Brasil como espaço estratégico para troca de conhecimento, atualização técnica e discussão de temas prioritários para o desenvolvimento sustentável da aquicultura brasileira”, afirma.

A Aquishow Brasil 2026 segue com programação até esta quinta-feira (11), em Uberlândia, reunindo produtores, empresas, pesquisadores, técnicos e representantes da cadeia aquícola de diferentes regiões do país.

Fonte: Assessoria Aquishow Brasil
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Peixes

Piscicultura de Minas Gerais cresce acima da média nacional e ganha destaque em feira do setor

Aquishow reúne mais de 120 empresas e espera movimentar R$ 130 milhões em negócios.

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Foto: Gustavo Meca

A piscicultura de Minas Gerais vem consolidando sua posição entre os principais polos produtores do país. Com produção anual superior a 77 mil toneladas, o Estado ocupa atualmente o terceiro lugar no ranking nacional e registra crescimento acima da média brasileira, impulsionado pelas condições favoráveis ao cultivo e pela expansão da cadeia produtiva.

O potencial do setor está em evidência durante a Aquishow Brasil 2026, considerada a principal feira da aquicultura nacional, realizada em Uberlândia entre os dias 09 e 11 de junho. O evento reúne mais de 120 empresas ligadas aos diferentes segmentos da produção de peixes cultivados, com destaque para a tilapicultura, e deve atrair cerca de 7 mil visitantes do Brasil e do exterior.

A expectativa dos organizadores é movimentar mais de R$ 130 milhões em negócios ao longo da feira, fortalecendo oportunidades de investimento, comercialização e parcerias para o desenvolvimento da atividade.

Segundo a presidente da Aquishow Brasil 2026, Marilsa Patrício, Minas Gerais reúne características que favorecem a expansão da piscicultura e ainda possui regiões com potencial para ampliar a produção. De acordo com ela, o evento tem o papel de conectar os diferentes elos da cadeia produtiva, estimular investimentos e promover ações voltadas ao crescimento sustentável do setor.

Além da área de exposição comercial, a programação contempla uma série de palestras técnicas direcionadas aos produtores. Os temas abordam aspectos considerados estratégicos para a atividade, como sanidade aquícola, nutrição, manejo e gestão das propriedades.

A organização destaca que a disseminação de conhecimento é uma das principais funções da feira, especialmente diante dos desafios enfrentados pela cadeia produtiva, entre eles a prevenção e o controle de enfermidades que podem comprometer a produção.

A programação também inclui homenagens a profissionais que contribuem para o desenvolvimento da aquicultura brasileira. Entre os destaques está o Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura – Aline Brun e Geraldo Bernardino. Na edição deste ano, os reconhecimentos foram concedidos a Mayara Fernandes Olsen, da Dourada Piscicultura e Engenharia, e ao professor Ricardo Ribeiro, da Universidade Estadual de Maringá.

Fonte: Assessoria Aquishow Brasil
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