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Com crédito, tecnologia e capacitação, Estado do Paraná garante apoio às mulheres do campo

Em 2024, 1.569 mulheres assistidas pelo IDR-Paraná acessaram diferentes linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Outra frente de trabalho que beneficia as mulheres é o programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais.

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Foto: Diego Vargas

As ações de valorização da mulher rural ganharam força no Governo do Paraná nos últimos anos. Capacitação, crédito, fomento, orientação e incentivo ao desenvolvimento pessoal e coletivo das agricultoras permeiam as políticas públicas do Estado voltadas ao setor. O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR Paraná), como órgão oficial de assistência técnica e extensão rural, leva às mulheres orientações nas diferentes cadeias produtivas, visando profissionalizar esse público na gestão da propriedade e na atividade produtiva.

Essas ações incluem desde orientações a respeito do manejo dos solos, tecnologias de produção e acesso a mercados, o que atendem ao anseio e reivindicação das mulheres rurais. De acordo com o Censo Agropecuário 2017 (o último divulgado), 13% dos estabelecimentos agropecuários do Paraná são comandados por mulheres. “A mulher tem uma força no agro que ela mesma desconhece. Atuamos para fortalecer o trabalho feminino na agricultura”, afirma Richard Golba, diretor-presidente do IDR Paraná.

“Muitas vezes, a mulher atua como coadjuvante do marido. Nosso objetivo é, através de ações, programas e projetos, trazer a mulher para o papel de protagonista, valorizar a contribuição delas para o desenvolvimento da agricultura paranaense. Em quase todas as propriedades vemos que as mulheres têm atuação direta no trabalho e nas tomadas de decisão. Uma atuação que faz grande diferença para o avanço da família. É necessário que a sociedade e ela mesma enxergue e valorize isso”, enfatiza Golba.

O crédito rural, por exemplo, tem sido uma ferramenta importante para financiar o trabalho das mulheres, para cobrir despesas de custeio de cada ciclo produtivo e para investimentos em bens e serviços na propriedade rural.

Em 2024, 1.569 mulheres assistidas pelo IDR-Paraná acessaram diferentes linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Um total de R$ 99.132.242 foi aplicado na viabilização de empreendimentos rurais. O objetivo foi promover o seu desenvolvimento econômico e social e contribuir para a igualdade de gênero no meio rural.

Foto: Valter Campanato

Miriam Fuckner, da área de Promoção Social e Cidadania do IDR-Paraná, ressalta que, além de crédito, a preocupação em incluir as mulheres nos trabalhos do Instituto é permanente. Por meio do Programa Estadual de Promoção Social e Cidadania, o IDR-Paraná mantém um conjunto de diretrizes técnicas e estratégias para ampliar e qualificar a assistência técnica dirigida às famílias rurais em vulnerabilidade, o que inclui as mulheres.

“A intenção deste programa é promover a inclusão socioprodutiva da agricultura familiar, a segurança alimentar e nutricional, melhorar a qualidade de vida, incentivar a produção sustentável, a competitividade e a geração de renda no meio rural”, explica Miriam.

O programa Nossa Gente Paraná – Renda Agricultor Familiar, executado em parceria pelas secretarias estaduais do Desenvolvimento Social e Família (Sedef) e da Agricultura e Abastecimento (Seab), atende famílias cadastradas no Cadúnico. De 2015 a fevereiro de 2023, o programa já abrangeu 8.208 famílias, 86% delas lideradas por mulheres. As beneficiárias receberam assistência técnica e extensão rural para que pudessem implementar atividades produtivas, produção de alimentos para o autoconsumo, construção de sistemas de abastecimento de água e saneamento básico.

Outra modalidade do programa é o Inclusão Produtiva Solidária que investe em projetos produtivos coletivos, elaborados em conjunto com uma equipe técnica e um grupo formado nas comunidades. São repassados recursos financeiros para o desenvolvimento de um projeto de geração de renda em atividades agropecuárias ou não agropecuárias. Até fevereiro de 2023, o programa beneficiou 218 famílias, das quais 92% tinham mulheres como responsáveis.

Produção e aquisição de alimentos

Foto: Divulgação/Agência Brasil

Outra frente de trabalho que beneficia as mulheres é o programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais, executado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.

O objetivo é prestar assistência técnica e extensão rural especializada às famílias em extrema vulnerabilidade e transferir recursos diretamente às famílias beneficiárias. O valor é aplicado em atividades de produção de alimentos para o autoconsumo e geração de renda. Desde 2017, quando foi implantado, o projeto já financiou 1.954 projetos, dos quais 81% são liderados por mulheres.

Em 2022 o IDR-Paraná passou a executar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) na modalidade Doação Simultânea. Parceria entre o Estado e o governo federal, o programa adquire produtos da agricultura familiar e transfere para instituições beneficentes.

Em pouco mais de três anos, o programa já firmou contratos com 430 mulheres, que forneceram alimentos para 313 instituições. “Este programa é uma alternativa de mercado. Ele cria a oportunidade para agricultores que produzem em pequena escala. Além do mais, faz girar a economia local, tendo em vista o montante de recursos é liberado diretamente aos agricultores”, explica Miriam.

Ela acrescenta que pesquisas demonstram que as mulheres são responsáveis pela guarda dos saberes a respeito de alimentação e bem-estar familiar e são elas que repassam esse conhecimento aos filhos. “Além disso, elas cumprem um importante papel como guardiãs de sementes e da biodiversidade”, ressalta.

Capacitação

Os extensionistas do IDR-Paraná desenvolvem ações para promover a autoestima, autonomia, qualificação e habilidades das mulheres em empreendimentos coletivos. As mulheres são incluídas nos conselhos municipais para contribuírem com a elaboração de planos, projetos e políticas públicas.

“Também buscamos incluir as mulheres nas organizações da agricultura familiar, assessorando-as para a gestão organizacional e em processos coletivos de produção e comercialização”, acrescenta Miriam. Em 2024, as ações relacionadas ao associativismo, cooperativismo e sindicalismo rural promovidas pelo IDR-Paraná, envolveram 350 mulheres paranaenses.

Foto: Divulgação/AEN

Outro foco da atuação do Instituto é a sustentabilidade. Os extensionistas divulgam as políticas de proteção ambiental e a legislação vigente ligada diretamente a exploração da agricultura entre as mulheres que estão à frente das propriedades rurais. Esta ação inclui a implantação de sistemas de captação e armazenamento de água e de tratamento de dejetos no meio rural.

Há também educação ambiental com o objetivo de desenvolver conhecimentos, habilidades, atitudes e competências que contribuam para a participação cidadã na construção de sociedades sustentáveis. Consumo, recursos naturais, crise ambiental, efeito estufa, produção de lixo, coleta seletiva, reciclagem estão entre os temas discutidos com as produtoras. No ano passado, 97 mulheres rurais foram atendidas individualmente, ou em grupos, nessas atividades.

De acordo com Miriam, essas ações voltadas às mulheres rurais resultaram na criação de empreendimentos familiares, na ampliação da renda dessas famílias, na melhoria da dieta alimentar, segurança alimentar e nutricional. A partir desse trabalho, muitas mulheres tiveram acesso a políticas públicas como as de mercado institucional, acesso ao crédito, previdência social, saúde, educação e qualificação profissional.

“Essas ações promovem a melhoria nas condições de vida da família rural com o acesso a programas e políticas públicas, melhoria nas condições de abastecimento de água, saneamento básico e outras relacionadas ao meio ambiente. Ainda orientamos as mulheres a respeito da educação alimentar, cuidados com a saúde, relacionamentos intra e interfamiliar, atitudes proativas de liderança e autonomia”, conclui.

Fonte: AEN-PR

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Resolução do CMN reforça direito ao alongamento da dívida rural

Especialistas afirmam que exigência de pedido antes do vencimento não tem previsão no Manual de Crédito Rural e que norma de 2025 impõe dever de análise às instituições financeiras.

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Foto: Jonathan Campos

O alongamento da dívida rural voltou ao centro do debate jurídico após a edição da Conselho Monetário Nacional nº 5.220/2025. A norma alterou o Manual de Crédito Rural e passou a autorizar expressamente a renegociação de operações mesmo quando o pedido é apresentado após o vencimento da parcela, ponto que vinha sendo utilizado por instituições financeiras para negar o benefício.

A controvérsia gira em torno da interpretação do MCR 2-6-4, que trata do alongamento em casos de comprometimento da capacidade de pagamento por fatores adversos, especialmente frustração de safra e eventos climáticos. Bancos passaram a indeferir solicitações sob o argumento de que o produtor deveria ter protocolado o pedido antes do vencimento da operação.

Advogada e mestre em Direito, Charlene de Ávila: “Criar requisito não previsto em lei viola o princípio da legalidade estrita, especialmente quando estamos falando de crédito rural, que é instrumento de política agrícola constitucional” – Foto: Arquivo pessoal

Para a advogada e mestre em Direito, Charlene de Ávila, essa exigência carece de base normativa. “A MCR 2-6-4 não condiciona o alongamento de dívida rural à apresentação do pedido antes do vencimento da operação. Não há prazo decadencial expresso nem menção a pedido prévio obrigatório”, afirma.

Segundo ela, trata-se de criação interpretativa restritiva a um direito subjetivo previsto em política pública. “Criar requisito não previsto em lei viola o princípio da legalidade estrita, especialmente quando estamos falando de crédito rural, que é instrumento de política agrícola constitucional”, sustenta.

Crédito rural não é contrato comum

O debate extrapola o campo contratual. O crédito rural foi institucionalizado pela Lei 4.829/1965 como instrumento de desenvolvimento do setor primário, vinculado ao artigo 187 da Constituição Federal. Diferentemente do crédito comercial, envolve recursos públicos equalizados pelo Tesouro Nacional e finalidades de interesse coletivo, como produção de alimentos e segurança alimentar.

Para o advogado agrarista, especialista em Direito Tributário e em Direito Processual Civil, Néri Perin, aplicar ao crédito rural a lógica estrita do direito privado é equívoco técnico. “O crédito rural não envolve apenas banco e produtor. Há interesse público direto, com recursos subsidiados e finalidade constitucional. Não se pode tratar esse instrumento como simples contrato bancário regido apenas pelo ‘pacta sunt servanda'”, frisa.

Perin ressalta que o princípio segundo o qual o contrato deve ser cumprido nunca foi absoluto. “Se ele já comporta flexibilizações no direito privado, com maior razão deve ser interpretado à luz da função social e da política pública quando falamos de crédito rural”, menciona.

Formalismo x realidade produtiva

Na prática, produtores afetados por geadas, estiagens, doenças ou oscilações abruptas de preços relatam dificuldades para dimensionar prejuízos antes do vencimento das parcelas. A extensão das perdas, muitas vezes, só é conhecida após a colheita ou comercialização. “Exigir pedido prévio é exigir que o produtor preveja o imprevisível. O direito ao alongamento passa a ser uma ficção jurídica se condicionado a uma formalidade que a própria norma não exige”, afirma Charlene.

A advogada argumenta que a negativa automática, baseada exclusivamente na intempestividade, esvazia a finalidade do instituto. “O alongamento nasce da frustração objetiva da safra, não do protocolo. O direito material decorre do fato gerador, a quebra produtiva, e não de um requisito formal inexistente”, pontua.

Impacto da Resolução 5.220/2025

Advogado agrarista, especialista em Direito Tributário e em Direito Processual Civil, Néri Perin: “O crédito rural não envolve apenas banco e produtor. Há interesse público direto, com recursos subsidiados e finalidade constitucional” – Foto: Arquivo pessoal

A Resolução nº 5.220/2025 alterou o MCR ao incluir a possibilidade de renegociação mesmo após o vencimento, desde que observadas as regras do MCR 2-6-7, que disciplina o alongamento por frustração de safra. A mudança afasta a lógica da preclusão automática e impõe às instituições financeiras o dever de analisar o pedido. “Essa norma retira o tema do campo da discricionariedade contratual e o coloca no âmbito do dever regulatório. O banco não pode simplesmente negar por atraso; precisa examinar os pressupostos técnicos da frustração de safra”, explica Néri Perin.

Na avaliação dele, a manutenção de decisões judiciais que validem negativa automática pode gerar tensão com o novo marco regulatório. “Após a edição da resolução, insistir na intempestividade como óbice absoluto pode configurar afronta à própria regulamentação vigente”, salienta.

Segurança jurídica

Especialistas ouvidos apontam que a controvérsia tem reflexos que ultrapassam casos individuais. A restrição indevida ao alongamento pode resultar em execuções judiciais, perda de patrimônio rural e retração produtiva, afetando cadeias agroindustriais e a oferta de alimentos. “O alongamento da dívida rural não é concessão benevolente. É direito previsto em norma de política agrícola, criado justamente para proteger o produtor de eventos alheios à sua vontade”, ressalta Charlene.

Para Perin, o debate exige revisão interpretativa por parte de bancos e do Judiciário. “Estamos falando de instrumento de estabilização da produção agrícola, não de mecanismo punitivo. O foco deve ser a finalidade econômica e social do crédito rural”, enfatiza.

Com a nova redação do MCR, o centro da análise passa a ser a comprovação da frustração produtiva, e não o momento do protocolo. A mudança sinaliza tentativa de reequilibrar a relação entre produtores e instituições financeiras, reafirmando o crédito rural como instrumento de política pública e não de exclusão econômica.

Fonte: O Presente Rural
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Startups ganham protagonismo no Show Rural Coopavel com soluções voltadas ao campo

Batalha de pitches no Espaço Impulso reuniu 25 empresas e destacou tecnologias que transformam desafios do agro em oportunidades de negócio.

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Foto: Divulgação

O último dia do Espaço Impulso no Show Rural terminou como começou: com o agro no centro da conversa. Mas, desta vez, no ritmo acelerado de uma batalha de pitches. E nas apresentações que aconteceram, 25 startups subiram ao palco para defender soluções pensadas a partir de desafios reais do campo, diante de produtores, cooperativas, investidores e representantes de grandes empresas.

Ao longo da semana, o hub de inovação do Itaipu Parquetec, em parceria com a Coopavel, consolidou-se como um espaço estratégico de conexão entre demandas reais do campo e soluções aplicáveis no agronegócio. O encerramento, com a disputa de pitches, reforçou esse propósito ao evidenciar o caminho da inovação na prática: identificar desafios, estruturar propostas, validar soluções e transformá-las em oportunidade concretas de negócio.

Dados que impactam diretamente a rentabilidade 

Quando o nome da startup STAC foi anunciado como vencedora da batalha de pitches, o reconhecimento veio comprovado por uma solução que já possui 760 equipamentos em campo e mais de 146 milhões de dados coletados. A empresa conquistou o 1º lugar ao apresentar as sondas AVESTEC, tecnologia validada em aviários de diferentes regiões do Brasil.

Com as sondas instaladas, esses dados deixam de ser percebidos apenas “no olhar” e passam a aparecer, em tempo real, na tela: temperatura, umidade, níveis de CO₂, consumo de ração e água, além do peso do lote. O efeito aparece na rotina e, depois, no fechamento das contas: menos perdas, mais previsibilidade e melhor resultado financeiro.

Nas palavras do CEO e cofundador da Stac, Mahuan Abdala, a premiação reflete a trajetória construída pela empresa no setor. “Esse reconhecimento representa todo o caminho que percorremos e a seriedade do nosso trabalho ao longo dos anos, desenvolvendo soluções específicas para o mercado avícola. A parceria com o Itaipu Parquetec e o Espaço Impulso fortalece esse movimento de levar inovação com aplicação real ao campo, tanto no cenário nacional quanto internacional”, destacou, emocionado com a conquista do primeiro lugar.

Conectividade que muda a rotina no campo 

A AgroMobility by Venko, resultado da recente fusão entre a Venko Networks e a AgroMobility, já mostrou a que veio ao unificar a expertise em redes privativas 4G e 5G, Wi-Fi e conectividade via satélite à experiência prática de atuação em áreas rurais. Na rotina do produtor, isso significa permitir que máquinas “conversem” entre si para monitorar operações, automatizar processos e aplicar agricultura de precisão, com maior controle sobre insumos, uso de água e desempenho produtivo.

A solução garantiu à startup o 2º lugar na batalha de pitches. Para o founder Leonardo Slaviero, o reconhecimento reforça a consistência do trabalho desenvolvido. “Esse prêmio mostra que estamos no caminho certo ao enfrentar um dos principais desafios do agro, que é a conectividade. O valor recebido será reinvestido no crescimento da solução e na evolução do nosso portfólio. A troca com produtores e empresas durante o Espaço Impulso fortaleceu nossa atuação e, com certeza, abrirá portas para novos projetos”, finalizou.

Espaço para quem está começando e para quem quer escalar 

Quando chegou a vez do CEO da Aqui9, Maicon Brande, apresentar a proposta da startup, ele levou ao palco uma solução pensada para dialogar diretamente com as demandas do campo e conquistou o 3º lugar no pódio. Para Maicon, o resultado sintetiza o que o ambiente proporciona a quem desenvolve soluções para o agro.

“Essa premiação representa oportunidade. Ao longo do evento, conversamos com cooperativas, empresas e diferentes players do setor, ampliando as possibilidades de parceria e evolução das nossas soluções. Também é um reconhecimento de mercado, que mostra que o que estamos desenvolvendo tem relevância e aderência real às necessidades do agro”, afirmou.

Ao longo da programação, as startups circularam pelo espaço em uma dinâmica que vai além da apresentação no palco. Em muitos casos, é ali que um pitch pode se transformar em projeto-piloto, o primeiro passo para escalar soluções que nascem pequenas, mas miram grande impacto no campo.

A trajetória da Zeit se transformou em um exemplo dessa premissa. A startup ampliou sua atuação ao conectar tecnologia e eficiência operacional no agro, ampliando mercado e parcerias estratégicas após passar por ambientes de inovação como o Impulso.

O mesmo movimento pode ser observado em grandes empresas que buscam soluções mais ágeis por meio de startups. Casos de conexão com corporações como a Cargill, Baldan, Sansuy e Embio, entre outros grandes players do setor, demonstram que o setor tradicional está aberto e atento às tecnologias que trazem ganho real de produtividade, eficiência e inovação.

Com o encerramento do Show Rural, a programação do Impulso segue ao longo do ano, mantendo a agenda de eventos. O próximo encontro já está marcado para o mês de março, com o CooperElas, evento voltado às mulheres que integram a Coopavel. Na sequência, estão previstas atividades setoriais para discutir temas como bovinocultura, suinocultura, editais de inovação aberta e outras pautas prioritárias para o desenvolvimento do setor.

Fonte: Assessoria Coopavel
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Cota da China pode retirar carne brasileira do mercado em menos de seis meses

Diferença entre volumes já embarcados e limite autorizado cria desequilíbrio de quase 50% e pressiona diplomacia por ajuste técnico nas regras.

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Foto: Shutterstock

A salvaguarda adotada pela China para proteger sua produção local é, sem dúvida, uma medida legítima e até exemplar. Trata-se de uma decisão soberana que demonstra o zelo com o produtor interno, algo que também deveríamos praticar com igual rigor. O ponto que exige atenção, contudo, não é a existência da salvaguarda em si, mas as condições e adaptações necessárias à sua implementação.

No caso específico da carne vermelha brasileira, é indispensável considerar a dinâmica própria desse comércio. A relação entre produção, embarque e entrega opera em ritmo acelerado e com contratos previamente estabelecidos. O ciclo médio entre a produção e a chegada do produto ao destino gira em torno de 75 dias, o que significa que qualquer alteração abrupta nas regras impacta volumes já comprometidos e em trânsito.

Artigo escrito por Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo).

À época da implementação da medida, o volume comercializado era da ordem de 170 mil toneladas por mês, o que representa aproximadamente 7.700 toneladas por dia. Projetado para o período de 75 dias, isso resulta em cerca de 500 mil toneladas em trânsito, desconsiderando inclusive eventuais interrupções por feriados. Diante da cota atual, a diferença alcança quase 50% do total pretendido, criando um descompasso evidente entre oferta e limite autorizado.

Esse cenário pode levar, em menos de seis meses, à ausência do produto brasileiro no mercado chinês. Por isso, a solicitação do Brasil para que sejam consideradas na cota de 2026 apenas as cargas efetivamente embarcadas neste ano não é um pleito meramente setorial, mas uma medida vital para a sobrevivência do setor produtivo brasileiro e para o equilíbrio do abastecimento, sem prejuízo ao produtor chinês, justamente o objetivo central da salvaguarda.

Os números são claros. Em 30 de dezembro de 2025 havia cerca de 350 mil toneladas entre portos chineses e cargas em trânsito. Somam-se a isso 120 mil toneladas exportadas em janeiro e uma previsão de 100 mil toneladas para fevereiro. Ao final desse período, o total entregue poderá alcançar 570 mil toneladas. Restariam, então, para os dez meses seguintes de 2026, apenas 530 mil toneladas, o equivalente a 53 mil toneladas por mês, frente às 170 mil entregues em dezembro.

Não se trata de uma análise teórica ou de projeções especulativas, mas da leitura objetiva de números que já sinalizam risco de desabastecimento no mercado chinês e grave impacto sobre a cadeia produtiva brasileira. É imprescindível que a diplomacia brasileira leve à mesa das relações bilaterais essa realidade concreta, demonstrando que ajustes técnicos são necessários para preservar a previsibilidade e a estabilidade do comércio.

A China é, indiscutivelmente, nossa grande e leal parceira comercial. O que se impõe agora é a capacidade de expor, com dados e serenidade, as preocupações legítimas de um setor estratégico para ambas as economias.

Fonte: Artigo escrito por Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo).
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