Notícias Novos conhecimentos
AgroBIT Brasil Evolution antecipa futuro do agro em tecnologia e inovação
Durante dois dias, evento reuniu, em sua quarta edição, especialistas nacionais e internacionais que apresentaram soluções e tecnologias inovadoras para o agronegócio.

Reunindo os principais protagonistas da área de tecnologia e inovação no agronegócio, o 4º AgroBIT Brasil Evolution 2021 encerrou com saldo positivo, superando as expectativas com mais de 3 mil visualizações, convidados presenciais e mais de 20 mil interações on-line, originadas de 11 países – Alemanha, Argentina, Canadá, Cingapura, Dinamarca, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Israel, Paraguai e Portugal – e ainda 20 Estados brasileiros e Distrito Federal.
Foram mais de 50 palestras distribuídas em quatro arenas simultâneas – AgroFuturo, AgroBIT Carreira, Agro Clima Global Summit e Smart Farm Mapa Conecta. Em formato híbrido, presencial e virtual experience, o evento ocorreu nos últimos dias 09 e 10.
Os temas das palestras foram os mais variados possíveis, mostrando a grande diversidade de assuntos que permeiam o mundo da inovação e tecnologia no agronegócio. Desde a evolução da edição genética por meio do sequenciamento do DNA ao cooperativismo de dados e tecnologias de gestão e de alimentos, além soluções agrícolas e créditos de carbono.
“O AgroBIT é uma grande oportunidade para que o participante esteja em contato com o que há de mais atual e sendo discutido e implementado no mundo da inovação no agro”, afirma a coordenadora geral do AgroBIT, Daiana Bisogin, CEO da FB Group-Eventos, promotora do evento em parceria com a Sociedade Rural do Paraná (SRP), Sebrae e Agro Valley.
O presidente da SRP, Antonio Sampaio, fez uma avaliação positiva do evento. “O nosso papel é apoiar a inovação para levar novos conhecimentos e tecnologia ao campo. E, deste ponto de vista, o evento cumpriu sua função, aproximando os players para que as inovações aconteçam e cheguem aos produtores”, afirmou Sampaio.
Sendo um evento marcado pela diversidade de inovação e tecnologia, o AgroBIT contou com o Agro Clima Global Summit, arena que mostrou as principais projeções e tendências climáticas; a Smart Farm Mapa Conecta, que teve 13 startups participando dos pitches; as salas de networking e o AgroBIT Carreira, que contou com a presença virtual de acadêmicos e profissionais que buscam formas de atingir o sucesso no mercado de trabalho.
Prêmio Produtor Rural 4.0
Com o objetivo de incentivar os produtores rurais que promovem a inovação no agro, a 4ª edição do AgroBIT Brasil Evolution lançou o Prêmio Produtor Rural 4.0.
Entre os nove vencedores de várias regiões do Brasil, há duas mulheres. Uma delas é a produtora rural e pedagoga Tábata Ribeiro de Melo Stock, premiada em 3º lugar na categoria grande propriedade. Ela produz grãos, bezerros e madeira em duas propriedades no Paraná, no município de Santa Maria do Oeste, e em Guarapuava.
Para Tábata, estar entre as finalistas deste prêmio representa não só o reconhecimento de um trabalho árduo de inovação que trouxe maior produtividade com respeito ao meio ambiente e menos custos, mas também uma vitória para todas as mulheres que, como ela, buscam um lugar de igualdade.
A principal inovação que ela fez nas propriedades foi na área da gestão de pessoas, tanto que é considerada pioneira na aplicação de técnicas pedagógicas para melhorar a performance da equipe para obter ganho na produtividade. “Como mulher e sucessora há 9 anos, eu me considero vitoriosa. Acredito que essa fase da minha vida representa não só vitórias minhas, mas de todas as mulheres que estão nessa inserção do agro”, conclui Tábata, que também foi premiada há 10 dias em segundo lugar no Prêmio da Bayer de Mulheres do Agro.
A outra produtora premiada pelo AgroBIT 2021 é Rosana Aparecida Gabardo Pallu, que ficou em segundo lugar na categoria pequena propriedade. À frente do sítio São Francisco de Sales, na Colônia Retiro, em Mandirituba, no Paraná, a produtora rural vem demonstrando que é possível aumentar a produtividade e cuidar do meio ambiente.
Rosana dedica-se ao cultivo de 20 mil pés de morango semi-hidropônico em uma área protegida de 2 mil metros quadrados. Entre as boas práticas agrícolas que utiliza na área para garantir a sustentabilidade, Rosana faz a captação da água da chuva e armazena em açude para a reutilização, na época da estiagem.
O empresário e produtor rural, Jônadan Ma, ficou em 1º lugar na categoria grande propriedade. Sua propriedade, a Fazenda Boa Fé, na região de Conquista, em Minas Gerais, é modelo de sustentabilidade. Há cerca de 40 anos, Jônadan investe na diversificação da atividade, implantando sistemas integrados de produção, como Integração Lavoura Pecuária e Integração Lavoura Pecuária Floresta como forma de preservar os recursos naturais e aumentar a rentabilidade. Na produção de grãos, adota todos os princípios do Sistema Plantio Direto.
“Foi uma surpresa e sou muito grato por ter sido contemplado com esta premiação. A gente não preserva para ganhar prêmio, mas para valorizar nosso trabalho, o trabalho do produtor rural que tem a responsabilidade de produzir alimentos. Entendo minha responsabilidade como empresário rural, produtor rural e cidadão em todos os aspectos: sejam sociais, ambientais, tecnológicos e de governança. E isso nos motiva a prosseguir e avançar”, afirmou Jônadan Ma.
O produtor rural Gleyciano Araujo Vasconcellos, que venceu o 3º lugar da categoria média propriedade, implementou a agricultura sustentável na Fazenda Pé de Cedro, no Mato Grosso do Sul, aliando melhoria ambiental com redução de custos de produção. São usados inoculantes de forma intensa e o controle de pragas e doenças é feito predominantemente por controle biológico.
“Recebemos como uma grata surpresa esta premiação. Indica que estamos no caminho certo, além de ser um grande incentivo a quem promove a inovação”, avaliou Gleyciano.
O produtor José Amilcar Pastuch, do Sítio São José, foi premiado em terceiro lugar na categoria pequena propriedade. On-line, ele agradeceu o prêmio e destacou a importância da produção orgânica e do uso de controle biológico. “É uma honra receber esta premiação. Isso nos motiva muito a ser cada vez mais uma propriedade sustentável”.
O primeiro lugar da pequena propriedade ficou com a família de Paula, representada por Gilmar Marcelo de Paula, de Boa Esperança do Iguaçu, na região sudoeste do Paraná. A principal inovação que a família de Paula fez no negócio foi o desenvolvimento de uma planta de biogás a partir da cama de frango.
Além de produzir aves e grãos, a família de Paula passou a gerar energia elétrica e térmica e também fertilizante orgânico líquido, adubo orgânico sólido, feno e pré-secado de grama JIGGS. Após a implantação do biogás, a família viu a produtividade anual aumentar em mais de 200% e o custo de aquecimento cair 70%.
“Para nós da Família de Paula é muito importante poder participar do AgroBIT e estar entre os vencedores é fantástico porque premia um caminho que a gente fez ao longo de quatro anos com muita dedicação. O prêmio vem coroar um trabalho árduo que está só se iniciando”, comemorou Gilmar.
O produtor rural Carlos Gasparotto Apoloni, do Grupo Boa Sorte, foi o vencedor do Prêmio Produtor Rural 4.0, na categoria média propriedade, pela gestão da fazenda Boa Sorte, em Quarto Centenário, no Paraná. Em 650 hectares, a família de produtores rurais é referência de boas práticas agrícolas. “Recebo com surpresa o prêmio. Vejo como um reconhecimento ao trabalho que busca sempre aplicar inovações e experimentar novas formas para melhorar a atividade agrícola. A gente procura se manter atualizado, usando tecnologias que possam agregar valor na fazenda”, afirmou Gasparotto.
Faz parte do cardápio de boas práticas agrícolas da propriedade, a distribuição de insumos de uma forma correta, aquisição de máquinas que tenham maior precisão e práticas conservacionistas, como o Plantio Direto. “Nos tornamos referência no uso de tecnologias porque conseguimos extrair o máximo do que oferecem em plantios e pulverizações. Com isso, alcançamos economia de defensivos, por exemplo. Incorporamos outras ferramentas, como imagens de satélite para o acompanhamento da lavoura. O prêmio veio mais por essa insistência nossa em não só adquirir tecnologias, mas por tentar alcançar a alta performance”, concluiu Gasparotto.
On-line, também receberam e agradeceram à premiação, os produtores José Bento Cavalcanti Germano e Maiquel Alberts, ambos de Arapoti/PR.
José Bento Germano, da Fazenda Mutuca, foi premiado no segundo lugar na categoria grande propriedade. Ele produz grãos de soja, milho, feijão e trigo; sementes de soja e trigo; madeira e resina e também gado de corte. Segundo ele, a inovação que trouxe os melhores resultados foi o Plantio Direto, introduzido nos anos 80. O sistema reduziu a quantidade de fertilizantes, manteve altas produtividades em anos ruins e garantiu a sustentabilidade do negócio.
Maiquel Alberts, da Agropecuária Alberts, ficou com o segundo lugar na categoria média propriedade. Além de fazer a gestão de várias propriedades rurais, ele cultiva 360 hectares de feijão, soja, milho segunda safra, sorgo segunda safra, trigo, aveias branca e preta, onde adota o Plantio Direto e a agricultura de precisão. As práticas trouxeram um incremento de produção, que resultou no aumento de produção com sustentabilidade.
Vencedores Pequena Propriedade
1º lugar – Gilmar Marcelo de Paula – Sítio De Paula – Boa Esperança do Iguaçu/PR
2º lugar – Rosana Aparecida Gabardo Pallu – São Francisco de Sales – Mandirituba/PR
3º lugar – José Amilcar Pastuch – Sítio São José- Prudentópolis/PR
Vencedores Média Propriedade
1º lugar – Carlos Gasparotto Apoloni – Fazenda Boa Sorte – Quarto Centenário/PR
2º lugar – Maiquel Alberts – Agropecuária Alberts – Arapoti/PR
3º lugar – Gleyciano Araújo Vasconcellos – Fazenda Pé de Cedro – Nova Alvorada do Sul/MS
Vencedores Grande Propriedade
1º lugar – Jônadan Ma – Fazenda Boa Fé – Conquista/MG
2º lugar – José Bento Germano – Fazenda Mutuca – Arapoti/PR
3º lugar – Tábata Ribeiro de Melo Stock – Fazenda Rio do Pedro – Santa Maria do Oeste/PR
Mulheres em destaque
Elas fazem a gestão das fazendas, são lideranças e atuam no mercado financeiro. Dentro e fora da porteira são protagonistas. A história da participação feminina no universo rural foi destaque no AgroBIT Brasil Evolution 2021.
Roberta Paffaro, da CME Group (Bolsa de Chicago) é uma das coautoras do livro “Mulheres do Agro”. Ela participou do Painel “Mulheres do Agro: Tecnologia, Inovações e Sororidade”, juntamente com as demais autoras, Andrea Cordeiro, Mariely Biff e Ticiane Figueiredo.
Logo após o painel, as autoras participaram de um bate-papo sobre os desafios da liderança feminina no agro. “No livro, nós trouxemos as histórias inspiradoras de mulheres que atuam no agro para mostrar o potencial e potencializar a voz dessas mulheres. Essas histórias servem de identificação não só para outras mulheres, mas também para os homens conseguirem compreender que, juntos, vão muito mais longe”, ressaltou Roberta.
A autora diz que o livro apresenta histórias de mulheres que não entendiam nada do meio rural ou que enfrentaram grandes adversidades na vida e tiveram que assumir a gestão das propriedades.
Roberta concluiu dizendo que a mulher precisa conquistar ainda muito espaço no agro. “O IBGE aponta que 30% das funções de liderança no agro são exercidas por mulheres, o que revela que é um processo lento, existindo algumas barreiras invisíveis que não possibilitam explorar o potencial feminino”.
Smart Farm Mapa Conecta
A Smart Farm Mapa Conecta selecionou 13 startups na disputa do prêmio, que reconheceu as melhores soluções para o agronegócio. O primeiro lugar ficou com a Ecotrace, de Vinhedo (SP). O destaque em segundo lugar foi a startup BirdView, de São Manuel (SP), e, em terceiro lugar, duas startups empataram – a JetBov, de Joinville (SC) e Tarvos de Campinas (SP).
Legenda AgroBIT Brasil-01 – Nove produtores rurais e uma startup foram premiados durante o evento, que obteve mais de 3 mil visualizações de 20 estados brasileiros e 11 países
(Crédito: Marilayde Costa/Divulgação)
Legenda AgroBIT Brasil-02 – Mulheres participaram de bate-papo sobre os desafios da liderança feminina no agro
(Crédito: Thomé Lopes/Divulgação)

Notícias Maior zona de livre comércio do mundo
Acordo UE–Mercosul reforça protagonismo do Brasil no comércio internacional
Após 25 anos de negociações, tratado reforça liderança brasileira no bloco sul-americano e amplia acesso a um dos maiores mercados do mundo.

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: ” O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação” – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser uma vitória do diálogo. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou.
Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é uma sinalização em favor do comércio internacional. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.
O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigor.
Notícias
Dia de Campo da Copacol conecta pesquisa, manejo e mercado ao produtor
Estudos do CPA mostraram, na prática, soluções para solo, soja e milho, além de análises de mercado para apoiar a tomada de decisão do produtor.

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo CPA (Centro de Pesquisa Agrícola), e contou com a participação de 1,5 mil visitantes. “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperados que já acompanham de perto o trabalho do CPA garantem que eventos como esse fazem a diferença, como comenta o produtor de Joetaesse, Cássio Henrique Moeller. “O CPA sempre nos ajuda a alcançar melhores resultados e potencializar nossa produtividade e eventos como o Dia de Campo agregam muito conhecimento e traz novidades que nos ajudam a crescer nas propriedades”.
Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.
Na prática
Um dos assuntos abordados nas palestras em campo foi a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção. Essa compactação consiste na incapacidade de o solo absorver a água, o que muitas vezes pode gerar o aumento da umidade na superfície, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. “Nós utilizamos o método Dres [Diagnóstico rápido de estrutura de solo] onde podemos avaliar o nível de compactação do solo para saber qual técnica deve ser aplicada em cada propriedade, seja com plantas de cobertura, ou utilização de maquinários. É um processo muito importante, que impacta diretamente no desenvolvimento das culturas e na produtividade delas”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do CPA, Andrei Regis Sulzbach.

Para cooperado de Jesuítas, Renato da Silva Tonelli, é importante acompanhar o trabalho do CPA, e saber que problemas que eles enfrentam no dia a dia, já estão sendo estudados e soluções já podem ser aplicadas na propriedade. “No último ano tivemos problema com relação a compactação de solo, e hoje vi que há um trabalho de pesquisa já sendo feito para desenvolver novas formas de manejo, melhorar nossas condições e minimizar esses problemas que nós que vivemos do campo temos”, comenta o cooperado.
Outro assunto que chamou atenção dos participantes foi o painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA, que são apresentadas com duas datas de semeadura, adubação em quantidades de acordo com a época e orientação de acordo com a região plantada, também foram apresentados manejos de doença e controle de pragas. “Apresentamos um demonstrativo com as épocas de semeadura diferentes com o mesmo manejo, onde fica visível a diferença de comportamento de cada planta, para mostrar a importância de se atentar as recomendações do CPA, de acordo com testes feitos na prática”, conta o engenheiro agrônomo André Luiz Borsoi.
Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor.
Além disso, também foram apresentados resultados sobre plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades e manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo.
Comercialização
O mercado também faz parte do processo produtivo, e entender como e quando comercializar os grãos, é fundamental para o cooperado. Pensando nisso, a abertura do Dia de Campo contou com uma palestra sobre tendências no mercado de commodities, com o consultor da StoneX Brasil, Étore Baroni. “O objetivo é trazer mais informações para os cooperados. São muitos fatores que influenciam nos preços, então, é preciso preparar o produtor para aproveitar as melhores oportunidades ao longo do ano. Tivemos mudanças muito fortes nos preços nos últimos anos e o CPA consegue trazer esse ganho de produtividade contínua. Por isso, é preciso alinhar a produtividade boa, com níveis de preços bons, mantendo uma rentabilidade para o produtor”, completa o consultor.
Notícias Maior zona de livre comércio do mundo
Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA
Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos
Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.
No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.
Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.
Carne suína
Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intra-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.
Aves
Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.
O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intra-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.
Cotas do acordo
Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos
A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.
Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.
Confira a Nota Setorial na íntegra:
NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.
O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.
No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.
Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.
No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intra-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.
Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.




