Notícias Segundo IBGE
Com alta na exportação, abate de suínos aumenta 6,2% em relação ao mesmo período de 2019
2º trimestre de 2020 registrou o abate de 12,10 milhões de cabeças de suínos no Brasil

O 2º trimestre de 2020 registrou o abate de 12,10 milhões de cabeças de suínos no Brasil, número que estabelece um novo recorde para o setor desde 1997. O resultado significa um aumento de 6,2% em relação ao mesmo período de 2019 e de 1,8% na comparação com o 1º trimestre de 2020. O mês de junho foi o que teve melhor desempenho.
Este é um dos destaques da pesquisa Estatística da Produção Pecuária do 2º trimestre de 2020, divulgada na quinta-feira (10) pelo IBGE. A explicação para o número recorde desde o início da série histórica está ligada às exportações da carne de porco, como explica Bernardo Viscardi, supervisor das pesquisas da produção Pecuária: “A China aumentou a demanda de carne suína por conta da redução do seu rebanho de porcos, causada pela Peste Suína Africana e, com isso, aumentou consideravelmente a importação deste tipo de alimento do Brasil”, afirma o especialista.
Já o abate bovino no período caiu, apesar de a carne bovina também apresentar alta na exportação. A pesquisa mostra que foram abatidas 7,30 milhões de cabeças de bovinos, quantidade 8% inferior à obtida no mesmo trimestre de 2019, mas acima 0,3% da registrada no 1º trimestre de 2020. O resultado é o mais baixo para um 2º trimestre desde 2011. De acordo com Viscardi, reflexo da reestruturação do setor para se adaptar ao cenário adverso enfrentado desde o fim de março, por conta pandemia do COVID-19. A valorização do preço da cabeça do boi também é outro fator. “O bezerro está valendo mais, por isso há uma menor disponibilidade de animais para o abate, com mais retenção de fêmeas para criação de bezerros”, explica.
As paralisações por conta da pandemia também impactaram na queda de abate de frangos. A pesquisa aponta que foram abatidas 1,41 bilhão de cabeças de frangos, queda de 1,0% em relação ao 2º tri de 2019 e recuo de 6,8% na comparação com o 1º trimestre de 2020. É o pior resultado para um trimestre desde o 2° trimestre de 2018. “As paralisações temporárias devido à pandemia impactaram a produção dos frigoríficos. Este fator ajuda a explicar as quedas registradas”, salienta Viscardi.
Consumo de ovos aumenta em razão do menor custo do produto
A pesquisa também mostra a produção de ovos de galinha e registra que, ao todo, 974,15 milhões de dúzias foram produzidas no 2º trimestre de 2020. Este número é 2,8% maior que o registrado no 2º trimestre de 2019 e 0,3% acima do trimestre anterior. “Em períodos de recessão econômica, como o do isolamento social por conta da pandemia, tende a aumentar o consumo de ovos de galinha, por se tratar de uma fonte de proteína mais acessível do que as carnes”, explica o especialista. O pico da produção ocorreu em maio, quando foram contabilizadas 326,73 milhões de dúzias, 2% acima da produção do mês equivalente de 2019.
Já a aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária federal, estadual ou municipal foi de 5,76 bilhões de litros. Este resultado significa redução de 1,7% em relação ao 2° trimestre de 2019, e retração de 9,3% em comparação com o 1º tri de 2020. Viscardi ressalta que, regularmente, os 2° trimestres são períodos de menor captação, devido à etapa de entressafra nas principais bacias leiteiras do país.
Já quanto à aquisição de couro, os curtumes declararam ter recebido 7,32 milhões de peças, uma redução de 12,8% em relação ao adquirido no 2º trimestre de 2019 e queda de 3,3% frente ao 1º trimestre de 2020. Esta redução tem relação direta com as quedas do abate de bovinos em abril e maio. A Pesquisa Trimestral do Couro investiga apenas os curtumes que efetuam curtimento de pelo menos 5 mil unidades inteiras de couro cru bovino por ano.

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Rally da Safra avalia potencial da segunda safra de milho no Oeste do Paraná
Região vem apresentando melhores perspectivas que o Norte do estado. Levantamento ajudará a confirmar as estimativas finais da safra brasileira de milho.

O Oeste do Paraná será o foco do Rally da Safra para avaliação das lavouras de milho segunda safra a partir de segunda-feira (08). A expedição deixará Campo Grande (MS) e irá percorrer, até o dia 15, as regiões de Guaíra, Marechal Cândido Rondon, Toledo, Cascavel, Ubiratã, Goioerê, Campo Mourão e Maringá.

Favorecido por uma janela de plantio mais antecipada, o Oeste paranaense apresenta perspectivas mais positivas para a produtividade do milho em comparação com o Norte do estado, onde a semeadura tardia e os períodos de estiagem comprometeram parte do desenvolvimento das lavouras. O Oeste também passou por um período de estiagem, porém, ao longo dos meses de abril e maio, a chuva retornou ao estado de forma mais regular. Até o momento, as geadas ocorridas em maio não afetaram as lavouras de forma abrangente, e as perdas foram pontuais.
“As avaliações de campo desta penúltima equipe do Rally tornam-se decisivas para entender os impactos do clima no potencial produtivo e ajustar nossos números até o final de junho, quando encerraremos a etapa milho”, explica André Debastiani, coordenador da expedição.
Os dados pré-Rally da Agroconsult indicam uma segunda safra brasileira de milho de 112,1 milhões de toneladas, volume inferior ao recorde de 123,9 milhões de toneladas registrado no ciclo 2024/25. Já a produção total de milho no país é estimada em 140,5 milhões de toneladas, frente a 151 milhões de toneladas no ciclo anterior. “Há espaço para ajustes nas estimativas, a depender dos dados de campo”, aponta o coordenador do Rally.
Expedição já percorreu importantes polos produtores

Em sua primeira etapa este ano, o Rally avaliou as condições de mais de 1,7 mil lavouras de soja durante as fases de desenvolvimento e de colheita em 14 estados. As lavouras avaliadas respondem por 97% da área de produção de soja e 72% da área de milho no país.
Desde 11 de maio, o Rally da Safra percorre os principais polos produtores de milho do país em cinco estados. As equipes já passaram por diferentes regiões do Mato Grosso, Goiás, Rondônia e Mato Grosso do Sul, avaliando condições climáticas, desenvolvimento das lavouras, investimentos realizados pelos produtores e perspectivas de produtividade. Após a etapa no Oeste e Noroeste do Paraná, a última equipe realizará o levantamento no Sul do Mato Grosso do Sul e Norte do Paraná, encerrando os trabalhos de campo da safra de milho em 23 de junho.
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Projeto leva diagnóstico de nematoides em tempo real para dentro das lavouras
Iniciativa permite identificar espécies diretamente no campo e busca reduzir perdas causadas por uma das pragas mais difíceis de detectar na agricultura.

Uma iniciativa vai levar ciência aplicada diretamente para dentro das lavouras brasileiras. O projeto Caçadores de Nematoides tem como objetivo fortalecer o manejo de uma das pragas mais silenciosas e subestimadas da agricultura: os nematoides. Diferente do modelo tradicional, baseado na coleta de amostras e envio para laboratório, o projeto realiza o diagnóstico diretamente na área do produtor, com identificação das espécies em tempo real, por meio de microscopia e análise conduzida por especialista.
A proposta é permitir que o produtor veja, no próprio campo, os organismos microscópicos responsáveis por perdas de produtividade que, muitas vezes, passam anos sem diagnóstico preciso.
Os nematoides estão presentes em todas as diferentes regiões agrícolas e culturas e podem comprometer o desenvolvimento das plantas ao afetar diretamente o sistema radicular. Ainda assim, o manejo no campo segue marcado por lacunas técnicas importantes, especialmente pela ausência de diagnóstico adequado e pela adoção de estratégias isoladas.
Sem a identificação da espécie presente na área, decisões de manejo tendem a ser genéricas e pouco eficientes. Na prática, isso leva a um cenário recorrente: o produtor trata os sintomas, como a queda de produtividade, sem atuar sobre a causa, relacionada à alta pressão populacional no solo. “Um dos principais erros no manejo de nematoides é a ausência de diagnóstico. Sem saber qual espécie está presente, o produtor acaba tomando decisões genéricas, tratando o sintoma e não a causa, e isso permite que a infestação se mantenha ou até aumente ao longo das safras”, afirma O mestre em Agronomia e Proteção de Plantas, Lucas Silva.
Além disso, fatores como a sucessão de culturas hospedeiras, a falta de rotação eficiente e o uso inadequado de ferramentas de controle contribuem para a manutenção ou até o aumento da infestação ao longo do tempo.
Outro ponto crítico é a falta de precisão no manejo. Cada espécie de nematoide apresenta comportamento, hospedeiros e nível de dano distintos, o que exige estratégias específicas. Sem esse nível de detalhamento, o produtor pode adotar medidas ineficientes ou até favorecer a multiplicação da praga. É justamente essa desconexão entre problema e manejo que o projeto busca enfrentar.
Ao levar o diagnóstico para dentro da propriedade, o projeto Caçadores de Nematoides reduz o tempo entre identificação e tomada de decisão, além de ampliar a compreensão do produtor sobre o que está acontecendo em sua lavoura. A visualização dos nematoides ao microscópio, no próprio campo, transforma um problema abstrato em evidência concreta.
A iniciativa também expõe um desafio cultural no campo. Como são invisíveis a olho nu e de difícil diagnóstico sem análise especializada, os nematoides ainda são frequentemente subestimados ou confundidos com outros fatores, como fertilidade do solo ou doenças, o que retarda o manejo adequado.
Mais do que uma agenda técnica, o projeto se posiciona como uma ação de conscientização, ao aproximar o produtor do problema e estimular decisões mais assertivas no manejo.
O projeto é desenvolvido pela Vitalforce e conta com participação da pesquisadora, doutora em Agronomia e nematologista Angélica Calandrelli, a iniciativa combina rigor técnico e abordagem prática para transformar conhecimento científico em experiência direta no campo.
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Com 2,9 milhões de hectares cultivados, milho paranaense segue em condição favorável
Maior parte das lavouras apresenta bom desenvolvimento e previsão climática reduz risco de perdas por geadas.

As lavouras de milho segunda safra mantêm um cenário favorável no Paraná, embora as condições climáticas das últimas semanas exijam atenção dos produtores. Levantamento divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostra que 79% da área cultivada apresenta boas condições de desenvolvimento.

Foto: Divulgação
Segundo o boletim conjuntural do Deral, dos 2,9 milhões de hectares plantados na safra 2025/26, outros 14% das lavouras estão em condição considerada mediana e 7% apresentam situação ruim.
De acordo com o analista de mercado da Seab, Edmar Wardensk Gervásio, a expectativa geral ainda é de uma boa produção no Estado. No entanto, o comportamento recente do clima pode limitar parte do potencial produtivo das lavouras. “O cenário continua positivo, mas a ocorrência de mais dias nublados e de temperaturas mais baixas pode reduzir a produtividade média das lavouras paranaenses”, observa o analista no boletim.
Geadas seguem como principal preocupação
Neste momento, o principal fator de risco para a segunda safra continua sendo a possibilidade de geadas, especialmente para as áreas que ainda se encontram em estágios mais sensíveis de desenvolvimento.
Apesar dessa preocupação, os dados meteorológicos trazem alívio aos produtores. Segundo o Deral, a previsão estendida do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná

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(Simepar) não indica ocorrência de geadas nos próximos 14 dias.
O avanço do ciclo das lavouras também contribui para reduzir a vulnerabilidade da safra. Atualmente, 17% das áreas cultivadas já entraram na fase de maturação, estágio em que o risco de perdas provocadas por geadas é considerado muito baixo.
Por outro lado, 83% das lavouras ainda permanecem suscetíveis a eventuais danos causados por frio intenso. Ainda assim, com a ausência de previsão de geadas e o avanço natural do desenvolvimento das plantas, a tendência é que uma parcela crescente dessas áreas alcance a maturação nas próximas semanas e fique fora da zona de risco.
Produção segue dependente das condições climáticas
O milho segunda safra ocupa uma área de 2,9 milhões de hectares no Paraná e representa uma das principais culturas do agronegócio estadual. Além da relevância para as exportações, a produção é estratégica para o abastecimento das cadeias de proteína animal, especialmente aves e suínos.
Embora o quadro atual seja considerado favorável, o desempenho final da safra dependerá do comportamento climático nas próximas semanas, período decisivo para a definição da produtividade em parte importante das áreas ainda em desenvolvimento.



