Bovinos / Grãos / Máquinas
“Com a ordenha robotizada a família ganhou vida além do trabalho”, comemora produtor de leite
Durante décadas, famílias inteiras acordavam antes do sol para enfrentar uma lida pesada, exaustiva e quase sempre sem folga. Mas, na Granja Kasper Steffens, na Linha São Jerônimo, interior de Quatro Pontes (PR), a história tomou outro rumo.

Na rotina da produção leiteira, o relógio nem sempre é um aliado. Durante décadas, famílias inteiras acordavam antes do sol para enfrentar uma lida pesada, exaustiva e quase sempre sem folga. Mas, na Granja Kasper Steffens, na Linha São Jerônimo, interior de Quatro Pontes (PR), a história tomou outro rumo. Com planejamento, coragem e apoio mútuo, a família Steffens decidiu dar um passo ousado ao apostar na ordenha robotizada como caminho para equilibrar produção, rentabilidade e qualidade de vida.
Hoje, Paulo e Denise, casados há 25 anos, ainda têm o costume de acordarem cedo, mas sem o compromisso de ter que tirar o leite. Tomam café em família, conversam com calma e só depois iniciam o dia de trabalho. “Antes, a gente começava a ordenhar às 5 horas da manhã. Todos os dias. Chovendo, em feriado, com ou sem visita. Hoje temos mais autonomia, mais liberdade e principalmente mais bem-estar”, resume Denise, que por muitos anos foi a principal responsável pela ordenha.
Começaram com 15 vacas da raça holandesa e produção média de 350 litros por dia. Aos poucos, com investimentos pontuais e visão estratégica, a produção foi crescendo. Chegaram a 1.200 litros/dia com 45 vacas em lactação. Mas os limites da ordenha mecânica começaram a pesar. “Com 45 vacas em ordenha, demorava 06 horas por dia: três de manhã, três à tarde. Era desgastante, ainda mais para a Denise, que ficava praticamente o dia todo na sala de ordenha”, conta Paulo.
Quando o convencional já não basta
Com o crescimento do rebanho leiteiro, a estrutura de ordenha mecânica começou a se mostrar limitada. A sala equipada com quatro conjuntos de ordenha canalizada já não atendia a demanda crescente, tornando o processo mais lento e desgastante. “A gente percebia que as vacas sofriam, ficavam irritadas pela demora para serem ordenhadas”, relata Eduarda.
A primeira alternativa pensada pela família foi ampliar a estrutura existente, dobrando os equipamentos de ordenha – de quatro para oito conjuntos – e reformando a sala, com a expectativa de elevar também a produção diária de leite para 2.500 litros.
A decisão parecia lógica, mas com a pandemia de Covid-19 em 2020 a tentativa de ampliar a sala de ordenha esbarrou em obstáculos sérios, como a escassez de materiais de construção, especialmente ferro, a falta de mão de obra especializada nas empresas da região e o atraso na entrega da estrutura metálica do barracão planejado. A obra não saiu do papel.
Diante do impasse, a família começou a fazer cálculos mais precisos sobre os custos envolvidos na ampliação da ordenha convencional. A estimativa era de que a reforma e modernização da estrutura exigiriam entre R$ 400 mil e R$ 500 mil. Além disso, seria necessário contratar uma família para ajudar nas atividades da ordenha, o que, ao longo de 10 anos, representaria um custo adicional de aproximadamente R$ 700 mil. Somando os valores, o investimento total ultrapassaria R$ 1,2 milhão.
Nesse momento, surgiu a comparação inevitável com a ordenha robotizada. A família já conhecia a tecnologia desde 2016, quando visitou uma propriedade em Castro (PR) e se encantou com o sistema automatizado. Na época, parecia algo distante da realidade deles, tanto pelo custo quanto pela complexidade da operação. Mas, agora, diante do valor semelhante entre os dois modelos, a família passou a cogitar a hipótese de implementação da tecnologia na propriedade. “Se o investimento seria o mesmo, optar pelo robô representava não apenas modernização, mas também uma solução definitiva para a dependência de mão de obra e os limites físicos da ordenha convencional. Era um investimento alto, mas a longo prazo era mais vantajoso e resolveria de vez os nossos principais gargalos”, relata Paulo, contando a decisão foi tomada em conjunto, com participação ativa dos filhos Eduarda e Giovane.
Adaptação ao novo sistema
Instalado em outubro de 2021, o robô de ordenha está em operação há quase quatro anos. Embora hoje os benefícios sejam claros e incontestáveis, os 30 primeiros dias foram marcados por incertezas, frustrações e muita dedicação da família. “Acostumadas à rotina tradicional, as vacas simplesmente não sabiam que podiam se ordenhar à noite, algo que o sistema automatizado permite, mas que exige um tempo de aprendizagem. Era necessário conduzir as vacas até o robô, em um processo que tomava tempo e exigia dedicação quase integral. Houve noites em que dormimos no estábulo para acompanhar de perto essa adaptação dos animais”, relembra Denise. “Foi muito estressante no começo. Teve um momento em que achamos que tínhamos feito uma besteira enorme”, recorda Paulo.
Hoje, os resultados falam por si. Um dos principais ganhos proporcionados pela ordenha robotizada foi a redução da dependência de mão de obra, o que trouxe liberdade e qualidade de vida para a família. Com o robô operando 24 horas por dia, não é mais necessário seguir os horários fixos da ordenha tradicional, o que permite maior flexibilidade na rotina da propriedade.
Outro benefício expressivo está na eficiência alimentar. No sistema convencional, a ração era distribuída de forma fixa por lote, sem considerar as necessidades individuais de cada vaca, o que frequentemente gerava desperdício e desequilíbrio nutricional. Com o sistema robotizado, a alimentação passou a ser personalizada. Cada animal recebe a quantidade ideal de ração de acordo com seu nível de produção. “Essa individualização promoveu uma economia visível no uso de concentrados, além de otimizar o desempenho produtivo do rebanho. Vacas com menor produção recebem menos ração, evitando o desperdício de insumos e tornando a gestão alimentar mais eficiente e sustentável”, destaca Paulo.
Ganhos de eficiência produtiva
Os ganhos de eficiência produtiva na Granja Kasper Steffens são expressivos e palpáveis. Antes da adoção do sistema robotizado, a média diária de produção por vaca era de 28 litros, com média de 240 quilos de ração. Após a implantação do robô de ordenha, a mesma dieta alimentar passou a render, já nos primeiros meses, uma média de 32 litros por vaca, um salto de quatro litros sem qualquer aumento significativo no volume de concentrado ou dieta complementar. Com o tempo e a adaptação do rebanho ao novo sistema, a produtividade continuou a subir, e hoje gira entre 41 e 43 litros por vaca/dia.
Essa eficiência tem relação direta com a liberdade e o bem-estar das vacas. No novo sistema, elas escolhem quando querem ser ordenhadas, comer ou descansar. A média atual é de 3 a 3,1 ordenhas por dia, mas algumas vacas chegam a se ordenhar espontaneamente até cinco vezes. “É a vaca que decide. E, quando a vaca está bem, ela produz mais”, resume Denise.
Consumo de ração

O aumento na produção de leite não veio acompanhado de um salto no consumo de ração e esse é um dos pontos que mais surpreendem na nova fase da propriedade. Com 60 vacas em lactação, o rebanho consome atualmente cerca de 550 quilos de ração por dia, sendo 310 quilos de concentrado fornecidos no robô e 240 adicionados a dieta total da pista de alimentação. Esse volume aumentou apenas ligeiramente devido a maior produtividade por animal.
No entanto, a produtividade disparou: a média de produção por vaca saltou de 28 para até 43 litros/dia. Isso mostra que, além de conforto e autonomia, o sistema oferece uma gestão alimentar altamente eficiente, em que cada vaca recebe ração conforme sua produção individual, sem excessos nem desperdícios. A conta fecha no balde e no bolso. “Tudo ficou mais lógico e preciso. A tecnologia ajuda até a detectar cio e possíveis doenças com antecedência. Dá mais segurança na reprodução e saúde animal”, explica Eduarda, filha do casal, formada em Gestão do Agronegócio.
Ela é uma das peças-chave no processo de modernização da propriedade. No final de julho embarcou para um intercâmbio de seis meses na Austrália, onde vai viver a rotina de fazendas leiteiras com e sem ordenha robotizada.
Qualidade de vida no centro das decisões
Com a automação, a lida pesada foi substituída por monitoramento inteligente, decisões baseadas em dados, eficiência na produção de leite e flexibilização da carga horária de trabalho. Hoje, cada membro da família tem funções específicas: Eduarda cuida das bezerras e dos indicadores sanitários; Giovane, ainda estudante, atua com as novilhas, o manejo e os equipamentos; Denise administra o robô e os relatórios; Paulo coordena a gestão, compras e maquinário; e Mathias, o colaborador da família, auxilia nas tarefas gerais da granja.
Com a implementação da ordenha robotizada, Paulo ressalta que a família ganhou vida além do trabalho. “A tecnologia entrou na granja não para substituir o produtor, mas para devolver a ele tempo, saúde e poder de escolha. A ordenha deixou de ser uma atribuição desgastante, presa a horários fixos, e passou a ser uma tarefa integrada a uma rotina mais equilibrada, na qual a família voltou a ter espaço para de fato viver, poder aproveitar um tempo de qualidade em volta da mesa do café da manhã, tomar um chimarrão com calma, poder conversar, ler um livro, cuidar da casa e fazer coisas que há muito tempo havíamos deixado de lado”, ressaltou, emendando: “A Denise até está fazendo academia agora”, disse, arrancando boas gargalhadas da família, sabendo da importância que este momento é para a esposa.
Controle de indicadores
Com a adoção da ordenha robotizada, a propriedade não apenas transformou a rotina de trabalho, mas também deu um salto significativo na forma de gerenciar o rebanho. Antes da chegada do robô, o controle da produção era básico: os registros eram mensais e restritos à produção de leite, aos gastos gerais e a anotações esporádicas sobre inseminações. Questões relacionadas à saúde animal eram acompanhadas apenas de forma visual ou quando os sintomas já se manifestavam.
A partir da robotização, a gestão passou a ser orientada por dados em tempo real. O sistema embarcado no robô fornece uma série de informações sobre o desempenho produtivo e reprodutivo do rebanho, com destaque para os alertas automáticos para o início do cio, o que permite planejar a inseminação artificial com base em critérios técnicos. Paulo enfatiza que esses dados só se traduzem em eficiência quando corretamente interpretados, por isso, a robotização não é apenas uma mudança estrutural, mas uma transformação na postura do produtor. “A tecnologia só vale a pena se o produtor estiver disposto a evoluir junto com ela”, exalta.
O sistema também monitora a ruminação das vacas, sendo capaz de identificar alterações precoces que indicam possíveis problemas digestivos. Outro ponto fundamental é a análise da condutividade do leite, que permite detectar casos de mastite logo no início, antes mesmo de haver sinais clínicos.
Com esse nível de controle, a propriedade alcançou avanços expressivos na eficiência sanitária e reprodutiva do rebanho. A gestão se tornou mais estratégica, permitindo decisões rápidas e fundamentadas, o que impacta diretamente no aumento da produtividade e, consequentemente, da renda da família. A tecnologia, que inicialmente parecia distante, hoje é ferramenta essencial na condução do negócio.
Gestão financeira e operacional do negócio
A profissionalização da atividade leiteira na propriedade se reflete de forma como a família conduz a gestão financeira e operacional do negócio. A cada mês, são realizados registros detalhados de todos os custos, com fechamento anual para avaliação de desempenho. Essa rotina é acompanhada por assistência técnica especializada, que visita a propriedade duas vezes por mês para auxiliar na análise dos indicadores e no planejamento estratégico.
Com esse controle minucioso, a família consegue interpretar com clareza os altos e baixos ao longo do ano. Quando há um mês com resultado financeiro negativo, por exemplo, a explicação geralmente está em investimentos pontuais, como a compra de insumos ou a produção de silagem. Em vez de causar alarme, essas variações são compreendidas dentro de um contexto maior e diluídas ao longo do planejamento anual. O foco é manter um bom fluxo de caixa e preservar uma visão estratégica de longo prazo, que sustente o crescimento da atividade com solidez.
Esse compromisso com a gestão se estende a todos os setores da propriedade, que é administrada como uma verdadeira empresa rural, com “departamentos” bem definidos: produção de alimentos, criação de bezerras, ordenha e gestão geral. Um dos pontos estratégicos dessa engrenagem é a produção de silagem, considerada um pilar da sustentabilidade alimentar do rebanho. Trata-se de um trabalho intenso, que demanda atenção total da família por cerca de um mês, mas garante o fornecimento de alimento por até 15 meses. Um erro nesse processo compromete toda a cadeia produtiva – da alimentação ao desempenho reprodutivo.
Bem-estar animal e produtividade caminham juntos
Além da ordenha automatizada, a propriedade conta com um robô que empurra o alimento para mais perto dos animais, evitando o estresse causado pela dificuldade de acesso à comida. No barracão, uma escova rotativa foi instalada para aumentar a sensação de bem-estar do rebanho. A limpeza constante do ambiente e o conforto térmico proporcionado pelo sistema compost barn também têm impacto direto no desempenho produtivo e na saúde dos animais.
Filhos são motivados a permanecer no campo
Na propriedade, os filhos Eduarda e Giovane estão envolvidos nas atividades desde pequenos. O vínculo com os animais e com a lida no campo foi cultivado com afeto, refletido em gestos como dar nome a cada vaca.
A introdução da tecnologia, além de otimizar a produção, teve como objetivo tornar o trabalho mais leve, prazeroso e viável economicamente, criando um ambiente propício para que a nova geração se sentisse motivada a permanecer na atividade.
Apesar disso, não há imposição: os filhos têm liberdade para seguir outros caminhos, mas a rotina moderna e a gestão compartilhada mantêm o interesse vivo. “Nossos filhos cresceram vendo que é possível trabalhar com leite e ter qualidade de vida. Não tem imposição. Eles ficam porque gostam e porque veem futuro”, evidencia Paulo.
As decisões são tomadas de forma conjunta, em um ambiente de diálogo e troca constante. Eduarda destaca que aprende muito com os pais e sente que sua voz é ouvida, o que a faz enxergar futuro na atividade e no negócio da família. O carinho e o respeito estão presentes na lida diária. As decisões são tomadas em conjunto, com diálogo e espaço para ideias. “Aprendo muito com meus pais. A gente conversa sobre tudo, sobre o que fazer hoje e sobre o que queremos para daqui a cinco anos, por exemplo”, conta Eduarda
Liderança e inspiração

Foto: Shutterstock
A família Steffens foi a primeira da região a instalar o sistema de ordenha robotizada. A decisão exigiu coragem, mas abriu portas para outros produtores. “A gente compartilha a experiência porque sabe que o sistema funciona. A tecnologia, por si só, não é solução mágica, ela exige uma postura ativa, planejamento e comprometimento do produtor. Não adianta ter a máquina só como um equipamento bonito; a gente precisa tirar o máximo do que ela pode oferecer”, salienta Paulo.
Mais do que leite, a Granja Kasper Steffens produz exemplo. Mostra que, sim, é possível aliar produtividade, gestão e qualidade de vida no campo. E que a tecnologia, quando bem aplicada, pode devolver o que mais falta ao produtor rural: tempo para viver.
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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China
Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock
O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.
“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa
Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.
Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais
Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.
Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.
O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.
Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso
Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.
Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.
Economia cresce, mas desafios permanecem
A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.
A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.
Cenário internacional exige atenção
As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.
Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.
Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.
Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.
Logística reversa preocupa empresas
Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.
Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.
Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação
A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos
Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock
O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.
Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.
Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

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incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.
Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário
Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.
Cinco produtos representam mais de um terço das exportações
Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.
A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.



