Peixes
Com 10 startups, Inova Aqua é palco de soluções para a cadeia do pescado
Objetivo da iniciativa é incentivar a inovação, buscando soluções para a cadeia do pescado, além de promover o empreendedorismo e contribuir com o desenvolvimento desta empresas para o melhor atendimento das demandas da indústria e do mercado

Dez empresas da área de tecnologia com soluções inovadoras de impacto para a cadeia produtiva da pesca e aquicultura confirmaram participação no IFC Brasil 2024, o 6º International Fish Congress & Fish Expo Brasil, que será realizado na próxima semana, de 24 a 26 de setembro, em Foz do Iguaçu, no Paraná. O Inova Aqua, a área da feira destinada a estas startups, é uma iniciativa da organização do evento em parceria com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

CEO do IFC Brasil 2024, Eliana Panty: “Abrimos este espaço porque acreditamos na capacidade desta iniciativa de contribuir com o fortalecimento e a dinamização do mercado de pescado” – Fotos: Divulgação/Arquivo IFC
O objetivo é incentivar a inovação, buscando soluções para a cadeia do pescado, além de promover o empreendedorismo e contribuir com o desenvolvimento desta empresas para o melhor atendimento das demandas da indústria e do mercado, defendeu a CEO do IFC Brasil 2024, Eliana Panty. “Abrimos este espaço porque acreditamos na capacidade desta iniciativa de contribuir com o fortalecimento e a dinamização do mercado de pescado”, disse a executiva.
O presidente do IFC Brasil 2024, Altemir Gregolin, destaca a importância do Inova Aqua como um berçário para a inovação e busca de soluções. “Inovações disruptivas como as que veremos na Fish Expo 2024 vão oferecer aos produtores, investidores, e para o setor como um todo, o acesso a soluções que historicamente estariam disponíveis apenas para consumidores com muito dinheiro. O foco desses negócios está no rompimento com o tradicional, modernizando produtos e serviços que melhoram a vida das pessoas”.
A atividade aquícola e pesqueira tem inúmeras iniciativas e oportunidades de inovação e são inúmeras as startups surgindo e que merecem um espaço para socializarem conhecimentos, apresentarem suas tecnologias e suas ideias inovadoras, lembra o professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Altevir Signor, um dos idealizadores do espaço.
Ele destaca que, nessa direção, o Inova Aqua tem como essência dar às startups um espaço para demonstrarem suas tecnologias e suas aplicações para o setor produtivo e pesqueiro. “O Inova Aqua fortalece essas iniciativas empreendedoras, inovadoras e geradoras de novos produtos, processos, negócios e oferece oportunidades de crescerem e se estruturarem frente aos desafios que a cadeia produtiva tem em crescer com sustentabilidade”, afirma o professor ressaltando o apoio com financiamentos do próprio CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). “O Inova Aqua é um campo fértil para que as startups presentes no IFC2024 se consolidem e prospectem ações para seus desenvolvimentos como empresas do setor produtivo aquícola”, destaca.
Confira quais são as startups presentes no Inova Aqua, no IFC Brasil, em Foz do Iguaçu (PR), de 24 a 26 de setembro.
Aquário de Ideias
Uma incubadora de empresas de base científica e tecnológica da UNESP, no Vale do Ribeira e Litoral Sul de São Paulo, a Aquário de Ideias é especializada em criar e apoiar startups e spin-offs do setor de aquicultura e é reconhecida como referência na América do Sul para este setor com mais de 50 projetos de inovação, parcerias e empresas geradas nos últimos anos.
Sample
A Sample é uma startup de pesquisa e desenvolvimento focada em inovação e biotecnologia para a indústria da aquicultura e está incubada na Aquário de Ideias, na UNESP-Registro, no estado de São Paulo. Desenvolve pesquisa aplicada para a criação de novas soluções e tecnologias com o know-how nas áreas de bioeconomia e sustentabilidade, produção de organismos aquáticos, saúde e sanidade animal e biotecnologia.
Growd
Situada no coração do Vale do Ribeira, em Registro, no interior de São Paulo, é uma empresa de biotecnologia dedicada à produção de bioprodutos sustentáveis à base de algas marinhas. Desenvolve soluções inovadoras que promovem práticas ecológicas e eficientes no aquanegócio. Seus bioprodutos sustentáveis são projetados para minimizar o impacto ambiental ao mesmo tempo em que aumentam a produtividade e a saúde dos cultivos.
By Fish
O By Fish é um grupo de oito startups comprometidas em oferecer produtos alimentícios inovadores e de alta qualidade que atendam às necessidades de nutrição e bem-estar. As startups que compõem este grupo oferecem serviços em diversas áreas, como a de consultoria para a aquicultura, pesca e indústria de processamento de pescado; o desenvolvimento de produtos alimentícios à base de pescados e frango; desenvolvimento e venda de sorvetes a base de proteínas hidrolisadas; sopas proteicas; iogurtes e barrinhas de cereais com pescado, além de desenvolver produtos em cosmetologia e nutracêuticos a base de proteínas hidrolisadas de pescado e frango.
Unihub Toledo
Uma iniciativa da Unioeste, a Unihub – Campus de Toledo é uma incubadora de empresas com foco no desenvolvimento tecnológico e quer ampliar as interações público-privadas na transformação de ideias inovadoras em produtos tecnológicos, auxiliando na estruturação e desenvolvimento de novos negócios.
NutriTech
A Nutri Tech Tecnologia em Nutrição Animal Ltda está em Sarandi, no Paraná, e se dedica a produção de suplementos que tem como base o farelo de arroz integral estabilizado. O NaturalAcqua é o mais novo suplemento fermentável para peixes e camarões. Sua massa flutua ou afunda de acordo com o hábito alimentar das espécies.
Usina do Peixe
A Usina do Peixe trabalha com subprodutos de altíssima qualidade para produção de alimentos, transformando subprodutos e resíduos da cadeia produtiva do pescado em energia para alimentação humana. Ela analisa o processamento do pescado nas empresas e frigoríficos e seus resíduos para a criação de alimentos, que vão desde os mais simples empanados até produtos de alta qualidade e valor agregado.
Aqualife Insumos
A Aqualife Insumos se dedica a biotecnologia para aquicultura. Ela fornece soluções para aquicultura sustentável. O produto AQUALIFE Biostart está em fase de testes e estudos científicos. É um produto a base de microalgas para as primeiras fases da tilapicultura intensiva. Está sediada no oeste do Paraná.
Bioconnex Assessoria Ambiental
A Bioconnex é uma empresa especializada em assessoria ambiental com foco em estratégias e soluções para negócios e empreendimentos. Sediada em Toledo, no Paraná, atua em todo o estado para atender demandas ambientais de empresas públicas e privadas em diferentes segmentos. Seus serviços estão relacionados à assessoria técnica ambiental, licenciamentos, regularizações e desembargos de propriedades ou empreendimentos, autorizações ambientais e florestais, outorgas de recursos hídricos e estudos e projetos no âmbito ambiental.
Catfish Engenharia
É uma startup que desenvolve tecnologias de automação e monitoramento para a aquicultura. A empresa fica localizada em Vale Verde, no Rio Grande do Sul, onde possui estrutura para fabricação dos equipamentos e campo de provas com utilização da tecnologia bioflocos (BFT) em tanques elevados. A empresa possui um sistema de monitoramento de energia elétrica que avisa o produtor por meio de WhatsApp, SMS e por ligação telefônica quando falta energia. Desenvolve também um sistema de automação de aeradores e alimentadores totalmente configurado pela internet, utilizando sondas de oxigênio e temperatura fabricadas no Brasil com tecnologia importada. A Catfish Engenharia também desenvolveu uma Inteligência Artificial (IA) que consegue prever picos de concentração de compostos nitrogenados com diversos dias de antecedência. Todos os equipamentos são monitorados por servidor na nuvem que avisa o produtor no momento da falha, com acompanhamento e acesso remoto por aplicativo de celular.
Inscrições: última semana de desconto
O IFC Brasil 2024 encerra o último período de inscrições com desconto na sexta-feira, dia 20 de setembro. Até esta data, os interessados podem se inscrever no site do evento (http://www.ifcbrasil.com.br) pelo valor R$ 550 para profissionais e R$ 300 para estudantes. De sábado, dia 21de setembro até o dia 26, os valores sobem para R$ 650 para profissionais e R$ 350 para estudantes. Outras informações sobre o IFC Brasil podem ser obtidas no site do evento (www.ifcbrasil.com.br) ou através do e-mail [email protected].
Sobre o IFC Brasil
O IFC Brasil reúne todos os elos da cadeia produtiva para discutir os desafios e as oportunidades da cadeia do pescado e gerar negócios. O encontro congrega empresários, aquicultores, agentes dos mercados do varejo e food service, prestadores de serviços, fornecedores, dirigentes, profissionais do setor e formadores de opinião. Em sua sexta edição, o IFC Brasil é reconhecido por oferecer o melhor ambiente de negócios, debates e networking do setor.
Patrocínios e Apoios
O IFC Brasil é correalizado pela Fundep (Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão, Pesquisa e Pós-graduação), Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), UFPR (Universidade Federal do Paraná) e a sua Fundação, a Funpar.
Patrocinam o IFC Brasil: CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Itaipu Binacional, Caixa Econômica Federal, MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura), Governo Federal, Sanepar, Copel Energia, Governo do Paraná, BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) e Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
Apoiam o IFC Brasil a APEX Brasil, ABIPESCA (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), PEIXE BR (Associação Brasileira da Piscicultura) e Unila (Universidade

Peixes
Tilápia registra queda nas cotações em todas as principais regiões produtoras
Levantamento do Cepea mostra retração semanal entre 0,10% e 0,61% nos preços pagos ao produtor.

Os preços da tilápia apresentaram recuo em todas as principais regiões produtoras monitoradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na semana de 13 a 17 de julho.
O maior valor foi registrado no Norte do Paraná, onde o quilo da tilápia foi negociado a R$ 10,31, apesar da retração semanal de 0,61%. Em seguida aparecem o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com cotação de R$ 10,04 por quilo e queda de 0,50%, e a região dos Grandes Lagos, onde o preço fechou em R$ 9,80, recuo de 0,52%.
Em Morada Nova de Minas, o quilo da tilápia foi comercializado a R$ 9,48, com desvalorização de 0,26% na comparação com a semana anterior.
No Oeste do Paraná, a cotação ficou em R$ 8,70 por quilo, a menor entre as regiões pesquisadas. Apesar disso, o mercado registrou a menor variação negativa da semana, com queda de 0,10%.
Os dados são do levantamento semanal do Cepea, que acompanha a evolução dos preços da tilápia nas principais regiões produtoras do país.
Peixes
Seguro-defeso pode passar a ser pago durante todo o período de proibição da pesca
Mudança também prevê cadastro nacional de pescadores artesanais e regras mais rígidas para combater fraudes na concessão do benefício.

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê que o Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal seja pago durante todo o período em que a pesca estiver proibida por medidas de preservação ambiental.
O Projeto de Lei 806/2026 altera a Lei nº 10.779/2003, que regulamenta o seguro-defeso, benefício concedido aos pescadores artesanais durante a paralisação temporária da atividade para garantir a reprodução das espécies.

Foto: Claudio Neves
Segundo o texto, o objetivo é evitar situações em que o pescador permanece impedido de exercer a atividade por determinação legal, mas deixa de receber o benefício durante parte do período de restrição.
Além da ampliação da cobertura, a proposta cria o Cadastro Nacional de Pescadores Artesanais e Marisqueiras. A ferramenta deverá reunir informações para registro, controle e cruzamento de dados, permitindo maior fiscalização na concessão e no acompanhamento do seguro-defeso.
O projeto também endurece as regras contra fraudes. Pela proposta, quem obtiver ou tentar obter o benefício mediante fraude ou má-fé ficará impedido de participar ou receber benefícios de programas sociais.
Autores da proposta, os deputados Carla Dickson (PL-RN) e Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmam que a medida busca garantir que os recursos do seguro-defeso sejam destinados exclusivamente aos profissionais que dependem da pesca artesanal como fonte de renda.
Tramitação
O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.
Peixes
Ruído de embarcações compromete comunicação dos peixes, aponta estudo
Pesquisa da UFPE indica que a poluição sonora pode afetar alimentação, reprodução e defesa de território, com reflexos para a saúde dos recifes e da pesca.

O ruído de motores de embarcações, como lanchas e motos aquáticas, e de banhistas afeta a comunicação sonora entre os peixes, o que pode causar impactos negativos na alimentação, reprodução e defesa de território de várias espécies. A poluição sonora encobre os sons emitidos pelos peixes e representa risco para a saúde de recifes de corais.
A constatação faz parte de um artigo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicado nesta segunda-feira (20), na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgado pela Agência Bori, voltada a estudos científicos.

Foto: MPA
Apesar de a publicação ser em inglês, o periódico é editado pela revista oficial da Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI). A ictiologia é o ramo da zoologia dedicado ao estudo científico dos peixes.
De acordo com um dos autores do estudo, Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, a análise mostrou que “houve uma redução clara na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes”.
Segundo ele, a diminuição foi identificada “justamente” onde havia maior presença de ruído causado pela ação humana. “Isso pode acontecer porque os sons ficam mascarados pelo barulho das embarcações, tornando-se mais difíceis de detectar, ou porque alguns peixes realmente reduzem ou alteram sua produção sonora em resposta ao ruído”, diz.
Ele detalha que muitos peixes utilizam sons durante comportamentos como reprodução, defesa de território e alimentação. “Se essa comunicação for prejudicada, esses comportamentos também podem ser afetados”, assinala.
Praias turísticas
O estudo monitorou ruídos produzidos pela atividade humana, como de motores de embarcações, de parapentes e da própria movimentação de banhistas no mar. Ao mesmo tempo, os pesquisadores acompanharam os sons emitidos por peixes nessas áreas.

Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST
O trabalho de campo foi conduzido em duas regiões turísticas no litoral de Pernambuco: as praias de Carneiros, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe; e Tamandaré, na APA Costa dos Corais.
Essas duas praias foram selecionadas por serem destinos turísticos populares com dinâmicas diferentes, o que permitiu comparar os impactos sonoros.
Carneiros é um destino popular durante o ano todo, enquanto Tamandaré apresenta variações sazonais, com pico no verão.
Em cada praia, os pesquisadores mediram os sons tanto em pontos perto da costa, mais influenciados pela atividade humana; e pontos abrigados, onde a estrutura de recifes serve como barreira para o som.
Forma de medição
Para chegar aos resultados, os pesquisadores instalaram nos pontos de monitoramento um sistema de gravação subaquática. Cada sessão de monitoramento teve dez horas contínuas de gravação diária, somando 80 horas de dados acústicos.
Além de captura dos sons, mergulhadores fizeram uma espécie de censo visual, contando a quantidade e espécie de peixes. Foram encontradas de 18 a 23 espécies. Em Carneiros, eles localizaram quase 1,4 mil peixes.
Os registros foram realizados em janeiro e fevereiro de 2022, período de alta temporada, e em abril de 2023.
Sons dos peixes
A pesquisa identificou nove diferentes tipos de sons de peixes. Três deles deixaram de ser emitidos em locais expostos à presença de pessoas.
A ictiologia explica que os peixes produzem grande diversidade de sons, que são fundamentais para sua comunicação e sobrevivência nos recifes, que se manifestam por meio de pulsos, às vezes únicos, às vezes repetidos e formando sequências. Alguns peixes não produzem sons.

Foto: Divulgação
Os sons emitidos pelos peixes são relacionados a comportamentos específicos e famílias de peixes. Biologicamente, são essenciais para localização de parceiros e reprodução, defesa de território contra invasores, interações em grupo, e alimentação e detecção de predadores.
A poluição sonora humana foi relacionada também à redução na complexidade acústica – índice que mede a variação de padrões sonoros dos peixes ao longo do tempo.
Os ruídos causam um fenômeno chamado “mascaramento acústico”, quando o som contínuo dos barcos esconde sinais acústicos dos peixes. Outro impacto é a supressão de comportamento, quando o ruído pode levar os peixes a reduzir ou cessar vocalizações.
Consequências
O pesquisador Túlio Freire Xavier destaca que os peixes da região são fundamentais para a saúde dos recifes de corais, contribuindo para o equilíbrio de cadeias alimentares. “Os peixes recifais desempenham papéis importantes no controle de algas, na manutenção dos corais e na produtividade desses ambientes.”
Ele ressalta que os recifes sustentam atividades importantes para a economia da região, como o turismo e a pesca artesanal. “Quando a poluição sonora interfere no comportamento desses peixes, existe o potencial de afetar, ainda que de forma indireta, os serviços ecossistêmicos que esses ambientes oferecem”, diz.
Outras regiões
O especialista da UFPE aponta que, apesar de o experimento ter sido realizado no litoral pernambucano, o impacto de sons da atividade humana na vida dos peixes não é “exclusivo desses locais”. “Sempre que houver intenso tráfego de embarcações, turismo náutico ou outras fontes de ruído subaquático que coincidam com as frequências utilizadas pelos peixes, existe potencial para impactos semelhantes”, afirma.
“A intensidade desses efeitos provavelmente varia de acordo com a quantidade de embarcações, as características do recife e as espécies presentes, mas o problema pode ocorrer em outros importantes recifes brasileiros, como Abrolhos e Fernando de Noronha”, complementa.
Limites sustentáveis
Túlio Xavier explica que ainda não existem limites universalmente aceitos para níveis seguros de ruído em ambientes recifais voltados à proteção dos peixes. “Esse é um campo que ainda precisa avançar bastante. Estudos como o nosso ajudam justamente a construir esse conhecimento”, diz.
Ele destaca que o conhecimento científico gerado é compartilhado com gestores e comunidades locais, para contribuir com políticas públicas de manejo das regiões.
O especialista em biologia marinha da UFPE sustenta que turismo e conservação não precisam ser incompatíveis, mas que o componente acústico deve passar a ser considerado no planejamento das atividades. “O ruído subaquático é uma forma de poluição que normalmente passa despercebida”, avalia.
Ele aponta que medidas “relativamente simples”, como organizar rotas de embarcações, reduzir a velocidade em áreas sensíveis e evitar concentração excessiva de atividades sobre determinados recifes, podem contribuir para diminuir esse impacto. “Proteger a paisagem sonora significa também ajudar a preservar o funcionamento ecológico desses ecossistemas e os benefícios que eles oferecem à sociedade.”




