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Colibacilose Aviária: Doença secular, mas ainda mal compreendida

O surgimento crescente de E. coli (APEC) resistentes a antibióticos desempenha um papel importante na nossa capacidade ou incapacidade de controlar a E. coli.

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Artigo escrito por Eduardo Muniz, Médico veterinário e gerente de Serviços Técnicos de Aves da Zoetis

E. coli Patogênica para as Aves (APEC): o que significa? A Escherichia coli (E. coli) é uma bactéria que tem causado mortalidade de aves e perdas econômicas em avicultura por mais de cem anos. No entanto, nem todas as E. coli são iguais. Com as atuais técnicas de caracterização molecular, agora podemos identificar as diferentes E. coli com base na sua estrutura genética e correlacioná-las com sua virulência no campo. Cepas de E. coli patogênicas para as aves são comumente chamadas de APEC (do inglês, Avian Pathogenic E. coli), e estão normalmente associadas a Colibacilose Aviária. Geralmente, considerava-se a E. coli somente um invasor secundário, mas agora cada vez mais identifica-se como capazes de causar por si mesmas a doença.

Dessa forma, em avicultura dividimos as E. coli entre as que são capazes de causar enfermidade e as que não são. Algumas E. coli causam doenças devido a capacidade de sobreviver e propagar fora do trato intestinal. Sendo a Colibacilose Aviária considerada uma doença extraintestinal, pois, embora na maioria das vezes estas E. coli patogênicas (APEC) sejam residentes do trato digestivo, elas são capazes de atingir outros sistemas e causam colibacilose de diversas formas (celulite, colisepticemia, aerossaculite, pericardite, perihepatite, sinovite e peritonite). O outro grupo de E. coli das aves são as bactérias consideradas habitantes “inofensivas” do trato intestinal, com baixo potencial de virulência. Referimo-nos a elas como E. coli fecais (AFEC).

Dentro do sistema de produção industrial de aves, as infecções por APEC estão geralmente associadas à baixa uniformidade, atraso no crescimento, alta mortalidade, contaminação nos ovos, quadros respiratórios complicados, incremento nos custo de medicação e tratamento, além de aumento nas condenações do frigorífico. Mais recentemente, têm sido incriminadas como possíveis riscos aos seres humanos quando ocorre a contaminação do produto final.

Além disso, as pesquisas têm demonstrado que a resistência às diversas drogas antibióticas tem aumentado nos isolados de campo de APEC. O surgimento crescente de E. coli (APEC) resistentes a antibi- óticos desempenha um papel importante na nossa capacidade ou incapacidade de controlar a E. coli.

Classeificação de E. Coli com base em seus marcadores de virulência

Atualmente muitas pesquisas são relacionadas com a determinação dos fatores que fazem com que algumas E. coli sejam patogênicas e outras não. Um patotipo é um grupo de microrganismos que compartilham um conjunto característico de elementos causadores de enfermidade. A dra. Lisa Nolan e outros pesquisadores da Universidade Estadual de Iowa, EUA, desenvolveram painéis utilizando técnicas de reação em cadeia da polimerase (PCR) para identificar a presença dos diferentes genes associados à patogenicidade de E. coli em isolados de campo. Um destes painéis de patogenicidade identifica a presença de nove genes de virulência, os quais têm sido encontrados em maior frequência entre as E. coli patogênicas (APEC) do que nas fecais (AFEC). Se mais de três genes de “virulência” são identificados, considera-se que o isolado é uma APEC.

A presença de certos fatores de virulência determina a capacidade de cada cepa de multiplicar-se nos intestinos ou fora do trato digestivo. Diversos pesquisadores já publicaram dados que demonstram que a presença do fator de virulência “iss” em uma E. coli é um bom indicador de seu potencial de causar enfermidade. Isso porque este gene habilita a E. coli a sobreviver no soro sanguíneo da ave, através do bloqueio do sistema complemento. Portanto o microrganismo consegue atingir outros sistemas para causar a colibacilose.

Controle da Colibacilose em aves requer nova abordagem

A estratégia de controle da colibacilose envolve o manejo dos fatores predisponentes, como a ambiência (qualidade do ar, partículas em suspensão, ventilação e nível de amônia dentro dos galpões), as doenças respiratórias e imunossupressoras (principalmente bronquite infecciosa, pneumovírus, micoplasmoses, gumboro e anemia infecciosa), bem como o uso sistemático dos antimicrobianos via água de bebida ou ração.

No entanto, cada vez mais existe um movimento no sentido de se restringir o uso de substâncias antimicrobianas em rações ou medicamentos veterinários. Um claro exemplo desta tendência é a recente proibição à fabricação e importação do antibiótico sulfato de colistina por parte do Ministério da Agricultura (Pecuária e Abastecimento) do Brasil. Esta tendência de mercado está baseada no esforço em combater a resistência bacteriana e tem gerado muita discussão no meio científico e de produção, pois existem defensores de ambos os lados. Polêmica à parte, uma coisa é certa: o produtor precisará buscar novas formas de produzir sem uma dependência extrema dos antimicrobianos. Isso envolve fortalecer o estudo e a pesquisa por novas formas de controle das doenças.

Neste aspecto, as medidas preventivas, como a vacinação em vez do tratamento, nos ajudam a controlar a colibacilose, enquanto, potencialmente diminui a pressão de seleção sobre a E. coli, evitando que se torne cada vez mais patogênica. Dessa forma, a vacinação contra E. coli é uma forma inovadora de controlar um dos mais importantes patógenos da avicultura, além de ajudar a indústria avícola a melhorar a produtividade alinhada com os requerimentos atuais de redução no uso dos antimicrobianos.

Mais informações você encontra na edição de Aves de fevereiro/março de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Avicultura

SBSA debate como transformar conhecimento técnico em resultados na avicultura

Especialistas discutem gestão, eficiência e aplicação prática durante evento em Chapecó.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A conexão entre conhecimento técnico, gestão e resultados práticos na produção avícola será discutida durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). O tema Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura será apresentado pelos especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, na quarta-feira, 08 de abril, às 16h30, durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio. Com mais de 18 anos de atuação na avicultura industrial brasileira, construiu sua trajetória profissional em empresas como BRF e Seara Alimentos, onde atuou como extensionista, supervisor, especialista agropecuário e gerente agropecuário.

Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Ao longo de sua carreira, prestou consultoria técnica a mais de 30 plantas industriais, desenvolvendo atividades relacionadas à gestão agropecuária, ambiência, manejo de frangos de corte, elaboração de padrões técnicos, condução de testes zootécnicos e formação de equipes técnicas em extensão rural. Atualmente é empreendedor e sócio-proprietário da Granjas Pampeano, no Rio Grande do Sul, onde atua no desenvolvimento de projetos avícolas voltados à eficiência produtiva, sustentabilidade e excelência operacional.

Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atua há 22 anos no setor agroindustrial, com experiência nas áreas de extensão rural, gestão e performance agroindustrial na produção de frangos, suínos, perus, postura comercial, matrizes e avós.

Atualmente dedica-se ao aperfeiçoamento dos sistemas de produção, com foco no desenvolvimento das pessoas que atuam na cadeia produtiva, buscando alavancar ganhos em eficiência, produtividade, qualidade, bem-estar animal, competitividade e sustentabilidade agropecuária, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais do agronegócio.

A palestra abordará os desafios de transformar informações técnicas e orientações produtivas em resultados concretos no campo, considerando fatores como gestão de equipes, eficiência operacional, aplicação de tecnologias e aprimoramento contínuo dos sistemas de produção. O tema destaca a importância de alinhar conhecimento científico, experiência prática e capacitação de profissionais para garantir competitividade e sustentabilidade na avicultura moderna.

João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio

De acordo com a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o Simpósio busca promover discussões que conectem ciência e prática. “O SBSA tem como proposta reunir especialistas que compartilhem experiências aplicáveis à realidade da produção. Discutir como transformar conhecimento em resultados é fundamental para fortalecer a cadeia produtiva e apoiar profissionais que atuam diretamente no campo”, destaca.

A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o bloco Conexões que Sustentam o Futuro foi estruturado para ampliar a visão estratégica do setor. “A produção avícola evolui rapidamente e exige cada vez mais integração entre conhecimento técnico, gestão e desenvolvimento de pessoas. Trazer especialistas com experiência prática na indústria contribui para que os participantes compreendam como aplicar as orientações técnicas de forma eficiente e sustentável”, afirma.

O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.

Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.

Programação geral

26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura  

17ª Brasil Sul Poultry Fair

Dia 07/04 – Terça-feira

13h30 – Abertura da Programação

13h40 – Painel Gestão de Pessoas

Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.

Palestrantes:

Delair Bolis

Joanita Maestri Karoleski

Vilto Meurer

Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda

15h40 – Intervalo

16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.

Palestrante: Arene Trevisan

(15 minutos de debate)

17h- Solenidade de Abertura Oficial

17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026

Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC

19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair

Dia 08/04 – Quarta-feira

Bloco Abatedouro

8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.

Palestrante: Darwen de Araujo Rosa

(15 minutos de debate)

9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.

Palestrante: Dianna V. Bourassa

(15 minutos de debate)

10h – Intervalo

Bloco Nutrição

10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.

Palestrante: Wilmer Pacheco

(15 minutos de debate)

11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.

Palestrantes: Roselina Angel

(15 minutos de debate)

12h30 – Intervalo almoço

Eventos Paralelos

Painel Manejo

14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno

Palestrantes:

Lucas Schneider

Rodrigo Tedesco Guimarães

16h – Intervalo

Bloco Conexões que Sustentam o Futuro

  16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.

Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo

(15 minutos de debate)

17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?

Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme

(15 minutos de debate)

18h30 – Eventos Paralelos

19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair

Dia 09/04 – Quinta-feira

Bloco Sanidade

8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias

Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande

(15 minutos de debate)

9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.

Palestrante: Dr. Ricardo Rauber

(15 minutos de debate)

10h – Intervalo

10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.

Palestrante: Gonzalo Tomás

(15 minutos de debate)

11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.

Palestrante: Taís Barnasque

(15 minutos de debate)

Sorteios de brindes.

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Avicultura

Frango cai 5,2% em março e atinge menor preço desde julho de 2023

Cotação média de R$ 6,73/kg no atacado paulista reflete demanda interna fraca e incertezas no mercado externo. Recuo amplia vantagem frente às carnes suína e bovina.

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Foto: Shutterstock

Os preços da carne de frango seguem em queda nas principais praças acompanhadas pelo Cepea, pressionados pela demanda doméstica enfraquecida e por incertezas no mercado externo. O cenário internacional, marcado por tensões no Oriente Médio, importante destino das exportações brasileiras, tem gerado cautela entre agentes do setor e influenciado as negociações.

Foto: Shutterstock

No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado é negociado à média de R$ 6,73 por quilo na parcial de março, até o dia 18, recuo de 5,2% em relação a fevereiro. Em termos reais, considerando deflação pelo IPCA de fevereiro de 2026, trata-se do menor patamar desde julho de 2023.

Com a queda mais acentuada nos preços, a carne de frango amplia sua competitividade frente às demais proteínas. No caso da suína, embora também haja desvalorização, o ritmo de recuo do frango é mais intenso. Já em relação à carne bovina, o diferencial é ainda maior, uma vez que os preços da carcaça casada seguem em alta, ampliando a atratividade do frango para o consumidor.

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Diferença de preço entre ovos brancos e vermelhos supera 40% em março

Menor oferta de ovos vermelhos e demanda da Quaresma ampliam descolamento de preços. Granjas operam com produção ajustada.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A diferença entre os preços dos ovos brancos e vermelhos se ampliou ao longo de março nas principais regiões produtoras acompanhadas pelo Cepea. Em Santa Maria de Jetibá (ES), maior polo de produção do país, o diferencial já supera 40% na parcial até o dia 18, acima do observado em fevereiro.

Foto: Divulgação/Asgav

De acordo com o Cepea, o movimento é puxado principalmente pela menor disponibilidade de ovos vermelhos no mercado interno. A oferta mais restrita dessa categoria tem sustentado reajustes mais intensos em comparação aos ovos brancos, ampliando o descolamento entre os preços.

A demanda sazonal também contribui para esse cenário. Durante a Quaresma, há aumento no consumo de ovos, o que pressiona ainda mais as cotações, especialmente dos vermelhos, tradicionalmente mais valorizados em períodos de maior procura.

Com a produção mais enxuta, agentes do setor relatam que parte das

Foto: Divulgação

granjas tem operado com entregas previamente programadas, limitando negociações no mercado spot. Esse ajuste entre oferta e demanda resultou em elevação dos preços médios dos ovos nos últimos dias, com maior intensidade para a variedade vermelha.

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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