Bovinos / Grãos / Máquinas
Colheita do milho inicia no Rio Grande do Sul
Estimativas iniciais divulgadas pela Emater/RS apontavam uma produção de 5,3 milhões de toneladas, o que corresponde a 18,3% a mais quando comparado à safra passada, considerando condições normais de clima

Às margens de um mar dourado que se perde na vastidão, encontrando o azul límpido do horizonte, a máquina arranca da terra as plantas carregadas de espigas com o cereal que sustenta a base da alimentação humana e animal. A cena, que mais parece uma obra de arte, marca a abertura oficial da colheita do milho no Rio Grande do Sul.
A celebração do período da safra da cultura do milho, presente em 487 dos 497 municípios gaúchos, foi realizada na última quinta-feira (23), no município de Paulo Bento, na Região Norte do Estado, na Granja Busnello. O evento contou com a presença do governador Eduardo Leite e do titular da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Clair Kuhn.
Estimativas iniciais divulgadas pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS) apontavam uma produção de 5,3 milhões de toneladas, o que corresponde a 18,3% a mais quando comparado à safra passada, considerando condições normais de clima. Os resultados podem ser alterados até o final da safra, devido à estiagem registrada em alguns municípios gaúchos neste momento. A área plantada nesta safra é de 748.511 hectares (redução de 7,5%). “Mais do que buscar conexão com o agro, nosso governo age na prática para auxiliar os homens e mulheres do campo, a quem devemos toda nossa gratidão por suas persistência e resistência em produzir e impulsionar o desenvolvimento do Estado. Esta colheita é mais um emocionante exemplo da força que vem do campo”, afirmou Leite.
“Criamos um inédito programa para incentivar a irrigação, modernizamos a legislação para ampliar a reservação de água e garantimos a segurança no campo. Vamos continuar trabalhando juntos para criar, também a partir da cultura do milho, toda a sustentação para a cadeia da proteína animal, geração de riqueza e autossuficiência que nossos produtores e todos os gaúchos almejam e merecem”, acrescentou o governador.
O consumo de milho no Estado é da ordem de 6,6 milhões de toneladas, apresentando um déficit médio de 1,5 milhão de toneladas por ano, em anos normais sem estiagem. Com as recorrentes estiagens dos últimos quatro anos, este déficit saltou para 3 a 4 milhões de toneladas.
O titular da Seapi ressaltou o Programa de Irrigação do Estado, que está com o edital aberto para receber projetos de irrigação. A iniciativa destina, diretamente ao produtor rural, 20% do valor do projeto, limitado a R$ 100 mil, para a instalação ou ampliação de sistemas. “O milho é uma das culturas que melhor responde ao uso da irrigação, com possibilidade dos rendimentos serem 60% a 80% maiores quando comparado a lavouras sem utilização de irrigação. O Programa de Irrigação está aberto e o governo tem incentivado financeiramente o produtor rural para que ele faça projetos em sua propriedade e tenha a garantia de produtividade, principalmente em períodos de estiagens”, garantiu o secretário.

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Congresso Mundial Brangus reúne 13 países e destaca crescimento da raça no Brasil
Evento em Londrina (PR) integra genética, mercado e visitas técnicas em diferentes sistemas de produção.

A abertura do Congresso Mundial Brangus foi realizada na quarta-feira (18), no Parque de Exposições Governador Ney Braga, em Londrina, reunindo delegações de 13 países, criadores e técnicos de diversas regiões do país. O encontro é organizado pela Associação Brasileira de Brangus e marca uma das maiores edições do evento.
Segundo o presidente da entidade, João Paulo Schneider da Silva, sediar o congresso representa um marco para a raça no país. Ele destacou a responsabilidade de receber delegações internacionais e a consolidação do Brangus no cenário pecuário brasileiro.
O presidente do congresso, Ladislau Lancsarics, afirmou que a edição atual se diferencia pelo volume de participantes estrangeiros e pela qualidade dos animais apresentados. A programação inclui visitas técnicas em propriedades distribuídas por diferentes biomas, com foco na adaptação da raça a distintos sistemas produtivos.
Expansão da raça
O diretor Sebastião Garcia Neto destacou que o evento foi estruturado para integrar conteúdo técnico e oportunidades comerciais, com julgamentos, fóruns e leilões ao longo da programação.
A associação registra atualmente 357 sócios, com crescimento de 43% no último ano. A raça está presente em 18 estados brasileiros e soma cerca de 580 mil registros. No mercado de genética, o Brangus ocupa a terceira posição em venda de sêmen no país, com mais de 870 mil doses comercializadas em 2024.
A abertura contou ainda com a participação de autoridades locais e estaduais. O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Marcelo Janene El-Kadre, destacou a articulação entre entidades do setor para viabilizar o evento. O prefeito Thiago Amaral ressaltou a ligação histórica do município com a produção agropecuária.
Representando o governo estadual, o secretário da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Marcio Nunes, afirmou que a raça tem ganhado espaço pela precocidade, adaptação e desempenho produtivo.
Programação inclui visitas técnicas em três estados
Antes da abertura oficial, o congresso promoveu seis giras técnicas desde 12 de março, com visitas a propriedades no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. As atividades reuniram mais de 1,6 mil participantes, que acompanharam diferentes modelos de produção com a raça.
Após a etapa em Londrina, a programação segue com visitas a fazendas nos dias 22, 24 e 25 de março, além de julgamentos de animais e leilões, consolidando o evento como vitrine da genética Brangus no país.
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ABCZ tem contas de 2025 reprovadas por associados em AGO
Votação ocorreu em Uberaba (MG) e seguiu normas estatutárias, sem imputação direta de responsabilidade.

Os associados da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) reprovaram as contas da entidade referente ao ano de 2025, período liderado pelo ex-presidente Gabriel Garcia Cid (gestão 2023-2025). A votação ocorreu na quarta-feira (18), durante Assembleia Geral Ordinária, em Uberaba (MG).
Com a presença de associados, conselheiros e diretores, o ex-presidente prestou conta de sua gestão e, em seguida, o Conselho Fiscal apresentou o seu Parecer exarado após exame do balanço e demonstrações financeiras do exercício anterior, no qual recomendava a aprovação com ressalvas das contas de 2025.
Após as manifestações dos presentes, a Assembleia deliberou, por maioria, pela reprovação das contas de 2025, nos termos das normas estatutárias da entidade.
A ABCZ ressalta que a reprovação das contas não representa, por si só, imputação de responsabilidade ou acusação a quaisquer pessoas, tratando-se de deliberação de natureza técnica e institucional, pautada no cumprimento das normas contábeis e estatutárias aplicáveis. A medida reflete o compromisso dos associados com a transparência, a governança e a adequada gestão do patrimônio da entidade.
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Nova regra europeia eleva exigências para exportação de carne bovina da Amazônia Legal
Estudo analisou 15 plantas frigoríficas em Mato Grosso e indica desafios no monitoramento de fornecedores indiretos.

Um levantamento do Radar Verde indica que as novas exigências da União Europeia devem ampliar a necessidade de rastreabilidade nas cadeias de fornecimento de carne bovina exportadas pelo Brasil. A análise, que avaliou plantas frigoríficas da Amazônia Legal habilitadas a exportar para esse mercado, aponta limitações na capacidade de demonstrar, com evidências públicas, o controle socioambiental ao longo da cadeia, especialmente no que se refere aos fornecedores indiretos.
O estudo avaliou 15 plantas frigoríficas pertencentes a oito empresas, todas localizadas em Mato Grosso e habilitadas a exportar para o mercado europeu em 2025. Juntas, essas unidades possuem capacidade de abate de 11.250 animais por dia. Segundo a análise, 13 unidades apresentam baixo nível de controle e duas apresentam controle muito baixo da cadeia, de acordo com os critérios do Radar Verde.

O estudo aponta que, dentro das zonas potenciais de compra de gado dessas plantas, a exposição a áreas com risco de novo desmatamento varia de 31 mil a 2,8 milhões de hectares. A pesquisa identificou, ainda, que 12 plantas frigoríficas demonstram alto nível de controle sobre fornecedores diretos, que são as fazendas que vendem animais diretamente às indústrias.
No entanto, nenhuma empresa apresentou evidências robustas, como auditorias independentes, de monitoramento de fornecedores indiretos, que são as fazendas onde o gado nasce ou é criado antes da fase final de engorda.
De acordo com a análise, essa lacuna pode permitir a circulação de animais por propriedades intermediárias antes da venda às plantas frigoríficas, o que dificulta a rastreabilidade completa da origem da produção.
O relatório também analisa iniciativas brasileiras voltadas à rastreabilidade da cadeia da carne, incluindo plataformas públicas e programas nacionais de identificação animal. Segundo o estudo, embora existam avanços institucionais, nenhuma dessas iniciativas oferece atualmente uma solução completa e imediata para atender às exigências da regulamentação europeia, especialmente no monitoramento de fornecedores indiretos.
Regulamentação europeia exigirá rastreabilidade completa
A União Europeia está adotando novas regras para impedir a entrada de produtos associados ao desmatamento em seu mercado. A chamada Regulamentação Europeia contra o Desmatamento (EUDR) exigirá que empresas comprovem, com dados e geolocalização, que commodities como carne bovina não foram produzidas em áreas desmatadas.

A norma deverá entrar em vigor a partir de 30 de dezembro de 2026 para grandes empresas e de 30 de junho de 2027 para pequenas e microempresas, exigindo sistemas de rastreabilidade capazes de identificar todas as propriedades por onde o gado passou ao longo da cadeia produtiva.
Embora represente uma parcela menor das exportações brasileiras de carne bovina, a União Europeia vem ganhando importância como destino comercial. Em 2025, o bloco importou 128,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, movimentando cerca de US$ 1,06 bilhão e registrando crescimento de 132,8% em relação a 2024.
Nesse contexto, o relatório destaca que o acesso ao mercado europeu tende a depender cada vez mais da capacidade das empresas de demonstrar, com evidências verificáveis, cadeias de fornecimento livres de desmatamento.
Recomendações da análise
O estudo aponta caminhos para avançar na rastreabilidade da cadeia da carne bovina, com foco na integração de bases de dados já existentes, como os registros de movimentação de gado (GTA), os cadastros de propriedades rurais (CAR) e informações sobre desmatamento e áreas embargadas.
Segundo a análise, essa integração pode ampliar a visibilidade sobre a movimentação de gado ao longo da cadeia e contribuir para atender às exigências do mercado internacional.
A análise completa está disponível no site do Radar Verde, em Radar Verde – Análise de exportações de carne bovina para a União Europeia.



