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Notícias Safra 20/21

Colheita da soja atinge 80% da área no Rio Grande do Sul

Produtor está satisfeito com a produtividade e com os preços praticados, que continuam em alta

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Divulgação/AENPr

A colheita de soja avançou de forma significativa, beneficiada pelo clima seco, e atinge 80% da área cultivada no Rio Grande do Sul. O produtor está satisfeito com a produtividade e com os preços praticados, que continuam em alta. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado na quinta-feira (29) pela Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), 18% das áreas de soja estão em maturação e 2% das lavouras, em enchimento de grãos.

Na regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, a colheita da soja chega a 95%. O produto colhido apresenta baixa umidade e alta incidência de grãos quebrados e verdes, devido à maturação desuniforme. Com a retirada da cultura, os produtores intensificam a coleta de amostras de solo e realizam a distribuição de calcário nas áreas onde o laudo de análise recomenda correção da acidez do solo ou para elevar a saturação de bases da solução do solo.

No milho grão, a colheita avançou pouco na semana, pois muitos produtores ainda priorizam a colheita de soja e arroz, e chega a 82% da área no Estado. O produto segue com boa cotação, o que favorece produtores que tiveram considerável redução de produtividade em suas lavouras, causada pela estiagem da primavera e agora por novo estresse hídrico.

Na regional administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, com 85% da área de milho colhida, a produtividade média das lavouras está em 3.114 quilos por hectare. Aumentaram os relatos sobre lavouras com problemas de enfezamento, em consequência do ataque de cigarrinhas, sendo observada entre as variedades grande diferença de comportamento em relação à doença. Na de Passo Fundo, a colheita chegou a 99% das áreas; de maneira geral, a produtividade final tende a ser bem maior do que a esperada inicialmente, quando a baixa precipitação indicava restrição ao potencial produtivo.

No arroz, a safra está praticamente finalizada, com 95% das áreas colhidas, e apresenta ótimos resultados. Na regional da Emater/RS-Ascar de Bagé, as produtividades obtidas são consideradas muito boas, com lavouras superando 9 mil quilos por hectare em Alegrete. O rendimento de grãos inteiros é bom, havendo variação conforme a época de plantio, cultivar utilizada e o nível de investimento adotado, especialmente a quantidade de fertilizantes. A maior parte das lavouras colhidas é utilizada em sistema de integração para engorda de bovinos.

Culturas de inverno

Trigo

Cultura em entressafra. Em várias regiões, a perspectiva é de aumento da área cultivada e também de melhoria no nível tecnológico. Na regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, seguem os preparativos para a implantação da nova safra de trigo. Produtores dão prioridade à escolha e aquisição de insumos. Embora estejam com preços elevados, o custo total da produção da cultura para esta safra é inferior ao apurado na safra 2020, devido à valorização do produto no preço pago aos produtores.

Canola

Na regional de Santa Rosa, produtores planejam a safra; a semeadura deverá ser iniciada em maio, mesmo diante das perdas ocorridas no último ano devido à forte formação de geada no final de agosto. O preço médio pago ao produtor é de R$ 166,80/sc. de 60 quilos.

Pastagens e criações

A escassez de chuvas, associada à queda das temperaturas e ao encurtamento dos dias, tem comprometido o crescimento e o rebrote das pastagens; por consequência, há diminuição na oferta de alimentos, além de o déficit hídrico atrasar a implantação das pastagens anuais de inverno. As chuvas que ocorrem na fronteira Sul e na região Central permitiram a adubação nitrogenada das pastagens já implantadas. O campo nativo ainda está com oferta de pasto em áreas mais úmidas situadas nas baixadas, ao contrário do restante das áreas, onde as pastagens nativas já se encontram em final de ciclo e sem valor nutricional.

Bovinocultura de corte

Apesar de o cenário de vazio forrageiro resultar na diminuição da oferta de alimentos, não é considerada grande a perda de peso dos animais. Os produtores rurais estão manejando os rebanhos nos potreiros com melhor disponibilidade de pastagens, ou realizam a venda de animais para ajustar a lotação e evitar uma maior perda do estado corporal. A fase predominante do rebanho bovino é de gestação das matrizes e de cria e recria dos terneiros do ano anterior. Com temperaturas mais frias, o clima tem sido excelente para a gestão das matrizes, pois não ocorreram situações de estresse térmico.

Em relação ao aspecto sanitário, seguem sendo aplicados os protocolos de manejo para controle dos carrapatos, com uso mais intenso de carrapaticidas devido ao aumento expressivo de parasitismo, o que é esperado para a época. Além disso, os extensionistas rurais da Emater/RS-Ascar seguem orientando os produtores em relação às obrigações sanitárias, como a vacinação da brucelose e a declaração do rebanho nas Inspetorias de Defesa Agropecuária da Seapdr.

Bovinocultura de leite 

Em decorrência da desaceleração do crescimento da forragem, é necessário suplementar a dieta dos rebanhos leiteiros com silagem de milho e concentrado proteico, para não haver queda de produtividade. Como consequência, temos a elevação dos custos de produção e uma redução nas margens de lucro do leite. Mesmo com a diminuição da oferta de forragens, os rebanhos mantêm condição corporal favorável e a predominância de dias com temperaturas mais amenas favorece o conforto térmico dos animais, que permaneceram pastejando por mais tempo, obtendo assim um melhor aproveitamento das pastagens de maneira geral.

Fonte: Emater/RS-Ascar

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Produção, consumo e exportações de frango, suínos e ovos mantêm trajetória de crescimento em 2026, aponta ABPA

As projeções indicam recordes em praticamente todos os indicadores, consolidando o ano como um marco para o setor e estabelecendo bases de crescimento para 2026.

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Foto: Shutterstock

As cadeias brasileiras de carne de frango, carne suína e ovos encerraram 2025 com desempenho histórico em produção, consumo interno e exportações. As projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam recordes em praticamente todos os indicadores, consolidando o ano como um marco para o setor e estabelecendo bases de crescimento para 2026. Mesmo diante de desafios logísticos pontuais ao longo do ano passado, o presidente da entidade, Ricardo Santin, avaliou que a resiliência produtiva e a competitividade internacional sustentaram os resultados.

A produção brasileira de carne de frango em 2025 deve totalizar 15,320 milhões de toneladas, crescimento de 2,2% em relação a 2024, quando foram produzidas 14,972 milhões de toneladas. Para 2026, a ABPA projeta nova expansão, com volume podendo alcançar até 15,600 milhões de toneladas, alta de 2%.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “Nossa expectativa é de manutenção do desempenho positivo alcançado no ano passado ao longo de 2026, sustentado por um ambiente de custos adequados e por uma demanda firme por proteínas animais, tanto no mercado doméstico quanto no comércio internacional” – Foto: Divulgação/Arquivo OPR

No comércio exterior, após embarcar 5,295 milhões de toneladas em 2024, o setor caminhou para exportar até 5,32 milhões de toneladas em 2025, com estimativas de ampliar para 5,5 milhões de toneladas neste ano. “O crescimento previsto é de 0,5%, acelerando para 3,4% em 2026, reflexo da demanda internacional aquecida e da competitividade brasileira”, ressaltou Santin.

Apesar da projeção positiva, os dados acumulados entre janeiro e novembro de 2025 mostraram leve retração nos embarques, que somaram 4,813 milhões de toneladas, 0,7% abaixo do registrado no mesmo período de 2024. A receita acumulada até novembro atingiu US$ 8,842 bilhões, recuo de 2,5% frente aos US$ 9,071 bilhões do ano anterior. “Parte da oscilação observada no fim do ano esteve relacionada a entraves operacionais em determinados portos brasileiros”, justificou.

Entre os destinos, os Emirados Árabes Unidos lideraram as compras em 2025, com 433,8 mil toneladas embarcadas até novembro, crescimento de 2,1%. Na sequência apareceram Japão, com 367,4 mil toneladas, Arábia Saudita, com 362,6 mil toneladas, África do Sul, com 288,6 mil toneladas, e México, com 238,2 mil toneladas. No recorte por estados, o Paraná manteve a liderança como principal exportador, com 1,915 milhão de toneladas, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás.

Mercado interno aquecido

A disponibilidade interna de carne de frango avançou em 2025, passando de 9,678 milhões de toneladas para até 9,98 milhões de toneladas, variação de 3,1%. Para 2026, a projeção aponta para um aumento de 1,2%, podendo chegar a 10,1 milhões de toneladas. “Esse crescimento deve refletir diretamente no aumento do consumo nacional”, frisou Santin.

O consumo per capita acompanhou essa trajetória, subindo de 45,5 quilos por habitante em 2024 para 46,8 quilos em 2025, com expectativa de atingir aproximadamente 47,3 quilos em 2026. “O crescimento do consumo interno reforça a importância da carne de frango como proteína acessível para o consumidor brasileiro, especialmente em cenários econômicos desafiadores”, enfatizou o presidente da ABPA.

Santin ainda destaca que os números refletem a resiliência da cadeia produtiva, que vem investindo em eficiência, tecnologia e bem-estar animal para atender tanto ao mercado interno quanto às exigências internacionais. “O frango continuará sendo protagonista na mesa dos brasileiros e peça estratégica das exportações agropecuárias nos próximos anos”, evidenciou.

Avicultura de postura

A produção brasileira de ovos deve atingir até 62,250 bilhões de unidades em 2025, alta de 7,9% em relação às 57,683 bilhões de unidades produzidas em 2024. Para 2026, a expectativa é de nova expansão, com produção podendo alcançar até 66,5 bilhões de unidades, aumento de 6,8% sobre o ano anterior. “Estamos vendo um setor que cresce sobre bases sólidas. A modernização das granjas, o avanço tecnológico e a profissionalização do manejo estão impulsionando sua expansão sustentável”, afirmou Santin.

As exportações do setor devem alcançar até 40 mil toneladas em 2025, o que representa um crescimento de 116,6% em relação às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, a expectativa é de novos avanços, com até 45 mil toneladas exportadas, 12,5% a mais que o volume previsto para o ano passado. No acumulado de janeiro a novembro de 2025, os embarques já somavam 38.637 toneladas, alta de 135,4% frente ao mesmo período do ano anterior, com receita de US$ 92,130 milhões, saldo 163,5% maior em relação aos onze primeiros meses de 2024, com US$ 34,965 milhões. “O mundo está descobrindo o ovo brasileiro. Temos escala, qualidade sanitária e competitividade. É um mercado que tende a crescer e no qual o Brasil tem vantagem”, enfatizou.

Entre os principais destinos estiveram Estados Unidos, Japão, Chile, México, Angola, Emirados Árabes Unidos, Uruguai, Serra Leoa, Equador e União Europeia. “Volumes exportados de ovos seguem em ritmo elevado frente ao praticado nos anos anteriores, agora, com novos destinos de alto valor agregado, o que vem favorecendo a rentabilidade dos embarques”, avalia o presidente da ABPA.

Entre os 10 maiores consumidores per capita de ovos

Foto: Giovanna Curado

Já o consumo per capita deve passar de 269 unidades por habitante alcançados em 2024 para 287 unidades em 2025, alta de 6,7%. Para este ano, a projeção aponta para 307 unidades por habitante, número 7% superior ao registrado no ano passado. “O ovo se consolidou como uma proteína nutritiva, acessível e presente no prato das famílias brasileiras. Esse reconhecimento se reflete no aumento do consumo ano após ano. Caso as projeções se confirmem, o Brasil deverá encerrar 2025, pela primeira vez, entre os dez maiores consumidores per capita de ovos do mundo”, salientou Santin.

Com produção ampliada, exportações mais que dobradas e forte avanço no consumo interno, 2025 se desenha como um ano-chave para a consolidação do setor no Brasil. E, diferentemente de outras cadeias que enfrentam oscilações cíclicas, o segmento de ovos deve manter o ritmo também em 2026. “O setor está preparado para um ciclo prolongado de expansão. Estamos entregando mais, exportando mais e abastecendo melhor o país. A tendência é que 2026 reafirme essa curva de crescimento”, reforçou o presidente da ABPA.

Carne suína entra em novo ciclo de expansão

A cadeia de carne suína também apresentou resultados expressivos em 2025, iniciando um novo ciclo de expansão que deve se estender para 2026. A ABPA aponta para um aumento contínuo da relevância do país no mercado global e para a consolidação da proteína como componente estratégico da indústria de alimentos no Brasil.

A produção nacional deve alcançar até 5,55 milhões de toneladas, alta de 4,6% sobre 2024. Para este ano, a ABPA estima um crescimento de 2,7%, podendo chegar a 5,7 milhões de toneladas. E a expansão do setor também tem forte impulso das vendas internacionais. A ABPA estima encerrar 2025 com 1,49 milhão de toneladas e projeta novo avanço para até 1,55 milhão de toneladas em 2026. “Se a projeção para 2025 se confirmar, o Brasil poderá assumir o 3º lugar entre os países maiores exportadores de carne suína no mundo”, adiantou Santin.

Entre os principais destinos da carne suína brasileira no ano passado estiveram Filipinas, China, Chile, Japão, Hong Kong, Singapura, México, Vietnã, Uruguai e Argentina. A ABPA indica que a demanda internacional deve seguir aquecida, mantendo o Brasil entre os principais fornecedores globais de carne suína, especialmente para mercados asiáticos e latino-americanos. “A combinação de competitividade da cadeia, custos cada vez mais estáveis e abertura de mercados vem fortalecendo o Brasil como um dos principais players globais da proteína suína”, mencionou Santin.

Já entre os principais estados exportadores, Santa Catarina mantém a liderança, seguido por Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso.

Disponibilidade interna

Mesmo com o forte apetite do mercado externo, a disponibilidade de carne suína no mercado doméstico também deve crescer. O volume disponível ao consumidor brasileiro deve fechar o ano com alta de 2,7%, o que representa 4,06 milhões de toneladas em 2025. Para este ano, a ABPA estima crescimento de 2,2%, podendo chegar a 4,15 milhões de toneladas. “Estas projeções reforçam que a oferta interna continuará ampliada sem comprometer o equilíbrio com as exportações”, salientou Santin.

Consumo chega a 19 kg/habitante/ano

O consumo per capita também segue essa tendência de crescimento, chegando a 19 quilos em 2025, alta de 2,3% sobre o ano anterior. E para 2026, as projeções indicam que o consumo deve alcançar até 19,5 quilos, crescimento de 2,5%, reflexo de preços mais competitivos, maior variedade de cortes e do avanço da carne suína em canais de varejo e food service.

Cenário positivo

O presidente da ABPA avalia que o desafio para o país será manter produtividade, sanidade e eficiência logística para acompanhar o ritmo de expansão previsto e sustentar a capacidade de abastecer simultaneamente o mercado interno e externo. “Após um período marcado por fortes turbulências, a cadeia brasileira de proteínas animais demonstrou capacidade de adaptação e encerrou 2025 com avanço consistente nos indicadores de produção, exportações e consumo per capita de carne de frango, carne suína e ovos. A expectativa é de manutenção desse desempenho positivo ao longo de 2026, sustentado por um ambiente de custos adequados e por uma demanda firme por proteínas animais, tanto no mercado doméstico quanto no comércio internacional”, avaliou o presidente da ABPA.

Fonte: O Presente Rural
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Acordo Mercosul–União Europeia amplia oportunidades para o agro do Paraná

Levantamento do Sistema Faep aponta potencial de crescimento das exportações paranaenses, com isenção de tarifas, maior competitividade internacional e desafios ligados às exigências ambientais e sanitárias.

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Foto: Divulgação/Sistema Faep

Por conta da sua base produtiva diversificada e competitiva, a agropecuária do Paraná tem potencial para ampliar o acesso a mercados internacionais com a assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. De acordo com levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, os produtos paranaenses, por conta da isenção de tarifas e cotas preferenciais, devem fortalecer a presença internacional.

Confira a Nota Técnica sobre o acordo Mercosul–União Europeia para o agro paranaense

Em 2025, somente em produtos agropecuários, o Paraná exportou 4,2 milhões de toneladas para a União Europeia, o que rendeu mais de US$ 2 bilhões, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Entre os principais produtos da relação comercial do Paraná com a União Europeia estão o complexo soja, milho e derivados; carnes (aves, suínos e bovinos); café (em grãos e solúvel); frutas, hortaliças, produtos agroindustriais, além de itens de maior valor agregado, como sucos, processados e alimentos industrializados. A expectativa é ampliar essa quantidade nos próximos anos.

Fotos: Claudio Neves/Portos do Paraná

“Esse acordo vai permitir a continuidade do crescimento do agro do Paraná, impulsionando ainda mais o desenvolvimento do setor nos próximos anos. Isso deve resultar em aumento das exportações e, consequentemente, mais recursos circulando na economia estadual, com geração de renda, empregos e investimentos nas cadeias produtivas paranaenses”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “O Paraná está em posição estratégica para aproveitar oportunidades no mercado europeu, principalmente em função da capacidade e da qualidade dos nossos produtores rurais”, complementa.

Entre os principais impactos para o setor agropecuário paranaense está a ampliação do acesso ao mercado europeu, especialmente com a redução dos custos de exportação de produtos do complexo soja (grãos e farelo), produtos florestais, carnes, café, açúcar e etanol.

Outro efeito envolve o ganho de competitividade no longo prazo. Com tarifas reduzidas, os produtos tendem a ampliar a participação no mercado europeu, concorrendo em melhores condições com outros grandes exportadores, como os Estados Unidos. De forma progressiva, o bloco europeu deve retirar as taxas sobre 92% das exportações do Mercosul.

Foto: Rodrigo Felix Leal/SEIL

Por outro lado, o acordo impõe desafios, segundo o Sistema Faep. A necessidade de conformidade com regras fitossanitárias e ambientais europeias exige o fortalecimento de práticas de rastreabilidade, certificação e sustentabilidade.

Embora essas exigências possam elevar os custos de produção, a adequação tende a agregar valor às exportações brasileiras. “A nossa agropecuária já apresenta ganhos de escala, eficiência produtiva e elevados padrões sanitários. Ou seja, esse perfil coloca o Paraná em posição estratégica para aproveitar as novas oportunidades decorrentes do acordo comercial, que amplia o acesso a mercados de maior renda”, afirma Meneguette.

Em um cenário de concentração das exportações paranaenses para a Ásia, especialmente a China, o acesso ampliado ao mercado europeu representa uma oportunidade estratégica para diversificar mercados, principalmente com alto poder de compra, e reduzir futuros riscos comerciais.

Exigências impõem cautela

Apesar das oportunidades, o Sistema Faep alerta que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia exige cautela. A ampliação do acesso ao mercado europeu depende do cumprimento de normas fitossanitárias e ambientais, especialmente no que se refere à rastreabilidade e comprovação de não associação ao desmatamento. “O produtor rural vai precisar de políticas públicas que ajudem a diluir os custos futuros para adequação. Vamos trabalhar junto aos governos estadual e federal para desenvolver mecanismos que auxiliem os nossos produtores rurais”, destaca Meneguette.

Ainda, o Sistema Faep ressalta que os benefícios não serão automáticos. A concretização dos ganhos dependerá da capacidade de produtores e agroindústrias atenderem às exigências previstas no acordo. Paralelamente, o Paraná e o Brasil vão precisar investir em instrumentos adequados de crédito rural, seguro rural e infraestrutura logística.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Clima favorece soja no Paraguai e produção pode superar 11 milhões de toneladas em 2026

De acordo com a StoneX, chuvas bem distribuídas em dezembro e alongamento do ciclo melhoram as perspectivas da oleaginosa.

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Foto: Jaelson Lucas/AEN

As chuvas registradas ao longo de dezembro mudaram de forma significativa o cenário da safra de soja no Paraguai e reacenderam a expectativa de uma campanha bastante positiva em 2026, segundo análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros.

A estimativa da safra principal foi revisada de 9,29 milhões para 9,64 milhões de toneladas e, caso a safrinha alcance cerca de 1,39 milhão de toneladas, a produção total pode superar 11 milhões de toneladas no próximo ano.

Após um início marcado por boas perspectivas e uma forte preocupação com a seca no fim de novembro, a regularização das precipitações trouxe um novo fôlego às lavouras em praticamente todo o país. “Em dezembro, as chuvas se distribuíram de maneira bastante favorável em grande parte das regiões produtoras, o que foi decisivo para a recuperação do potencial produtivo da soja”, realça a analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Larissa Barboza Alvarez.

Além do retorno das chuvas, o verão mais ameno tem provocado um alongamento do ciclo da oleaginosa — um fator pouco comum no Paraguai. “As temperaturas mais baixas estenderam o desenvolvimento da cultura e fizeram com que as precipitações coincidissem exatamente com a fase mais crítica, o enchimento de grãos, o que melhorou de forma generalizada as expectativas de produtividade”, explica Larissa.

De acordo com a analista, os resultados esperados são positivos em todas as regiões produtoras. “Inclusive em San Pedro, que vinha sendo fortemente afetada nos últimos anos, a expectativa agora é de uma safra considerada normal pela primeira vez em quatro anos”, destaca. No entanto, completa, não se trata de uma “supersafra” excepcional, mas de uma campanha claramente melhor do que a prevista inicialmente.

Larissa Barboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado: “Em condições normais, a colheita da soja já estaria em andamento, mas o atraso fará com que o processo ocorra mais tarde, o que pode impactar diretamente a safrinha”

Nas principais áreas produtoras, de Katueté a Ciudad del Este, os rendimentos projetados superam os do ciclo anterior, que já havia sido considerado bom. A mesma tendência também é observada no sul do país.

O alongamento do ciclo, porém, traz reflexos para o calendário agrícola. “Em condições normais, a colheita da soja já estaria em andamento, mas o atraso fará com que o processo ocorra mais tarde, o que pode impactar diretamente a safrinha”, alerta Larissa. O clima mais fresco, com temperaturas abaixo do habitual para janeiro em algumas regiões, também pode influenciar o desenvolvimento do milho.

De acordo com a StoneX, o período crítico se concentra entre 15 de janeiro e o fim do mês. “Se a colheita da soja avançar para o fim de janeiro ou início de fevereiro, aumenta a probabilidade de redução da área de soja safrinha, com maior priorização do milho, ainda que isso possa exigir ajustes nos níveis de produtividade”, afirma a analista.

No campo da comercialização, o ritmo segue moderado. “Na primeira semana de janeiro, cerca de 23% da soja futura estava comercializada, acima dos 19% registrados até dezembro, mas ainda abaixo da média histórica de 30% dos últimos cinco anos”, observa. Segundo ela, caso uma parcela relevante da produção fique para ser negociada mais adiante, a concentração da oferta em uma mesma janela pode pressionar os prêmios nos próximos meses.

Fonte: Assessoria StoneX
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