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Colheita da soja atinge 77% em Santa Rosa com produtividade estimada em 2.350 kg por hectare
Região projeta 1,84 milhão de toneladas de soja e revisa produção de milho para 1,19 milhão de toneladas.

Santa Rosa (RS), conhecida como Berço Nacional da Soja, concentra nesta primeira quinzena de maio as atenções do setor com a realização da Fenasoja, que celebra 60 anos no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson. Dentro da programação, foi realizado na última sexta-feira (1º) o ato de Encerramento Nacional da Colheita da Soja, ocasião em que a Emater/RS-Ascar apresentou a segunda estimativa da safra 2025/2026 para soja e milho.
Na regional de Santa Rosa, a colheita da soja já alcança 77% da área cultivada. A estimativa atual aponta para 784.008 hectares plantados, com produtividade média de 2.350 kg por hectare e produção projetada em 1.842.419 toneladas.

Os números, apresentados pelo presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, mostram que na estimativa atual a área de produção de soja na regional é de 784.008 hectares: “A safra de verão da soja, um importante componente da agricultura regional, demonstra sensibilidade às condições climáticas”
Segundo o presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, o desempenho da safra reflete a irregularidade climática ao longo do ciclo. “A safra de verão da soja, um importante componente da agricultura regional, demonstra sensibilidade às condições climáticas. Os dados revelam um cenário desafiador”, afirma.
O levantamento indica ainda que 14% das lavouras estão em fase de maturação, 8% em enchimento de grãos e 1% em floração. A variabilidade de produtividade é significativa, com registros entre 1.200 e 4.200 kg por hectare, influenciados por fatores como distribuição de chuvas, manejo e características de solo. “É importante ressaltar a heterogeneidade regional, com variações significativas, especialmente em função da escassez de chuvas, que impacta diretamente o desempenho das lavouras”, diz Baldissera.
Milho tem produção revisada para cima
Para o milho, a estimativa atual indica produção de 1.199.830 toneladas, aumento de 66.822 toneladas em relação à projeção inicial. A área cultivada foi revisada de 137.501 hectares para 150.204 hectares, acréscimo de 12.703 hectares.

Na região de Santa Rosa a colheita da soja já chegou a 77% do total cultivado, e no caso do milho esse percentual chega a 94%
A produtividade média estimada é de 7.988 kg por hectare, recuo de 3,1% frente aos 8.240 kg por hectare projetados no início do ciclo. “O milho tem demonstrado maior estabilidade na produção, especialmente quando cultivado dentro da janela adequada e com práticas de manejo apropriadas”, afirma o presidente da Emater.
A colheita do cereal está praticamente concluída na região, com 94% da área já colhida. Restam pequenas parcelas em fases finais do ciclo: 4% em enchimento de grãos, 1% em floração e 1% em maturação. As chuvas recentes favoreceram o desenvolvimento das lavouras, sem registros relevantes de pragas ou doenças até o momento.
Apesar disso, há atenção para o risco climático nas etapas finais. “Há uma preocupação constante com os eventos climáticos, e a possibilidade de geadas precoces pode interferir na fase final das lavouras”, alerta Baldissera.
Cenário estadual aponta perdas na soja
No Rio Grande do Sul, a área plantada com soja está estimada em 6.624.988 hectares, com produtividade média de 2.871 kg por hectare e produção total de 19.017.426 toneladas. Para o milho, a área chega a 803.019 hectares, com produtividade de 7.424 kg por hectare e produção projetada em 5.961.639 toneladas. “A redução na produção e seus impactos financeiros são notáveis, com perdas expressivas, o que reforça a necessidade de avaliar a vulnerabilidade climática e avançar em políticas públicas voltadas à irrigação, manejo e conservação do solo e da água”, ressalta o presidente da Emater/RS.

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Paraná cria programa para reduzir desperdício de carnes, ovos, leite e outros alimentos nas escolas
Iniciativa monitora refeições, orienta estudantes e busca melhorar o aproveitamento dos alimentos servidos na rede estadual.

A alimentação escolar da rede estadual do Paraná passou a contar com um novo sistema de monitoramento voltado à redução do desperdício de alimentos. Lançado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), o Programa Prato Consciente une ações de educação alimentar e nutricional com a pesagem periódica das refeições servidas e das sobras geradas nas escolas, permitindo identificar onde ocorrem as perdas e aperfeiçoar o planejamento dos cardápios.

Foto: Divulgação/Fundepar
Desde maio, nutricionistas realizam atividades educativas nas unidades escolares, com orientações sobre a montagem de pratos equilibrados e incentivo ao consumo de verduras, legumes, cereais, proteínas e leguminosas. A proposta é que os estudantes compreendam não apenas a importância de uma alimentação saudável, mas também o impacto social, econômico e ambiental do desperdício.
O programa prevê a pesagem da produção total das refeições e dos resíduos alimentares deixados após as refeições. Com esses dados, as equipes conseguem acompanhar indicadores de desperdício, ajustar quantidades preparadas e desenvolver estratégias para utilizar os alimentos de forma mais eficiente.
Segundo o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, a iniciativa amplia o papel da alimentação escolar dentro do processo educativo. “Quando falamos em alimentação escolar, não estamos tratando apenas da oferta de refeições de qualidade, mas também da formação de valores. O Prato Consciente ajuda nossos estudantes a compreenderem a importância do consumo responsável, do respeito aos alimentos e da sustentabilidade. São aprendizagens que ultrapassam os muros da escola e contribuem para a formação de cidadãos mais conscientes”, afirmou.
Manual orienta escolas e padroniza procedimentos
Para garantir a aplicação uniforme do programa, a Fundepar elaborou um manual destinado a gestores,

Foto: Daiane Mendonça
nutricionistas e merendeiras. O material reúne conceitos, metodologias e orientações sobre preparo das refeições, realização das pesagens, registro das informações e análise dos resultados obtidos pelas escolas.
De acordo com a diretora-presidente da Fundepar, Eliane Teruel Carmona, o documento foi desenvolvido para ampliar a capacidade de monitoramento da alimentação escolar e apoiar as equipes na tomada de decisões. “O manual oferece ferramentas práticas para que as escolas possam acompanhar seus indicadores, identificar oportunidades de melhoria e reduzir desperdícios. Mais do que uma ação operacional, o programa promove uma mudança de cultura, envolvendo toda a comunidade escolar em torno do uso consciente dos alimentos e da valorização da alimentação escolar”, disse.
Entre os resultados esperados estão o aprimoramento do planejamento das refeições, a redução das perdas de alimentos, o maior controle sobre sobras e restos alimentares e o fortalecimento da gestão da alimentação escolar.

Foto: Lucas Fermin/Seed-PR
A nutricionista Rosângela Slomski, chefe da Divisão de Planejamento da Alimentação Escolar da Fundepar, afirma que a proposta também busca influenciar os hábitos alimentares fora do ambiente escolar. “Por meio da Educação Alimentar e Nutricional, buscamos formar estudantes mais conscientes, capazes de fazer escolhas saudáveis e de valorizar os alimentos, reduzindo o desperdício dentro e fora da escola”, destacou.
Ao envolver nutricionistas, merendeiros, professores, gestores e estudantes, o Prato Consciente transforma o momento das refeições em uma oportunidade de aprendizado sobre alimentação saudável, sustentabilidade e responsabilidade no consumo, ao mesmo tempo em que oferece às escolas instrumentos para acompanhar e reduzir o desperdício de alimentos.
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Clima e oferta global sustentam trigo em Chicago e influenciam mercado brasileiro
Problemas em regiões produtoras como Austrália e EUA mantêm viés de alta nas bolsas internacionais.

Os preços do trigo registraram recuperação moderada no mercado brasileiro durante abril, sustentados pela menor disponibilidade do cereal no período de entressafra e pelo suporte do mercado internacional. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a valorização do real frente ao dólar, porém, limitou repasses mais expressivos aos preços internos.

Foto: Caio Inácio
No Paraná, principal estado produtor do país, o trigo encerrou abril cotado a R$ 66 por saca de 60 quilos. Apesar da recuperação observada ao longo do mês, os valores permaneceram abaixo dos registrados no mesmo período de 2025.
Com a oferta doméstica restrita e baixo volume remanescente para comercialização, a formação dos preços passou a ser fortemente influenciada pela paridade de importação. Nesse cenário, o trigo adquirido no mercado externo tornou-se a principal referência para a indústria moageira.
A valorização do real atuou como fator de contenção para os preços internos, reduzindo parte do impacto positivo gerado pelo cenário internacional e pela menor disponibilidade do cereal no mercado brasileiro.
No exterior, as cotações seguiram voláteis, mas com viés de alta ao longo de abril. O primeiro vencimento do trigo soft na Bolsa de Chicago (CBOT) encerrou o dia 8 de maio cotado a US$ 6,07 por bushel, patamar semelhante ao registrado no fim de março e 18% superior ao observado há um ano.

Foto: Cleverson Beje
As preocupações com a oferta global contribuíram para a sustentação dos preços. Problemas climáticos em importantes regiões produtoras, como Austrália, China e áreas do Hemisfério Norte, aumentaram a percepção de risco para a produção mundial.
Nos Estados Unidos, o desempenho abaixo do esperado das lavouras de trigo de inverno e os atrasos no plantio do trigo de primavera também reforçaram a sustentação das cotações, mantendo o mercado atento a possíveis revisões nas estimativas de produção.
Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, a combinação entre um ambiente internacional mais ajustado e uma demanda externa mais ativa contribuiu para a valorização recente das bolsas. No Brasil, esse movimento elevou as paridades de importação e influenciou a formação dos preços domésticos, embora o impacto final tenha sido condicionado pelo comportamento do câmbio e pela concorrência do trigo importado.
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Brasil amplia compradores de milho, reduz dependência do Irã e acende alerta para exigências de qualidade
País exportou 6,74 milhões de toneladas para 69 destinos no primeiro trimestre de 2026; avanço do Vietnã e liderança do Egito reforçam a necessidade de padronização e controle de umidade no pós-colheita.

O Brasil começou 2026 com uma mudança importante no mapa das exportações de milho. O número de países compradores passou de 63 para 69 no primeiro trimestre, ao mesmo tempo em que o mercado se tornou menos dependente de um único destino e mais diversificado. A liderança passou para o Egito, o Vietnã ganhou espaço entre os principais importadores e o Irã perdeu participação na pauta brasileira.

Foto: Claudio Neves
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações brasileiras de milho em grão classificadas sob o NCM 1005.90.10 movimentaram US$ 1,48 bilhão entre janeiro e março deste ano. O valor representa crescimento de 13,1% em relação ao mesmo período de 2025. Em volume, os embarques aumentaram 14,6%, passando de 5,88 milhões para 6,74 milhões de toneladas.
Além do aumento nas vendas, o resultado chama atenção pela redistribuição dos destinos. O Egito assumiu a liderança das compras, com importações de US$ 367,7 milhões, alta de 30% na comparação anual. Já o Vietnã registrou expansão de 257% nas aquisições e passou a integrar o grupo dos três maiores compradores do cereal brasileiro.
Em sentido contrário, o Irã reduziu sua participação nas exportações. Em 2025, o país concentrava 35,3% da pauta brasileira de milho. Neste primeiro trimestre, a fatia caiu para 20,9%. Segundo a análise dos dados, é a primeira vez que o Brasil encerra um trimestre sem depender fortemente de um único cliente externo.
A diversificação dos mercados é vista pelo setor como um fator positivo, mas também impõe novos desafios. Países importadores têm exigido padrões mais rigorosos de qualidade, rastreabilidade e conservação dos grãos, especialmente em relação às condições de armazenamento e ao controle de umidade.
Esse tema ganha relevância porque parte dos embarques enquadrados no NCM 1005.90.10 inclui lotes de milho de

Foto: Divulgação
pipoca a granel, uma cultura reconhecida pela maior sensibilidade às condições de pós-colheita. Nesses casos, pequenas variações no teor de umidade podem comprometer características essenciais do produto, como a capacidade de expansão dos grãos, a uniformidade dos lotes e a conservação durante o transporte.
O crescimento das exportações, portanto, amplia a discussão sobre a necessidade de investimentos em tecnologia e manejo pós-colheita. O controle adequado da umidade, a secagem eficiente e o armazenamento em condições apropriadas tornaram-se fatores estratégicos para garantir a qualidade dos grãos e atender às exigências de mercados cada vez mais competitivos.
Na prática, a expansão do número de compradores indica que o milho brasileiro ganhou espaço no comércio internacional. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de manter padrões elevados de qualidade para preservar a competitividade e ampliar a presença do país em mercados que valorizam regularidade de fornecimento e produtos com especificações cada vez mais rigorosas.



