Suínos Saúde Animal
Coccidiose e rotavirose são principais causas de diarreia na maternidade
Sabendo o que precisa controlar, é preciso conhecer as doenças e saber como diagnosticá-las

As diarreias em maternidades é uma grande dor de cabeça para o suinocultor. É preciso atenção nos manejos e sanidade do plantel para preveni-las. Duas são as mais importantes e que mais acometem os suínos no Brasil: a coccidiose e a rotavirose. Durante o 13° Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que aconteceu pela primeira vez de forma totalmente online, o médico veterinário e gerente técnico de Monogástricos da Elanco, Pedro Ernesto Sbardella, falou sobre estas duas diarreias e quais são os impactos que elas tem na maternidade e no período pós-maternidade.
Segundo o profissional é importante focar em manejos para evitar que as doenças aconteçam. “O manejo de animais (todos dentro todos fora), o controle de moscas e roedores, a limpeza, ambiente (a temperatura, tanto do local quanto do leitão) e a umidade são pontos importantes de serem verificados”, introduz. Ele explica que a imunidade é muito importante, assim como a saúde das fêmeas e o manejo realizado com os leitões.
Dessa forma, sabendo o que precisa controlar, o profissional afirma que é preciso conhecer as doenças e saber como diagnosticá-las. “A consistência e sinais clínicos são diferentes das diarreias. Na maternidade a diarreia pode acontecer por diferentes fatores. A fase de ocorrência pode nos dar um sinal de que tipo de diarreia está acontecendo”, comenta.
De acordo com Sbardella, é difícil chegar em um diagnóstico somente pela consistência e cheiro das fezes. “Precisamos evidências para chegar em um diagnóstico. A gente precisa continuar somando evidência, coletando amostras e enviando ao laboratório para fazer a identificação”, defende. Além disso, outro ponto importante é a coleta de amostras para o exame histopatológico. “Isso tudo ajuda a fechar o diagnóstico. Temos que levar em consideração as evidências”, afirma.
Atualmente, explica o médico veterinário, existem algumas diarreias que são as principais vistas hoje em campo. A primeira delas é a Clostridium tipo C. “Que está sob controle atualmente”, diz. Outra é a Escherichia coli. “É uma doença relevante e importante, mas hoje está mais controlada do que no passado devido as vacinas disponíveis no mercado”, menciona. Outras que ainda aparecem são a clostridium difficile e tipo A. “Ambas estão presentes em animais com e sem diarreia, então é difícil fazer uma associação”, comenta. Também a coccidiose e rotavirose, que tem uma prevalência maior. “Um trabalho realizado em 2011 mostrou que 40% das granjas apresentam problemas com estas duas”, diz.
A rotavirose
Segundo Sbardella, a rotavirose é uma infecção causada pelo rotavírus. “Um trabalho de 2019 mostra que está entre as diarreias mais encontradas na maternidade”, comenta. A principal via de transmissão é oral e fecal. “O vírus A é o mais frequente, mas o C aumentou a sua importância. Existem vacinas hoje com resultados variáveis”, comenta.
O médico veterinário explica que a doença causa fezes aquosas de cor variável e vômitos ocasionais. “Ela afeta leitões de um a oito semanas. É uma questão de um vírus entrando em granjas que não estava. Quando o vírus circula a imunidade passiva da fêmea vai diminuir e isso pode gerar um problema grande. Pode causar diarreia na creche, mesmo em leitões que tiveram diarreia na maternidade”, diz. As condições do ambiente é um ponto importante. “Na prática vemos granjas com ou sem vacina. Mas quando se trabalha o ambiente e limpeza vemos resultados significativos”, comenta.
De acordo com Sbardella, o rotavírus causa vários tipos de diarreias, mas um dos pontos em que ele vai agir bastante vai ser na destruição dos enterócitos. “O impacto vai vir de duas formas: o rebanho sem imunidade vai ser relacionado a imunidade, porque vai atingir mais animais de primeiros dias de vida. Se é rebanho com imunidade, com o vírus circulando, o problema vai ser mais a partir da segunda semana. A mortalidade vai ser variável, mas com complicação de outros agentes e impacto no desempenho dos animais”, informa.
Para o médico veterinário, o rotavírus é bastante relevante, é uma das principais diarreias de maternidade. “Ela pode causar alta mortalidade, perda de desempenho e o impacto que traz para o intestino do animal pode persistir por um bom tempo”, diz.
Coccidiose
A coccidiose é outra doença que merece a atenção do suinocultor. A infecção dela via vir principalmente do ambiente. “Instalações contaminadas, fezes de leitões com a doença vão ser os principais pontos de infecção do leitão”, informa Sbardella. Segundo ele, o coccidio tem várias fases dentro da célula. “Passa de sexuada para assexuada e vai ter com o oocisto liberado no ambiente que vai esporular. E isso está muito relacionado a temperatura, então em períodos mais quentes um local pode favorecer a esporulação de oocistos”, conta.
Esta é uma doença que pode ser clínica e subclínica. “Quando a doença é clínica vamos observar uma diarreia evidente e impacto visual na leitegada. A diarreia é transitória a partir da segunda semana e podemos observar ainda a redução do desempenho de animais e nenhuma mortalidade. Já na subclínica não vamos ver diarreia, mas a redução no desempenho vai acontecer da mesma forma”, informa.
A doença tem grande impacto nos animais, causando lesões intestinais como necrose focal no topo das vilosidades, hiperplasia das criptas e redução da altura das vilosidades. “O impacto do desempenho dos animais está muito relacionado a esta doença”, diz. Sbardella comenta que é muito claro o impacto que a doença vai causar na heterogeneidade do peso dos animais. “Vai ter uma variabilidade maior do peso dos leitões e isso vai resultar em um impacto no longo prazo”, comenta.
O médico veterinário informa que nenhuma mortalidade está diretamente ligada a coccidiose, mas ela pode ter associação com outros agentes. “É até um ponto importante a gente comentar, se for pegar hoje nas diarreias de maternidade é comum encontrar mais que um agente. Precisamos levar em consideração que mesmo a coccidiose sendo mais importante é muito provável que esteja associada com outras coisas. Talvez elas estejam até abrindo portas para outras bactérias, mas o fato é que a coccidiose não traz mortalidade, é muito mais perda de desempenho”, considera.
Dessa forma, argumenta, fica clara a importância de controlar ou fazer os manejos não negociáveis para evitar que as diarreias aconteçam. “Uma vez que elas acontecem, a gente precisa saber reconhecer e diagnosticar, somar as evidências para chegar ao diagnóstico correto”, diz.
Sbardella afirma que a rotavirose e a coccidiose são as mais importantes no Brasil no período de maternidade, que tem a maior prevalência e são similares em alguns pontos. “Há um impacto na maternidade. Na creche pode causar doença ou perda de desempenho. Ambas funcionam se associando a infecções secundárias facilmente”, conclui.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Suínos
Setor suinícola exporta US$ 1,5 bilhão nos cinco primeiros meses de 2026
Desempenho acumulado é impulsionado pelo recorde de 129,4 mil toneladas embarcadas em maio e pela ampliação dos mercados compradores.

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 129,4 mil toneladas em maio, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O resultado é o maior já registrado para um mês de maio e supera em 9% o volume embarcado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 118,8 mil toneladas.

Foto: José Fernando Ogura
A receita das exportações alcançou US$ 302,1 milhões, também o melhor desempenho já registrado para meses de maio, resultado 3,8% superior ao obtido no mesmo período do ano passado, com US$ 291,2 milhões.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os embarques brasileiros de carne suína chegaram a 661,7 mil toneladas, número 13,1% maior em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas 584,8 mil toneladas.
Em receita, o crescimento acumulado alcança 11,9%, com US$ 1,546 bilhão entre janeiro e maio deste ano, frente aos US$ 1,382 bilhão registrados no mesmo período do ano passado.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne suína em maio, as Filipinas permaneceram na liderança, com 27,2 mil toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor” – Foto: Mario Castello
embarcadas, volume 3,8% inferior ao registrado em maio de 2025. Em seguida aparecem Japão, com 15,2 mil toneladas (+83,2%), Chile, com 10,9 mil toneladas (-0,1%), China, com 8,9 mil toneladas (-25,9%), México, com 8,6 mil toneladas (+20,4%), Hong Kong, com 8,2 mil toneladas (+13,8%), Argentina, com 5,8 mil toneladas (+13,7%), Uruguai, com 4,7 mil toneladas (+0,3%), Vietnã, com 4,6 mil toneladas (-14,2%) e Singapura, com 4,1 mil toneladas (-50,5%).
No desempenho por estados exportadores, Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 62,5 mil toneladas embarcadas em maio (+4,9%), seguida por Rio Grande do Sul, com 32,7 mil toneladas (+19,5%), Paraná, com 18,3 mil toneladas (-4,8%), Mato Grosso, com 4,6 mil toneladas (+52,4%) e Minas Gerais, com 3,7 mil toneladas (+26,5%). “Os embarques de carne seguem sustentados graças à diversificação de destinos do setor. Observamos expansão relevante em mercados estratégicos de valor agregado, como o Japão, e diversos outros com volumes menores como Geórgia, Costa do Marfim, Coreia do Sul e outros que, somados, influenciaram positivamente o resultado do mês. O fato de registrarmos o melhor mês de maio da história para as exportações de carne suína reforça a solidez da demanda internacional e projeta um ano extremamente positivo para a suinocultura brasileira, com potencial para alcançar novos recordes em volume e receita”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Suínos
Preços do suíno vivo acumulam terceira queda seguida e atingem menor nível em quase 14 anos
Demanda enfraquecida no mercado interno e recuo dos embarques pressionaram as cotações em maio, segundo levantamento do Cepea.

Os preços do suíno vivo e da carne suína voltaram a cair em maio, acumulando o terceiro mês consecutivo de desvalorização. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação entre demanda interna enfraquecida e menor ritmo das exportações pressionou as cotações ao longo do mês.

Foto: Jaelson Lucas
Na praça SP-5, referência para o mercado paulista, a cotação média do suíno vivo em maio foi a menor, em termos reais, desde julho de 2012. O cálculo considera os valores corrigidos pela inflação medida pelo IGP-DI de abril de 2026.
Segundo pesquisadores do Cepea, houve uma melhora pontual da demanda nas semanas que antecederam o Dia das Mães, celebrado em 10 de maio. Tradicionalmente, a data estimula o consumo de proteínas animais e favorece as negociações da cadeia suinícola. No entanto, o movimento perdeu força após o período comemorativo, e a procura voltou a recuar nas semanas seguintes, provocando novas quedas nos preços.
No mercado externo, os embarques também apresentaram desaceleração. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que a média diária das exportações de carne suína nos primeiros 15 dias úteis de maio ficou 15% abaixo da registrada em abril.
O Cepea destaca que, ao longo deste ano, a indústria suinícola brasileira tem priorizado as vendas ao mercado internacional como estratégia para

Foto: Shutterstock
reduzir a oferta disponível no mercado doméstico e sustentar as cotações. A redução do ritmo das exportações, porém, diminui a capacidade de escoamento da produção e amplia a pressão sobre os preços internos.
No atacado, os valores da carne suína também recuaram em maio. As quedas, contudo, foram menos intensas do que as observadas no mercado do animal vivo, refletindo uma acomodação mais gradual dos preços ao longo da cadeia.
Suínos
Produzir mais e melhor exige atualização constante, afirma presidente da Primato
Anderson Sabadin destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso a informações atualizadas e soluções práticas para o dia a dia das granjas.

A busca por maior produtividade e rentabilidade na suinocultura passa, cada vez mais, pela adoção de tecnologias, atualização técnica e integração entre todos os elos da cadeia produtiva. É com esse propósito que o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná reunirá produtores, cooperativas, técnicos, especialistas e empresas fornecedoras no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR).
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Diretor-presidente da Primato, Anderson Léo Sabadin: “O foco principal é o desenvolvimento do nosso cooperado”
A Primato está entre as cooperativas que apoiam a realização do evento, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa. A programação abordará temas relacionados à sanidade, biosseguridade, mercado, sucessão familiar, gestão de pessoas, regularização ambiental e novas tecnologias aplicadas à produção de suínos.
Para o diretor-presidente da Primato, Anderson Léo Sabadin, o Congresso representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso a informações atualizadas e soluções práticas para o dia a dia das granjas. “O Congresso vai focar no desenvolvimento e na evolução das técnicas de manejo e da produção de suínos, envolvendo as UPDs, as maternidades, os crechários e a terminação”, afirma.
O objetivo, segundo ele, é apresentar aos participantes informações que possam ser aplicadas diretamente na rotina das propriedades.
“Nesse evento serão apresentadas as melhores técnicas aplicadas à produção de suínos, envolvendo sanidade, produtividade, evolução da nutrição e da genética”, ressalta.
Além dos produtores e das cooperativas, o Congresso também reunirá empresas e profissionais que atuam diretamente no suporte à atividade. Para Sabadin, essa integração é fundamental para acelerar a difusão de conhecimento e fortalecer a competitividade da cadeia produtiva.
Na avaliação do presidente da Primato, o principal objetivo do Congresso é contribuir para que os produtores obtenham melhores resultados econômicos dentro da atividade. “O foco principal é o desenvolvimento do nosso cooperado”, enfatiza, destacando que o evento será uma oportunidade para atualização técnica, troca de experiências e contato direto com especialistas e lideranças do setor.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.



