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Coasc: 10 anos na luta por redução de custos e valorização nas vendas
Cooperativa nasceu de um esforço coletivo de 30 produtores que identificaram a necessidade de se unirem para comprar insumos a preços mais competitivos e conseguir melhores condições para comercializar seus produtos.

Em 2024, a Cooperativa Agroindustrial dos Suinocultores Catarinenses (Coasc) completa 10 anos. A Voz do Cooperativismo foi até Concórdia (SC) para ouvir do presidente Losivanio Luiz de Lorenzi um pouco mais dessa história e dos planos dessa jovem cooperativa que surgiu para salvar os pequenos produtores que não tinham capacidade de negociação por vender em pequenas escalas e viam os altos custos de produção pulverizarem seus resultados financeiros.
A Coasc foi idealizada para resolver problemas enfrentados por produtores independentes e de pequeno porte, que não conseguiam competir devido à falta de escala nas compras e vendas. Segundo Lorenzi, a cooperativa nasceu de um esforço coletivo de 30 produtores que identificaram a necessidade de se unirem para comprar insumos a preços mais competitivos e conseguir melhores condições para comercializar seus produtos. Desde o início, a Coasc focou em ser uma cooperativa enxuta, com custos administrativos reduzidos, e em trabalhar no modelo de compras diretas, permitindo aos cooperados uma maior margem de lucro em suas propriedades.

Fotos: Reprodução/O Presente Rural
A trajetória de Lorenzi na Coasc começou como produtor rural, uma experiência que ele traz de Orleans, sua cidade natal, no Sul do estado. Após assumir a liderança, Lorenzi focou em estruturar a cooperativa com base nos princípios do cooperativismo essencial, buscando sempre beneficiar o produtor. A Coasc se destaca por seu modelo de governança transparente, onde cada produtor paga uma taxa de administração variável conforme o volume de compras, garantindo que o valor gerado fique nas propriedades.
A centralização das cotações de produtos permite que a Coasc consiga sempre bons preços para os cooperados, que encaminham suas demandas regularmente. A cooperativa então distribui as compras diretamente aos produtores, com uma operação que otimiza o processo e maximiza o valor agregado na propriedade rural. Lorenzi explica que esse sistema é possível graças à estrutura mínima da cooperativa, que reduz despesas operacionais.
Outro diferencial da Coasc é a importação de milho do Paraguai, uma medida que começou em 2016 e ajudou a mitigar os altos custos do grão no Brasil. Apesar dos desafios burocráticos, a importação foi uma estratégia crucial para a sobrevivência dos pequenos produtores em meio a crises no setor. A relação com as cooperativas paraguaias, mantida com visitas frequentes, continua a ser um canal estratégico para garantir insumos a preços mais acessíveis.

Presidente da Coasc, Losivanio Luiz de Lorenzi
Além das vantagens econômicas, a Coasc proporciona segurança aos produtores em conformidade com as exigências regulatórias. Com assistência técnica regular, a cooperativa garante que todas as normas ambientais e de biosseguridade sejam cumpridas, assegurando que os suínos produzidos mantenham altos padrões de qualidade. Lorenzi destaca que, embora a Coasc seja pequena, a qualidade da produção é equivalente a das grandes cooperativas e empresas do setor.
A cooperativa conta com 78 produtores ativos, muitos dos quais vendem sua produção de forma independente, mas recorrem à Coasc em momentos de crise para garantir segurança no recebimento. Durante as crises recentes, a cooperativa se destacou como uma alternativa segura para os produtores que enfrentavam dificuldades no mercado.
Para o futuro, a principal bandeira defendida pela Coasc é o apoio e valorização do produtor. Lorenzi enfatiza a necessidade de valorizar a propriedade rural e reforça a importância de sucessão familiar, para que os jovens vejam um futuro promissor no campo. Ele acredita que o modelo de cooperativismo essencial da Coasc, focado no produtor, é crucial para o desenvolvimento sustentável do setor.

Foto: Gilson Abreu
Nos últimos dez anos, a Coasc registrou conquistas significativas, como a importação de grãos e a parceria com um frigorífico em Xanxerê, que possibilitou a venda diária de suínos para a indústria. Lorenzi também menciona a agropecuária aberta em 2018 em Concórdia como um marco na oferta de insumos aos cooperados. Superar os desafios financeiros foi outra vitória, com a cooperativa negociando dívidas e controlando a inadimplência, sempre mantendo um relacionamento de confiança com os fornecedores.
Para os próximos anos, Lorenzi espera que a Coasc continue crescendo de maneira responsável, fortalecendo-se sem perder o foco no produtor. Ele destaca a importância da transparência e do trabalho conjunto com os cooperados, que têm acesso às contas da cooperativa ao final de cada mês. O presidente acredita que o cooperativismo é a melhor maneira de promover o desenvolvimento econômico e social do pequeno produtor, e vê um futuro promissor para a Coasc, que já se consolidou como uma parceira confiável para seus cooperados.
A Coasc também enfrenta desafios na área de logística e infraestrutura. Lorenzi critica as más condições das estradas no Oeste catarinense, que elevam o custo do transporte de insumos e produtos, e menciona a falta de investimentos em ferrovias como um problema recorrente. Ele acredita que uma união de esforços entre as cooperativas e agroindústrias dos três estados do Sul poderia pressionar o governo para melhorar a infraestrutura, diminuindo os custos e aumentando a competitividade da produção local.
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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



