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Coalizão Brasil apresenta 10 medidas para frear emissões do uso da terra

Propostas incluem conservação de florestas, sistemas agrícolas sustentáveis e ampliação do financiamento climático, visando reduzir até 21% das emissões globais de gases de efeito estufa.

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Foto: Roberto Dziura Jr

A Coalizão Brasil Clima Floresta e Agricultura, grupo do qual o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) faz parte, apresentou durante a Semana do Clima de Nova Iorque uma lista de 10 medidas concretas para a transição climática global no setor de uso da terra.

Às vésperas da COP30, o conjunto de propostas busca enfrentar as emissões decorrentes de mudanças no uso da terra, como desmatamento e degradação florestal, responsáveis por até 21% das emissões globais de gases de efeito estufa e pela maior parte das emissões brasileiras. “Se formos sobreviver neste planeta, precisamos das florestas tropicais. Para isso temos também que criar um movimento para o fim dos combustíveis e incorporar florestas na nossa produção agropecuária”, destacou André Guimarães, diretor executivo do IPAM e enviado especial da sociedade civil para a COP30.

As medidas estão organizadas em três eixos estratégicos:

  • Gestão sustentável de florestas, oceanos e biodiversidade, com foco na fiscalização e na conservação da diversidade biológica e das áreas de vegetação nativa;
  • Transformação da agricultura e dos sistemas alimentares, que propõe práticas agrícolas mais sustentáveis e resilientes;
  • Catalisadores e aceleradores, que reúnem estratégias de financiamento climático internacional e de fortalecimento da bioeconomia no longo prazo.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Globalmente, as emissões de gases de efeito estufa estão associadas principalmente ao setor energético. No caso brasileiro, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), as emissões estão ligadas sobretudo às mudanças no uso da terra, como a remoção de vegetação nativa, abertura de pastagens, degradação e expansão agrícola.

Em 2023, 46% dos 2,3 bilhões de toneladas de CO₂ e emitidos pelo país tiveram origem nesse setor, enquanto a agropecuária respondeu por 27,5%. “Nesse contexto, torna-se ainda mais relevante suprir a lacuna entre as necessidades e os recursos destinados ao financiamento climático. Uma conferência sediada no Brasil, com foco declarado em ação, ganha contornos de ponto de inflexão: o da implementação imediata da agenda climática, dez anos após a assinatura do Acordo de Paris”, escreveram os membros da Coalizão Brasil no documento publicado na semana passada.

A lista de propostas também ressalta que a implementação de medidas práticas e concretas é fundamental para o avanço da pauta climática e para o sucesso da COP30 em Belém.

Nesse sentido, a Coalizão alerta que a cúpula deve aprofundar os debates iniciados em conferências anteriores, mas também evidenciar a realidade das mudanças climáticas no Sul Global e indicar os passos necessários para a mitigação e adaptação à crise climática.

Confira abaixo todas as propostas:

Proposta 1: Impulsionar investimentos para controlar e reverter o desmatamento e a degradação florestal:

    • Ampliar investimentos, alinhar políticas públicas e mobilizar parcerias internacionais para reduzir o desmatamento e recuperar florestas, incluindo mecanismos como REDD+ e o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre).
  • Proposta 2: Promover a restauração de paisagens e florestas em larga escala:
    • Incluir restauração nas NDCs, ampliar financiamento internacional à atividade e promover o monitoramento e controle do desmatamento em áreas de vegetação secundária.
  • Proposta 3: Incorporar ações integradas de prevenção e combate a incêndios florestais:
    • Adotar monitoramento em tempo real e sistemas de alerta precoce, realizar campanhas de conscientização a produtores rurais e operações de inteligência contra o crime organizado ambiental.
  • Proposta 4: Ampliar mecanismos de remuneração por serviços ecossistêmicos (PSA):
    • Valorar e remunerar esforços de conservação e restauração, fomentar a participação do setor privado em programas de PSA e oferecer segurança jurídica a projetos.
  • Proposta 5 Fortalecer a rastreabilidade nas cadeias produtivas:
    • Integrar mecanismos robustos de rastreabilidade às políticas públicas e práticas empresariais, garantindo transparência e cadeias livres de desmatamento.
  • Proposta 6: Recuperar áreas degradadas e ampliar sistemas agropecuários de baixo carbono e regenerativos:
    • Integrar restauração às políticas agrícolas e de uso da terra; escalar sistemas agroflorestais, manejo de florestas plantadas e silvicultura com espécies nativas; e difundir técnicas regenerativas (plantio direto, rotação de culturas, ILPF, manejo de pastagens, bioinsumos).
  • Proposta 7: Implantar sistemas alimentares mais resilientes, adaptados e sustentáveis:
    • Fortalecer políticas públicas para a sociobiodiversidade a pequenos produtores; reduzir emissões no campo (incluindo manejo de fertilizantes, conservação do solo, sistemas agroecológicos); ampliar mercados de alimentos sustentáveis; integrar sistemas alimentares ao financiamento climático em larga escala; reduzir o desperdício e fomentar a economia circular nas propriedades.
  • Proposta 8: Definir padrões globais para finanças agrícolas sustentáveis:
    • Alinhar métricas claras e verificáveis (ajustadas à realidade tropical) para orientar políticas e crédito; incorporar riscos e oportunidades climáticas nas análises de crédito; direcionar recursos para sistemas alimentares de baixa emissão, resilientes e positivos para a natureza.
  • Proposta 9: Reconhecer a bioeconomia como estratégia global de desenvolvimento sustentável:
    • Acelerar o fomento à bioeconomia, incluindo instrumentos de investimentos tradicionais, instrumentos financeiros inovadores, políticas de apoio e cooperação internacional; e alinhar estratégias para sua inclusão às metas globais de clima e natureza.
  • Proposta 10: Alocar pelo menos 50% do financiamento climático em adaptação:
    • Cumprir o Artigo 9.4 do Acordo de Paris, reequilibrando fluxos hoje concentrados em mitigação; garantir recursos previsíveis para que países em desenvolvimento fortaleçam resiliência e protejam sistemas produtivos e sociais frente à crise climática.

Fonte: Assessoria Coalizão Brasil

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Cooperativismo ganha destaque em meio a incertezas políticas

Modelo é apontado como alternativa para gerar renda fortalecer cadeias produtivas e promover desenvolvimento.

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Foto: Shutterstock

O cenário eleitoral brasileiro, em especial no atual ciclo, revela um ambiente de incerteza que ultrapassa o natural dinamismo da democracia e adentra um terreno de inquietação institucional e econômica. A ausência de propostas consistentes, aliada à superficialidade dos debates, fragiliza a capacidade do eleitor de exercer uma escolha plenamente consciente. Em meio a narrativas muitas vezes desconectadas da realidade fiscal do País, temas estruturantes, como as reformas administrativa, tributária e previdenciária, permanecem relegados a um plano secundário, quando deveriam ocupar posição central no debate público.

A condução responsável da gestão pública exige coragem para enfrentar questões impopulares, porém indispensáveis. O Estado brasileiro, marcado por elevado custo e baixa eficiência, tornou-se insustentável diante das demandas da sociedade. A racionalização da máquina pública, o controle rigoroso dos gastos e a avaliação de desempenho no setor público são medidas inadiáveis para conter a trajetória crescente das despesas e restabelecer o equilíbrio fiscal. Sem isso, compromete-se não apenas o presente, mas sobretudo as perspectivas de desenvolvimento das futuras gerações.

Artigo escrito por Vanir Zanatta, presidente do Sistema Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC).

Paralelamente, a necessidade de uma reforma administrativa, política e previdenciária ampla e racional se impõe como condição essencial para estimular o ambiente produtivo. A reforma tributária que está em fase de implementação não equacionou nem a carga excessiva, nem a complexidade, inibindo a geração de empregos e reduzindo a competitividade da economia brasileira. A defesa do setor produtivo passa, inevitavelmente, pela simplificação tributária e pela rejeição de qualquer tentativa de ampliação de impostos, medida que apenas agravaria o já oneroso cenário enfrentado por trabalhadores e empreendedores.

Nesse contexto, o cooperativismo brasileiro reafirma sua relevância como modelo econômico e social capaz de promover desenvolvimento com inclusão. Fundamentado na gestão democrática, na participação coletiva e na distribuição equitativa de resultados, o cooperativismo oferece uma alternativa sólida frente às instabilidades do ambiente político e econômico. Ao fortalecer cadeias produtivas, nos meios rural e urbano, contribui diretamente para a geração de renda, a fixação do homem no campo e o desenvolvimento regional sustentável.

O setor primário, em particular, depende de políticas públicas consistentes e de investimentos em infraestrutura para alcançar seu pleno potencial. As deficiências logísticas, localizadas fora da porteira, comprometem a competitividade do agronegócio brasileiro e reduzem a eficiência de um dos segmentos mais dinâmicos da economia nacional. Nesse sentido, é fundamental que os candidatos assumam compromissos claros com o fortalecimento da agricultura e com a melhoria das condições estruturais do País.

Além dos desafios econômicos, o processo eleitoral exige maturidade democrática. O respeito às instituições, às regras do jogo e à diversidade de opiniões é condição indispensável para a estabilidade social. O enfraquecimento dos partidos políticos, a infidelidade partidária e a prevalência de interesses circunstanciais evidenciam fragilidades históricas da democracia brasileira que precisam ser enfrentadas com responsabilidade e compromisso ético.

Superado o período eleitoral, a realidade se impõe de forma incontornável. O futuro governante terá diante de si a necessidade de abandonar discursos e enfrentar, com pragmatismo, a complexa situação fiscal do País. As reformas estruturais deixarão de ser uma opção e passarão a ser uma exigência para garantir a governabilidade e a retomada do crescimento econômico.

Diante desse cenário, o cooperativismo segue como um pilar de equilíbrio, capaz de contribuir para a construção de um Brasil mais justo, eficiente e sustentável. Ao promover a união de esforços em torno de objetivos comuns, reafirma valores essenciais para o fortalecimento da democracia e para o desenvolvimento econômico e social do País.

Fonte: Artigo escrito por Vanir Zanatta, presidente do Sistema Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC).
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Mapa define regras para credenciamento de empresas em monitoramento de grãos

Instituições devem apresentar metodologia detalhada com uso de inteligência artificial para participar dos testes.

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Foto: Geraldo Bubniak/AEN

As instituições que prestam serviços em sistemas de verificação agrícola, monitoramento e conformidade de grãos, e que desejam se credenciar conforme a Portaria SDI/MAPA nº 739, devem submeter, previamente, a metodologia detalhada a ser utilizada no teste de bancada para a classificação de culturas e cálculo de produtividade. A metodologia será analisada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Foto: Secom

A metodologia, que deve ser enviada por e-mail em língua portuguesa, precisa incluir uma descrição com todos os passos de processamento nos quais os arquivos passarão, desde a entrada até a saída com os resultados. Além disso, deverão ser adicionados diagramas que ilustrem detalhadamente o fluxo de infraestrutura do ambiente utilizado, bem como um relatório de acurácia dos modelos de inteligência artificial, com os seguintes indicadores: R² (coeficiente de determinação) e Score CV (pontuação de validação cruzada).

O documento cadastrado deverá ser assinado pelo responsável legal da empresa, acompanhado de uma declaração de responsabilidade, referente a utilização do mesmo processo detalhado durante o teste de bancada. Vale ressaltar que não serão permitidas alterações na metodologia após a sua submissão.

Os testes poderão ser agendados para ocorrerem no período de 22 de abril a 22 de maio de 2026. A documentação necessária para os testes de prova de conceito e dúvidas deverão ser enviadas para o e-mail infraestrutura.VMG@agro.gov.br até o dia 15 de maio de 2026.

Fonte: Assessoria Mapa
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SIAVS 2026 destaca nutrição animal como motor da eficiência no agro

Evento reúne empresas com tecnologias voltadas à produtividade custo e qualidade na produção de proteínas.

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Foto: Divulgação

O Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS 2026), que será realizado de 04 a 06 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP), destacará o papel estratégico da nutrição animal na evolução da cadeia produtiva. Em um cenário cada vez mais orientado por eficiência e precisão, o segmento chega ao evento com soluções que impactam diretamente produtividade, custo e qualidade dos alimentos.

Apenas do segmento de nutrição animal são quase 40 empresas, incluindo fabricantes de rações, premixes, núcleos, aditivos e ingredientes. O grupo reúne empresas com atuação nacional e internacional, apresentando tecnologias aplicadas à produção de aves, suínos, bovinos e outras proteínas.

As soluções refletem uma nova etapa da produção animal, mais orientada por dados, controle e desempenho. Entre os destaques estão formulações de alta precisão, aditivos funcionais, estratégias para ganho de conversão alimentar e ferramentas que ampliam a eficiência nutricional em diferentes sistemas produtivos.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “A nutrição animal é um dos pilares da eficiência produtiva” – Foto: Divulgação/Alimenta

Mais do que um insumo, a nutrição se consolida como vetor de competitividade. No SIAVS, essas tecnologias estarão inseridas em um ambiente que integra toda a cadeia produtiva, permitindo que produtores e agroindústrias visualizem, de forma prática, como a nutrição se conecta ao resultado final.

Essa integração fortalece o posicionamento do evento como espaço de negócios e de atualização técnica, ao aproximar empresas de nutrição de seus clientes diretos, produtores, cooperativas e agroindústrias, em busca de soluções aplicáveis ao dia a dia da produção. “A nutrição animal é um dos pilares da eficiência produtiva. O SIAVS reúne essas soluções em um ambiente que favorece a troca de conhecimento e a geração de negócios”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

A programação técnica do evento também abordará temas relacionados ao segmento, com discussões sobre inovação, eficiência produtiva, sustentabilidade e tendências de mercado.

O SIAVS 2026 ocupará 45 mil metros quadrados, crescimento de 65% em relação à edição anterior, e deverá reunir centenas de empresas expositoras e visitantes de mais de 60 países.

Fonte: Assessoria ABPA
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