Avicultura
CO₂, espuma ou nitrogênio na depopulação: rapidez e técnica contra a Influenza aviária
Cada método de depopulação exige planejamento, treinamento e execução precisa para conter rapidamente a IAAP e proteger plantéis, mercados e a saúde animal.

Quando um vírus de alto impacto ameaça a produção avícola, como é o caso da Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), cada minuto conta. Nessas situações, a rapidez da resposta sanitária é determinante para conter a disseminação e proteger não apenas os plantéis, mas toda a cadeia produtiva e os mercados internacionais que dependem da avicultura brasileira. Entre as medidas previstas pelo Plano de Contingência, a depopulação surge como ferramenta central, exigindo preparo técnico, protocolos bem definidos e aplicação imediata no campo.
A IAAP mudou de perfil no Brasil e exige uma nova postura do setor produtivo e das autoridades sanitárias. A avaliação é do médico-veterinário e especialista em Defesa Agropecuária Animal, Bruno Pessamilio, que chama atenção para a necessidade de adotar o que ele define como uma nova cultura da emergência. Segundo ele, por muito tempo o modelo brasileiro de defesa se concentrou quase exclusivamente na biosseguridade preventiva. “Isso continua sendo essencial, mas já não é suficiente. Hoje precisamos ter a mesma ênfase na capacidade de resposta rápida, porque é ela que vai determinar se conseguimos estancar um foco e evitar prejuízos em larga escala”, alertou durante sua participação no Avicultor Mais 2025 – Frangos, Ovos & Peixes, promovido pela Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig), realizado em meados de junho, no Expominas, em Belo Horizonte (MG).
Pessamilio ressalta que o vírus da IAAP já está estabelecido em território nacional, o que altera completamente a percepção de risco. “O perfil mudou. Não é mais apenas um problema das aves migratórias. Hoje o vírus circula na fauna residente, nas nossas aves brasileiras. Isso significa que o risco é permanente”, frisou.
Esse novo cenário se reflete em um aumento expressivo das notificações de suspeitas registradas diariamente, reforçando o trabalho constante do Serviço Veterinário Oficial. “O vírus circulando na fauna residente amplia a ameaça para a avicultura de subsistência, de pequena escala e para as unidades de produção comercial. Além do impacto sanitário direto, ocorre também as restrições comerciais para o país, de forma imediata, com efeitos econômicos graves”, acrescentou.
Para o ingresso do vírus nas granjas, explica o médico-veterinário, o fator mais recorrente está ligado às falhas de biosseguridade, em grande parte associadas ao erro humano. “A porta de entrada quase sempre é uma falha operacional. Por isso, é fundamental que todos na granja – funcionários, gestores e prestadores de serviço – cumpram os protocolos de forma rigorosa. Não basta o Plano de Contingência estar escrito, ele precisa ser executado com disciplina”, reforçou.
Pilares do Plano de Contingência

Médico-veterinário e especialista em Defesa Agropecuária Animal, Bruno Pessamilio: “A decisão sobre o método de depopulação a ser utilizado depende de múltiplos fatores. É preciso considerar o número de aves envolvidas, a estrutura do aviário, os equipamentos disponíveis, os custos e os recursos humanos” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
No contexto da IAAP, o Brasil adota um Plano de Contingência que tem como base quatro objetivos principais. O primeiro é conter a disseminação do vírus, o que envolve interditar o trânsito de aves, produtos e veículos, evitando que a doença ultrapasse o foco inicial.
O segundo é erradicar o agente, estratégia que difere de situações em que o controle permite a convivência com o vírus, como no caso da vacinação. “No caso da Influenza aviária não existe meio-termo, o vírus precisa ser eliminado, e isso significa depopulação, que é o sacrifício dos animais infectados e expostos”, explicou.
O terceiro ponto é minimizar os impactos econômicos. “A velocidade e a eficácia da resposta determinam se as empresas poderão continuar operando, ainda que parcialmente, e em que medida os prejuízos poderão ser reduzidos”, aponta.
O quarto pilar é restabelecer a normalidade, retomando a produção, as exportações e o acesso aos mercados internacionais o mais rápido possível. “A recuperação da confiança externa depende da nossa capacidade de mostrar que temos um sistema ágil e eficiente. Cada dia perdido significa barreiras maiores e prejuízos adicionais”, ressaltou o médico-veterinário.
Preparação como fator decisivo
Para Pessamilio, a diferença entre o êxito e o fracasso em uma emergência está na preparação. “Não se trata apenas de ter equipamentos ou insumos. É preciso ter gente treinada, simulações realizadas, fornecedores mapeados e logística definida. Quando o foco aparece, não há tempo para improvisar”, frisou, lembrando do primeiro registro de IAAP em produção comercial e no foco da Doença de Newcastle, ambos no Rio Grande do Sul, em que a resposta dos órgãos de defesa agropecuária foi ágil, contendo os casos nas áreas de produção infectadas e evitando a disseminação.
O especialista destacou também experiências internacionais, ressaltando a importância da rapidez na resposta a surtos sanitários. Nos Estados Unidos, por exemplo, o vírus já atingiu mais de 50 estados e levou ao sacrifício de mais de 176 milhões de aves desde 2022. A contenção inicial não foi eficaz, o que gerou impactos profundos em toda a cadeia produtiva e mantém focos ativos até hoje. “Precisamos aprender com essa experiência e garantir que, no Brasil, a reação seja sempre imediata, como ocorreu no registro do primeiro e único foco identificado até agora, quando a pronta resposta evitou a disseminação para outras unidades de produção comercial”, frisou.
Métodos de depopulação
No enfrentamento da Influenza aviária, a etapa mais crítica do Plano de Contingência é a depopulação, ou seja, a eutanásia em massa das aves doentes e expostas. A decisão sobre o método a ser utilizado, como explicou Pessamilio, depende de múltiplos fatores. “É preciso considerar o número de aves envolvidas, a estrutura do aviário, os equipamentos disponíveis, os custos e os recursos humanos. Não existe um método único aplicável a todas as situações, e a escolha precisa sempre da aprovação do Ministério da Agricultura”, pontuou.
Os métodos de depopulação podem ser classificados em individuais, indicados para pequenos plantéis ou para finalizar processos, e coletivos, voltados para grandes populações, quando é necessário agir com rapidez e reduzir o contato humano com os animais.
Métodos individuais

Foto: Marcos Bedin/MB Comunicação
Entre as opções de aplicação individual estão os procedimentos mecânicos e elétricos. No primeiro grupo, inclui deslocamento cervical, que pode ser manual ou realizado com auxílio de guilhotina, e a pistola de concussão penetrante, um disparo na cabeça da ave. “Esse último recurso é eficaz, mas requer manuseio muito cuidadoso, porque o risco de acidente é alto se não houver treinamento e disciplina”, observou Pessamilio.
No caso dos métodos elétricos, a eutanásia pode ser feita por imersão em cuba eletrificada ou pelo uso de eletrodos, desde que sejam observados parâmetros técnicos de corrente, frequência e amperagem. Além disso, é obrigatório o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) pelos operadores.
Segundo o médico-veterinário, essas alternativas apresentam limitações. “Os métodos individuais exigem maior contato com as aves, são mais demorados e dependem de operadores bem treinados. Eles têm utilidade em situações pontuais, mas não são viáveis em larga escala”, ponderou.
Métodos coletivos
A depopulação coletiva é aplicada quando há milhares ou até milhões de aves expostas ao risco da doença. Nesse cenário, os recursos mais utilizados são os gasosos e a espuma, ambos com o objetivo de induzir a falta de oxigênio que leva à morte rápida.
No caso dos gases, o CO₂ (dióxido de carbono) é o mais comum, mas também é possível utilizar nitrogênio ou argônio. “O CO₂ provoca hipóxia química, enquanto nitrogênio e argônio ocupam espaço e expulsam o oxigênio do ambiente, causando asfixia. Todos são eficientes, mas exigem cálculos precisos para atingir a concentração letal”, detalhou Pessamilio.
O especialista em Defesa Agropecuária Animal, explicou que a aplicação pode ocorrer em diferentes formatos: vedando todo o aviário, utilizando contêineres, tendas ou mesmo sacos plásticos apropriados. Mas, no Brasil, a realidade traz obstáculos. “A vedação completa de um aviário é um desafio enorme. Aqui, nossas estruturas não foram desenhadas para isso. Se houver qualquer falha de vedação, o gás escapa e a operação perde a eficácia”, frisou.
Outro ponto essencial é o monitoramento constante dos níveis de gás, tanto para garantir a eficiência da eutanásia quanto para proteger os trabalhadores envolvidos. “Estamos lidando com substâncias que podem colocar em risco a saúde do operador. Então não é apenas colocar o gás e esperar. Existe técnica, monitoramento e cálculo. A operação precisa ser científica”, reforçou.
Já a espuma atua de forma diferente: ela provoca hipóxia mecânica, bloqueando as vias respiratórias das aves. O processo depende da mistura de um líquido específico com água e ar, produzindo uma manta que cobre todo o espaço. “A qualidade da bolha é determinante para o sucesso. Se a espuma não tiver consistência adequada, a operação pode falhar”, alertou Pessamilio.
Há ainda a possibilidade de adicionar nitrogênio à espuma, recurso mais eficaz em situações em que as aves estão em alturas elevadas. A tecnologia, no entanto, exige equipamento específico, cálculos de volume e operadores treinados. “Não é apenas ligar a máquina. É preciso entender quanto de solução será usado, qual a taxa de expansão da espuma e como distribuir corretamente no ambiente. Sem esse cuidado, o resultado não será confiável”, advertiu o especialista.
Descarte de carcaças
Concluída a fase de depopulação, a atenção se volta ao destino das carcaças, uma das etapas mais críticas do ponto de vista sanitário e ambiental. Pessamilio reforça que a escolha do método de descarte deve sempre considerar o impacto ambiental e a segurança sanitária, além da viabilidade prática.
Entre as alternativas disponíveis, a compostagem aparece como a mais indicada. Reconhecida pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como a opção mais sustentável, elimina o vírus em até 28 dias, não inviabiliza o terreno, evita a contaminação de lençóis freáticos e permite o reaproveitamento do material como adubo. “É a solução mais segura e que traz benefícios adicionais para o sistema produtivo, mas exige controle rigoroso de temperatura, umidade e aeração”, enfatizou o médico-veterinário.
O enterrio raso, feito a 60 centímetros de profundidade, é a segunda alternativa mais viável, ainda que torne o solo inutilizável por aproximadamente um ano. Já o enterrio profundo é considerado o mais perigoso do ponto de vista ambiental, pois pode levar à mumificação das aves por mais de uma década, inviabilizar áreas inteiras de produção e contaminar aquíferos.
Outros métodos, como a incineração ou cremação, reduzem o risco de disseminação viral, mas apresentam forte impacto na qualidade do ar e não permitem o aproveitamento do material. Já as alternativas tecnológicas, como compostagem acelerada, rota-aceleradores e desidratadores, começam a ganhar espaço, mas ainda enfrentam limitações de custo e escala.
A escolha do método, explicou Pessamilio, é sempre feita em conjunto pelo produtor, Ministério da Agricultura e órgãos ambientais, levando em conta as características do terreno, a quantidade de aves e a disponibilidade de recursos. Ele chamou atenção para a necessidade de planejamento prévio. “Novos projetos de granja já deveriam incluir áreas específicas para descarte, porque a emergência pode acontecer a qualquer momento”, salientou.
Fator determinante
Seja no momento da depopulação ou no descarte, o fator determinante é a preparação. Cada granja, destacou o especialista, deve contar com um Plano de Contingência próprio, detalhando métodos, custos, prazos, fornecedores e equipamentos necessários. A execução, porém, não depende apenas das autoridades sanitárias. “É ilusório pensar que o Serviço Veterinário Oficial vai resolver tudo. A responsabilidade é compartilhada, mas prioritariamente das empresas. A granja precisa ter uma equipe treinada, capacitada e pronta para agir”, afirmou.
A parceria entre produtores, Ministério da Agricultura e órgãos estaduais de defesa agropecuária é essencial, assim como a integração com órgãos ambientais. “Mas, sem preparo individual, o sistema como um todo se fragiliza”, evidencia.
A versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Avicultura
Um em cada três frangos abatidos no Brasil sai do Paraná
Estado respondeu por 35% da produção nacional no primeiro trimestre de 2026, período em que o país atingiu o maior volume de abates da série histórica.

O Paraná ampliou sua liderança na avicultura brasileira e respondeu sozinho por mais de um terço de todos os frangos abatidos no país no primeiro trimestre de 2026. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o estado concentrou 35% do abate nacional no período, mantendo ampla vantagem sobre os demais produtores.

Foto: Ari Dias
Ao todo, o Brasil abateu 1,71 bilhão de frangos entre janeiro e março, resultado 3,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apesar do crescimento anual, houve ligeira retração de 0,5% em relação ao quarto trimestre de 2025.
Ainda assim, o desempenho foi suficiente para garantir o melhor resultado já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do IBGE, em 1997. O mesmo ocorreu com os abates de bovinos e suínos, indicando um começo de ano marcado por volumes recordes nas principais cadeias de proteína animal do país.
A distância do Paraná em relação aos demais estados ajuda a dimensionar a importância da avicultura na economia estadual. Com participação de 35%, o estado produz praticamente três vezes mais do que o quarto colocado nacional.
Na sequência aparecem Santa Catarina, com 13,3% do total abatido, Rio Grande do Sul, com 11,8%, e São Paulo, com 10,9%. Juntos, os quatro estados responderam por mais de 70% do abate nacional de frangos no primeiro trimestre.
Produção de carne cresce acima do ritmo de abate
Além do aumento no número de aves abatidas, a produção de carne de frango registrou expansão ainda maior no

Foto: Ari Dias
início deste ano.
O peso acumulado das carcaças alcançou 3,73 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, alta de 6,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2,2% frente ao trimestre imediatamente anterior.
O crescimento da produção em ritmo superior ao do abate indica ganho de eficiência na cadeia produtiva, com aves mais pesadas e melhor aproveitamento dos sistemas de criação e processamento.
A avicultura brasileira ocupa posição estratégica no agronegócio nacional. Além de atender ao mercado interno, o setor é fortemente orientado às exportações e possui no Sul do país sua principal base produtiva, sustentada pela integração entre produtores, cooperativas e agroindústrias.
Os números divulgados pelo IBGE reforçam essa concentração. Somente Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul responderam por 60,1% do abate nacional no primeiro trimestre, confirmando a Região Sul como o principal polo da produção brasileira de carne de frango.
Avicultura
Galinhas livres de gaiolas e foco em biossegurança garantem produção de ovos bem-sucedida
Plantel de 500 mil aves, produção sem antibióticos melhoradores de desempenho e certificação em bem-estar animal sustentam o modelo adotado pela Planalto Ovos há oito anos.

Galinhas livres de gaiolas, biosseguridade e a adoção de sistemas preventivos e sustentáveis garantem há oito anos o sucesso da Planalto Ovos, cujos resultados produtivos obtidos ao longo da sua trajetória demonstram a consistência do modelo escolhido para sua operação desde a concepção do projeto. Membro fundadora da Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA), a empresa mantém hoje um plantel de aproximadamente 500 mil aves, distribuídas entre diferentes unidades produtivas em Minas Gerais.

Foto: Divulgação
A decisão de adotar a criação de galinhas livres foi influenciada pela experiência prévia dos sócios na avicultura, construída entre 1964 e 2017 na Granja Planalto, e pela avaliação de que o modelo permitiria estruturar uma produção baseada em manejo cuidadoso, disciplina sanitária e qualidade do produto.
Em 2018, o mercado brasileiro de ovos provenientes de sistemas alternativos ainda era pouco desenvolvido. Existiam iniciativas pontuais, muitas vezes de pequena escala e com baixa padronização de processos. Porém, as mudanças observadas em mercados internacionais indicavam que modelos de criação que proporcionassem melhores condições às aves tenderiam a ganhar relevância ao longo do tempo. Esse contexto sinalizava uma oportunidade para a Planalto, que desde o início descartou a ideia de realizar uma transição gradual a partir de estruturas convencionais.
Toda a produção da empresa é desde então conduzida em sistemas livres de gaiolas ou caipira e integralmente certificada em bem-estar animal, para estabelecer um elevado padrão produtivo para todas as aves, independentemente do destino comercial dos ovos. Essa abordagem contribui para maior consistência operacional e reforça o princípio de que as práticas de manejo e as condições de criação devem ser uniformes em todo o plantel.
Biosseguridade como eixo central da produção
Desde a concepção do projeto, a biosseguridade foi estabelecida como um dos principais pilares da operação. Inicialmente havia preocupação de que a criação no piso pudesse ampliar o risco de desafios sanitários. Na prática, a experiência demonstrou que um programa robusto de prevenção, aliado a boas condições de manejo, permite manter estabilidade sanitária e consistência produtiva.

Foto: Divulgação
Um dos desdobramentos dessa abordagem foi conduzir a produção sem utilização de antibióticos como melhoradores de desempenho. Para viabilizar esse modelo, a empresa estruturou um conjunto integrado de medidas preventivas, baseadas em biosseguridade rigorosa, nutrição equilibrada e manejo adequado das aves.
Nesse contexto, são utilizadas alternativas tecnológicas que contribuem para a saúde intestinal e para a estabilidade da microbiota das aves, como probióticos e simbióticos, ácidos orgânicos e óleos essenciais. Essas ferramentas auxiliam na manutenção do equilíbrio microbiológico e reduzem a necessidade de intervenções terapêuticas ao longo do ciclo produtivo.
A abordagem está alinhada ao conceito de Saúde Única, que reconhece a interdependência entre saúde animal, saúde humana e equilíbrio ambiental, reforçando a importância de sistemas produtivos preventivos e sustentáveis.
A estrutura produtiva é compartimentalizada, com unidades fisicamente separadas (fábrica de ração, fazendas e entreposto de ovos), o que, apesar de aumentar a complexidade logística, reduz significativamente o risco de disseminação de patógenos.
O manejo sanitário inclui vacinação, monitoramento, controle de acesso e desinfecção, com atenção adicional, em sistemas no piso, ao manejo da cama, escolha do ninho e prevenção de endoparasitas.
Reconhecimento internacional
Os resultados produtivos obtidos demonstram a consistência do modelo adotado. Um dos marcos mais relevantes foi o reconhecimento de um lote da linhagem Lohmann como o mais produtivo já registrado pela genética, atingindo 593,8 ovos por ave alojada.
A empresa também recebeu em 2024 o Good Egg Award, concedido pelo ONG de bem-estar animal internacional Compassion in World Farming. A premiação reconhece empresas que adotam padrões elevados de criação e práticas alinhadas à melhoria das condições de vida das galinhas poedeiras.

Diretor da Planalto Ovos, Daniel Mohallem: “A viabilidade de sistemas livres de gaiolas depende menos de discurso e mais de execução: planejamento, disciplina sanitária, observação das aves, equipe capacitada e expansão alinhada à demanda” – Foto: Divulgação
Segundo a empresa, esses reconhecimentos demonstram que essas dimensões não são conflitantes, mas que é possível combinar altos níveis de bem-estar animal com alta e consistente produtividade.
Cooperação e perspectivas para o setor
A participação na criação da COBEA está alinhada à visão de que iniciativas colaborativas podem acelerar o aprendizado do setor. A troca de experiências entre empresas, academia e organizações da cadeia produtiva contribui para ampliar o alcance de boas práticas e fortalecer discussões técnicas e estratégicas sobre produção animal.
Na avaliação da Planalto Ovos, o Brasil tem capacidade técnica para avançar, mas enfrenta desafios como acesso a financiamento, custos mais altos e necessidade de melhor organização comercial; nesse contexto, certificações independentes são chave para diferenciar boas práticas e dar transparência ao mercado. “A viabilidade de sistemas livres de gaiolas depende menos de discurso e mais de execução: planejamento, disciplina sanitária, observação das aves, equipe capacitada e expansão alinhada à demanda. Nossa participação na COBEA serve não apenas para compartilhar nossa experiência com outros, mas também para evoluir em conjunto e promover a colaboração necessária em toda a cadeia de valor, o que pode ajudar a acelerar a transição para sistemas de produção que promovam um melhor bem-estar animal”, afirma o diretor da Planalto Ovos, Daniel Mohallem.
Avicultura
Produção de ovos supera 1,2 bilhão de dúzias no Brasil
São Paulo mantém liderança com quase um quarto da produção nacional, enquanto Paraná aparece na terceira posição entre os maiores produtores do país.

A produção brasileira de ovos de galinha atingiu 1,21 bilhão de dúzias no primeiro trimestre de 2026, mantendo-se em um dos maiores patamares da série histórica, embora tenha mostrado sinais de desaceleração na comparação com os meses finais do ano passado.

Foto: Rodrigo Felix Leal
Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que o volume produzido entre janeiro e março foi 0,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Em relação ao quarto trimestre do ano passado, porém, houve retração de 3,5%.
Mesmo com a queda trimestral, a produção permanece acima de 1,2 bilhão de dúzias, evidenciando a dimensão da avicultura de postura brasileira e a capacidade do setor de sustentar elevados níveis de oferta para atender tanto o mercado interno quanto a crescente demanda da indústria alimentícia.
A produção de ovos vem registrando crescimento contínuo nos últimos anos, impulsionada principalmente pelo aumento do consumo doméstico. O alimento ganhou ainda mais espaço na dieta dos brasileiros por apresentar custo relativamente menor em comparação a outras proteínas animais e por sua versatilidade de consumo.
Entre os estados, São Paulo manteve ampla liderança nacional. O estado respondeu por 24,6% de toda a produção

Foto: Rodrigo Felix Leal
brasileira no primeiro trimestre, o equivalente a praticamente uma em cada ოთხro dúzias produzidas no país.
Na sequência aparecem Minas Gerais, com participação de 10,2%, Paraná, com 9,8%, e Espírito Santo, responsável por 7,9% do total nacional. Juntos, os quatro estados concentram mais da metade da produção brasileira de ovos, demonstrando a forte regionalização da atividade.
Consumo interno sustenta produção elevada
Embora a variação anual tenha sido modesta, o desempenho do setor confirma a estabilidade da produção em níveis historicamente elevados. A demanda doméstica segue como principal sustentação da atividade, favorecida pelo aumento do consumo per capita e pela busca dos consumidores por proteínas de menor custo.

Foto: Giovanna Curado
No Paraná, terceiro maior produtor do país, a avicultura de postura desempenha papel relevante na economia agropecuária, com forte presença de granjas tecnificadas e integração com a indústria de alimentos. O estado se mantém entre os principais polos produtores nacionais, ao lado de São Paulo e Minas Gerais.
Os números integram as Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha referentes ao primeiro trimestre de 2026, divulgadas pelo IBGE. O levantamento acompanha a evolução da produção agropecuária brasileira e serve de referência para o monitoramento da oferta de alimentos e da dinâmica das cadeias produtivas do país.



