Notícias Pecuária leiteira
CNA apresenta resultados do projeto Campo Futuro
Santa Catarina esteve entre os Estados com resultados divulgados na primeira live do Circuito realizada nesta semana,

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) iniciou na segunda (24) o Circuito de Resultados do Projeto Campo Futuro, com a apresentação dos custos de produção da pecuária de leite. A primeira live mostrou os resultados da atividade em 12 municípios de quatro Estados brasileiros – Santa Catarina, Sergipe, Pernambuco e Rio de Janeiro. De acordo com os dados coletados, os fatores climáticos e a alta nos custos de produção trouxeram desafios aos produtores e limitaram as margens da atividade no último ano.
Durante o encontro, o assessor técnico da CNA, Guilherme Dias, afirmou que, com base nos dados analisados, a produtividade segue como fator determinante para a competividade da pecuária de leite. “Do ponto de vista da eficiência, é necessário ter uma visão mais abrangente, considerando a eficiência não somente dos animais em produção, mas da mão-de-obra e da terra, no sentido de diluir custos em maiores volumes de produção”, explicou Dias.
O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Caio Monteiro, apresentou os resultados dos painéis realizados em cada região. Segundo ele, em Santa Catarina, houve uma mudança do perfil produtivo, principalmente no município de Chapecó, em relação ao último painel realizado. “Em 2019, a propriedade modal trabalhava com o sistema semiconfinado e em 2022 constatamos a transição para o sistema confinado. Entretanto, os animais de Chapecó e também de São Miguel do Oeste ainda não estão demonstrando todo o potencial produtivo para um sistema confinado”, disse Caio.
Já em Sergipe, foram observadas duas realidades distintas no que diz respeito à produtividade. Na propriedade modal de Aracaju, por exemplo, são produzidos 700 litros de leite por dia, e em Nossa Senhora da Glória, 300 litros/dia. “Apesar da diferença, ambos os municípios obtiveram margens bruta e líquida positivas e apresentaram planejamento forrageiro satisfatório para o rebanho”, explicou Monteiro.
Em Pernambuco, nos municípios analisados (Bodocó, Buíque e Garanhuns), o clima foi favorável durante o ciclo de produção e foi observado o uso da palma forrageira como suprimento alimentar, bastante comum na região. Já no Rio de Janeiro, os técnicos do Projeto Campo Futuro constataram um menor grau de especialização em relação às outras regiões, pouco investimento na produção de volumoso, forte influência da pecuária de corte e margens líquidas negativas.
De acordo com o pesquisador do Cepea, foi constatada a presença da palma forrageira e de outras estratégias para conservação de forragens como recurso alimentar na maioria das regiões analisadas. “A silagem é fundamental na pecuária de leite e impacta positivamente nos custos de produção, uma vez que uma boa produção permite ao produtor suprimir a necessidade de compra de volumoso de fora da propriedade e até reduzir o concentrado na alimentação animal”.
Para o assessor da CNA, Guilherme Dias, essa estratégia se torna ainda mais importante no cenário de custos de produção elevados. “As altas nos preços do milho enfrentadas pelos produtores ano passado prejudicaram sobremaneira a produção de leite”, avaliou. Dias ponderou que “o cenário de margens estreitas limitou os investimentos no aumento ou até mesmo na manutenção da produção. O resultado foi uma queda na captação nacional de leite superior à um bilhão de litros no primeiro semestre de 2022, conforme pontuado pelo IBGE”.
O pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Samuel Oliveira, também participou da live e apresentou um panorama da atividade leiteira no Brasil e no mundo e pontuou os desafios nos principais países produtores, como a redução do número de fazendas produtoras de leite. “Nós ainda somos um país com baixa produtividade em relação aos principais países produtores de leite. Entretanto, está havendo uma transformação tecnológica em todas as regiões, que tem impactado no resultado da produção de leite por vaca ao ano”, salientou Oliveira.
Em sua apresentação, Oliveira destacou a variação do preço pago ao produtor pelo litro de leite entre janeiro de 2020 a setembro de 2022 e a relação de troca ao produtor, ou seja, quantos litros de leite são necessários para comprar 60 quilos de mistura, sendo 70% composto por milho e 30% por soja. “Os números mostram que atravessamos um período em que os preços pagos ao produtor não foram satisfatórios”.
Por fim, o pesquisador da Embrapa Gado de Leite falou sobre os principais desafios da pecuária leiteira, como a tecnologia e o agrupamento de regiões especializadas na atividade; a gestão da propriedade; custos fixos e a necessidade de diluir os custos variáveis; aumento na escala de produção do delineamento de estratégias para o pagamento aos produtores por serviços ambientais.
Projeto Campo Futuro
É uma iniciativa realizada pela CNA e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em parceria com universidades e centros de pesquisa para levantamento dos custos de produção e geração de informação para o aprimorar a gestão rural, auxiliando o produtor na tomada de decisões no dia a dia na sua atividade.

Notícias
Copercampos reinaugura unidade de grãos em Otacílio Costa com investimento de R$ 16 milhões
Estrutura modernizada aumenta capacidade e agilidade no recebimento de soja e milho, beneficiando produtores da região.

A Copercampos reinaugurou nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, a unidade de armazenagem de grãos de Otacílio Costa, na serra catarinense, após um amplo processo de modernização que recebeu investimentos superiores a R$ 16 milhões. A estrutura, implantada originalmente em 2012, ganhou nova moega, secador, instalação de tombador, caixa de carregamento e silo de armazenagem, garantindo mais eficiência, segurança e rapidez no fluxo de recebimento.
Com as melhorias, a unidade passa a ter capacidade estática de 380 mil sacos de 60 kg, além de maior agilidade operacional durante a safra, reduzindo filas e otimizando a logística dos associados da região.
Segundo o presidente da Copercampos, Luiz Carlos Chiocca, a obra atende uma necessidade prática do produtor, principalmente pelo ritmo acelerado da colheita no município. “Hoje estamos aqui em Otacílio inaugurando uma obra de suma importância para o produtor, que vai agilizar a sua colheita e o descarregamento, evitando filas e transtornos. Aqui a safra ocorre muito rápido devido ao clima e isso traz um grande benefício”.
Para o Diretor Superintendente da Copercampos e também produtor associado Lucas de Almeida Chiocca, que atua na região há mais de 15 anos, o investimento reforça a proximidade da cooperativa com quem produz. “Eu, como produtor há mais de 15 anos em Otacílio Costa, saio daqui com o coração cheio de alegria. A Copercampos mais uma vez está do lado do produtor, fazendo um grande investimento para resolver o problema do momento. O mais importante é o recolhimento do grão.”
O crescimento também foi destacado pelo prefeito de Otacílio Costa, Fabiano Baldessar, que ressaltou a transformação produtiva do município ao longo dos anos. “Otacílio Costa saiu de 700 a 800 hectares de lavoura entre 2009 e 2011 para hoje mais de 17 mil hectares, segundo dados da Epagri. Essa reinauguração é mais uma conquista e representa uma segunda virada de chave no agro do nosso município”, comentou.
A estrutura ampliada já será fundamental para a safra 2026, cuja previsão de recebimento é de aproximadamente 500 mil sacos de soja e 100 mil sacos de milho, volume que demonstra o novo patamar produtivo regional.
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Preços agropecuários caem 3,75% em janeiro, aponta Cepea
Todas as categorias registraram queda, com hortifrutícolas e grãos liderando a retração mensal.

Em janeiro, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou queda nominal de 3,75% em relação ao mês anterior.
O resultado mensal se deve à retração observada para todos os subgrupos do Índice, com destaque para o IPPA- Hortifrutícolas (-7,69%) e o IPPA-Grãos (-5,44%), seguidos pelo IPPA-Pecuária (-2,74%) e pelo IPPA-Cana-Café (-0,63%).
Já o IPA-OG-DI apresentou leve alta de 0,92% no mês, indicando que, em janeiro, os preços agropecuários tiveram desempenho inferior ao dos industriais.
No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares avançaram 0,33%, enquanto o Real se valorizou 2,11%, o que resultou em queda de 1,79% dos preços internacionais de alimentos medidos em reais.
Na comparação anual (janeiro/26 frente a janeiro/25), o IPPA/CEPEA caiu expressivos 8,19%, com quedas em todos os grupos: IPPA-Hortifrutícolas (-17,68%), IPPA-Cana-Café (-8,78%), IPPA-Grãos (-7,85%) e IPPA-Pecuária (-7,09%). No mesmo período, o IPA-OG-DI se desacelerou 2,21%, e os preços internacionais de alimentos acumulam queda de 19,12% em Reais e de 8,76% em dólares, refletindo também a valorização de 11,36% do Real em um ano.
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Cooperativas fortalecem cadeias de aves, suínos e leite em Santa Catarina
Dados apresentados mostram que 70% dos avicultores da cooperativa já possuem sucessão familiar definida, garantindo continuidade no campo.

Reflexões estratégicas sobre o futuro do cooperativismo, o protagonismo jovem e a força das cadeias produtivas catarinenses. Assim iniciou a programação do Sebrae/SC no terceiro dia do 27º Itaipu Rural Show em Pinhalzinho. O evento reuniu duas palestras que dialogaram diretamente com os desafios e as oportunidades do agronegócio: União que Gera Valor: Engajamento e Cooperativismo no Campo, com Dieisson Pivoto, e Cadeia de Aves e Suínos em SC, com Marcos Zordan.

Diretor vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan
Pivoto destacou como o cooperativismo transforma união em desenvolvimento econômico e social. Ele apresentou a trajetória da Cooper Itaipu como exemplo de organização e visão estratégica. Também abordou a atuação da Aurora Coop, formada por 14 cooperativas, com mais de 850 produtos no portfólio e presença em mais de 80 países, a cooperativa demonstra a dimensão que o modelo pode alcançar quando há integração e gestão eficiente.
Entre as contribuições da cooperativa aos seus sócios e à comunidade, Pivoto ressaltou a geração de renda ao cooperado, a assistência técnica no campo, a industrialização da produção e a criação de oportunidades que fortalecem toda a região. “Somos parte importante na alimentação do mundo. O cooperativismo gera valor quando fortalece o produtor, apoia a comunidade e prepara as próximas gerações para dar continuidade a esse legado”, afirmou.
Com foco especial na juventude, a palestra abordou a necessidade de incentivar o cooperativismo desde cedo, aproximando os jovens do modelo e reforçando seu papel na tradição e na inovação. O futuro do cooperativismo, segundo ele, depende diretamente do engajamento das novas gerações.
O diretor técnico do Sebrae/SC, Fábio Zanuzzi, aprofundou o debate ao falar sobre sucessão e permanência no campo. “Um dos grandes desafios é a continuidade não só do jovem na propriedade rural, mas também no modelo cooperativista. Temos percebido mudanças de comportamento entre as gerações, e isso exige uma comunicação mais próxima e estratégica. Precisamos ouvir o jovem, entender seus anseios e reconhecer que a velocidade dele é diferente da geração anterior”.
Cadeia de aves e suínos

Complementando a programação, a palestra “Cadeia de Aves e Suínos em SC”, ministrada pelo vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan, trouxe uma análise sobre a importância estratégica dessas cadeias produtivas para a economia catarinense e nacional. “Conectamos a cadeia de suínos, aves e leite ao cooperativismo, seja por meio da Aurora Coop ou das cooperativas filiadas. Precisamos mostrar ao produtor o que estamos fazendo e o que o futuro nos espera nessas atividades”, explicou.
Zordan esclareceu a diferença entre os sistemas de integração, como ocorre na suinocultura, avicultura e na produção independente do leite, ressaltando a importância da segurança para o produtor na tomada de decisão. “Precisamos que esses produtores sintam firmeza ao decidir investir nessas atividades. O futuro aponta para aumento do consumo de alimentos e isso exige produtividade. E produtividade é a única forma de melhorar a rentabilidade”, enfatizou.
O vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop expôs dados relevantes da avicultura regional. “Atualmente, cerca de 70% dos avicultores ligados a Aurora Coop já têm sucessão familiar encaminhada. No Brasil, esse índice gira entre 3% e 5%. Isso é resultado de um trabalho contínuo das cooperativas, das filiadas, da cooperativa e de todos que fortalecem o setor. Quando o produtor tem renda compatível, o filho fica na propriedade. Se o filho fica, a sucessão está garantida”, salientou.
Capacitação

Palestrante Dieisson Pivoto – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
“Encerramos a rodada de palestras desta sexta-feira (20), demonstrando a importância do desenvolvimento regional com iniciativas como o Programa Encadeamento Produtivo. Quando estruturamos as cadeias de aves, suínos e leite dentro de uma lógica cooperativista, estamos fortalecendo todos os elos, da produção primária à industrialização, da assistência técnica ao acesso ao mercado. Isso gera previsibilidade, competitividade e sustentabilidade econômica para o produtor”, concluiu Zanuzzi.
A atuação do Sebrae/SC qualifica esses elos, promove integração, gestão eficiente, inovação e planejamento estratégico. O desenvolvimento não ocorre apenas pelo aumento de produção, mas pela organização sistêmica da cadeia, adoção de tecnologia, ganho de produtividade e agregação de valor.



