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Clima, certificação e assistência técnica sustentam avanço da produção de sementes no Paraná
Palmas figura entre os municípios polo na produção de sementes de soja e batata, com atuação integrada de cooperativas, sementeiras e produtores.

O município de Palmas, no Sudoeste do Paraná, é um importante centro de produção de sementes de soja e batata. As condições climáticas fazem da microrregião uma das preferidas para a instalação de cultivos pelas empresas sementeiras.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
De acordo com os últimos dados disponíveis, referentes à safra 2023/24, Palmas foi responsável pela produção de 47,6 mil toneladas de semente de soja, 9,2% de toda a produção do Paraná de acordo com levantamento do Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). O volume também representou 34,1% do total da microrregião, que é formada, ainda, por Clevelândia, Coronel Domingos Soares, Honório Serpa e Mangueirinha.
Saíram do município, no mesmo período, 9,37 mil toneladas de batata semente, o que correspondeu a 26% do total produzido no Estado. No que se refere a volume total (consumo e semente) os municípios de Guarapuava e Pinhão são os dois maiores produtores, com 119,8 mil toneladas e 93,1 mil toneladas respectivamente. Palmas fica na terceira posição, de acordo com o Deral.
A produção de sementes é uma atividade que envolve cooperativas e sementeiras. Para atender a demanda, as empresas fazem contratos com pequenos, médios e grandes produtores. Assim, eles passam a contar com acompanhamento técnico necessário para que a produção de sementes atenda às exigências de qualidade e obtenham a certificação.
Lucas Fernando Oliveira dos Santos, extensionista do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) de Palmas, vê com

Foto: Gilson Abreu/AEN
bons olhos esse crescimento na produção de semente de soja. “Isso mostra mais um potencial para a microrregião de Palmas, além da madeira”, afirma Santos, ressaltando o potencial para crescer ainda mais.
Soja
Na safra 23/24, conforme o levantamento do VBP (Valor Bruto de Produção), do Deral, o Paraná teve uma produção total de 18.778,5 milhões de toneladas de soja em uma área cultivada de 5.828,2 milhões/ha. Desse volume de produção, 2,75% (517,1 mil toneladas) correspondem à produção de sementes.
Considerando-se a produção dos cinco municípios que formam a microrregião de Palmas, a produção de semente de soja chegou a 122.267 mil toneladas, ou 23,6% do volume produzido no Estado. Se levado em conta que o volume médio de uso de sementes fica entre 55 e 60 kg/ha, a região produz sementes o suficiente para cobrir uma área entre 2,3 a 2,5 milhões de hectares.
O município de Tibagi ocupa a segunda posição na produção de sementes de soja, com 36 mil toneladas, na safra 23/24. Mangueirinha

Foto: José Fernando Ogura/AEN
vem em seguida com 34,2 mil/ toneladas. Arapoti e Marilândia do Sul ficam em quarto lugar, com quase 24 mil toneladas. As sementes produzidas no Paraná também são comercializadas em Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Microclima
O agrônomo Vilmar Grando, do IDR-Paraná de Pato Branco, explica que o clima de Palmas é muito favorável para a produção de sementes. Segundo ele, a altitude do município, cerca de 1000 metros acima do nível do mar, forma um microclima cuja temperatura média no verão é de 25ºC, enquanto em regiões a 500 metros do mar, chega facilmente a 30ºC. “A soja tem um bom desenvolvimento quando a temperatura fica entre 20º C e 30ºC. Acima dessa faixa a planta desestrutura algumas proteínas e perde a qualidade do grão”, disse Grando.

Foto: José Fernando Ogura
Durante a noite a temperatura média também ajuda as lavouras, ficando entre 15ºC e 18ºC. O agrônomo acrescentou que nessas condições a soja tem um menor gasto de energia, facilitando o ganho energético. “A planta respira menos e armazena mais energia que é dirigida à produção dos grãos, o que confere mais qualidade à semente. Nas regiões com altitude abaixo de 600 metros do nível do mar, os dias e as noites são mais quentes e não favorecem a planta”, ressaltou.
Outro fator importante para o sucesso da produção de sementes no entorno de Palmas é o regime de chuvas. Mesmo com os eventos extremos que vêm ocorrendo por causa das mudanças climáticas, Grando explica que o microclima da região tem se mantido estável, o que dá estabilidade à produção. “Nos últimos anos não registramos grandes perdas causadas por estiagem na região”, afirmou.
De acordo com o agrônomo, a ocorrência de temperaturas menores também aumenta o teor de matéria orgânica no solo, melhorando as condições nas áreas de cultivo. Além das condições climáticas, os produtores ainda contam com outras facilidades. O IDR-Paraná mantém uma estrutura de câmara fria em Palmas, onde a batata semente produzida na região pode ficar armazenada até o plantio.

Colunistas
Você está desperdiçando o dinheiro do marketing?
Conheça três pontos que podem contribuir para um melhor desempenho.

Durante a conversa com um grande amigo, lembrei, recentemente, de uma experiência que tive no agronegócio. Uma empresa de nutrição animal precisava aumentar a visibilidade junto a potenciais clientes e entrou em contato com a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.
O gerente de marketing compartilhou o briefing de forma clara e objetiva: “precisamos aparecer em mídias estratégicas, locais e nacionais, e também ampliar a nossa presença em canais digitais. A concorrência está grande e precisamos ser mais reconhecidos no campo. Isso vai ajudar a fechar negócios”.
Após algumas reuniões, finalizamos o planejamento de assessoria de imprensa e de redes sociais, definindo a linguagem, os temas e os principais objetivos a serem atingidos em curto e médio prazo.
Rapidamente, os porta-vozes foram definidos e participaram de um media training, no qual a Ação Estratégica apresentou dicas para os executivos terem um desempenho ainda melhor nas futuras entrevistas com jornalistas.
Como próximo passo, a mídia recebeu sugestões de notícias sobre a empresa e as redes sociais foram abastecidas com conteúdo relevante sobre o ecossistema em que a empresa atua.
Em poucos meses, os materiais divulgados causaram um grande impacto, maior do que o esperado. Potenciais clientes fizeram vários comentários nos posts publicados, mandaram mensagens em privado e também entraram em contato com a empresa via WhatsApp.
O sucesso desta ação teve três pontos centrais:
1) Análise
O cliente compartilhou importantes informações, na etapa do planejamento, sobre os perfis dos potenciais clientes. Essas informações propiciaram uma análise consistente de cenário.
2) Integração
O movimento foi realizado em total sintonia com o departamento de vendas, com o objetivo de potencializar as oportunidades de negócios.
3) Correção
Com frequência, realizamos reuniões para a correção de rotas, o que contribuiu para as divulgações serem sempre relevantes.
A importância desses três pontos (Análise, Integração e Correção) vai além do sucesso de uma ação específica. Se bem utilizados, eles contribuem diretamente para uma melhor utilização dos recursos, evitando, de forma contínua, o desperdício de dinheiro, e também propiciam um rico aprendizado a ser utilizado nas próximas atividades.
Afinal, com experiência, informação e estratégia adequada, melhoramos o nosso desempenho, não é mesmo?
Notícias
Mercado de fertilizantes no Brasil mantém forte dependência de importações
Volume soma 40,9 milhões de toneladas até outubro de 2025, com Mato Grosso liderando o consumo nacional.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 5,08 milhões de toneladas em outubro de 2025, alta de 2,1% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando foram comercializadas 4,98 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA). No acumulado de janeiro a outubro foram registradas 40,94 milhões de toneladas entregues, com alta de 8,4% em comparação a igual período de 2024, quando o total foram entregues 37,78 milhões de toneladas.
O Estado de Mato Grosso manteve a liderança no consumo, com participação de 22,1% do total nacional, o equivalente a 9,05 milhões de toneladas. Na sequência aparecem Paraná (4,97 milhões), São Paulo (4,35 milhões), Rio Grande do Sul (4,21 milhões) Goiás (3,99 milhões), Minas Gerais (3,90 milhões) e Bahia (2,75 milhões).
A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou outubro de 2025 em 631 mil toneladas, registrando uma queda de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a outubro, o volume chegou a 6,20 milhões de toneladas, avanço de 5,7% em relação com as 5,87 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
As importações alcançaram no mês de outubro de 2025, 4,38 milhões de toneladas, redução de 1,1% sobre igual período do ano anterior. De janeiro a outubro, o total importado somou 35,88 milhões de toneladas, com crescimento de 7,1% em relação as 33,49 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal ponto de entrada do insumo, foram importadas 8,89 mil toneladas no período, crescimento de 5,8% frente a 2024 (8,40 milhões de toneladas). O terminal representou 24,8% do total de todos os portos, segundo dados do Siacesp/MDIC.
Notícias
Produtores têm até 31 de janeiro para regularizar inconsistências fiscais
Receita Federal intensifica fiscalização sobre rendimentos rurais e alerta para risco de autuações e multas após o prazo.

A Receita Federal do Brasil intensificou as orientações voltadas à conformidade fiscal no setor rural, com atenção especial aos rendimentos oriundos de arrendamentos de imóveis rurais. A iniciativa integra uma ação nacional de conformidade cujo objetivo é estimular a autorregularização dos contribuintes, permitindo a correção de inconsistências até janeiro de 2026, antes do avanço para etapas de fiscalização mais rigorosas.
Segundo o órgão, é recorrente a subdeclaração ou o enquadramento incorreto dos valores recebidos com arrendamentos, seja por desconhecimento da legislação tributária, seja por falhas no preenchimento das declarações. Para identificar divergências, a Receita Federal tem ampliado o uso de cruzamento de dados, recorrendo a informações de cartórios, registros de imóveis rurais e movimentações financeiras, em um ambiente de fiscalização cada vez mais digital e integrado.

Foto: Jonathan Campos/AEN
O advogado tributarista Gianlucca Contiero Murari avalia que o atual movimento do Fisco representa um ponto de atenção relevante para produtores rurais e proprietários de terras. “A autorregularização é uma oportunidade valiosa para o contribuinte rural corrigir falhas, evitar autuações, multas elevadas e até questionamentos mais complexos no futuro. A Receita Federal tem adotado uma postura cada vez mais preventiva, mas com fiscalização altamente tecnológica”, afirma.
Murari ressalta que os rendimentos provenientes de arrendamento rural exigem cuidado específico no enquadramento e na declaração, de acordo com as regras do Imposto de Renda. Isso inclui a avaliação sobre a tributação como pessoa física ou jurídica, conforme a estrutura da operação. “É fundamental que o produtor ou proprietário busque orientação especializada para avaliar contratos, natureza dos rendimentos e a forma correta de declarar. Um ajuste feito agora é muito menos oneroso do que uma autuação depois”, completa.



