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Notícias Safra 2019/2020

Clima adverso indica replantio para soja do Brasil e eleva atenção sobre 2ª safra

Irregularidade climática, que atrasa o plantio da soja, acentua ainda os riscos de um atraso no ciclo para a segunda safra

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Hugo Harada

A demora para a normalização das chuvas nas principais regiões produtoras de soja no Brasil resultará em replantio de algumas áreas em que agricultores se arriscaram a plantar com baixa umidade ou “no pó”, segundo agrometeorologistas.

A irregularidade climática, que atrasa o plantio da soja, acentua ainda os riscos de um atraso no ciclo para a segunda safra, de milho ou algodão, que são semeados após a colheita da oleaginosa.

“As regiões em que mais está pegando (o clima irregular) estão localizadas no Paraná, que está realmente com problema, e algumas áreas de São Paulo. Não está chovendo direito e prejudica a germinação (da soja), e já está tendo replantio em algumas áreas…”, afirmou à Reuters o agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos.

Mas essa adversidade não impacta as perspectivas da safra de soja 2019/20 no maior exportador global, pois ainda haverá tempo para semear os campos dentro de boa janela climática, acrescentaram os especialistas consultados pela Reuters.

“Quem arriscou plantar logo depois do vazio sanitário, esse é quase garantido que terá de fazer o replantio. A planta germinou, mas teve calor. Quem plantou no pó, tem chance de fazer replantio”, acrescentou o agrônomo Paulo Cesar Sentelhas, agrometeorologista do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), entidade que reúne pesquisadores do setor.

O replantio aumenta os custos dos produtores com sementes e combustíveis, já que o trabalho tem de ser refeito.

Dados meteorológicos publicados no terminal Eikon, da Refinitiv, apontam que algumas áreas de Paraná —Estado que está entre os principais produtores do Brasil— estão entre as que receberam menos chuvas nos últimos 15 dias, colaborando para que o plantio avançasse para 22% da área até segunda-feira (07), ante 38% na mesma época de 2018.

Segundo Santos, da Rural Clima, as condições na safra 2019/20 estão muito parecidas com as registradas em 2017/18, quando o plantio também atrasou e o Brasil colheu sua última safra recorde de soja, de quase 120 milhões de toneladas, segundo os números oficiais.

Para o ciclo atual, analistas de mercado esperam a produção de mais de 120 milhões de toneladas da oleaginosa. “Este ano pode ser perfeito (para a soja). Lembra que em 2017 também houve um atraso gigantesco e foi a melhor safra de soja do Brasil? Atrasar o plantio de soja não significa quebra de produtividade. Quem está replantando ainda tem como recuperar, é muito cedo para falar em quebra de produtividade”, comentou.

Os modelos climáticos apontam que as chuvas não devem se regularizar em outubro, o que aconteceria somente a partir de novembro nas principais regiões produtoras, garantindo boa umidade para quem plantar mais tarde.

Segundo o especialista da Rural Clima, o plantio de soja no Brasil, em 5% da área até o início da semana, está atrasado ante os 10% da mesma época de 2018, mas em ritmo não muito diferente da média histórica para esta época, de 6%.

De acordo com Sentelhas, do CESB, as condições de umidade no solo nas principais regiões produtoras se mostram desfavoráveis e as previsões indicam pouca chuva no centro-sul em outubro.

Dados do Eikon apontam chuvas abaixo da média histórica na maior parte do centro-sul do Brasil até pelo menos o próximo dia 23.

Aquele produtor que pode esperar até novembro tem uma situação mais tranquila para a soja, destacou o agrometeorologista do CESB. “Se ele fizer a semeadura a partir de novembro, a previsão climática está indicando chuvas dentro da normalidade”, destacou.

Atenção para a 2ª safra?

Se para a soja um plantio mais atrasado em 2017/18 ajudou numa safra recorde durante a temporada, para o milho segunda safra —que responde por cerca de 75% da colheita brasileira do cereal— o evento colaborou para uma quebra 17,5% ante o período anterior, já que faltou chuva para uma cultura semeada com atraso.

Mas Santos avalia que há ainda boa oportunidade para plantio de milho na segunda safra 2019/20 dentro da janela climática, que vai até março em algumas áreas do centro-sul.

A analista Daniely Santos, da consultoria Céleres, comentou que chama atenção o atraso no plantio da soja ante o ano passado nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. “Porém, apesar do começo ruim, havendo uma melhora nos níveis de precipitação nos próximos 20 dias, há chance de reversão nesse quadro. Sendo, portanto, cedo para dizermos que esse cenário comprometerá o cultivo da segunda safra”, destacou ela.

Na hipótese de as chuvas não serem suficientes e o atraso se agravar, o milho segunda safra ficaria mais exposto ao risco de seca, e mesmo de geadas, no Sul, lembrou Sentelhas. Ele frisou que, numa situação extrema, produtores desistiriam da chamada “safrinha” ou fariam uma safra com menos investimentos, reduzindo aplicações de adubos e pesticidas.

Fonte: Reuters
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Notícias Mercado

Reduzir dependência da importação, incentivando produção do grão nacional, foi discutido pela Abitrigo

Entidade reuniu representantes da cadeia para debater as perspectivas da safra de trigo 2020/21

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Arquivo/OP Rural

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) promoveu, na quinta-feira (04), uma videoconferência para discutir a Política Nacional do Trigo e os números da safra 20/21 do grão no Brasil, Paraguai e Uruguai. 0O evento online, que reuniu representantes da cadeia, debateu o cenário do trigo no país, ressaltando a importância da adoção de medidas que estimulem a produção do grão, visando reduzir a dependência externa.

“A pandemia da Covid-19 deixou evidente algumas vulnerabilidades da nossa economia e, no campo dos alimentos podemos dizer que o trigo é a mais latente delas, tendo em vista que ainda somos muito dependentes da importação do trigo internacional. A situação vivida por nós deixa clara a dificuldade do fornecimento do grão para atender as necessidades do mercado nacional, bem como a de compra por conta do custo alto da matéria-prima”, destacou o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa que fez a abertura da reunião apresentando os pontos da Política Nacional do Trigo, desenvolvida e apresentada ao Governo Federal pela entidade.

Barbosa destacou pontos da proposta que já avançaram, mas evidenciou alguns que demandam mais atenção do Ministério da Agricultura, como facilitar a convergência regulatória internacional, atualizar o regulamento técnico de classificação do trigo, reavaliar a gestão de recursos humanos nos serviços oficiais, fomentar a regionalização e especialização da produção, entre outros.

O Diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento do MAPA, Sílvio Farnese, ressaltou que o Ministério acompanha atentamente as questões relacionadas ao trigo no país, principalmente no campo dos incentivos direcionados ao produtor, visando o aumento da produção interna e também nos quesitos que auxiliem o abastecimento do mercado, como a ampliação da cota de importação de trigo por ano, bem como as datas das janelas de compra do grão.

“Neste período de quarentena tivemos ainda mais a certeza da relevância dos produtos derivados do trigo para a alimentação básica do ser humano e com isso ficou ainda mais evidente o quanto o grão é importante para a economia do nosso país. Estamos acompanhando de perto as previsões de safra e estamos bem animados com os números, que, além de indicarem um volume acima do que foi colhido em 2019, também terão alta qualidade”, afirmou o representante do MAPA.

O Cerrado e o trigo

Farnese ainda ressaltou que, aos olhos do Ministério, o Brasil pode ter uma produção ainda maior com o crescimento de áreas de cultivo direcionadas ao trigo no Cerrado, que possuem terras disponíveis e se encontram próximas aos principais mercados consumidores.

A possibilidade do aumento de produção do trigo na região Centro-Oeste do país também foi destacada na participação do representante da Embrapa, Osvaldo Vieira. Segundo ele, a evolução registrada na produção de trigo nessas áreas se deu pelo uso mais efetivo de tecnologias nas lavouras.

“Registramos boas lavouras com perspectivas positiva de rendimento. Os produtores relatam que os campos não apresentam Brusone, um dos principais problemas que afetam o trigo do Cerrado. Estamos trabalhando fortemente na ampliação das áreas de cultivo na região, com testes de novas sementes que atendam às necessidades do campo e que ao mesmo tempo ofereçam a qualidade exigida pelo mercado”, explicou Vieira.

Safra 20/21

Segundo a Conab, que também participou do evento com a presença da analista de mercado, Flávia Machado Starling Soares, a estimativa para este ano, de acordo com a revisão feita pela entidade no mês de maio, é que o Brasil tenha um volume de produção acima de 5,4 milhões de toneladas, com crescimento de 2,4% na área total de produção e de 3% na produtividade.

A reunião também contou com a apresentação de um panorama da produção do grão em cada estado. Representando o Cerrado, Eduardo Elias Abrahim, presidente da Associação dos Triticultores do Estado de Minas Gerais (ATRIEMG), destacou as boas condições climáticas na região, que poderão ajudar nos números positivos esperados para a safra do trigo, que pode chegar a 100 mil toneladas.

Para o diretor de operações de mercado agrícola da Castrolanda, José Reinaldo Oliveira, que falou pelo estado de São Paulo, o clima foi um fator de impacto no início do plantio, mas, mesmo com esse desafio, os produtores esperam colher cerca de 290 mil toneladas e registrar uma área de cultivo maior que a do ano anterior.

Os números do Paraná, estado que representa mais de 50% da safra nacional, foram apresentados pelo gerente Técnico e Econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, que destacou um atraso no plantio por falta de chuva. Segundo ele, a estimativa é que o estado colha 3,5 milhões de toneladas neste ano, volume superior à safra anterior.

O Rio Grande do Sul registrou condições climáticas favoráveis ao plantio do trigo, com a presença de chuvas e espera colher 2 milhões de toneladas, uma safra boa em qualidade e rendimento, segundo o analista de mercado da Serra Morena Commodities, Walter Von Mühlen, que representou o estado no encontro.

Também participaram representantes do Uruguai e do Paraguai, que destacaram a importância do Brasil como destino de suas exportações de trigo e o trabalho contínuo junto aos produtores para melhorar a qualidade e a produtividade do grão.

Ruben Zoz, da Unicoop Paraguai, informou que o país espera colher uma safra de aproximadamente 1,1 mil toneladas de trigo. Já o Uruguai, que foi representado por Catalina Rava, da MGA, espera um total de 736 mil toneladas.

Fonte: Assessoria
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Notícias Grãos

Colheita da safrinha de milho tem início no Brasil

Apesar de alguns problemas localizados, a expectativa, por enquanto, é positiva em termos de produção

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Divulgação

A colheita da safrinha de milho teve início nesta semana no Brasil. Apesar de alguns problemas localizados, a expectativa, por enquanto, é positiva em termos de produção. A colheita da safrinha 2020 de milho atingia 0,4% da área estimada de 12,461 milhões de hectares na sexta-feira (29), segundo levantamento de SAFRAS & Mercado. Os trabalhos foram iniciados no Mato Grosso e a colheita atinge 1% da área.

No mesmo período do ano passado, a colheita atingia 1,9% da área estimada de 12,258 milhões de hectares. A média de colheita dos últimos cinco anos para o período é de 0,4%.

Já a colheita da safra de verão 2019/20 no Brasil de milho atingia 97,5% da área estimada de 4,119 milhões de hectares até a data em questão;

Os trabalhos de colheita estão completos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, atingindo 97% da área em Goiás/Distrito Federal e 93% em Minas Gerais.

No mesmo período do ano passado, a colheita atingia 98% da área estimada de 4,057 milhões de hectares. A média de colheita nos últimos cinco anos para o período é de 99,3%.

Mato Grosso

O Imea divulgou a 4a estimativa da safra 2019/20 do milho em Mato Grosso, trazendo reajustes para a produtividade e produção do cereal. Deste modo, mantendo a área agricultável de milho estimada em 5,19 milhões de hectares como divulgada no último relatório de safra, o Instituto avaliou que a melhora nas condições climáticas na maioria das regiões nas últimas semanas, contribuiu para uma elevação na produtividade esperada de 0,46% quando comparado ao 3º relatório, estimado agora em 105,46 sc/ha para Mato Grosso.

No entanto, apesar do aumento, a atual safra ainda permanece com produtividade inferior aos 110,68 sc/ha registrados na safra passada.

Assim, dando destaque para as regiões, o Médio-Norte e Noroeste apresentaram avanços na produtividade de 1,07% e 3,56%, respectivamente, ante a 3a estimativa, influenciados pelas boas condições climáticas. Por outro lado, as regiões Oeste e Centro-Sul tiveram maiores impactos com a falta de umidade no desenvolvimento do grão e reduziram a expectativa de produtividade neste novo levantamento.

Com isso, é esperado que Mato Grosso aumente a produção de milho em 599 mil toneladas (1,86%) ante a safra passada, podendo gerar 32,863 milhões de toneladas, o que seria a maior produção da série histórica do Imea.

Fonte: Agência SAFRAS
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Notícias Mercado Interno

Mercado suíno inicia junho com lentidão nos negócios

Agentes seguem cautelosos, aguardando sinais de uma recuperação da demanda doméstica

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Arquivo/OP Rural

O mercado brasileiro de carne suína registrou uma semana de ritmo calmo nos negócios. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Allan Maia, os agentes seguem cautelosos, aguardando sinais de uma recuperação da demanda doméstica. “Isso pode acontecer no curto prazo, com a entrada da massa salarial e com processo de reabertura da economia em vários estados do país, ainda que em um estágio inicial”, comenta.

Contudo, segundo Maia, vale salientar que o perfil de consumo das famílias mudou em meio a deterioração da renda e do risco de desemprego com aprofundamento da crise do Covid-19, fator limitante para os preços. “Um alto fluxo de exportações e uma produção controlada ao longo do ano são fundamentais para o mercado brasileiro”, alerta.

Levantamento semanal de SAFRAS & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo na região Centro-Sul do Brasil passou de R$ 4,26 para R$ 4,27, alta de 0,28%. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado subiu 0,59%, de R$ 8,44 para R$ 8,49. A carcaça registrou um valor médio de R$ 6,81, sem alterações frente à semana anterior.

Para as exportações, a expectativa segue positiva, considerando o grande déficit da produção chinesa, o que deve levar o país a continuar atuando com intensidade nas compras. Apesar da forte valorização do real frente ao dólar registrado ao longo das últimas duas semanas, a carne suína brasileira segue atrativa no mercado internacional. “Além do movimento cambial, mercado deve se atentar às notícias relacionadas a nova tensão entre Estados Unidos e China, fator que pode provocar uma alteração no quadro de negócios no mercado global”, pontua

As exportações de carne suína fresca, refrigerada ou congelada do Brasil renderam US$ 215,226 milhões em maio (20 dias úteis), com média diária de US$ 10,761 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 90,722 mil toneladas, com média diária de 4,536 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.372,40.

Na comparação com maio de 2019, houve aumento de 76,81% no valor médio diário exportado, ganho de 68,57% na quantidade média diária e elevação de 4,89% no preço. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

A análise semanal de preços de SAFRAS & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo seguiu em R$ 88. Na integração do Rio Grande do Sul o quilo vivo continuou em R$ 4,10. No interior do estado a cotação permaneceu em R$ 4,15.

Em Santa Catarina o preço do quilo na integração se manteve em R$ 4,20. No interior catarinense, a cotação continuou em R$ 4,30. No Paraná o quilo vivo permaneceu em R$ 4,10 no mercado livre, enquanto na integração o quilo vivo seguiu em R$ 4,10.

No Mato Grosso do Sul a cotação na integração permaneceu em R$ 4,10, enquanto em Campo Grande o preço continuou em R$ 4,10. Em Goiânia, o preço avançou de R$ 4,70 para R$ 4,80. No interior de Minas Gerais o quilo do suíno aumentou de R$ 5,05 para R$ 5,10. No mercado independente mineiro, o preço permaneceu em R$ 4,95. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo na integração do estado continuou em R$ 3,80. Já em Rondonópolis a cotação prosseguiu em R$ 3,90.

Fonte: Agência SAFRAS
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