Conectado com

Suínos Produção Animal

Cinco fatores que impactam o desempenho dos leitões na maternidade

Professor da UFRGS David Barcellos cita cincos dos principais fatores de manejo e ambiente que mais impactam no desempenho de leitões na fase de maternidade

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Manejo e ambiente são dois fatores fundamentais para garantir uma boa produção na suinocultura. Eles não podem ser negligenciados e merecem total atenção do produtor. Durante o 13° Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui) o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), David Barcellos, elencou os cinco principais fatores de manejo e ambiente que mais impactam no desempenho do leitão na maternidade.

Peso e vigor ao nascimento

De acordo com o profissional, o primeiro deles é obter leitões com alto peso e vigor ao nascimento. “Idealmente os leitões deveriam nascer com alto peso e vigor. Isso influencia em vários fatores”, afirma. Ele explica que antes do parto é preciso levar em consideração a seleção genética, a necessidade de boa preparação das leitoas, a nutrição e fornecimento de água. Além disso, outros momentos como o período neonatal, manejo do parto, colostragem e reagrupamentos também merece total atenção.

“A suinocultura evoluiu muito e isso gerou efeitos colaterais, principalmente quanto ao tamanho das leitegadas. As fêmeas hiperprolíficas hoje tem uma quantidade maior de leitões, mas por outro lado isso provocou o aumento de leitões com peso menor de um quilo. Em um trabalho desenvolvido da UFRGS mostrou que 7% das leitegadas com 11 leitões tinham animais com menos de um quilo e 23% das leitegadas com mais de 16 leitões tinham animais com menos de um quilo”, conta.

Ele comenta que o produtor deve ter cuidado com estes leitões com baixo peso ao nascer. “É preciso identificar a ordem de nascimento, orientando as primeiras mamadas. Além disso, eles não devem ser misturados na uniformização de leitegadas com leitões mais pesados, porque isso reduz a taxa de sobrevivência”, diz.

Esmagamentos 

O segundo ponto trazido por Barcellos foi quanto a reduzir os esmagamentos/sufocações. “O esmagamento é a maior causa de mortes de suínos em todo o mundo, podendo chegar a 50% das mortes durante o aleitamento. Isso acontece porque, tipicamente, o peso da porca é 150 vezes maior que o peso do leitão, favorecendo o esmagamento”, informa. Na realidade, de acordo com o profissional, o esmagamento é uma sufocação, já que o leitão morre porque a porca se deita em cima da parte anterior e o animal perde a respiração e acaba morrendo sufocado.

Ele apresenta alguns pontos que merecem atenção para evitar esmagamentos na granja. “Acredito que esse seja um ponto muito negligenciado. Então, o número de nascidos vivos vem aumentando, mas isso interferiu no peso desses leitões e aumentou o número de animais muito pequenos. Isso não dá para controlar”, comenta. Barcellos diz que é importante que haja um número maior de leitões, mas não tem como evitar que estes animais venham pequenos e exista variabilidade nos lotes. Além disso, parte das porcas também são nervosas e agitadas, o que também foge do controle do suinocultor. “Já as celas pariderias é um ponto que podemos melhorar, porque muitas vezes elas são apertadas e as proteções inadequadas”, afirma.

O professor comenta que durante o rassoamento existe muita agitação, sendo que o manual é pior do que o mecânico em relação a agitação das porcas. “Então essa é uma escolha a ser feita”, menciona.  Outra questão, comenta, é que pode ser melhorada a proatividade dos funcionários. “Pode haver uma má qualidade nos cuidados com os leitões por parte deles e muitas vezes o esmagamento é atribuído às porcas, mas as causas podem ser variações ou má qualidade de mão de obra”, observa.

Para ele, ainda é preciso considerar passível de melhora as questões dos escamoteadores. “Eles podem ser quentes demais ou frio demais, ou ainda úmidos ou com corrente de ar”, diz. Os pisos da maternidade e selas parideiras também merecem atenção. “Se eles forem escorregadios a porca vai ter dificuldades de levantar e deitar e acaba então esmagando os leitões. Porcas excessivamente gordas perde agilidade e também por conta disso podem ser mais descuidadas e acabar esmagando os animais”, conta.

Barcellos comenta que muitos dos leitões esmagados são aqueles fracos e com baixa mobilidade. “Isso pode ser observado através da necropsia desses animais que morrem esmagados e verificar se eles tem leite no estomago para ver se não são casos de hipoglicemia ou leitões que estão tendo dificuldade de mamar”.

Além disso, as doenças na maternidade, como por exemplo diarreias e tremor congênito, faz com que os leitões fiquem menos ativos e isso predispõe eles ao esmagamento. “Porcas que tenham pouco leite também aumenta o esmagamento de leitões porque eles tendem a explorar mais, eles sentem frio e acabam se amontoando perto da porca para se esquentar e eles acabam ficando predispostos ao esmagamento”, afirma.

Para facilitar o trabalho do suinocultor, o professor dá algumas dicas de como controlar os esmagamentos. “Com o passar do tempo a primeira tentativa foi uma barra simples na lateral da sela parideira. Em um segundo momento vários modelos surgiram de selas parideiras com colocação de gaiolas de pariação e essas gaiolas foram extremamente úteis em evitar problemas de esmagamento. Atualmente tem surgido outras ideias. Se pegar, por exemplo, na literatura, é possível encontrar máquinas de soprar que mostra ser um tipo de sistema bem interessante”, comenta.

Bem-estar para as fêmeas

O terceiro ponto citado por Barcellos foi quanto a reduzir o estresse das fêmeas proporcionando bem-estar. “Esse é um ponto de grande importância para impactar no desempenho do desmame dos leitões”, diz. De acordo com ele, o arraçoamento pode ser estressante quando há erro na quantidade de ração que é fornecida para as porcas ou impontualidade. “É preciso sempre manter um padrão”, afirma. Além disso, o uso de rações pouco palatáveis, com níveis altos de micotoxinas e uso de aditivos amargos também que possam prejudicar o gosto da ração também são um problema.

O professor comenta que a temperatura na maternidade também deve ser observada. “Excesso de calor ou, eventualmente, se for frio demais causam desconforto”, observa. A má qualidade do ar das maternidades com níveis altos de gás, pó, excesso de corrente de ar e abafamento também causam problema. Outro detalhe é quanto a ruídos excessivos. “É sabido que granjas que estão com obras apresentam problemas de irritação das porcas”, comenta.

Segundo Barcellos, fatores individuais, como porcas nervosas ou agressivas, não tem muito o que fazer. “Isso é uma questão genética. Os animais já nascem com essas características, mas aí entram outras formas de agressividade que são favorecidas, como a falta de enriquecimento ambiental. Isso gera tédio e pode aumentar a agressividade das porcas. Além de maus tratos e pouca atenção com as fêmeas, isso vem de baixa qualidade de mão de obra, que pode gerar agressividade”, menciona.

Outro fator estressante é a temperatura. “Existem diferentes necessidades de temperatura para porcas e leitões. No verão as porcas são muito sensíveis ao calor e no inverno os leitões são muito sensíveis ao frio. Então nós temos que planejar e fazer uma maternidade que tenha condições de controlar esses dois limites de temperatura”, afirma. O profissional comenta que na alta temperatura do verão existe a necessidade de resfriar a porca e isso pode ser feito pelo manejo de cortinas, uso de ventiladores ou de pisos resfriados. Já no inverno, na temperatura baixa que afeta mais os leitões, existe a necessidade de que se aqueça esses animais através de um bom manejo de cortinas, aquecedores, escamoteadores ou pisos térmicos.

Pressão de infecção na maternidade

O quarto ponto destacado por Barcellos foi quanto a importância de reduzir a pressão de infecção na maternidade. “Entre os partos é realizado a limpeza, desinfecção e vazio sanitário. Mas é necessário alojar em salas com baixo níveis de infecção. Não adianta fazer isso com baixa qualidade”, afirma.

Ele comenta que na sela parideira, depois do parto, existe um grande contato do leitão com as fezes e depois disso não adianta somente alojar em uma sala limpa e desinfetada. “Deve ser feita uma limpeza diária e permanente e o leitão não deve ter contato com as fezes”, alerta. Ele diz que diarreias são afetadas pela carga de infecção na maternidade e esta carga pode ultrapassar a capacidade de defesa e é isso que vai definir se o leitão será doente ou sadio. “Uma coisa que é fundamental é que o leitão deve encontrar uma glândula mamária que ele consiga mamar sem se contaminar”, diz. Segundo o professor, uma sala parideira suja em decorrência do parto é fatal. “O leitão vai ter contato com as fezes e vai ter que mamar em uma glândula mamária suja”.

Barcellos comenta que o vazio sanitário está cada vez menor nas granjas brasileiras. “É possível reduzir, mas daí é preciso ter instalações fáceis de lavar e desinfetar, além de utilizar processos de lavagem e desinfecção bastante eficientes”, comenta.

Diarreias em leitões

O último item citado pelo professor foi quanto a importância de prevenir e tratar as diarreias em leitões. “Grandes formas de diarreia hoje nas maternidades no Brasil são o rotavírus e a coccidiose”, informa. Dessa forma, segundo ele, algumas soluções são a vacinação de porcas para E.coli, medicação profilática para c.suis e vacinação ou feedback para rotavírus.

“Conhecer e tratar precocemente as diarreias e controlar e eliminar os fatores predisponentes, principalmente drenagem do piso, frio e umidade, qualidade do leitão ao nascer, colostragem, qualidade de lactação, redução da carga infecciosa são pontos que ajudam a aumentar a imunidade dos animais”, afirma.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro

Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

As cotações do suíno vivo apresentaram comportamento misto na última sexta-feira (09), conforme dados do Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre as principais praças acompanhadas, os preços oscilaram levemente, refletindo ajustes pontuais do mercado no curto prazo.

Em Minas Gerais, na modalidade posto, o quilo do suíno vivo foi cotado a R$ 8,35, registrando queda diária de 1,18% e recuo de 0,95% no acumulado do mês. No Paraná, o animal negociado “a retirar” foi cotado a R$ 8,25/kg, com leve alta de 0,36% no dia, embora ainda apresente variação mensal negativa de 0,24%.

No Rio Grande do Sul, o preço ficou em R$ 8,26/kg, com retração diária de 0,36% e queda de 0,48% no comparativo mensal. Santa Catarina também apresentou leve recuo, com o suíno cotado a R$ 8,31/kg, baixa de 0,12% no dia e variação negativa de 0,48% no mês.

São Paulo foi a única praça a registrar estabilidade no acumulado mensal. O preço do suíno vivo posto na indústria alcançou R$ 8,91/kg, com alta diária de 0,22% e variação mensal de 0,00%.

Os números indicam um mercado ainda ajustando preços no início de janeiro, com oscilações moderadas entre as regiões e sem movimentos expressivos de alta ou baixa.

Fonte: O Presente Rural com informações Cepea
Continue Lendo

Suínos

ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense

Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/ACCS

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS

Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.

Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.

Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.

Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS

catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.

A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.

Fonte: Assessoria ACCS
Continue Lendo

Suínos

Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense

Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.

Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação

A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.

Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.

Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.

O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.

Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

Fonte: Assessoria Sape-SC
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.