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Cigarrinha na pastagem reduz produção em até 4 litros/dia/vaca, afirma pesquisador

Estratégias adequadas de manejo permitem que produtor não tenha perdas com nutrientes nas pastagens, além de perdas em litros de leite/dia

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Parte básica da produção de bovinos, a pastagem também merece uma atenção especial. Oferecer aos animais uma alimentação balanceada e rica em nutrientes é essencial para quem busca por uma produção de excelência. Para falar um pouco da importância desta atenção redobrada que é preciso ter, o doutor Leandro do Prado Ribeiro, do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar/Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Cepaf/Epagri), falou sobre “Manejo integrado de pragas – MIP: ênfase em insetos-praga de pastagens perenes de verão” durante o 7º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite, que aconteceu entre os dias 07 e 09 de novembro em Chapecó, SC.

Tomar cuidados básicos de manejo de pastagens para uma boa alimentação é essencial nas fazendas. “Para fazer o correto manejo de pragas é preciso identificar o problema chave, avaliar os inimigos naturais, ver os efeitos dos fatores climáticos, o controle populacional e técnicas de amostragem: como qual o nível de infestação, quanto controlar, o que controlar. São pontos essenciais para decidirmos ou não pela terminação do sistema”, enfatiza Ribeiro.

De acordo com o profissional, a maior ocorrência de pragas em pastagens está associada a maiores temperaturas e maior crescimento de pastagens perenes de verão. “Nós temos aqui na região Sul um problema sério de cigarrinhas, que começa em setembro e se estende até março, dependendo da temperatura que ocorre o verão”, conta. Ele explica que estas cigarrinhas causam sérios problemas na pastagem, já que como se alimenta dela, causa danos e tiram os nutrientes necessários aos bovinos.

Ribeiro destaca que mesmo na ausência de insetos o efeito da infestação de cigarrinhas continua no segundo período de crescimento das plantas. “O crescimento das pastagens também é comprometido, ou seja, tivemos um problema de cigarrinhas lá em novembro, mas o efeito dela, mesmo se tivermos uma boa intervenção, não vai ser somente naquele ciclo de crescimento. O efeito vai ser persistente ao longo de todo o crescimento da forragem”, conta. E ainda por conta da infestação das pragas, o profissional informa que há não somente diminuição significativa na matéria seca, mas também uma redução considerável no número de proteína, teor de fibra e níveis de nutrientes. “Ou seja, o pasto fica pobre nutricionalmente”, afirma.

Os prejuízos deste efeito são vistos com facilidade, assegura Ribeiro. “A redução de produtividade fica em três a quatro litros de leite por vaca por dia”, diz. O problema se acentua porque com o pasto totalmente seco muitas vezes as vacas rejeitam aquela alimentação”.

Ribeiro destaca que o produtor precisa estar atento todos os dias quanto a possível infestação de cigarrinhas, isso porque quando a praga se alimenta o efeito na planta só é observado de 13 a 21 dias após a alimentação. “Quando o pecuarista verificou o pasto danificado já ocorreu a alimentação e os insetos já estão na fase adulta, quando iriam morrer naturalmente”, conta.

Time de Manejo

O profissional destaca que é importante que o produtor tenha time de manejo. De acordo com Ribeiro, a partir de setembro até o início de maio é o primeiro ciclo populacional das pragas, que é menor. “Este é geralmente o efeito dos ovos que foram depositados antes do inverno”, conta. Há ainda o segundo pico populacional, que pode ser de 50 cigarrinhas por metro quadrado. “Aí já é um ponto crítico”, afirma. Ribeiro diz que se o produtor conseguir posicionar uma estratégia, considerando que a taxa de população das cigarrinhas não ocorre a mais de 50 a 100 metros, ele já conseguiria reduzir o maior problema que ocorre nos meses de novembro, dezembro e janeiro.

Aplicação Errada

Outro ponto destacado pelo profissional e que ele reitera ser importante para o time de manejo é quanto à aplicação de inseticidas para acabar com as pragas. “Acredito que 90% das aplicações usadas para controle de cigarrinhas são feitas no momento inapropriado. Com isso temos um problema com desiquilíbrio do ambiente, além de estar jogando o produto fora e contaminando o meio ambiente”, comenta.

O profissional explica que essa aplicação errônea acontece, principalmente, por conta do produtor somente se preocupar quando vê a forragem já em um grave estado. “Quando vê a forragem queimada então somente vai buscar ajuda do técnico, ver qual defensivo ele precisa utilizar”, diz. Ele explica que isso é um problema por conta dos danos demorarem para aparecer. “Você vai estar pulverizando para matar o animal velho, que já depositou, já se alimentou, já causou danos no primeiro e segundo ciclo da forragem, já comprometeu a pastagem. Você somente vai estar jogando inseticida no ambiente”, afirma.

Ribeiro reitera que é importante fazer o monitoramento das pastagens para saber o momento certo do controle. Ele diz que o time é tão importante quanto se preocupar quando o dano já está estabelecido. “95% dos produtores estão jogando produto fora, contaminando o ambiente, porque no período em que ele está fazendo a aplicação o inseto já depositou, se alimentou, ingeriu a toxina e no próximo ciclo populacional será mais alto. A situação acaba agravando o problema quando deveria haver uma redução no impacto de pragas”, afirma.

Contaminação de Pragas

Uma forma muito comum de ter pragas nas pastagens é quando há uma área de plantação ao lado. “Vizinho ao pasto há milho com maturação fisiológica. Neste caso há infestação de mariposas. Como no milho elas não terão o hospedeiro preferencial para se alimentar, elas vão para um alternativo, que é a pastagem”, conta. Ele explica que no milho a mariposa tem um efeito de canibalismo, pela baixa quantidade de alimento que há para todos os animais. “É uma população que pode chegar a duas mil pragas, mas na segunda ou terceira semana há esse ato de canibalismo, por competirem pelo mesmo sítio”, diz.

Porém, como nas pastagens há alimento disponível para todas e com boa qualidade, não vai existir a necessidade de uma comer a outra. “No milho, no final irá sobrar uma, duas lagartas. Mas na pastagem sobram todas. E aí temos um nível de população de até mil lagartas por metro quadrado”, conta.

Estratégias de Manejo

Ribeiro afirma que é preciso que o pecuarista busque diferentes tipos de integrações e estratégias de manejo. “Utilizamos a preservação natural, resistência de plantas, manejo de altura do pastejo, pastagem diversificada e adubação equilibrada”, comenta. Ele conta que quanto mais aumenta a dose de nutrientes, mais aumenta o desenvolvimento de cigarrinhas. “A adubação desequilibrada que acontece favorece em muito o desenvolvimento das pragas”, diz.

Uma estratégia sugerida pelo profissional é a utilização do controle biológico de pragas, com fungos e patógenos. “Você solta isso no ambiente e ele pode atacar a cigarrinha, proporcionando um controle biológico no ambiente. É um agente que faz um papel de graça para nós e é fundamental se quisermos estabelecer o equilíbrio e ter um manejo mais efetivo no campo”, afirma. Ele ainda destaca que o manejo integrado de pragas é essencial se o produtor quiser criar algo um pouco mais estável e sustentável. “Precisamos fazer isso de uma forma ou de outra, a não ser que queiramos agravar o problema”, entende.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

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Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

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Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

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Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
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