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Cigarrinha do milho coloca em risco produtividade da safrinha

Áreas pontuais no Oeste do Paraná têm apresentado plantas avermelhadas e amareladas, grãos com mal desenvolvimento e tombamento de plantas

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Leme Comunicação

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Milho e Sorgo, de Sete Lagoas (MG), estiveram na última quinta-feira (11) em áreas na região de Porto Mendes, distrito de Marechal Cândido Rondon, PR, para coletar amostras de milho que manifestaram enfezamento na lavoura.

Incomum na região, os milhos secos, avermelhados e com folhas amareladas chamaram a atenção de técnicos e engenheiros agrônomos, que buscaram junto ao órgão informações para atestar se as lavouras estão sofrendo problemas de enfezamento. “Ainda estamos levantando diversas informações. Vemos lavouras em regiões diferentes onde um mesmo híbrido apresenta enfezamento e, na outra região não, então percebemos que está variando de acordo com a lavoura e também com o híbrido”, informa o responsável pelo Setor Agronômico da Copagril, engenheiro agrônomo Paulo Brunetto.

De acordo com a Embrapa, os enfezamentos são causados por molicutes (espiroplasma e fitoplasma), microrganismos semelhantes a bactérias. O espiroplasma é responsável pela doença denominada enfezamento-pálido e o fitoplasma pelo enfezamento-vermelho. “Vimos que há enfezamento presente nas lavouras que entramos. Com as amostras de colmo coletadas, vamos tentar detectar quais as espécies de fungo que estão presentes, porque quando ocorre o enfezamento da planta, há o favorecimento para a presença de outros patógenos, a planta fica enfraquecida, como se fosse uma pessoa com imunidade baixa”, explica a fitopatologista da Embrapa Milho e Sorgo, Dagma Dionísia da Silva.

A pesquisadora destaca que também foram coletadas amostras de folhas das plantas, das quais serão isolados os patógenos que causam o enfezamento. “Vamos tentar verificar se há presença de espiroplasma e fitoplasma nas folhas que apresentam os sintomas típicos para ter uma confirmação mais exata”, salienta.

Ela acredita que em cerca de 30 dias os resultados laboratoriais devam ser concluídos.

Manifestação

Os sintomas dos enfezamentos manifestam-se caracteristicamente e em maior intensidade na fase de produção das plantas de milho. “As principais características são o secamento rápido das folhas da planta, a proliferação das espigas, com quatro a cinco em uma mesma planta, e vermelhidão ou amarelamento das folhas. Tudo isso acontece na fase reprodutiva, que é quando ocorre a emissão da espiga”, informa Brunetto.

Os molicutes afetam o desenvolvimento, a nutrição e a fisiologia das plantas infectadas e, em consequência, a produção de grãos. As plantas infectadas com esses patógenos têm internódios mais curtos, menos raízes e produzem menos grãos comparado às plantas sadias. A amplitude desses efeitos e a intensidade dos sintomas dependem do nível de resistência da cultivar de milho e são, aparentemente, proporcionais à multiplicação dos molicutes nos tecidos da planta. “Os agentes causais dos enfezamentos são transmitidos de uma planta de milho doente para uma planta de milho sadia pela cigarrinha do milho (Dalbulus maidis)”, menciona o engenheiro agrônomo da Agrícola Horizonte, Cristiano da Cunha. “Fazendo uma analogia, essa cigarrinha está para o milho como o Aedes aegypti está para o ser humano, então ao passo que é preciso do mosquito infectado para transmitir a dengue para o ser humano, é preciso da cigarrinha infectada para transmitir a doença para o milho”, explica.

Sem solução

O grande problema da doença, na visão de Cunha, está no fato de ela ser transmitida pela cigarrinha quando o milho está entre duas e dez folhas, ou seja, as lavouras que estão agora apresentando os sintomas de enfezamento já foram infectadas pela cigarrinha há várias semanas. “A planta vai ser infectada e não vai mostrar nenhum sintoma. Depois o milho vai florescer e somente quando começar o enchimento de grãos na espiga, muitas vezes já passado o milho verde, que os problemas vão começar a ser visíveis e infelizmente não há mais o que ser feito”, ressalta o engenheiro agrônomo.

O tombamento da lavoura acontece, segundo o profissional, porque o enfezamento causa uma interrupção no floema da planta, ou seja, os nutrientes que vão da raiz para o ápice da planta por meio do floema deixam de ser enviados. “A partir dessa interrupção, ocorre um acúmulo de açúcar, onde cria-se um ambiente favorável para o desenvolvimento de fungos, causando o apodrecimento do milho naquele ponto e chega a um momento que ele tomba”, expõe.

Nessas circunstâncias, muitas vezes o enchimento do grão ainda não foi completo e as espigas estão mal formadas, podendo causar um grande prejuízo ao produtor. “Como até então não tínhamos problemas mais sérios na região, tínhamos a cigarrinha como uma praga terciária e não dávamos olhos para este problema”, comenta Cunha.

Para todas as lavouras que estão no campo na região hoje, se estiverem infectadas pela cigarrinha, a infecção já aconteceu e a planta mostrará os sintomas daqui para frente. “Todas as áreas que apareceram problemas mais graves, a maioria foi semeada em dezembro ou início de janeiro”, relata. “Não sabemos se as áreas plantadas por volta de 15 de janeiro e início de fevereiro em diante vão apresentar problemas ou não e também não há como saber se a planta está ou não contaminada”, complementa.

Em caso de o milho já ter tombado, indica o engenheiro agrônomo, dependendo da fase em que está, o produtor pode até tentar colher depois, porém, com menor produtividade. “Se for um milho mais atrasado, o recomendado é que ele tire isso da lavoura como forragem ou faça silagem para o gado, a fim de aproveitar de alguma forma”, orienta.

Já que o problema aconteceu em uma região onde a ocorrência não é comum, a pesquisadora da Embrapa Soja diz que a primeira recomendação aos produtores é que façam a escolha de um material para o próximo plantio com nível de resistência melhor aos enfezamentos, já que não há nenhum tipo de controle para o patógeno. “Consideramos que estamos entrando em um período de safrinha, também é importante que os produtores atentem-se para o período de controle da cigarrinha, que deve acontecer nos períodos iniciais, com tratamento de sementes por meio de produtos registrados no Ministério da Agricultura, temos inclusive produtos biológicos registrados, fazendo a pulverização nos primeiros 30 dias porque, depois disso, não adianta mais”, frisa Dagma.

A pesquisadora salienta, ainda, que quanto mais cedo as plantas são infectadas pela cigarrinha, piores são os sintomas. “A planta pode ficar com os entrenós mais curtos, o crescimento fica abaixo do que deveria, vai comprometer o colmo, a sanidade dos grãos e a qualidade”, alerta.

Ponte verde

A presença da cigarrinha do milho na lavoura não significa, necessariamente, que haverá enfezamento do milho. “Anos atrás a cigarrinha foi vista, mas não se observavam os sintomas do enfezamento, o inóculo há dois, três anos não existia, mas hoje ele pode estar presente e a cigarrinha acabou sendo o vetor desse inóculo”, enfatiza Brunetto.

Ele considera que se a análise final da Embrapa comprovar que o enfezamento do milho ocorreu por conta da cigarrinha e quais os patógenos presentes nas plantas, as equipes técnicas terão que se preparar para a próxima safrinha, em 2020. “Será necessário um trabalho mais eficiente a fim de fazer o controle da cigarrinha, que é o vetor da doença”, declara.

Tanto Brunetto quanto Cunha comentam que um dos grandes problemas que dificultam o controle da cigarrinha é a ponte verde, ou seja, o fato de o ano todo ter milho na região. “O milho de verão é plantado no fim de agosto, início de setembro e colhido em fevereiro, mas o milho safrinha já foi plantado em janeiro e segue na lavoura até praticamente julho. Além disso, há áreas em beira de propriedade ou terrenos próximos à cidade com milho plantado”, expõe Cunha. “Pelo hospedeiro da cigarrinha ser o próprio milho, há uma grande dificuldade no controle porque temos milho na região o ano todo, mas será necessário um trabalho para evitar essa ponte verde a fim de que o inseto não se multiplique”, completa.

Fonte: O Presente

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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho

Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

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Foto: Divulgação/Connan

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.

O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).

Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.

Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa

Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

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Foto: Shutterstock

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.

Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.

“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas

Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.

“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.

“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses

Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

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Foto: Isabele Kleim

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).

“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná

Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.

“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.

O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.

“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.

Temas prioritários

Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor

“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.

Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.

Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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