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Suínos / Peixes Piscicultura

Cientistas identificam fase da diferenciação sexual de tambaquis

Informação sobre a diferenciação sexual é importante para a obtenção de avanços com os quais cultivo dessa espécie ainda não conta

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Siglia Souza

Pesquisadores da Embrapa identificaram em que fase ocorre a diferenciação sexual do tambaqui (Colossoma macropomum), principal peixe nativo cultivado no Brasil. A descoberta contribui para o desenvolvimento de tecnologias para impulsionar a produção.

A informação sobre a diferenciação sexual é importante para a obtenção de avanços com os quais cultivo dessa espécie ainda não conta, como a formação de população monossexo e a sexagem precoce de tambaqui, que estão sendo desenvolvidas pela Embrapa visando ao aumento da produção.

A população monossexo de tambaqui representaria maior ganho econômico para os piscicultores. A fêmea apresenta, aproximadamente, 20% a mais de peso em relação ao macho em estágio final de abate, por volta de três quilos.

O peixe nasce com uma gônada bipotencial que pode se tornar ovário ou testículo. “Todo peixe nasce sem sexo definido, nossos estudos revelaram que o sexo do tambaqui se define na idade de um a dois meses quando o animal chega aos quatro centímetros e então começa a formar ovário ou testículo”, informa a pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) Fernanda Loureiro Almeida O’Sullivan que lidera o projeto “Caracterização dos processos de determinação e diferenciação sexual de peixes nativos de importância econômica no Brasil”. Esse é um dos estudos realizados na Embrapa que buscam a formação de lotes monossexo de tambaqui.

Sexo se forma de um a dois meses de idade

Também estão sendo estudados fatores que influenciam na diferenciação sexual do tambaqui, não apenas genéticos, mas também ambientais. “Se nós quisermos produzir lotes monossexo sem o uso de hormônios, é fundamental conhecer o sistema de determinação sexual da espécie”, explica a pesquisadora.

A cientista acrescenta que conhecer esse sistema também é importante para estudos sobre evolução das espécies, para a biologia comparada e para a mitigação de efeitos de mudanças climáticas.

Sexagem precoce agrega valor

Além disso, descobrir o sistema de determinação sexual abre a possibilidade de sexar formas jovens de peixes, ou seja, identificar o sexo de cada peixe ainda pequeno, o que facilitaria os processos de seleção para melhoramento genético do tambaqui, formação de plantéis e comercialização de lotes específicos de cada sexo.

A pesquisadora explica que a identificação do sexo do peixe ainda na fase juvenil ajuda a agregar valor à produção. “Com um pedacinho de nadadeira você mandaria para o laboratório e saberia no dia seguinte se é macho ou fêmea e poderia vender formas jovens sexadas, que agregam muito valor”, informa Fernanda.

Atualmente, para formar um plantel, um grupo de animais selecionados de boa qualidade para a reprodução, é necessário esperar os peixes crescerem para identificar o número de machos ou fêmeas. Em criações de tambaqui, isso representa uma espera de quase três anos, gerando perdas econômicas, além de atraso no melhoramento genético.

Avanço na criação de peixes nativos

A sexagem precoce de peixes é uma técnica relativamente nova e utilizada em espécies de alto valor e rendimento zootécnico como, por exemplo, em peixes componentes de programas de melhoramento genético, principalmente na formação e reposição de plantéis. Fernanda explica que devido à dificuldade de identificar o sistema de determinação sexual em peixes (que varia de espécie para espécie), ainda não existe essa técnica de sexagem precoce para nenhuma espécie nativa brasileira.

A pesquisadora da Embrapa considera que o baixo conhecimento científico sobre a biologia das espécies nativas brasileiras e a falta de tecnologias específicas para elas contribui para o pouco aproveitamento dos peixes nativos nas criações.

A espécie mais cultivada pela piscicultura nacional é a tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus), de origem africana e uma das mais presentes nas criações em todo o mundo. Em segundo lugar em produção vem o tambaqui, da Bacia Amazônica, liderando entre as espécies nativas cultivadas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017 a produção nacional de tambaqui alcançou mais de 88,5 mil toneladas.

Apesar de muitos peixes nativos serem de excelente qualidade, fácil cultivo e alto valor de mercado e apresentarem aceitação pelo consumidor, a participação das espécies nativas não chega a 50% da produção brasileira de pescado. Em comparação, a pesquisadora cita que no continente asiático, maior produtor de pescado do mundo, a participação de espécies nativas de lá em cultivos chega a 95%.

Outras espécies nativas na mira da pesquisa

No mesmo projeto de pesquisa da Embrapa estão sendo estudadas quatro espécies. Além do tambaqui e seus principais híbridos produzidos no Brasil (a tambatinga e o tambacu), o projeto também estuda o pirarucu e bagres de importância econômica no País, como o jundiá (Rhamdia quelen), a cachara (Pseudoplatystoma fasciatum) e seus híbridos. Nesse trabalho, os cientistas procuram gerar informações técnicas para o avanço da piscicultura brasileira com peixes nativos.

Fonte: Embrapa Amazônia Ocidental
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Suínos / Peixes Nutrição

Gestão de micotoxinas: reduzindo o risco em todo o processo produtivo

Contaminações por micotoxinas representam um alto risco para a saúde dos animais e a lucratividade da produção

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Sara Antunes, médica veterinária, especialista em sanidade de suínos e em agrogestão e gerente de vendas para suinocultura da Alltech

As evoluções tecnológicas do setor agrícola têm colaborado diretamente no incremento da produtividade e qualidade dos grãos, mas ainda assim podem ser encontrados problemas sérios na armazenagem e na conservação da produção, proporcionando o surgimento de fungos, que encontram substratos altamente nutritivos para seu desenvolvimento em cereais e grãos. Principalmente no Brasil, que possui clima subtropical, o crescimento e a sobrevivência fúngica nas fontes alimentícias são favorecidos por condições de umidade e temperatura ideais para a sua propagação, que ocorre desde os processos de maturação e colheita até as fases de transporte e armazenamento.

Essa contaminação causa degradações que resultam em grãos ardidos, redução de níveis nutricionais, fermentação, alteração da palatabilidade, e por fim, na produção de micotoxinas, colocando em risco a segurança alimentar e, consequentemente, a saúde dos animais.

Os gêneros de fungos produtores de micotoxinas mais estudados e conhecidos por causarem os maiores transtornos à produção animal são os Aspergillus, Fusarium, Penicillium e Claviceps. Os fungos Fusarium surgem principalmente no campo e atacam as plantas já antes da colheita. Desse gênero, as principais micotoxinas produzidas são: Zearalenona, Fumonisina e Tricotecenos. Já os dos gêneros Penicillium e Aspergillus afetam grãos armazenados e produzem Ocratoxinas e Aflatoxinas, respectivamente.

Contaminações por micotoxinas são um problema frequente, pois elas contaminam as rações que serão fornecidas aos animais, representando um alto risco para a saúde dos animais e a lucratividade da produção. De modo geral, as micotoxinas podem trazer alguns transtornos como: diminuição do consumo de ração, interferência na imunidade, danos intestinais e hepáticos, queda no desempenho reprodutivo e produtivo, bem como o aumento da mortalidade.

É comum encontrarmos diferentes tipos de micotoxinas na mesma ração, e por haver comprovadamente a ação sinérgica entre elas, mesmo em níveis mais baixos, trazem alto impacto à saúde animal. Essas interações refletem diretamente em um aumento da toxicidade e na potencialização do aparecimento de sinais clínicos na produção.

Detecção

Um ponto curioso, porém preocupante, é o fato de que as plantas contaminadas por micotoxinas conseguem desenvolver mecanismos de autodefesa que permitem às plantas se desenvolverem sem qualquer sintoma aparente. Isso ocorre por meio da formação de ligações covalentes das micotoxinas com alguns açúcares. Neste caso, a dificuldade na detecção e diagnóstico de contaminação por micotoxinas é maior, pois essas ligações fazem com que os métodos convencionais de análise como HPLC (cromatografia líquida de alta eficiência) e Elisa (ensaio de imunoabsorção enzimática) não detectem essas micotoxinas, mascarando o risco iminente.

Durante o processo digestivo do animal, as ligações que até então protegiam as plantas das micotoxinas são desfeitas, fazendo com que as micotoxinas impactem negativamente na saúde e desempenho animal. A presença de micotoxinas mascaradas no alimento pode levar a uma subestimação do nível real de micotoxina em até 88%. Isso poderia explicar porque um alimento pode apresentar baixos níveis de contaminação, ainda que cause sérios problemas na produção.

Por todas essas razões, as micotoxinas representam um risco quase que inevitável no sistema produtivo. Elas já estão presentes em 25% do volume total de grãos a nível mundial, gerando uma perda de aproximadamente um bilhão de dólares por ano, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Um fator indispensável de se considerar é que no sistema de produção de aves e suínos atualmente, o investimento com a alimentação atinge 80% do custo total da produção animal. Dessa forma, torna-se de extrema importância o processo de gerenciamento de risco de micotoxinas, fazendo com que esse alimento ofertado tenha qualidade, para que possa trazer o retorno esperado na produção.

Por meio de ferramentas analíticas que nos auxiliam na detecção de qual ponto do processo esta contaminação está ocorrendo, podemos conhecer a extensão do problema e, posteriormente, determinar as corretas tomadas de decisões.

Fases

Medidas profiláticas podem ser adotadas já no cultivo e no manejo dos grãos para que inviabilizem a produção fúngica, como colheita no momento certo, secagem a temperaturas adequadas e armazenamento correto.

Sendo a contaminação detectada a nível de armazéns e silos, a implantação de boas práticas de armazenagem, associadas a soluções antifúngicas, são importantes para que esse processo seja estagnado, evitando aumento no nível de contaminação nos estágios subsequentes. O tratamento dos grãos com ácidos orgânicos inibe o crescimento fúngico, mantendo o grão em condições ideais para uso, evitando perdas nutricionais e futura produção de micotoxina.

Além do crescimento fúngico que ocorre a campo e durante a armazenagem, há a etapa nas fábricas de rações.  Neste caso, podemos trabalhar com um programa de controle de pontos críticos, com base na Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), que tem como objetivo identificar os riscos de contaminação por fungos e micotoxinas a nível de armazéns cerealistas, fábricas de rações e até nas granjas, e a partir daí criar um plano para minimizar riscos para os animais.

Controle

Uma ferramenta mais precisa que temos à disposição hoje é a Técnica de Espectrometria de Massa – UPLC-MS 2 -, que permite analisar amostras em menos de 15 minutos, quantificando o nível de contaminação em ppt (partes por trilhão) de mais de 37 micotoxinas.

A partir deste processo de análise, o uso de adsorventes de micotoxinas torna-se extremamente importante para reduzir o risco e melhorar a rentabilidade do sistema de produção. Ao ser acrescentado na dieta, a tecnologia atua como agente sequestrante – evitando que o intestino dos animais absorva as substâncias. Diversas pesquisas têm demonstrado que tecnologias à base de glucanos extraídos da parede de leveduras com carboidratos funcionais oriundos das algas, são ferramentas eficientes na adsorção de micotoxinas.

O surgimento de micotoxinas pode ser inevitável, mas o controle delas já está nas mãos do produtor, que ao investir em um programa de gestão de micotoxinas de qualidade, com respaldo científico, poderá riscar as micotoxinas da sua lista de preocupações.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Dietas

Mananoligossacarídeos – MOS: modo de ação e benefícios na produção animal

Além de auxiliar na prevenção de ocorrência de determinadas enfermidades, o MOS atua na modulação da microbiota intestinal

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eliana Dantas, médica veterinária, PhD e gerente técnico Global para Monogástricos da Biorigin

A inclusão de aditivos nutricionais nas dietas dos animais de produção é uma prática comum e observada globalmente, pois os aditivos têm se mostrado como uma ferramenta útil na prevenção de desordens intestinais, na melhora da saúde intestinal e na melhora das respostas de defesa dos animais.

Com a expansão global da restrição ao uso de antibióticos como promotores de crescimento, muitas alternativas têm sido estudadas e muitas são as ofertas ao mercado de produtos funcionais que, dentro de um programa sanitário e de melhorias no manejo, buscam manter o bem-estar e o desempenho animal. Neste contexto, para que o produtor possa fazer uma escolha assertiva, faz-se necessário o entendimento adequado do modo de ação específico dos diferentes aditivos e similares e a compreensão das melhores formas de aplicação, considerando principalmente as possíveis combinações de produtos e os resultados esperados de acordo com a fase de produção e os seus principais desafios.

Entre as alternativas estão os produtos prebióticos. Prebióticos são ingredientes alimentares que não são digeridos na porção proximal do trato gastrintestinal de animais monogástricos e são benéficos ao hospedeiro por estimular, seletivamente, o crescimento e/ou atividade de um limitado número de microrganismos no cólon, os quais proporcionam um ambiente intestinal saudável.

Derivados da levedura Saccharomyces cerevisiae possuem ação prebiótica e os mananoligossacarídeos (MOS) são empregados há tempos na alimentação animal, com diversos benefícios comprovados.

O MOS é parte integrante da parede da levedura e apresenta como forma de ação a capacidade de aglutinar bactérias Gram-negativas que contém fímbria tipo 1, modular a flora intestinal por servir de substrato para o crescimento de bactérias benéficas, adsorver algumas micotoxinas e tem capacidade de estimular alguns parâmetros da função imune intestinal. A capacidade de adsorção das bactérias patogênicas se dá através da ação das mananas (polímero de manose) que atuam como ligantes de alta afinidade para receptores manose-específicos presentes em fímbrias tipo 1. Com esta ligação, o patógeno não se adere à mucosa intestinal, sendo expelido através das fezes, sem que ocorra a infecção, mantendo-se assim a saúde e o desempenho animal.

A mesma prevenção ocorre em casos de intoxicação por micotoxinas, já que o MOS é capaz de se ligar seletivamente e inativar determinadas micotoxinas no lúmen intestinal. Além de auxiliar na prevenção de ocorrência de determinadas enfermidades, o MOS atua na modulação da microbiota intestinal favorecendo a proliferação de bactérias benéficas, especialmente Lactobacillus e Bifidobacterium, as quais fermentam o MOS para sua nutrição e neste processo há a produção de ácidos graxos de cadeia curta que servem de fonte energética aos enterócitos, e ainda há a redução do pH do meio, o que torna o ambiente desfavorável ao desenvolvimento de determinadas bactérias patogênicas, resultando em proteção e integridade intestinal.

Estudos recentes

Por fim, estudo recente comprovou a ação do MOS no fortalecimento da imunidade intestinal de animais infectados experimentalmente com Escherichia coli, através do aumento da produção de anticorpos anti-E. coli e aumento da produção das citocinas IL-1, IL-6, IL-10 e TNF-α.

Tendo a microbiota do trato digestivo ação significativa no estado sanitário dos animais e sendo a imunidade local de extrema importância para a proteção animal, o emprego do MOS na dieta representa uma ferramenta útil na manutenção da saúde intestinal e no combate aos desafios de campo, favorecendo ao final os índices zootécnicos e produtivos, reduzindo a dependência aos antibióticos.

Com o objetivo de avaliar os efeitos benéficos da inclusão mananas de alta solubilidade na dieta de leitões desmamados, realizou-se um estudo com desafio experimental com Escherichia coli K88 que avaliou o desempenho animal e a saúde intestinal na Universidade de Minnesota. O processo de produção deste aditivo torna a camada de mananas mais solúvel, o que eleva sua atividade e expõe parcialmente a camada de glucanas, responsáveis por modular a resposta imune sistêmica, potencializando assim o efeito prebiótico deste produto, quando comparado ao MOS padrão.

Neste estudo fez-se a inclusão de 0,1% do aditivo comercial na dieta dos leitões durante os primeiros 11 dias pós-desmame. Os resultados desta inclusão foram comparados aos dos animais desafiados e não suplementados com o aditivo prebiótico. Como resultado desta inclusão do aditivo na dieta dos leitões houve maior ganho de peso total pelos leitões (P=0,002) e maior ganho de peso diário (P=0,02) e melhora na conversão alimentar (P=0,01). Observou-se ainda maior proliferação celular nos tecidos linfoides de íleo e linfonodo mesentérico dos animais tratados, indicando a ação do produto na modulação do sistema imune. Houve também maior produção de ácidos graxos voláteis de cadeia curta e vilosidades intestinais maiores, demonstrando a influência positiva do aditivo na mucosa intestinal.

Poder de aglutinação 

Estes resultados evidenciam o poder de aglutinação da E. coli pela levedura Saccharomyces cerevisiae e seu efeito positivo na saúde intestinal, na proteção e no desempenho dos animais.

Todos estes benefícios comprovam a importância do emprego de MOS de alta qualidade na dieta dos animais de produção na promoção da saúde e desempenho, na função imune e no fortalecimento da barreira intestinal. Também, comprova-se a importância de seu emprego nos programas de redução no uso de antibióticos, ressaltando que, em relação aos antibióticos promotores de crescimento, o MOS e outros derivados da levedura Saccharomyces cerevisiae não exigem período de carência, não possuem efeito residual e não induzem mutação ou resistência bacteriana.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Pesquisas indicam benefícios de minerais orgânicos na nutrição de suínos

Minerais constituem parte importante do organismo animal, representando de 2,8 a 3,2% do peso vivo dos suínos

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pela equipe técnica da Yes, Verônica Lisboa Santos, Juliana Bueno da Silva, Fabiana Golin Luiggi e Carlos Ronchi

A evolução das técnicas de criação tem possibilitado melhores índices de desempenhos produtivo e reprodutivo dos suínos, permitindo aos nutricionistas formularem dietas cada vez mais específicas, de modo a atender, com maior precisão, as exigências dos animais. Os minerais constituem parte importante do organismo animal, representando de 2,8 a 3,2% do peso vivo dos suínos. Entretanto, as variações na biodisponibilidade destes, as ações de sinergismo ou antagonismo existentes entre estes elementos e os problemas ambientais cada vez mais crescentes com o uso de fontes inorgânicas nas rações de suínos têm alertado pesquisadores a buscar alternativas que resultem em menor excreção pelos animais. A formulação de dietas com níveis de microminerais que excedem as recomendações nutricionais tem sido muito utilizada nas granjas de suínos. O excesso empregado, entretanto, acarreta maior excreção desses elementos devido ao mecanismo homeostático dos tecidos, além de poder causar efeitos prejudiciais, como diarreias e desequilíbrios, que podem levar a redução da biodisponibilidade de outros minerais, sem melhora em sua concentração.

Neste sentido, um aspecto a ser considerado sobre suplementação mineral diz respeito ao uso de minerais na forma orgânica, cuja estrutura molecular permite absorção diferenciada, garantindo o seu melhor aproveitamento.

Os minerais quelatados são íons metálicos ligados quimicamente a uma molécula orgânica, formando estruturas com características únicas de estabilidade e de alta biodisponibilidade mineral. Eles são mais facilmente absorvidos, mais passíveis de propiciar um melhor desempenho, qualidade de carcaça, além de serem altamente disponíveis aos animais. Foram estabelecidas as seguintes definições de elementos traços orgânicos.

  • Quelato metal-aminoácido: produto resultante da reação de um sal metálico solúvel com aminoácidos na proporção molar, isto é, um mol do metal para um a três moles (preferencialmente dois) de aminoácidos na forma de ligação covalente coordenada. O peso molecular médio dos aminoácidos hidrolisados pode ser, aproximadamente, de 150 dáltons e o peso molecular resultante do quelato não deve exceder a 800 dáltons;
  • Complexo aminoácido-metal: produto resultante da complexação de um sal metálico solúvel com aminoácido(s);
  • Complexo aminoácido específico-metal: produto resultante da complexação de um sal metálico solúvel com um aminoácido específico;
  • Metal proteinato: produto resultante da quelação de um sal solúvel com uma proteína parcialmente hidrolisada;
  • Complexo metal-polissacarídeo: produto resultante da complexação de um sal solúvel com polissacarídeo.

Interferências 

Na prática, não basta apenas realizar um aporte de minerais sem considerar os distintos fatores que vão influenciar sua absorção e, portanto, utilização no organismo. Existem diversas circunstâncias que vão atuar sobre a eficiência com a qual um mineral é absorvido:

Interações entre minerais

Formação de precipitados insolúveis quando dois ou mais cátions competem pelo mesmo ânion. Este é o caso do ácido fítico, pois quando um sal solúvel é ionizado no intestino, o cátion pode ser sequestrado por ele, formando fitatos, que são sais estáveis e insolúveis, o que os torna não absorvíveis. Esta reação ocorre, sobretudo, com Ca, Zn e Fe. Por outro lado, pode ocorrer que quando a molécula ligante não esteja presente em excesso, a suplementação de um elemento pode aumentar a disponibilidade de outro ao reduzir-se suas possibilidades para formar complexos.

Competição entre cátions pela mesma proteína de transporte, para passar a parede intestinal. Um exemplo deste fenômeno ocorre entre o Fe e Cu, que são antagonistas, competindo pela transferina (o Cu tem preferência de união, o que pode diminuir a absorção de Fe).

Os processos enzimáticos essenciais podem ser bloqueados pela troca de um co-fator metálico por um metal inativo.

Quando um metal que forma parte de uma metaloenzima é substituído por outro, a atividade enzimática pode bloquear, acelerar ou não variar.

Quando há um aporte excessivo de um metal, não somente há uma menor absorção intestinal sendo que também há uma re-excreção no lúmen intestinal do excesso de metal, o que pode acarretar excreção de outros metais durante o processo.

Mesmo que em termos teóricos estas interações sejam consideradas de forma isolada, geralmente se produzem simultânea ou consecutivamente mais de um processo no organismo animal.

Interações entre vitaminas e minerais

As vitaminas também podem interferir na absorção intestinal de minerais tal como o caso do aumento na absorção de Fe causado pela vitamina C, ou a necessidade de vitamina D para absorção do Ca através do intestino. Isto se complica mais se considerarmos as interações entre vitaminas (p. ex., um excesso de niacina pode deprimir a vitamina D e interferir, portanto, na assimilação e uso do Ca).

Interações entre minerais e gorduras

Estas interações podem influir na biodisponibilidade deste mineral no organismo. Um exemplo é a inter-relação existente entre os microminerais e os ácidos graxos, formando sabões insolúveis no trato digestivo

Interações entre fibras e minerais

Diversos estudos têm demonstrado que a presença de fibra não digestível interfere e diminui a absorção de grande parte dos minerais.

Interferência pH-Minerais

O pH intestinal tem grande influência sobre a absorção mineral já que, em geral, pHs alcalinos diminuem a absorção (exceto dos metais alcalinos) e os cátions tendem a formar precipitados insolúveis quando o pH é elevado.

Biodisponibilidade

A biodisponibilidade é definida como o grau que um nutriente ingerido é absorvido de maneira que possa ser utilizado no metabolismo do animal. Esta definição determina que o mineral deva estar disponível não somente em nível dietético, mas também em nível do tecido. O conhecimento sobre a biodisponibilidade dos minerais nos ingredientes e fontes suplementares é importante para a formulação econômica de uma ração para garantir ótimo desempenho animal. Devido a sua maior biodisponibilidade, os minerais quelatados podem substituir as fontes inorgânicas em níveis mais baixos, enquanto que o desempenho é mantido ou mesmo melhorado, possibilitando, ainda, redução nos índices de contaminação ambiental.

Pesquisas

Ferro orgânico na dieta de leitões durante o período de creche

Pesquisador responsável: Dr. Caio Abércio Silva – Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Local: Unidade Produtora de Leitões no estado do Paraná, Brasil.

Materiais e métodos: Com a finalidade de avaliar o efeito da inclusão de Ferro orgânico (quelato metal aminoácido) no desempenho produtivo de leitões na fase de creche, foram utilizadas 64 matrizes (a partir do último terço de gestação) e seus leitões (até a saída da creche, com 63 dias de idade), distribuídas em dois tratamentos, sendo:

T1: Matriz: ração com ferro inorgânico; Leitegada: ração com ferro inorgânico + ferro dextrano injetável

T2: Matriz com ferro inorgânico + ferro orgânico (1kg/tonelada); Leitegada: ração com ferro inorgânico + ferro dextrano injetável + ferro orgânico (1kg/tonelada).

Resultados e conclusão

A suplementação com Ferro orgânico (quelato metal aminoácido) proporcionou melhores índices de desempenho produtivo à leitegada, quando suplementados no período de creche em comparação à leitegada sem suplementação.

Ferro orgânico na alimentação de leitoas lactentes

Pesquisador Responsável: Dr. Caio Abércio Silva – Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Local: Unidade Produtora de Leitões no estado do Paraná, Brasil.

Materiais e métodos: Com a finalidade de avaliar o efeito da inclusão de Ferro orgânico (quelato metal aminoácido) na dieta de porcas em gestação, 64 fêmeas Topigs®, foram distribuídas em 2 tratamentos com 32 repetições (cada porca e sua leitegada foi considerada uma unidade experimental). Os leitões receberam ração pré-inicial dos 8 aos 21 dias de idade (desmame).

Tratamentos experimentais:

T1: Matrizes em gestação e lactação receberam dietas formuladas com sulfato ferroso (gestação: 551mg de ferro/kg de ração; lactação: 537mg/kg de ração) e os leitões receberam ferro dextrano injetável (200mg).

T2: Matrizes em gestação e lactação receberam dietas formuladas com sulfato ferroso (gestação: 551mg de ferro/kg de ração; lactação: 537mg/kg de ração) e os leitões receberam ferro dextrano injetável (200mg aos 3 dias de idade). Porcas em gestação (>84 dias) e os leitões receberam, ainda, ferro na forma orgânica (150mg/kg de ração).

Resultados e conclusão

Mais ferro no leite

O uso de ferro orgânico na dieta das porcas a partir do 84ª dia de gestação até o final da lactação aumentou o teor de ferro no leite.

O maior teor de ferro no leite e a dose adicional de ferro orgânico na dieta dos leitões, provavelmente, contribuíram para o seu melhor desempenho zootécnico.

Considerações finais

Os minerais orgânicos passaram a ser usados no Brasil na década de 70 e ainda são poucas as empresas que apresentam grande variedade destes em seu portfólio. Por terem absorção próxima aos 100%, os quelatos permitem reduzir os requerimentos dietéticos de minerais dos animais. As dietas com suplementação destes têm como intuito atender, de forma eficiente, às recomendações produtivas e reprodutivas dos lotes e transferir os efeitos positivos sobre a qualidade da progênie.

O suprimento das exigências de minerais associados ao fornecimento adequado de energia, proteína e vitaminas e boas práticas de manejo sanitário é fundamental para se conseguir o máximo desempenho animal. A suplementação mineral depende não somente do conteúdo de minerais em um suplemento, mas também da capacidade de absorção e utilização dos mesmos pelos animais, sendo este fato de suma importância para a manutenção do equilíbrio homeostático e para o aumento do desempenho zootécnico dos suínos. Neste contexto, os minerais orgânicos são mais eficientes quando comparados com os minerais inorgânicos por apresentarem maior absorção, maior capacidade de retenção no organismo e maior capacidade de promover efeitos na mineralização.

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Fonte: O Presente Rural
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