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Cientistas criam sistema de biorreatores de bancada para testes com compostagem

Sistema é composto por 12 biorreatores aeróbios, nos quais são inseridas as amostras dos materiais orgânicos a serem testados

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Alexandre Esteves

A pesquisa agropecuária desenvolveu biorreatores de bancada interligados que permitem entender melhor os processos de compostagem, principal método para produção de fertilizantes orgânicos. O sistema é composto por 12 biorreatores aeróbios, nos quais são inseridas as amostras dos materiais orgânicos a serem testados. Com apenas três litros de material, em oito horas é possível ter uma resposta sobre se a mistura tem potencial de alcançar temperaturas entre 50 e 65 graus Celsius, ideais para o processo de compostagem. Toda a base técnica e a parte fundamental de funcionamento já está desenvolvida e testada. Agora, a Embrapa está buscando a parceria de empresas ou startups na área de instrumentação de laboratórios para finalizar o produto para o mercado.

Na falta de instrumentais de laboratório como os biorreatores, os testes para medir a eficácia da compostagem com diferentes materiais orgânicos devem ser feitos a campo, numa escala muito maior, o que demanda mais mão de obra e acarreta a falta de controle do experimento. “Nesse sentido, os biorreatores de bancada representam um ganho muito grande em termos de velocidade e de qualidade da pesquisa técnico-científica nesse tema”, analisa o pesquisador Caio de Teves, líder do projeto, que criou o sistema em um laboratório da Embrapa Solos (RJ).

“Biorreatores como esses existem com outros projetos e modelos, mas aqui conseguimos a façanha inédita de ter 12 reatores em funcionamento ao mesmo tempo e em linha, com sensores de oxigênio e gás carbônico e controle de temperatura, tudo integrado”, ressalta Teves.

Ele explica que o próximo passo da pesquisa, para o qual a Embrapa busca a parceria de startups, é desenvolver um software de controle e automação customizado e exclusivo para o sistema. O protótipo construído em um laboratório da Embrapa Solos é controlado com softwares adaptados.

A tecnologia dos biorreatores de bancada está sendo apresentada durante esta semana no estande da Embrapa no Mountains 2018, em Nova Friburgo (RJ), evento internacional que discute a gestão sustentável e integrada dos ambientes de montanhas.

Vantagens dos biorreatores

Uma das maiores vantagens de um sistema de biorreatores aeróbios de bancada com controle diferencial de temperatura é que, com no máximo 50 litros de mistura de resíduo, é possível fazer um experimento completo, com combinações, tratamentos e repetições, coisa que a campo seria impossível.

Os biorreatores também permitem ter um controle maior de todo o processo experimental, possibilitando pesquisar com mais segurança e celeridade temas como degradação de agrotóxicos, perda de nitrogênio e eficiência do uso de inoculantes durante a compostagem.

“Um diferencial de ter um instrumento como esse é que se pode fazer testes rápidos na mistura que está sendo preparada para a compostagem. Com poucos litros de um resíduo novo ou até mesmo de uma mistura ainda em criação, é possível saber em até oito horas se ela vai servir ou não para a compostagem, ou ter o processo completo em sete a 15 dias. Enquanto a análise química do material é feita, já há uma resposta rápida sobre o potencial daquela mistura”, esclarece Teves.

Questão de sustentabilidade

Com o crescente interesse por fontes renováveis, os resíduos agroindustriais tornaram-se uma fonte importante para a produção de novos materiais, de produtos químicos e de energia. A conversão de biomassa em produtos com valor agregado aproveitando resíduos gera menor impacto ambiental nas atividades, pois ameniza o problema do alto volume de lixo produzido no campo e nas cidades.

A geração de resíduos na agricultura e na agroindústria cresce na mesma medida que a produção desses setores. O pesquisador Caio de Teves enfatiza que reaproveitar esses resíduos para o processo de compostagem, por exemplo, é importante para o meio ambiente e traz lucro aos produtores. “É uma questão de sustentabilidade. Nesse cenário, a tecnologia dos biorreatores de bancada, que pode colaborar com pesquisas que tragam avanços nas técnicas de compostagem para produção de fertilizantes orgânicos, ganha ainda mais relevância.”

Caso de sucesso

Uma parceria de quatro anos da Embrapa Solos com o Rancho São Francisco, propriedade rural localizada em Teresópolis (RJ) que produz hortaliças processadas para restaurantes da cidade do Rio, mostra que é possível utilizar o processo de compostagem para produção de fertilizantes orgânicos de maneira eficiente.

O proprietário Francisco Epifânio explica que procurou a ajuda da Embrapa devido aos problemas que enfrentava com o acumulo de resíduos. “Gerar produtos processados acarreta um volume de resíduo muito grande. A cada dez toneladas de produto acabado, outras dez toneladas de resíduos são geradas”, explica.

A partir de orientações da Embrapa, a propriedade estruturou um processo de compostagem e promoveu treinamentos para os funcionários que atuariam nessa função. Em pouco tempo, todo o resíduo produzido passou a ser processado, dando origem a adubo orgânico.

“A princípio, passamos a utilizar esse adubo orgânico nas nossas próprias estufas e também no nosso solo. Iniciamos um processo de tratamento do solo a partir desses insumos. E, com o tempo, fomos percebendo que passamos a utilizar menos adubos químicos”, relata Epifânio.

Durante o processo, amostras dos compostos produzidos no rancho foram analisadas em laboratório na Embrapa Solos, inclusive no sistema de biorreatores de bancada que estava sendo testado na época. E os resultados mostraram que se tratava de um material rico em nutrientes para o solo.

“Com isso, veio a ideia de transformarmos toda a nossa lavoura em produção orgânica. Em apenas dois anos, já tínhamos a certificação de produtos orgânicos”, comemora Epifânio.

Atualmente, o sítio produz fertilizante orgânico composto que é suficiente para atender toda a sua produção, e a parte excedente já está sendo comercializada. Agora, busca-se o registro do produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

 

Texto: Embrapa Solos

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Notícias Mercado

Preços do boi dispararam em junho com oferta curta e Fator China

Preços do boi gordo dispararam no mercado físico em junho, e continuaram subindo nos primeiros dias de julho

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Arquivo/OP Rural

Os preços do boi gordo dispararam no mercado físico em junho, e continuaram subindo nos primeiros dias de julho. ” Há dois motivos que explicam toda essa situação, o primeiro deles e mais relevante é do acentuado apetite chinês no mercado internacional, comprando volumes bastante substanciais de proteína animal”, disse o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.

A China continua com um significativo déficit no mercado local de proteínas animais, provocado pelo surto de Peste Suína Africana (PSA) que dizimou o rebanho suíno doméstico.

Ao mesmo tempo, no Brasil a oferta de animais terminados, prontos para o abate, avaliando a ausência de incentivos para o pecuarista confinar as boiadas no primeiro giro (a decisão de confinamento no primeiro giro começa em março, período em que o mercado atingiu seu ponto de mínima no ano).

Com isso, os preços a arroba do boi gordo na modalidade à prazo nas principais praças de comercialização do País estavam assim no dia 02 de julho:

  • São Paulo (Capital) – R$ 220,00 a arroba, contra R$ 193,00 a arroba em 30 de abril, subindo 14%.
  • Goiás (Goiânia) – R$ 211,00 a arroba, ante R$ 185,00 a arroba (14%).
  • Minas Gerais (Uberaba) – R$ 214,00 a arroba, contra R$ 187,00 a arroba (14,4%).
  • Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 212,00 a arroba, ante R$ 178,00 a arroba (19%).
  • Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 200,00 a arroba, contra R$ 174,00 a arroba (+15%).

Exportação

As exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada do Brasil renderam US$ 655,475 milhões em junho (21 dias úteis), com média diária de US$ 31,213 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 152,476 mil toneladas, com média diária de 7,260 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.298,90.

Na comparação com junho de 2019, houve ganho de 34,14% no valor médio diário, alta de 20,47% na quantidade média diária e avanço de 11,35% no preço médio. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

Fonte: Agência SAFRAS
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Notícias Mercado

Plantio de trigo teve bom avanço no Brasil e na Argentina em junho

Comercialização neste primeiro semestre foi lenta no mercado interno

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Cleverson Beje

O foco do mercado brasileiro de trigo no mês de junho permaneceu sobre os trabalhos de plantio e o clima para as lavouras. Para este final de semana, há possibilidade de geadas em algumas regiões que, dependendo da intensidade, podem prejudicar o desenvolvimento e afetar a produtividade.

A comercialização neste primeiro semestre foi lenta no mercado interno. A oferta foi reduzida e o câmbio elevou os preços de importação do grão. A indústria está bem abastecida e não deve voltar às compras até a entrada da safra nova. Com o início da colheita, os preços devem começar a cair.

Paraná

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou, em seu relatório semanal, que o plantio da safra 2020 de trigo do estado atinge 94% da área estimada de 1,13 milhão de hectares, contra 1,028 milhão de hectares em 2019, alta de 10%. Segundo o Deral, 89% das lavouras estão em boas condições 9% em situação média e 2% em condições ruins. As lavouras se dividem entre as fases de germinação (7%), crescimento vegetativo (84%), floração (8%) e frutificação (1%).

A produção deve ficar em 3,672 milhões de toneladas, 72% acima das 2,141 milhões de toneladas colhidas na temporada 2019. A produtividade média é estimada em 3.250 quilos por hectare, acima dos 2.205 quilos por hectare registrados na temporada 2019.

Rio Grande do Sul

O plantio de trigo atinge 87% da área, estimada em 915.712 hectares. Na semana passada, os trabalhos atingiam 74%. Em igual período do ano passado, o implante cobria 84% da área. A média para os últimos cinco anos é de 83%. Todas as lavouras estão em fase de germinação ou desenvolvimento vegetativo.

Argentina

O plantio de trigo atinge 79,1% da área na Argentina. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, os trabalhos avançaram 7,8 pontos percentuais na semana e estão 5,3 pontos adiantados em relação ao ano passado. A projeção de área foi cortada para 6,5 milhões de hectares. Até o momento, os trabalhos cobrem 5,142 milhões de hectares.

Fonte: Agência SAFRAS
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Notícias Segundo Safras

Comercialização de soja perde ritmo, mas segue bem acima da média

Comercialização da safra 2019/20 de soja do Brasil envolve 92,9% da produção projetada

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Divulgação/MAPA

A comercialização da safra 2019/20 de soja do Brasil envolve 92,9% da produção projetada, conforme relatório de SAFRAS & Mercado, com dados recolhidos até 3 de julho. No relatório anterior, com dados de 5 de junho, o número era de 88,7%.

Em igual período do ano passado, a negociação envolvia 71,1% e a média para o período é de 74,8%. Levando-se em conta uma safra estimada em 124,609 milhões de toneladas, o total de soja já negociado é de 115,806 milhões de toneladas.

A venda antecipada para 2020/21 pulou de 35,6% no início de junho para 39,8%. Como SAFRAS ainda não tem projeção de safra para a próxima temporada, a base para cálculo foi a de uma produção igual a desse ano. Ou seja, cerca de 49,6 milhões de toneladas já foram comprometidas.

A comercialização da safra futura está bem acelerada na comparação com o ano anterior, quando o índice era de 14,7%, e também supera a média normal para o período, de 12,4%.

O analista de SAFRAS, Luiz Fernando Roque, ressalva que a perda no ritmo dos negócios no período é reflexo dos grandes volumes já comercializados, tanto para a safra disponível como para a safra nova.

Fonte: Agência SAFRAS
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