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Cientista brasileiro recebe uma das maiores honrarias da biologia aquática

Pesquisador do INPA, Adalberto Luis Val será homenageado com a Medalha Le Cren pela contribuição ao estudo dos peixes amazônicos e pelos alertas sobre os impactos das mudanças climáticas na região.

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Biólogo e pesquisador brasileiro Adalberto Luis Val: "Estudar os peixes amazônicos é compreender como a vida responde aos limites impostos pelo ambiente" - Foto: Divulgação

O biólogo e pesquisador brasileiro Adalberto Luis Val será o primeiro cientista do Brasil e o primeiro representante de um país fora do eixo anglófono a receber a Medalha Le Cren, uma das mais importantes distinções internacionais na área da biologia aquática. A homenagem será entregue em 30 de julho, em Southampton, na Inglaterra, pela Fisheries Society of the British Isles (FSBI).

Referência mundial em ecofisiologia de peixes amazônicos, Val dedica mais de quatro décadas à pesquisa no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), onde é colíder do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular. Em 2023, o cientista recebeu o Prêmio Fundação Bunge na categoria Vida e Obra e, atualmente, integra o Conselho de Administração da instituição como vice-presidente.

Biólogo e pesquisador brasileiro Adalberto Luis Val: “É uma grande honra receber esse reconhecimento” – Foto: Keiny Andrade/Fundação Bunge

Ao longo da carreira, suas pesquisas ajudaram a compreender como espécies da Amazônia respondem a fatores extremos, como altas temperaturas, baixos níveis de oxigênio e alterações na acidez da água.

Os estudos indicam que muitos peixes da região já vivem próximos de seus limites térmicos de sobrevivência, cenário que acende um alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas. “É uma grande honra receber esse reconhecimento. Estudar os peixes amazônicos é compreender como a vida responde aos limites impostos pelo ambiente. Essas espécies nos ajudam a entender não apenas a história evolutiva da Amazônia, mas também os riscos que as mudanças climáticas representam para a biodiversidade e para as populações humanas que dependem desses ecossistemas”, afirma.

Impactos além da biodiversidade

Segundo o pesquisador, as consequências das mudanças climáticas ultrapassam a questão ambiental e podem afetar diretamente a segurança alimentar das populações amazônicas. A redução da disponibilidade de peixes, principal fonte de proteína para milhões de pessoas na região, é uma das preocupações apontadas por Val.

 

Foto: Divulgação

Além disso, períodos de seca mais intensos favorecem a ocorrência de incêndios florestais, que também provocam impactos sobre os ecossistemas aquáticos.

Autor de mais de 280 artigos científicos, 22 livros e 78 capítulos de livros, Adalberto Luis Val acumula mais de 10 mil citações acadêmicas e reúne uma série de reconhecimentos nacionais e internacionais. Entre eles estão a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, o Award of Excellence da American Fisheries Society e o próprio Prêmio Fundação Bunge.

O pesquisador também ocupou cargos estratégicos na ciência brasileira, como a direção do INPA entre 2006 e 2014 e a Diretoria de Relações Internacionais da Capes entre 2015 e 2016. Atualmente, é vice-presidente regional Norte da Academia Brasileira de Ciências.

Criada pela Fisheries Society of the British Isles, a Medalha Le Cren homenageia pesquisadores cujos trabalhos deixam contribuições duradouras para o avanço do conhecimento sobre peixes e ecossistemas aquáticos. A distinção leva o nome do biólogo britânico E. David Le Cren, referência mundial na área.

Fonte: O Presente Rural

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Pesca fantasma ameaça espécies e mobiliza discussão sobre novas regras

Equipamentos perdidos ou abandonados continuam capturando animais e ampliam a preocupação com os impactos ambientais da atividade pesqueira.

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Imagem criada pelo ChatGPT/Jaqueline Galvão/OP Rural

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) reuniu na última semana, em Brasília, representantes do governo federal, organismos internacionais e entidades ligadas ao setor para discutir propostas de regulamentação e estratégias de gestão dos equipamentos de pesca perdidos, abandonados ou descartados, conhecidos pela sigla EPAD.

Foto: Divulgação/MPA

O tema foi debatido durante a Oficina Nacional de Capacitação e Construção Coletiva dos Caminhos Normativos sobre EPAD, iniciativa vinculada ao projeto internacional GloLitter Partnerships, desenvolvido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Marítima Internacional (IMO), em parceria com o ministério.

Participaram do encontro representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), da Marinha do Brasil, da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), do Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe) e da Rede de Mulheres Pescadoras da Costa dos Corais.

A discussão ocorre em um momento em que cresce a preocupação com os impactos ambientais causados pelos apetrechos de pesca descartados ou perdidos no ambiente aquático. Esses materiais podem permanecer por anos em rios e oceanos, capturando peixes, crustáceos e outras espécies de forma involuntária, fenômeno conhecido como pesca fantasma.

A oficina buscou reunir contribuições para a elaboração de normas e mecanismos de gestão voltados à prevenção, ao

Imagem criada pelo ChatGPT/Jaqueline Galvão/OP Rural

monitoramento e à destinação adequada desses equipamentos. Entre os objetivos também estão a redução da poluição marinha e o fortalecimento da governança pesqueira e oceânica no país.

A programação foi dividida em etapas, com apresentação de conceitos e experiências, rodas de diálogo entre os participantes e, por fim, a sistematização das propostas que poderão subsidiar futuras políticas públicas.

Segundo o secretário nacional de Pesca Industrial, Amadora e Esportiva do MPA, Carlos Mello, o encontro foi estruturado para reunir diferentes visões sobre o tema. “Agradecemos a presença dos representantes de organizações, inclusive internacionais. Aqui é um espaço aberto de escuta. Do conhecimento ao compromisso”, afirmou.

A oficina também integra as ações da Estratégia Nacional Oceano sem Plástico (ENOP), que reúne iniciativas voltadas à redução da poluição por resíduos sólidos em ambientes aquáticos brasileiros.

Fonte: O Presente Rural
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Conferência em Minas reúne setor aquícola para definir propostas à política nacional

Debates realizados em Uberlândia vão subsidiar a etapa nacional da 4ª Conferência de Aquicultura e Pesca, marcada para novembro, em Brasília.

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Foto: Divulgação/MPA

Depois de 16 anos sem a realização de uma conferência nacional voltada ao setor, a pesca e a aquicultura brasileiras retomaram o debate sobre políticas públicas com a realização da etapa estadual de Minas Gerais da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca. O encontro ocorreu na última semana, em Uberlândia, reunindo produtores, pesquisadores, técnicos, empresas, lideranças setoriais, representantes da sociedade civil e do poder público.

Foto: Divulgação/MPA

A conferência foi dividida em duas etapas. A primeira, dedicada à aquicultura, ocorreu durante a Aquishow Brasil 2026, um dos principais eventos do setor no país. Já os debates relacionados à pesca estão programados para o dia 25 de junho.

O objetivo da etapa mineira foi identificar os principais desafios e oportunidades da atividade no estado e elaborar propostas que serão encaminhadas para discussão na conferência nacional, marcada para novembro, em Brasília.

Debates ocorreram na Aquishow Brasil

A escolha da Aquishow Brasil como sede dos debates sobre aquicultura buscou aproximar a conferência dos profissionais que atuam diretamente na atividade.

A cerimônia de abertura contou com a presença do secretário-executivo do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Lázaro Medeiros, representando a pasta federal. Também participaram o diretor-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Roberto Flores, além de representantes do Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca (Conape).

Segundo o coordenador da Comissão Executiva Nacional da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca, Paulo

Foto: Divulgação/MPA

Faria, a realização do encontro dentro da feira amplia a participação dos diferentes segmentos da cadeia produtiva. “Realizar este momento dentro da Aquishow fortalece o debate, por aproximar a conferência de produtores, pesquisadores, técnicos, empresas, instituições e lideranças que atuam diretamente no desenvolvimento da aquicultura”, afirmou.

Durante os três dias de discussões, os participantes analisaram questões relacionadas à produção, inovação, sustentabilidade, políticas públicas, pesquisa e competitividade da atividade, além de apontarem demandas consideradas prioritárias para o fortalecimento do setor.

Conferência nacional terá foco em políticas permanentes

As etapas estaduais fazem parte do processo preparatório para a 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca, que será realizada entre 11 e 13 de novembro de 2026, em Brasília.

Foto: Divulgação/MPA

O evento terá como tema “De política de governo a política de Estado: sustentabilidade, participação social e continuidade institucional”, sinalizando a intenção de construir diretrizes de longo prazo para a pesca e a aquicultura brasileiras.

A retomada da conferência também marca o retorno dos espaços formais de participação social no setor após 16 anos.

A expectativa do governo federal é que as propostas construídas nos estados contribuam para orientar ações voltadas ao desenvolvimento sustentável das atividades, à ampliação da produção e ao fortalecimento da governança da pesca e da aquicultura no país.

Fonte: O Presente Rural
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Pesca artesanal ganha plataforma com inteligência artificial para coleta de dados em São Paulo

Plataforma será testada na bacia do alto rio Paraná para ampliar a coleta de dados, apoiar pesquisas e subsidiar políticas públicas para o setor.

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Foto: Divulgação/IP-APTA

O Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, firmou parceria para utilização de uma solução tecnológica voltada ao monitoramento da pesca continental, com o objetivo de aprimorar a coleta, organização e análise de dados relacionados à atividade pesqueira.

A iniciativa será desenvolvida em cooperação com a empresa Syncorp Tecnologia, por meio de um Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

Parceria prevê a validação de uma plataforma baseada em inteligência artificial e comunicação via WhatsApp – Foto: Divulgação/IP-APTA

A parceria prevê a validação de uma plataforma baseada em inteligência artificial e comunicação via WhatsApp, destinada a apoiar o registro e acompanhamento das informações da pesca continental, contribuindo para a geração de dados mais eficientes para subsidiar ações de pesquisa, gestão e ordenamento pesqueiro e políticas públicas mais assertivas para o setor.

A ferramenta será utilizada como apoio às atividades de monitoramento da pesca profissional artesanal, auxiliando pesquisadores na obtenção de informações junto às comunidades pesqueiras e ampliando o conhecimento sobre a dinâmica da atividade.

A iniciativa está alinhada às ações de pesquisa voltadas aos desafios da gestão da pesca continental na bacia do alto rio Paraná.

O projeto-piloto contempla atividades como consultas participativas com pescadores profissionais artesanais, visitas às colônias de pescadores e acompanhamento da atividade pesqueira na bacia do alto rio Paraná.

As ações previstas no projeto serão realizadas junto a diferentes regiões da bacia, incluindo áreas do rio Paraná, sub-bacias dos rios Tietê, Grande e Paranaíba, procurando sensibilizar as comunidades pesqueiras e as lideranças para uma participação efetiva na plataforma digital de monitoramento pesqueiro.

Foto: Divulgação

IP apresenta plataforma digital aos pescadores

Como parte das ações do projeto, as pesquisadoras do Instituto de Pesca Luciana Carvalho Bezerra de Menezes, Paula Maria Gênova Castro Campanha, Lídia Sumile Maruyama e Maria Letizia Petesse realizaram recentemente visitas e oficinas com pescadores artesanais e lideranças pesqueiras da região do médio rio Tietê. Durante os encontros, foram apresentados os desafios relacionados ao monitoramento pesqueiro e o projeto-piloto para implantação da plataforma digital voltada ao acompanhamento da pesca artesanal.

Segundo Luciana, “a implantação desta plataforma permitirá ampliar o monitoramento pesqueiro em águas continentais paulistas gerando dados que subsidiem políticas públicas, que auxiliem na gestão da pesca artesanal sustentável. O grande desafio da implantação desta plataforma é a adesão dos pescadores, que apresentam uma certa resistência em entrar no sistema digital, será necessário muito trabalho junto às comunidades e às lideranças para obter a adesão de um numero representativo de pescadores”.

 

Fonte: Assessoria IP-APTA
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