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Ciência melhora índices reprodutivos a cada ano

Três pesquisadores apresentam um pouco da história do melhoramento genético e seus benefícios e o que esperar do futuro

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O jornal O Presente Rural procurou a Embrapa para saber como o melhoramento genético contribui para melhorar os índices produtivos e reprodutivos na pecuária brasileira. Três pesquisadores apresentam um pouco da história do melhoramento genético e seus benefícios e o que esperar do futuro. Um deles é o pesquisador e melhorista Antonio do Nascimento Rosa, que faz um histórico de como tudo surgiu.

“A Embrapa Gado de Corte, fundada em abril de 1977, portanto, há 41 anos, construiu a sua história sobre uma filosofia de trabalho muito simples, mas sábia: o trabalho de pesquisa começa no produtor e termina no produtor. Isto significa dizer que os pesquisadores devem estar antenados no sistema produtivo, no homem do campo, pois vem deles as demandas de trabalhos de pesquisa. E estes trabalhos só devem ser considerados acabados, prontos, quando os seus resultados retornam ao campo, proporcionando aos produtores aumentar a produção, a produtividade ou a qualidade dos seus produtos”, introduz.

“Na área de melhoramento genético, além desta recomendação, fomos forçados a buscar parceria com o setor produtivo desde o início de nossas atividades. Afinal, nem rebanho de seleção a Embrapa tinha. Assim, juntos com ABCZ – Associação Brasileira dos Criadores de Zebu -, no estado de Mato Grosso do Sul, desde 1979, e em âmbito nacional a partir de 1982, fomos pioneiros no lançamento de Sumários de Touros. Esta parceria perdurou até 2013, com a produção de 128 edições de sumários e milhares de touros avaliados”, menciona.

“Ao longo deste período, além da tecnologia Sumários de Touros, fomos também pioneiros na implantação do Programa de Avaliação de Touros Jovens – ATJ e colocamos a disposição dos criadores o Programa de Melhoramento Genético Embrapa Geneplus, de forma a prestar suporte aos criadores não apenas com as avaliações genéticas de touros, mas também de matrizes e produtos nascidos”, emenda.

Atualmente, comenta o melhorista, são atendidos neste programa 419 rebanhos de 10 raças bovinas (Brahman, Guzerá, Nelore; Caracu e Hereford; Brangus, Braford, Canchim, Santa Gertrudis e Senepol), com dados de cerca de 3,8 milhões de animais, espalhados por 17 unidades da federação, bem como da Bolívia, Paraguai e Uruguai.

Ele explica que os resultados imediatos do programa de melhoramento – avaliações genéticas e planos de acasalamento – chegam ao campo por diversos caminhos: “diretamente, pelos criadores participantes do Programa Embrapa Geneplus, associações de criadores, centrais de inseminação, leiloeiras, empresas de assistência técnica e consultoria nas áreas de gestão e biotécnicas reprodutivas. Além deste caminho, os produtores podem ter acesso direto aos sumários de touros por meio de download dos arquivos pela internet, por meio de sumários impressos e de aplicativos móveis disponíveis no Google Play (até o momento para as raças Nelore, Senepol, Hereford e Braford)”.

Avanço com a IATF

Os pesquisadores Juliana Corrêa e Urbano Gomes, da Embrapa Pantanal, citam que a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) foi o divisor para o sistema. “O Brasil possui 221,81 milhões de cabeça de gado e é o maior rebanho comercial do mundo, podendo crescer muito mais em produtividade. O grande avanço na reprodução foi a intensificação do uso da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) desde o final da década de 90. Devido à relativa baixa eficiência reprodutiva observada nos rebanhos bovinos brasileiros, foi primordial desenvolver formas de conhecer, controlar e melhorar índices reprodutivos, que são a taxa de prenhez, índice de serviço, intervalo de partos, taxa de natalidade. Programas de IATF estão sendo utilizados em larga escala por apresentarem inúmeras vantagens, sendo a principal delas a eliminação da observação de cio, evitando a inseminação de vacas no momento incorreto, otimizando a utilização do sêmen e de mão-de-obra. A IATF serve também para concentrar as inseminações e as parições em épocas desejáveis, induzir a ciclicidade de vacas em anestro, diminuir o intervalo de partos, programar as inseminações em um curto período de tempo, controlar a propagação de doenças sexualmente transmissíveis, diminuir os investimentos com touros, padronizar os lotes por categoria e escore de condição corporal e reduzir o descarte e o custo de reposição de matrizes. Essa biotecnologia chegou trazendo inúmeros benefícios, além da possibilidade de se massificar o uso de touros melhoradores – animais avaliados geneticamente e que deixarão no rebanho descendentes com alto valor econômico. A prática tornou possível também o aumento da utilização de sêmen sexado”, citam os pesquisadores.

Índices reprodutivos

Juliana Corrêa e Urbano Gomes citam que ainda há grande variação nos índices reprodutivos, “pois inúmeros fatores interferem nas taxas de prenhez, índice de serviço, intervalo de partos e taxa de natalidade, tais como manejo nutricional e sanitário, estação de monta, inseminador, efeito touro, categoria animal (primípara, multípara), protocolo hormonal, escore de condição corporal (ECC), qualidade do sêmen, ambiente, etc. Por isso temos propriedades que estão abaixo de 60% (de taxa de prenhez) e outras acima dos 90%”, comentam.

“Em um experimento realizado pela Embrapa Pantanal com mais de 1,5 mil inseminações ocorridas no Pantanal e Planalto, os índices no bioma pantaneiro demonstraram, significativamente, menor taxa de prenhez quando comparamos as duas regiões – utilizando os mesmos touros e partidas de sêmen, mesmo protocolo de IATF e mesmo inseminador. Ou seja: a alteração na prenhez aconteceu em função das vacas (e seus escores de condição corporal). No entanto, estão implícitos vários fatores, como diferenças de manejo nutricional (qualidade e disponibilidade das pastagens), fatores ambientais (enchente), fatores genéticos, etc.”, sugerem.

Para os profissionais, o ideal seria ter menores perdas de prenhez do diagnóstico de gestação até a desmama. “Se a média do Brasil fosse 75% de desmama, estaríamos muito melhores e poderíamos crescer ainda mais”, acentuam.

Técnicas mais usadas

Eles explicam as diferenças entre tecnologias aplicadas hoje na bovinocultura brasileira. “A genética está relacionada à hereditariedade, a como as características individuais são herdadas através dos genes (em pequena escala ou escala molecular). Cada gene representará uma função bem definida de acordo com uma codificação específica na sequência de ácidos nucleicos (DNA/RNA). Já a genômica trata do estudo de muitos ou todos os genes em um genoma e suas interações com o ambiente. Edição gênica é a possibilidade de modificar esses genes (localizar, recortar, retirar e colar outro gene de interesse). Por exemplo, retirar um gene que causa uma determinada patologia ou alterar um gene para aumento de produção”, orientam.

Já as informações fenotípicas são as características do animal – sejam elas o peso, medidas corporais, medidas de fertilidade, cor de pelagem – são chamadas de fenótipos. “Assim, informações fenotípicas são aquelas que podemos ver e consequentemente, conseguimos mensurar. Esse fenótipo, tal como é medido, é uma expressão do genótipo (constituição genética) do indivíduo portador do fenótipo em questão mais um componente de ambiente (clima, alimentação, manejo, saúde, etc.). Assim, as informações fenotípicas servem como indicador de produção e produtividade, sendo reflexo do genótipo e do ambiente em que os animais são criados”, comentam. “Desta forma, o monitoramento das medidas fenotípicas reflete tanto as práticas de manejo (nutricional, sanitário, reprodutivo) adotadas quanto o nível do progresso genético do rebanho. Consequentemente, essas informações são imprescindíveis para o produtor poder avaliar seu sistema de produção e o progresso genético dos animais”, recomendam.

De acordo com Juliana Corrêa e Urbano Gomes, da Embrapa Pantanal, pouco ainda se usa de inseminação artificial no Brasil. “O rebanho bovino brasileiro utiliza, aproximadamente, 12% de inseminação artificial (IA). Estima-se que mais de 60% dessa porcentagem sejam utilizados em programas de IATF. A IATF, por sua vez, tem alcançado índices médios de prenhez cada vez mais satisfatórios (50%), embora muitos sejam os fatores que influenciam no sucesso desta biotécnica. A introdução de tecnologias como a IATF traz rápido retorno em produtividade. Alguns exemplos são o aumento de bezerros por vaca/ano, produtos de melhor qualidade, maiores pesos na desmama, redução do intervalo de partos, maior oferta de animais para a engorda, redução da idade de abate e carcaças de melhor qualidade e mais precocidade”, citam.

Eles recomendam que a importância dessa intensificação deve ser enfatizada pelo potencial de crescimento e desenvolvimento da pecuária. “Outras biotecnologias reprodutivas, mais voltadas à seleção das fêmeas, são utilizadas em menor escala e em rebanhos mais voltados à seleção, como a produção in vitro de embrião (Pive), Transferência de embrião (TE) e clonagem.

Manejo reprodutivo

Os pesquisadores da Embrapa Pantanal fazem referência especial ao manejo reprodutivo para a atual pecuária brasileira ampliar seus índices reprodutivos. “O manejo reprodutivo dá condições para a vaca parir uma boa cria por ano. Nesse contexto, premissas importantes como nutrição e sanidade devem estar inclusas, pois não conseguimos fazer a reprodução dos animais se não há condições mínimas para essas premissas. Assim, a prática da estação de monta (EM) visa concentrar o período de reprodução nos meses mais favoráveis do ano e, por consequência, otimizar os esforços em busca da maior eficiência reprodutiva e produtiva na propriedade. Quanto mais concentrada – isto é, quanto mais curta for a estação de monta – mais centralizada será a estação de parição ou nascimentos e menores serão as diferenças entre as idades dos primeiros e últimos animais daquela safra, que chamamos de animais “do cedo” e animais “do tarde”, respectivamente. Em síntese, os animais serão mais contemporâneos, facilitando a programação e planejamento das atividades de nascimentos (parição), desmama (desterneiramento), seleção e vendas”, revelam.

Na opinião dos profissionais, a época do ano mais favorável ao estabelecimento da estação de monta coincide com as melhores condições nutricionais das pastagens, que propiciarão melhores condições corporais e de atividade ovariana (ciclicidade) das matrizes, o que é fundamental para a eficiência reprodutiva. “Se uma propriedade não faz EM, é preciso começar aos poucos. Uma sugestão é começar deixando vacas e touros juntos por seis meses e, depois, “cortar” os meses “das pontas” até que a estação esteja com cerca de 3 ou 4 meses de duração (de 90 a 120 dias). O ideal é que ela dure 90 dias.

Nutrição

Quando o assunto é nutrição, Urbano Gomes é enfático. “Nas palestras, sempre falo que temos uma ótima simpatia, que nunca falha para a vaca emprenhar. O segredo é sempre repetir as frases: “vaca magra não dá cio!”, “o cio entra pela boca!” e “a vaca não pode parir magra!”. Ou seja, nutrição sempre é um limitante para que a reprodução seja eficiente. Assim, o mais importante é dar condições nutricionais para todas as fêmeas, principalmente aquelas que ainda estão em desenvolvimento, como as novilhas e primíparas”.

Os touros também devem estar em condições nutricionais adequadas ao entrar na estação de monta. Uma estratégia de suplementação adequada para obter bons índices reprodutivos seria aquela destinada a melhorar o uso da forragem, maximizando seu consumo e digestibilidade.

Novos avanços

Juliana Corrêa e Urbano Gomes citam os avanços que devem permear a reprodução nos próximos anos. “Quando falamos em reprodução, esperamos que nos próximos anos tenhamos avanços nas descobertas cada vez mais precoces de reprodutores e doadoras de alto valor genético. Ao reproduzir os melhores indivíduos, diminuiremos o ciclo produtivo do animal. Buscamos um animal terminado mais precocemente, trazendo retorno econômico ao produtor e ao setor pecuário. A genética e a genômica serão as ferramentas que darão o suporte para a identificação precoce desses animais mais produtivos, validando (sem haver necessariamente de um grande número de filhos) que suas características de interesse passarão para seus descendentes”, comentam.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira

Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

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A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.

O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta

Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.

Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.

Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem

É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.

Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

 

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.

Ajuste fino, não ruptura

A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.

Fonte: Assessoria Biond Agro
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026

Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

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O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.

No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.

O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.

Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.

Padronização da produção

O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.

Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.

Mercados internacionais em expansão

O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.

Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.

Oscilações do mercado

Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.

Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.

Processo de adaptação

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.

A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.

Gargalos persistem

Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.

A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.

Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.

Dependência do mercado interno

Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.

No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.

Pilares da pecuária

A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.

Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.

Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.

Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.

Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.

Visão de futuro

Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.

Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium

Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

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Foto: Edu Rocha

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

 

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

Foto: Renata Suñe (Holandesas)

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

 

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
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