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CIBiogás reúne ministérios e agências reguladoras para acelerar iniciativas de biogás no Brasil
Ação compõe um dos propósitos do Fundo Global para o Meio Ambiente que é desenvolver as energias renováveis na agroindústria brasileira

Nesta quarta e quinta-feira (14 e 15), o Centro Internacional de Energias Renováveis – CIBiogás, reuniu membros de cinco ministérios e agências reguladoras, como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), para nivelamento técnico e debates que promovam aceleração de iniciativas do biogás no Brasil. Para o diretor-presidente do CIBiogás, Rodrigo Regis de Almeida Galvão, o trabalho de sensibilização das autoridades busca promover a soberania energética nacional. “O biogás é transversal, ele é uma alternativa para o desenvolvimento sócio-ambiental e econômico do país”, afirma o diretor.
O encontro foi uma iniciativa do projeto Aplicações do Biogás na Agroindústria Brasileira, financiado com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), e que tem o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) como instituição líder do projeto, representado pela Secretaria de Empreendedorismo e Inovação (SEMPI), a qual é responsável pela área de energia. A Secretaria identificou no biogás uma oportunidade de empreender serviços energéticos e ambientais de alta relevância para o país.
Conteúdo
Cumprindo o papel de agente executor do projeto, o CIBiogás colaborou com conteúdo técnico-científico, compartilhando com os participantes conhecimento reais sobre: tecnologias para produção de biogás, o biogás na geração de energia elétrica, modelos de conexão, aspectos regulatórios, biometano – regulamentações e características, cases das Unidades de Produção de biogás e projetos de inovação, mercado brasileiro do Biogás, biogás e o desenvolvimento territorial e sob o ponto de vista econômico, ambiental e social, oportunidades de negócios com o biogás.
Segundo Natali Nunes dos Reis da Silva, engenheira eletricista, discutir ações para consolidação do biogás no setor de energia elétrica é essencial, além da opção de geração distribuída por meio do sistema de compensação de energia, é necessário desenvolver mecanismos para venda, já que as características dessa fonte propiciam uma geração firme.
Próximos passos
O projeto prevê articulações com as instituições presentes na reunião. De acordo com Felipe Marques, engenheiro ambiental e gerente de projetos no CIBiogás pela UNIDO, a ideia é que as ações federais ganhem celeridade, inclusive na formação de modelos de negócios no Sul do Brasil, onde a biomassa disponível é abundante. “A nossa chance agora é que todas as instituições compreendam o que é o biogás para quebrar barreiras existentes para expansão e desenvolvimento desta energia renovável”, explica Marques que enfatiza a necessidade de desburocratização e criação de incentivos.
Participantes
Estiveram presentes no nivelamento técnico representantes da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ministério de Minas e Energia (MME), Ministério da Economia (ME), a Agência Alemã de Cooperação Internacional, que no Brasil é focada em energias renováveis e eficiência energética – GIZ, a Itaipu Binacional, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE e SEBRAE PR, UNIDO – Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial.
Gustavo de Lima Ramos, engenheiro agrônomo e membro do MCTIC, ressalta que há cerca de 15 anos o ministério vem desenvolvendo pesquisas que demonstram os benefícios do biogás. “A temática se tornou uma prioridade para o Ministério e para o Governo. Esse projeto está em um ótimo momento, tanto para agregar os esforços quanto para direcionar as futuras ações para desenvolver a cadeia de valor do biogás”, enfatiza.
No Comitê de Gestão do projeto estão, ao lado do MCTIC, o MAPA, MMA, MME, Itaipu Binacional, UNIDO, Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e CIBiogás. Este grupo viu no biogás uma oportunidade para fortalecer a soberania energética, independência tecnológica, garantindo desenvolvimento tecnológico ativando a cadeia nacional com o biogás, que é um energético que tem potencial para trazer resultados para o país, tanto sócio-ambientais quanto em biocombustíveis.
ANP
Para o superintendente da ANP, Carlos Orlando Enrique da Silva, a reunião possibilitou três enfoques diferentes. Segundo Carlos, um meio simples de incentivar a indústria do biogás e do biometano seria tornar as resoluções nacionais mais simples para que produtores de médio e pequeno porte tenham acesso a produção e a comercialização do biogás.
O segundo enfoque seria dar uma posição de maior força e destaque ao biometano no Renovabio, que é uma política de Estado que objetiva traçar uma estratégia conjunta para reconhecer o papel estratégico de todos os tipos de biocombustíveis na matriz energética brasileira, tanto para a segurança energética quanto para mitigação de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa.
E o terceiro enfoque está na condução do biometano para que no futuro ele e o gás natural componham uma solução para substituição do uso do diesel nacional. “Nas nossas reuniões acreditamos que essa junção é a saída para a redução de emissões de gases de efeito estufa no ciclo diesel que representa 47% de toda a matriz energética de transporte”, afirma.
O encontro foi realizado nas dependências do PTI, que 2008 desenvolve projetos em biogás e parceria com o CIBiogás. Além disso, o PTI também fomenta pesquisa e aplicação do hidrogênio e da solar, conforme afirma o diretor administrativo-financeiro do Parque, Flaviano da Costa Masnik, que recepcionou os participantes.

Notícias
Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho
Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.
Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB
“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.
O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.
Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.
Notícias
Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja
Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.
O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.
Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.
Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho
Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.
Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.
Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.
Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.
A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.
Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.
Colunistas
Seu contrato de arrendamento pode ser extinto
Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).
Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.
Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.
Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.
A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.
Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.
Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.
E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.
Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.



