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Chuvas atrasam fim da colheita da soja no Mato Grosso e provocam prejuízos em todo o Estado
Excesso de precipitações compromete qualidade do grão, dificulta escoamento e coloca parte do milho safrinha fora da janela ideal.

As chuvas intensas registradas nas últimas semanas em Mato Grosso têm impactado o encerramento da colheita da soja e ampliado os prejuízos para os produtores em diferentes regiões do Estado. Com áreas ainda por colher, o excesso de precipitações têm impedido a retirada dos grãos no momento ideal, elevando os índices de avarias, a umidade e os descontos aplicados na comercialização. Em muitas propriedades, os últimos talhões apresentam deterioração visível, com soja brotando nas vagens e grãos acima do padrão de umidade exigido pelos armazéns.
O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, afirma que a entidade acompanha com preocupação a evolução da colheita em todo o Estado. Segundo ele, já são mais de 30 dias de chuvas intensas e contínuas em diversas regiões, o que tem dificultado o avanço das máquinas no campo e ampliado os prejuízos. “A colheita segue em ritmo lento, e a Aprosoja MT continua acompanhando o cenário com grande preocupação. As chuvas estão realmente castigando o produtor mato-grossense”, afirmou.
Luiz Pedro Bier também reforça que, diante do aumento nos descontos por umidade e grãos avariados, os produtores podem buscar apoio no programa Classificador Legal, disponibilizado pela entidade. “Para os produtores que enfrentam problemas na classificação, nós disponibilizamos o Classificador Legal. O programa confere a classificação da sua soja. Basta entrar em contato pelo Canal do Produtor que enviaremos um classificador para tirar dúvidas e dar mais segurança nesse momento”, destacou.

Foto: Divulgação/Governo da Bahia
Embora o levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) aponte que a colheita já ultrapassou 65% da área plantada da safra 2025/26, o ritmo desacelerou nas últimas semanas em função das chuvas frequentes. A consequência tem sido perda de qualidade, redução de produtividade e impacto direto na rentabilidade da safra. Em diversas regiões, produtores relatam que os descontos aumentam a cada dia de atraso, tornando difícil até mesmo estimar o prejuízo antes da entrega nos armazéns.
No extremo Norte do Estado, onde o volume de chuva foi ainda mais intenso, o cenário ilustra a situação enfrentada por muitos produtores, mas o problema se estende por todo o território mato-grossense. “Aqui no extremo norte do Mato Grosso nós tivemos um plantio bem lento devido ao déficit hídrico de setembro para outubro e isso agora resultou em uma colheita mais vagarosa. Há produtores que colheram 100% da sua área, outros 70% e alguns que só agora estão chegando em torno de 50%, porém todos eles nos relataram que tiveram perdas por avarias e também a alta umidade do grão, devido às fortes chuvas nos últimos 20 dias”, relata Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja MT e produtor em Marcelândia.
Um levantamento realizado em parceria com o IMEA e a Secretaria Municipal de Agricultura de Marcelândia aponta prejuízos que podem chegar a aproximadamente R$1.800 por hectare, considerando perdas por grãos avariados e descontos decorrentes da alta umidade. A situação se repete, em outras regiões do Estado, onde produtores relatam dificuldades semelhantes para finalizar a colheita e preservar a qualidade do produto.
Na região sul, a situação também é preocupante. “Nós temos um fevereiro extremamente chuvoso, com mais de 500 milímetros acumulados em várias regiões do estado. Temos encontrado situações de soja avariada, brotando nas vagens, grãos úmidos sendo entregues nos armazéns, tudo isso gera uma série de descontos e prejuízos para o produtor”, afirma Jorge Diego Giacomelli, 2º diretor administrativo da Aprosoja MT. Segundo ele, nas áreas mais afetadas, as perdas já chegam à casa dos 25%, especialmente nos últimos talhões a serem colhidos.

Foto: Divulgação
Além das perdas dentro da lavoura, a logística se tornou um dos principais entraves neste momento. Com grande parte das estradas rurais sem pavimentação, o excesso de chuvas provocou atoleiros, quedas de pontes de madeira e interrupções no tráfego, dificultando o escoamento da produção até os armazéns. “Nós temos caminhões com mais de três dias em filas esperando passar por algum atoleiro, isso com grão úmido e já avariado dentro da carga, comprometendo ainda mais a qualidade da entrega”, explica Bertuol.
No Oeste do Estado, a realidade não é diferente. “Os últimos dias de colheita estão muito complicados. Mesmo que abra o sol e você consiga colher, às vezes não tem estrada para chegar até o armazém. As estradas vão formando buracos, atoleiros, e dentro de poucas horas se tornam intransitáveis”, relata o vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo.
O tráfego intenso de caminhões em vias já fragilizadas pelo excesso de umidade tem agravado os danos. Há relatos de veículos tombando e de filas gigantescas nos armazéns, que também enfrentam dificuldades para receber grãos com umidade elevada. “Cada dia que passa, os descontos vão aumentando, a soja vai estragando”, afirma Gilson.
O problema, segundo os produtores, não é apenas produtivo, mas também financeiro.
Diante da gravidade do cenário, municípios como Feliz Natal, Matupá e Marcelândia decretaram situação de emergência, mobilizando órgãos municipais e autorizando ações emergenciais para conter os impactos das chuvas sobre a infraestrutura local e o setor produtivo. A medida busca dar suporte aos produtores e acelerar intervenções nas estradas e pontes afetadas, em um momento em que a prioridade é garantir a retirada da soja do campo.

Foto: Jaelson Lucas/AEN
O reflexo do atraso na colheita da soja já atinge também a segunda safra e aumenta a apreensão no campo. Embora o plantio do milho siga em andamento, parte da área será plantada fora da janela ideal. “Acredito que a janela do milho já foi. O ideal seria plantar até o dia 15 ou 20 de fevereiro e ainda temos muito milho a ser plantado, porque não se consegue colher a soja. Mas a preocupação maior do agricultor é a soja. É ela que paga a conta, é a que dá sustentabilidade ao produtor”, destaca Gilson. Segundo ele, muitos produtores já têm contratos firmados e enfrentam o risco de pagar washout, cláusula contratual que prevê liquidação financeira quando o produto não é entregue, caso não consigam cumprir os compromissos assumidos.
Mesmo diante do risco para o milho de segunda safra, a maior preocupação permanece na soja. “No contexto geral hoje tudo é preocupação porque é uma situação que está fora do controle do produtor, é excesso de chuva, é logística, é condição de colheita, condição de semeadura, tudo está acumulado e está caindo no colo do produtor e ele tem que fazer o que está nas mãos dele, que é torcer por uma melhora no tempo, tirar a soja do campo e entrar com a semeadura do milho segunda safra. É uma situação bem preocupante e esperamos que a partir de agora o tempo dê uma firmada e consigamos avançar com as colheitas”, disse Jorge Diego Giacomelli.
Com custos elevados, endividamento crescente e dificuldades no acesso ao crédito rural, o prolongamento das chuvas intensifica a pressão sobre o setor produtivo. Enquanto acompanham as previsões climáticas para os próximos dias, os produtores seguem mobilizados para aproveitar qualquer janela de sol e reduzir os prejuízos de uma safra que, até a reta final, vinha sendo considerada promissora no campo, mas que agora enfrenta um desfecho marcado por incertezas e perdas.

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Revestimento biodegradável aumenta eficiência de fertilizantes e bioinsumos
Tecnologia protege o fungo Trichoderma harzianum, reduz perdas e pode diminuir custos e emissões na agricultura.

Pesquisadores da Embrapa Instrumentação (SP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram uma tecnologia que integra fertilizante mineral e agente biológico em uma única formulação, permitindo a aplicação simultânea de ambos. A tecnologia consiste em um revestimento biodegradável aplicado aos grânulos de um fertilizante à base de fósforo e nitrogênio, que funciona como uma camada protetora para o fungo Trichoderma harzianum, um microrganismo benéfico amplamente utilizado como bioinsumo na agricultura.
O Trichoderma harzianum possui grande potencial para uso na agricultura, mas é sensível a condições ambientais desfavoráveis. O revestimento preserva a viabilidade do microrganismo durante o armazenamento e promove sua liberação gradual no solo após a aplicação do fertilizante, aumentando sua eficácia no campo.
A tecnologia considera as características do fungo e, ao permitir a união de insumos, torna possível que sejam aplicados simultaneamente, o que antes era limitado pela incompatibilidade entre os componentes. Isso pode contribuir para a maior eficiência no uso de recursos e a redução de desperdícios e de emissões de gases de efeito estufa associados às operações agrícolas.
O desafio agora é levar a tecnologia à escala comercial e validar o seu desempenho em diferentes culturas e condições de campo.
Solução aumenta viabilidade
As pesquisadoras Cristiane Sanchez Farinas, coordenadora do estudo na Embrapa Instrumentação, Aline Medeiro Ferreira e Mariana Govoni Brondi, integrantes da equipe, encapsularam o fungo Trichoderma harzianum em uma matriz polimérica biodegradável à base de celulose. A matriz polimérica funciona como a massa de um bolo para sustentar os demais ingredientes. O resultado é o revestimento aplicado diretamente em grânulos do fertilizante, capaz de preservar a viabilidade do microrganismo.
Os experimentos demonstraram que, após três meses de armazenamento em temperatura ambiente, os esporos – estruturas que os fungos produzem para se multiplicar – encapsulados mantiveram alta taxa de sobrevivência, enquanto os não encapsulados perderam até mil vezes sua vitalidade.
Fungo é aliado invisível da produtividade
Aline Ferreira, mestre em engenharia química pela UFSCar, primeira autora do estudo “Encapsulation of Trichoderma harzianum in Carboxymethyl Cellulose Reinforced with Nanocellulose for Delivery as Fertilizer Coatings”, publicado em fevereiro deste ano pela ACS Agricultural Science & Technology, explica que o Trichoderma harzianum é um velho conhecido da ciência agrícola. “É um fungo amplamente utilizado como agente de biocontrole, capaz de combater fitopatógenos, estimular o crescimento das plantas e aumentar a absorção de nutrientes”.
Mas, apesar desse potencial, sua aplicação em larga escala enfrenta um obstáculo: a baixa sobrevivência após armazenamento e, principalmente, quando em contato direto com fertilizantes químicos. Cristiane Farinas, que estuda a temática há 12 anos, explica que substâncias como a ureia e o fosfato monoamônico (MAP) – um fertilizante mineral rico em fósforo e nitrogênio – podem prejudicar a sobrevivência dos microrganismos do solo. “Eles são extremamente frágeis. Fora do seu ambiente ideal, morrem rapidamente sob o sol ou em contato com fertilizantes químicos potentes”, diz a pesquisadora.
Segundo ela, esses compostos podem causar estresse osmótico, situação em que os microrganismos perdem água devido ao excesso de substâncias concentradas ao seu redor, além de alterar o pH e provocar reações químicas que comprometem sua sobrevivência. Na prática, isso reduz drasticamente a eficácia dos inoculantes biológicos – produto que contém microrganismo com ação benéfica para o desenvolvimento das plantas – limitando sua adoção no campo.
Cápsula protege o microrganismo
Para contornar esse problema, os pesquisadores criaram uma espécie de “escudo” microscópico. O fungo foi encapsulado em uma matriz polimérica de carboximetilcelulose (CMC), um derivado da celulose, reforçado com nanocristais de celulose (CNC).
“Essa estrutura forma um filme resistente e biodegradável que envolve os esporos do fungo, protegendo-os contra condições adversas. Diferentemente de sistemas tradicionais, que liberam rapidamente o conteúdo, o novo material garante que o fungo seja disponibilizado de forma contínua no solo”, afirma Aline Ferreira.
A pós-doutoranda Mariana Govoni Brondi, que também assina o artigo, ressalta que essa característica é considerada ideal para aplicações preventivas na agricultura, porque ao permanecer mais tempo ativo na região próxima às raízes, conhecida como rizosfera, o fungo consegue colonizar o ambiente antes da chegada de patógenos, criando uma espécie de barreira biológica natural. “Além disso, a liberação gradual evita o choque direto com o fertilizante, aumentando ainda mais a taxa de sobrevivência”, esclarece.
Brondi reforça ainda que revestir o grânulo também impacta a taxa de liberação do fertilizante químico. Segundo ela, a liberação mais lenta e controlada do insumo faz com que os nutrientes permaneçam disponíveis para as plantas por um maior período, o que reduz a necessidade de reaplicação do fertilizante pelos agricultores no campo, os custos e as perdas para o ambiente, diminuindo problemas como eutrofização e liberação de gases do efeito estufa.
As pesquisadoras contam que os grânulos de fosfato monoamônico (MAP) revestidos com a matriz polimérica apresentaram crescimento fúngico consistente mesmo após 30 dias de armazenamento. Métodos convencionais, como o uso de soluções açucaradas para fixar microrganismos, mostraram perda significativa de eficácia ao longo do tempo.
Impacto ambiental e econômico
Os inoculantes microbianos aparecem como alternativa ao uso intensivo de fertilizantes químicos, mas dependem de tecnologias que garantam sua eficiência no campo.
Cristiane Sanchez Farinas diz que a carboximetilcelulose é um material de baixo custo e amplamente disponível, enquanto os nanocristais de celulose podem ser produzidos a partir de resíduos agrícolas, alinhando-se aos princípios da bioeconomia circular.
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Cooperativismo catarinense chega a quase 110 mil empregos e 5 milhões de cooperados
Setor encerrou 2025 com 109.677 trabalhadores com carteira assinada, alta de 7,1% em relação ao ano anterior; equilíbrio entre homens e mulheres e expansão para fora de Santa Catarina mostram a amplitude econômica das cooperativas do Estado.

O cooperativismo catarinense encerrou 2025 com um dos indicadores mais relevantes para medir sua presença econômica e social: a geração de empregos formais. Segundo dados consolidados do Sistema Ocesc, as cooperativas de Santa Catarina somaram 109.677 empregos diretos com carteira assinada no ano passado. O número representa crescimento de 7,1% em relação a 2024, quando o setor registrava 102.402 trabalhadores.
Na prática, foram 7.275 novos postos formais em um ano. O avanço confirma o cooperativismo como uma das estruturas econômicas com maior capilaridade no Estado, não apenas pela presença nos municípios, mas pela capacidade de gerar ocupação estável em diferentes ramos de atividade, da produção agropecuária ao crédito, da saúde à infraestrutura, do consumo aos serviços.

Mais do que um dado isolado de mercado de trabalho, o resultado ajuda a dimensionar a força das cooperativas como empregadoras em Santa Catarina. Em um modelo baseado na associação de pessoas, o emprego formal aparece como uma das consequências mais visíveis da expansão dos negócios cooperativos: à medida que as cooperativas crescem, ampliam unidades, diversificam atividades, fortalecem cadeias produtivas e passam a demandar mais profissionais em áreas técnicas, operacionais, administrativas, comerciais e de gestão.
“Cada emprego criado pelo cooperativismo representa renda e estabilidade para as famílias e fortalece as comunidades onde as cooperativas atuam. Esse avanço mostra um modelo que alia eficiência e impacto social, que organiza pessoas, amplia oportunidades e distribui desenvolvimento no território, com impacto direto nas economias regionais”, diz o presidente do Sistema Ocesc, Vanir Zanatta.
Mais de 5 milhões de cooperados
O desempenho no mercado de trabalho acompanha uma trajetória mais ampla do cooperativismo catarinense. Em 2025, o número de cooperados no Estado ultrapassou a marca de cinco milhões, mantendo Santa Catarina na liderança nacional como o Estado mais cooperativista do Brasil.
O dado reforça a abrangência do sistema. As cooperativas não apenas empregam diretamente, mas também reúnem uma base social formada por produtores, trabalhadores, empreendedores, profissionais liberais, consumidores, associados de crédito e usuários de serviços.
Esse duplo movimento — crescimento da base de cooperados e aumento dos empregos formais — mostra o cooperativismo catarinense avançando em duas frentes. De um lado, amplia a participação da população em organizações cooperativas. De outro, consolida estruturas empresariais capazes de competir, investir e empregar.
“O cooperativismo cresce quando entrega resultado econômico e, ao mesmo tempo, mantém o foco nas pessoas. É isso que sustenta crescimento com consistência: gestão, presença regional e compromisso com quem participa do sistema”, afirma Zanatta.
Emprego formal com presença regional
A geração de trabalho no cooperativismo tem uma característica estratégica para Santa Catarina: ela ocorre de forma distribuída. Diferentemente de atividades concentradas em poucos polos urbanos, as cooperativas costumam manter atuação ligada à base produtiva e ao território. Isso faz com que parte importante dos empregos esteja conectada a municípios do interior, regiões agroindustriais, áreas de produção, unidades de atendimento, centros administrativos, estruturas logísticas e plantas industriais.
Essa presença regional diferencia o cooperativismo dentro da economia catarinense. Quando uma cooperativa amplia sua operação, o impacto tende a ultrapassar a contratação direta. O emprego formal movimenta comércio local, serviços, transporte, habitação, educação, qualificação profissional e arrecadação municipal. Também ajuda a manter pessoas nas regiões onde vivem, reduzindo a pressão migratória para grandes centros.
No caso catarinense, essa lógica é especialmente relevante porque o Estado tem uma economia marcada por pequenas e médias cidades, cadeias produtivas interiorizadas e forte participação de cooperativas no agronegócio e no crédito. O crescimento do emprego cooperativista, portanto, tem efeito direto sobre a renda das famílias e sobre a vitalidade econômica de muitos municípios.
Mulheres são maioria
Os dados de 2025 também mostram equilíbrio por gênero na composição dos empregos diretos. Do total de 109.677 trabalhadores, 54.570 são homens e 55.107 são mulheres. A presença feminina ligeiramente superior indica que o cooperativismo catarinense absorve mão de obra de forma equilibrada entre homens e mulheres, em diferentes funções, ramos e níveis de responsabilidade.
Esse dado é relevante porque o emprego formal feminino tem impacto direto sobre autonomia financeira, renda familiar e participação econômica nos municípios. Também evidencia que as cooperativas, ao crescerem, ampliam oportunidades em áreas que vão além das atividades tradicionalmente associadas ao trabalho operacional.
Há demanda por profissionais em setores administrativos, atendimento, saúde, tecnologia, gestão, educação cooperativista, assistência técnica, agroindústria, logística, finanças, comunicação, governança e relacionamento com cooperados. Quanto maior a diversificação dos ramos e das atividades, maior também a variedade de perfis profissionais necessários para sustentar o funcionamento das cooperativas.
Cooperativas catarinenses também empregam fora do Estado
Embora a maior parte dos empregos esteja concentrada em Santa Catarina, os números mostram que a atuação das cooperativas catarinenses já ultrapassa de forma significativa as fronteiras estaduais. Em 2025, 84.776 postos de trabalho estavam localizados em Santa Catarina. Outros 24.901 empregos diretos estavam fora do Estado, o equivalente a 29,4% do total.
Esse dado revela a expansão de cooperativas nascidas ou estruturadas em Santa Catarina para outras regiões do país. A presença fora do território catarinense indica aumento de escala, maior competitividade e capacidade de atuar em cadeias mais amplas, sem romper a ligação com a base de origem.
Empregos acompanham a profissionalização do sistema
O crescimento de 7,1% no número de empregos diretos também reflete a profissionalização das cooperativas. À medida que o sistema ganha escala, aumenta a necessidade de equipes especializadas.
O cooperativismo contemporâneo exige profissionais capazes de atuar em gestão financeira, tecnologia da informação, compliance, sustentabilidade, assistência técnica, inteligência de mercado, comunicação, recursos humanos, logística, inovação, processos industriais, atendimento ao cooperado e governança.
Impacto direto nas comunidades
O peso do cooperativismo no mercado de trabalho catarinense também deve ser observado pela capacidade de sustentar vínculos locais. Em muitas regiões, as cooperativas estão entre os principais empregadores formais. Isso dá ao setor uma responsabilidade que vai além da eficiência operacional.
Cada vaga criada representa renda mensal circulando no município, consumo no comércio, pagamento de serviços, arrecadação tributária e estabilidade para famílias. Em localidades menores, esse impacto pode ser decisivo para manter dinamismo econômico e perspectivas profissionais para jovens e trabalhadores qualificados.
“O cooperativismo gera trabalho formal, movimenta cadeias produtivas e cria oportunidades onde as pessoas vivem. Os resultados aparecem nos indicadores, mas o principal efeito está na transformação que esse modelo produz na vida dos cooperados, colaboradores e comunidades”, conclui Zanatta.
Os números de 2025 mostram que o cooperativismo catarinense não apenas ampliou sua base de associados, mas também fortaleceu sua função como gerador de empregos. Com quase 110 mil trabalhadores formais, presença majoritária em Santa Catarina e expansão para outros Estados, o setor confirma sua relevância econômica em um ponto central para qualquer território: a capacidade de transformar crescimento em trabalho, renda e permanência das pessoas nas comunidades.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
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Cadeia da soja impulsiona exportações brasileiras em julho
Soja em grão cresceu 16,9% e farelo avançou 52,9%, enquanto carnes de aves também ganharam espaço nas vendas externas até a terceira semana do mês.







