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China testa balanço da soja do Brasil; Conab revisita números de safras

Eventual revisão da estimativa de safra pelo governo poderia indicar maior oferta de soja para a exportação no Brasil

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Arquivo/OP Rural

A demanda chinesa por soja brasileira na esteira da recente escalada da guerra comercial China-EUA, ainda que mais comedida este ano ante o recorde de 2018, precipitou um movimento de reavaliação dos números oficiais de safra do Brasil, na medida em que há divergências importantes com as estimativas do setor privado. Uma eventual revisão da estimativa de safra pelo governo poderia indicar maior oferta de soja para a exportação no Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, diminuindo incertezas.

Pelo balanço de oferta e demanda da estatal Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), não haveria como o Brasil exportar 72 milhões de toneladas em 2019, conforme estima a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). “O nosso quadro está bem apertado, não tem espaço para exportação de 72 milhões de toneladas”, disse à Reuters o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Guilherme Bastos, ao ser questionado em entrevista por telefone.

“Em função do quadro apertado (de oferta e demanda), estamos revisitando os números dessa e da safra anterior. O mercado indicou isso…”, acrescentou ele, observando que não há prazo para o trabalho ser concluído e que, por ora, não se pode dizer se efetivamente vai haver alguma revisão pela Conab.

A Abiove, que representa as principais tradings e indústrias de soja, incluindo multinacionais como Bunge e Cargill, mexeu em seus números na última sexta-feira, mas não alterou as suas estimativas das últimas duas safras (2017/18 e 2018/19), que somadas já apontam uma diferença a maior de mais de 6 milhões de toneladas em relação aos dados da Conab.

Enquanto a Conab aponta safra de cerca de 115 milhões de toneladas para 2018/19, a Abiove vê 117,6 milhões. Mas a disparidade é maior para a colheita passada, com a Conab vendo 119,3 milhões e a Abiove 123,1 milhões de toneladas.

Em ajuste na semana passada, a associação aumentou números de estoques em 2017 e 2018, além de ter reduzido levemente o volume exportado em 2018, para um volume ainda recorde de 83,258 milhões de toneladas, vendo assim soja suficiente para elevar sua projeção de embarques em 2019 para 72 milhões de toneladas, ante 68,1 milhões de toneladas estimadas no início de julho.

Ao elevar a projeção, a Abiove citou a demanda da China em função da guerra comercial. Segundo as previsões atuais, o país deve fechar o ano com estoques mínimos após uma colheita menor e com a China mantendo foco no produto brasileiro novamente no segundo semestre, uma repetição da situação atípica de 2018, enquanto chineses viram as costas aos norte-americanos, que normalmente abastecem os asiáticos nesta época.

As compras chinesas no Brasil, contudo, estão menores ante os incríveis números de 2018, principalmente em função da peste suína africana. Mas estão estáveis em comparação com 2017, por exemplo, somando 39,3 milhões de toneladas de soja de janeiro a julho de 2019, uma queda de pouco mais de 10% frente a mesmo período do ano passado, segundo dados da consultoria AgRural.

O volume importado pelos chineses responde por quase 74% das 53 milhões de toneladas que os brasileiros exportaram no acumulado do ano, marcado por uma safra menor.

Erro em 2017/18?

Analistas privados também têm destacado as disparidades entre os números da Conab e os do setor privado. “O mercado talvez tenha errado na estimativa da safra 2018, foi maior… talvez tenhamos errado aí”, disse o analista Luiz Fernando Roque, da Safras & Mercado, que admitiu algum ajuste na estimativa de 121,8 milhões de toneladas da consultoria.

Segundo Roque, levando-se em conta as estimativas governamentais de safra, o Brasil estaria sem soja “há cinco anos”. “O mercado como um todo terá que revisar seus números, as consultorias privadas e públicas”, afirmou ele, comentando que a demanda atípica da China no segundo semestre pelo segundo ano seguido coloca pressão para uma revisão. Pelos números atuais, Roque afirmou que o Brasil não conseguiria exportar mais do que 72 milhões de toneladas em 2019. “Se continuar forte essa exportação, vai ter de importar, ou parar de exportar”, comentou.

Para a analista Daniely Santos, da Céleres, não fosse a peste suína africana na China, que reduziu a demanda por farelo de soja no mercado chinês, o Brasil teria de virar uma espécie de intermediário comercial e eventualmente importar o grão para reexportar. “Apesar dos estoques mínimos ao final de 2019, acredito que isso não vai acontecer”, ressaltou ela.

A Céleres projeta estoques finais de apenas 1 milhão de toneladas, enquanto a Safras vê apenas pouco mais de 100 mil toneladas.

Divergências

Bastos, responsável pelas estatísticas da Conab, lembrou ainda que o IBGE, outro órgão do governo que realiza projeções de safras, tem números ainda menores —117,8 milhões para a safra 2018 e 113,15 milhões para 2019— que os da companhia ligada ao Ministério da Agricultura.

Segundo o diretor da Conab, que assumiu o cargo em fevereiro com experiência de ter trabalhado em trading e consultorias privadas, a estatal está averiguando as divergências, um trabalho que pode passar por checagem de dados junto a seus mais de 900 informantes. “Estamos averiguando a questão de área (plantada), se há alguma medida abaixo em alguma região, e depois a questão da produtividade…”, disse.

Bastos comentou que o processo é moroso e desafiador, mas está sendo realizado. Ele comentou que os agentes no Brasil não têm obrigatoriedade de fornecer dados de estoques, algo que poderia ajudar no levantamento dos números.

Fonte: Reuters
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Notícias Para liderança cooperativista

Paraná deve se posicionar contra a renovação antecipada de concessão

Dilvo Grolli apresentou dados que mostram que, caso líderes paranaenses não estejam atentos e unidos, poderão ocorrer prejuízos bilionários à cadeia produtiva

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Cerca de 120 diretores e representantes de 40 cooperativas do Estado participaram na quinta-feira (21), na Associação de Funcionários da Coopavel, em Cascavel, do Fórum de Logística do Cooperativismo Paranaense. O objetivo foi refletir sobre os desafios e as urgências da estruturação logística, condição indispensável para que os produtos paranaenses sigam competitivos no concorrido mercado internacional. O presidente da Coopavel e diretor da Ocepar, Dilvo Grolli, apresentou dados contundentes e que mostram que, caso os líderes paranaenses não estejam atentos e unidos, poderão ocorrer prejuízos bilionários à cadeia produtiva que hoje faz do Paraná uma referência de prosperidade nacional.

Dilvo, como representante da Ocepar, e outras autoridades do Oeste do Estado foram os primeiros a se erguer contra a renovação da concessão do pedágio considerado o mais caro do planeta. Estudos apurados mostraram que existiam inconsistências em informações, resultando em apurações na Assembleia Legislativa e no Tribunal de Contas, fazendo com que as irregularidades comprovadas fossem parar na Lava-Jato. Um engenhoso esquema de corrupção foi desfraldado e muitos dos que se beneficiaram com as cobranças ilegais e manobras que beneficiaram as concessionárias acabaram presos. “O objeto é diferente, as pessoas são diferentes, mas a história é a mesma”, alertou Dilvo, chamando atenção para articulações em curso que podem impactar seriamente o modal ferroviário paranaense.

Pouco antes da apresentação de Dilvo, o engenheiro da Rumo, Cristiano Donatti, empresa que detém concessão de trechos ferroviários no Estado, falou sobre o possível aumento da capacidade de transporte das cargas do Oeste em direção ao Porto de Paranaguá. No entanto, associou os investimentos à renovação do contrato de concessão (expira em 2026). O presidente da Coopavel abriu sua apresentou questionando a Rumo da razão de não ter feito as obras antes, e de deixar os alinhamentos como condição para a renovação do contrato. “Desde já, sou contra essa renovação, porque isso não será saudável para o Estado e muito menos para o Oeste, região responsável pela produção de grande parte das commodities paranaenses”.

Mesmo assim, os números de expansão apresentados pela Rumo são muito distantes do que o Oeste precisa e projeta. A diferença entre o que oferecem (hoje são apenas 380 mil toneladas que seguem ao porto de trem) e o que a região pode oferecer é de dez vezes as quantidades informadas, de três milhões para mais de 20 milhões de toneladas por ano – considerando produções de outros estados e países vizinhos. “O Paraná é um grande sucesso da porteira para dentro, mas da porteira para fora tem muitos problemas que limitam e encarecem a produção. Não cabe às cooperativas fazer logística, nosso foco é a produção”, ressaltou Dilvo Grolli.

Apenas uma fração da soja produzida no Oeste segue ao Porto de Paranaguá por ferrovia. Em 2018, a produção foi de 5,7 milhões de toneladas e somente 183 mil toneladas foram exportadas por meio de ferrovia, ou 3,2% do total. Em 2019, o índice entre janeiro e setembro foi de 4,69%, com transporte por trem de 211,3 mil toneladas da produção total de 4,5 milhões de toneladas do grão. As exportações de Paranaguá com produtos transportados por ferrovia chegaram a 9,4 milhões em 2018, disso somente 380 mil toneladas do Oeste (participação de 0,04%) e de janeiro a setembro de 2019 foram 5,8 milhões com participação do Oeste de 410 mil, ou 0,07% do total.

Prejuízos

Devido à ineficiência do modal ferroviário, as empresas que investiram em estruturas na área da Ferroeste, em Cascavel, operam com prejuízo ou com resultado muito abaixo ao projetado. “Justamente porque a região não recebe o suporte que merece por parte da concessionária Rumo”, conforme Dilvo Grolli.

Na operação de fertilizantes da Coopavel, já que 85% do transporte é feito por caminhões e apenas 15% por trem, o prejuízo com frete, de 2010 para cá, chega a R$ 40 milhões – e outros R$ 20 milhões no calcário. O mesmo problema impacta um terminal construído pela Cotriguaçu, que integra algumas das maiores cooperativas da região. A unidade consumiu R$ 200 milhões, porém as parceiras decidiram paralisar investimentos que chegariam a R$ 500 milhões.

O volume de contêneires que passou pelo terminal em 2018 e que seguiram por ferrovia foi de 7.257. A necessidade da região Oeste, todavia, é de 20 mil a 24 mil contêineres, a grande maioria deles embarcada em caminhões em razão dos entraves operacionais. Por ferrovia, a demora na operação é de sete dias, enquanto que por rodovia a distância entre Cascavel e Paranaguá é vencida em 12 horas. Isso gera aumento de custos de R$ 1 mil por contêiner.

R$ 3 bi gratuitos à Rumo para incorporar a Ferroeste

As 12 empresas instaladas no terminal da Ferroeste em Cascavel já investiram R$ 1 bilhão em suas estruturas. As áreas são cedidas em regime de concessão por 25 anos. Depois de vencido esse prazo, os investimentos revertem para a Ferroeste. “Esse é mais um motivo para sermos contra a renovação da concessão da Rumo, já que ela demonstrou interesse em assumir o controle da Ferroeste e terá os direitos de todos esses ativos das empresas do Oeste gratuitamente.

Se isso ocorrer, esse valor, que nós investimos, terá de ser pago à concessionária que nada fez em favor dos produtores rurais, das agroindústrias e das cooperativas do Oeste”, afirmou o presidente da Coopavel. Mais R$ 1 bilhão, que seriam incorporados pela Rumo em eventual controle da Ferroeste, referem-se aos 250 quilômetros de trilhos entre Cascavel e Guarapuava, e ainda o direito de exploração do trecho de Guarapuava a Dourados (MS) até o ano de 2099.

Oeste unido

Outra situação em particular deixa o transporte ferroviário como única alternativa para barateamento de custos à região. “Nossos rios correm no sentido contrário às nossas exportações, ainda assim estão repletos de hidrelétricas. Por isso, precisamos de uma malha ferroviária que atenda as nossas necessidades”, apontou Dilvo, que apresentou custos de transporte por diferentes modais. São 20 dólares para transportar uma tonelada pela distância de mil quilômetros por hidrovia, por trem o custo é de 40 dólares e por caminhão, de 60 dólares. “Temos que estar unidos, munidos de números e lutar pelo que acreditamos que seja o melhor para as nossas comunidades”, ressaltou o presidente da Coopavel.

O Fórum de Logística do Cooperativismo Paranaense abriu espaço também para apresentação do novo modelo de pedágio que se espera ao Estado a partir de novembro de 2021, sobre tabela do frete e sobre aplicativo de gestão de frota.

Fonte: Assessoria
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Notícias Mato Grosso do Sul

Coamo inaugura na segunda-feira novas indústrias em Dourados

Novas indústrias de óleo e refinaria de óleo de soja foram construídas entre Dourados e Caarapó

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As novas indústrias de óleo e refinaria de óleo de soja construídas na margem da BR-163, entre Dourados e Caarapó, no Mato Grosso do Sul, serão inauguradas na segunda-feira (25) pela Cooperativa Agroindustrial Coamo. Foram investidos mais de R$ 780 milhões na planta industrial que tem capacidade para processamento de 3.000 toneladas/dia de soja, produção de farelo de soja e uma refinaria para 720 toneladas/dia de óleo de soja, equivalente a 15 milhões de sacas. Com as indústrias de Dourados, somados aos outros dois parques industriais, a Coamo amplia a capacidade de processamento de soja para 8.000 toneladas/dia e a de refino para 1.440 toneladas/dia de óleo de soja refinado.

As novas indústrias foram aprovadas pelos associados em Assembleia Geral Extraordinária, realizada em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná), em 23 de março de 2016, e em 06 dezembro do mesmo ano, foi lançada a pedra fundamental, com a presença de autoridades da Coamo, do município, deputados e do governador do Estado, Reinaldo Azambuja. As obras foram iniciadas em 2017, em uma área construída de 92 mil metros quadrados. Os trabalhos de construção e montagem foram realizados por 1.600 colaboradores diretos e indiretos, integrantes de dezenas de empresas contratadas.

O presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, destaca a necessidade da construção das novas indústrias e a escolha da região de Dourados para instalação. “O volume de soja recebido pela Coamo no Mato Grosso do Sul comporta perfeitamente a instalação de uma moderna indústria esmagadora de soja e de uma refinaria de óleo de soja em Dourados, justificando plenamente a redução de custo com o transporte do produto já industrializado ao invés de transportá-lo in natura para a industrialização em Campo Mourão ou em Paranaguá”.

O governador do Mato Grosso do Sul e, também, cooperado da Coamo, Reinaldo Azambuja, elogia a visão e a iniciativa da diretoria da Coamo e destaca a importância da unidade industrial em Dourados. “A Coamo potencializou investimento no MS, isso é uma prova real de confiança e de cumplicidade nossa, para dar uma mais competividade à economia e diversificação da produção”, argumenta, lembrando ainda que, “A região de Dourados está com uma bela e moderna edificação, um cartão postal na entrada da cidade. Aplaudo a decisão da Coamo por este investimento e pelos excelentes resultados alcançados ano após ano.”

De acordo com a prefeita de Dourados, Délia Razuk, o empreendimento traz orgulho e expectativa de mais desenvolvimento, não só para o município como, também, para toda a região. “Estou muito feliz e orgulhosa. Vivemos um grande momento”, diz.

A prefeita lembra que a instalação da Coamo em Dourados movimenta vários segmentos da economia local, impulsionando o crescimento do município. Antes mesmo da inauguração da indústria, registrou-se um aumento considerável no movimento na rede hoteleira, restaurantes, imobiliárias e postos de combustíveis. “Muitas pessoas vieram para cá trabalhar na instalação da Coamo e isso acabou agregando”, observa.

Ela também explica que a chegada da Coamo atrai para Dourados e região, agregados como centros de distribuição, empresas do ramo de transporte, de manutenção, de peças industriais, logística, entre tantas outras. “Agora mesmo, um restaurante e um posto de combustíveis estão sendo instalados na região da Coamo”, frisa.

Fonte: Assessoria
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Notícias Mercado Interno

Competitividade da carne de frango aumenta frente à bovina

Reajustes mais intensos têm sido verificados para a carcaça casada do boi

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Arquivo/OP Rural

De acordo com pesquisas do Cepea, os preços das três carnes mais consumidas no país – frango, bovina e suína – estão em trajetória de alta nos mercados atacadistas. Os reajustes mais intensos têm sido verificados para a carcaça casada do boi. A carne suína, por sua vez, apresenta movimento de alta acima da verificada para o frango. Esse cenário tem favorecido a competitividade da carne de frango frente a essas substitutas, especialmente em relação à bovina.

Na parcial deste mês (média até o dia 21), a diferença entre os preços das carnes de frango e bovina foi a maior de toda a série histórica do Cepea, iniciada em janeiro de 2004 para a proteína avícola. Segundo levantamento da Equipe Boi/Cepea, a oferta restrita de animais para abate e as demandas interna e externa aquecidas têm impulsionado os preços de toda a cadeia.

No mercado de suínos, houve aumento na demanda, como típico para esse período. Para o frango, a demanda, que já vinha aquecida na primeira quinzena de novembro, continuou aumentando, justamente pela maior competitividade desta proteína.

Fonte: Cepea
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