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China suspende importação de carne bovina de três frigoríficos brasileiros
Medida afeta três frigoríficos, mas governo minimiza impacto no comércio com o país asiático.

O governo brasileiro informou que recebeu, na segunda-feira (03), da Administração-Geral de Aduanas da China (GACC), um comunicado sobre a suspensão temporária da importação de carne bovina de três frigoríficos brasileiros. A decisão foi tomada após videoauditorias realizadas nas unidades, nas quais foram identificadas não conformidades em relação aos requisitos de importação chineses.

Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro: “Não é coerente [afirmar] que três plantas suspensas impactem a relação comercial” – Foto: Divulgação/BMEL
Apesar do embargo, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, minimizou o impacto da suspensão. “Hoje, o Brasil tem 126 plantas frigoríficas habilitadas. Quando nós assumimos, tínhamos 12 plantas suspensas. Nós retomamos essas 12 e abrimos mais 43, das 55 desse total de 126. Então, não é coerente [afirmar] que três plantas suspensas impactem a relação comercial”, ressaltou.
O secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, destacou que o Brasil possui um bom desempenho na defesa agropecuária, fator que contribui para sua credibilidade no mercado internacional. “Seguiremos em diálogo com o setor privado exportador e com as autoridades chinesas para solucionar os questionamentos apontados e retomar as exportações dessas unidades”, declarou.
A China é o principal destino da carne bovina brasileira, e as exportações favorecem o mercado nacional. Segundo o ministro Fávaro, os cortes exportados são diferentes dos consumidos internamente, o que influencia na formação de preço dentro do país. “São produtos que vendem muito pouco aqui ou que possuem menor valor comercial, em função dos diferentes padrões de consumo. O fato de estarmos exportando é bom para a formação do todo”, concluiu.

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Creep feeding aumenta ganho de peso de bezerros no desmame
Estratégia de c reduz estresse, melhora adaptação alimentar e mantém desempenho na recria.

O período de desmame é um dos momentos mais decisivos para o desempenho dos bezerros na pecuária de corte. Estratégias que combinam manejo adequado e nutrição estratégica, como o uso do creep feeding no pré-desmame, têm ajudado pecuaristas a reduzir o estresse dos animais, melhorar a adaptação alimentar e garantir maior ganho de peso já nas primeiras etapas da recria.
De acordo com a zootecnista Mariana Lisboa, o desmame é considerado uma fase crítica porque envolve uma mudança brusca na rotina dos animais. “A separação da mãe, a alteração da dieta e a adaptação a um novo ambiente representam uma ruptura importante no comportamento do bezerro. Quando o manejo não é conduzido de forma adequada, é comum observar redução no consumo de alimento, queda no ganho de peso e maior predisposição a problemas sanitários, o que pode atrasar o desenvolvimento dos animais na recria”, explica.

Foto: Carlos Maurício Andrade
Na pecuária de corte, diferentes métodos de desmame podem ser utilizados para reduzir esses impactos. De maneira geral, métodos que reduzem a ruptura abrupta do vínculo entre vaca e bezerro tendem a favorecer o bem-estar animal e estimular o consumo de alimento sólido. “O modelo mais comum ainda é o desmame tradicional ou abrupto, caracterizado pela separação imediata entre vaca e bezerro, o que tende a gerar maior nível de estresse. No entanto, outras estratégias têm ganhado espaço nas fazendas, como o desmame lado a lado, no qual vaca e bezerro permanecem próximos, separados por cerca ou estrutura física, permitindo contato visual e auditivo entre os animais. Há ainda o desmame gradual, que promove a redução progressiva do contato ou da amamentação, proporcionando uma transição mais suave”, comenta Mariana.
Papel da nutrição estratégica
Independentemente da estratégia adotada, o manejo nutricional tem papel decisivo para facilitar essa transição. Quando o bezerro chega ao desmame já adaptado ao consumo de alimentos sólidos, os impactos causados pela separação da mãe são significativamente menores e o animal consegue manter o ritmo de desenvolvimento na fase seguinte do ciclo produtivo.

Foto: Divulgação
Nesse contexto, o creep feeding tem se consolidado como uma importante ferramenta dentro das propriedades. A estratégia consiste no fornecimento de suplemento concentrado em um cocho exclusivo para os bezerros, com acesso restrito às vacas, permitindo que os animais iniciem o consumo de alimento sólido ainda durante a fase de amamentação. “O creep feeding estimula o consumo precoce de concentrado e favorece o desenvolvimento do rúmen. Isso prepara o animal para a transição alimentar que acontece no desmame, reduzindo os impactos negativos e melhorando a adaptação à dieta da recria”, afirma Mariana.
De acordo com a zootecnista, o consumo antecipado de concentrado estimula o crescimento das papilas ruminais, estruturas responsáveis pela absorção dos nutrientes provenientes da fermentação no rúmen. Com o sistema digestivo mais desenvolvido, o bezerro passa a apresentar maior eficiência alimentar e melhor capacidade de aproveitar os nutrientes da dieta sólida.
Resultados no desempenho
Na prática, os resultados dessa estratégia aparecem diretamente no desempenho produtivo. “Quando o creep feeding é adotado de forma correta, o produtor pode observar maior peso ao desmame, continuidade no ganho de peso após essa fase e maior uniformidade do lote. Além disso, a prática ajuda a reduzir o chamado ‘vale de desempenho’ pós-desmame, que é aquele período em que muitos animais apresentam queda temporária de produtividade”, destaca.
Erros que comprometem os resultados

Foto: Arnaldo Alves/AEN
Apesar dos benefícios, alguns erros ainda são comuns e podem comprometer os resultados da estratégia nutricional. Entre eles estão o início tardio da suplementação, o uso de suplementos inadequados para a idade dos animais, falhas no manejo de cocho, ausência de adaptação alimentar gradual e a desconsideração da qualidade da pastagem disponível na propriedade.
Para garantir bons resultados, a escolha do suplemento nutricional também deve ser criteriosa. “O produto ideal precisa apresentar alta digestibilidade, equilíbrio entre energia, proteína, minerais e vitaminas, além de elevada palatabilidade, estimulando o consumo pelos bezerros. Também é importante que a formulação seja específica para animais em fase de desenvolvimento e esteja alinhada ao sistema de produção adotado na fazenda”, expõe Marina.
Impacto no ciclo produtivo
Segundo a zootecnista, investir em nutrição estratégica desde o início da vida dos animais é uma decisão que impacta todo o ciclo produtivo da pecuária. “O sucesso no desmame não depende de uma única prática, mas da integração entre manejo, nutrição e planejamento produtivo. Quando o pecuarista investe na nutrição dos bezerros ainda no pré-desmame, ele prepara esses animais para uma recria mais eficiente, com reflexos positivos no desempenho, na produtividade e até na qualidade final da carcaça”, ressalta.
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Brasileiro busca carne sustentável sem abrir mão de sabor e qualidade
Pesquisa com mais de mil consumidores mostra que 78% consideram importante a produção responsável. Redução do impacto ambiental, segurança e maciez estão entre as prioridades, e supermercados se tornam palco estratégico para comunicação das práticas.

A sustentabilidade deixou de ser um atributo opcional na decisão de compra de carne no Brasil. Segundo a pesquisa O que o brasileiro pensa sobre a carne, 78% dos entrevistados consideram importante ou muito importante que o produto seja produzido de forma sustentável, sendo que 44% avaliaram o aspecto como “muito importante” e 34% como “importante”.
Ao mesmo tempo, 34% afirmaram não saber se a pecuária brasileira avançou nessas práticas, indicando uma lacuna entre a expectativa do consumidor e a visibilidade das ações no campo.

Fotos: Shutterstock
O levantamento, encomendado pelo movimento A Carne do Futuro é Animal e realizado pelo Instituto Qualibest com 1.021 pessoas, mostra que a confiança na qualidade da carne brasileira permanece alta: 80% avaliam o produto como bom ou ótimo. Além disso, 91% dos entrevistados associam o consumo de carne a benefícios à saúde, com 82% destacando seu valor como fonte de proteínas e 57% citando aporte de ferro e vitaminas.
Os resultados indicam uma dupla demanda: práticas de produção sustentáveis e comunicação clara sobre essas ações. Segundo especialistas, produtores e indústrias que apresentarem evidências, como rastreabilidade, certificações, controles de bem-estar animal e relatórios de sustentabilidade, poderão agregar valor ao produto e reduzir a incerteza do consumidor. “O brasileiro continua consumindo carne, mas passou a exigir mais responsabilidade, transparência e eficiência. A carne do futuro, na percepção do consumidor, está ligada à forma como ela é produzida e à confiança na cadeia”, mencionam os pesquisadores no estudo.
Prioridades para a carne do futuro

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Quando questionados sobre o que esperam da carne do futuro, os consumidores apontaram múltiplas prioridades. Entre as opções, 47% citaram a redução do impacto ambiental como principal exigência. Segurança e qualidade foram destacadas por 40%, enquanto 37% mencionaram sabor e maciez.
Os dados indicam que o consumidor brasileiro busca simultaneamente responsabilidade ambiental e alto padrão sensorial. “Ele não quer abrir mão do sabor nem da qualidade em nome da sustentabilidade”, aponta a pesquisa, reforçando a necessidade de equilibrar práticas responsáveis com atributos sensoriais percebidos no produto final.
Intenção de consumo
Apesar da preocupação crescente com sustentabilidade, a pesquisa mostra estabilidade no consumo. Setenta e dois por cento dos entrevistados afirmam que manterão o mesmo nível de consumo de carne bovina nos próximos seis meses; 12% pretendem aumentar, e outros 12% reduzir. Apenas 1% declarou intenção de abandonar completamente o consumo. “O mercado se mostra fundamentalmente estável, mas cerca de 24% dos consumidores ainda podem alterar hábitos de acordo com percepção sobre sustentabilidade, preço ou qualidade”, observa o levantamento.
Para a indústria, isso representa uma oportunidade estratégica: marcas que comprovarem práticas responsáveis têm potencial de conquistar consumidores, enquanto as que não se adequarem correm o risco de perdê-los.
Canais de compra e preferência de raça

O estudo também mapeou os canais de aquisição e preferências de produto. Supermercados são o local mais usado para comprar carne, apontados por 69% dos entrevistados, à frente de açougues e boutiques especializadas. Isso transforma o ponto de venda em palco estratégico para comunicação de práticas sustentáveis: rótulos, selos, painéis informativos e campanhas nos balcões são ferramentas eficazes para traduzir ações do campo em percepção concreta do consumidor.
Quanto à preferência por raça, 37% dos entrevistados optam pela carne Angus, reforçando o valor de atributos reconhecidos pelo mercado, como sabor e maciez, aliados à reputação da marca e da cadeia produtiva.
A pesquisa completa está disponível no site do Movimento A Carne do Futuro é Animal.
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Congresso Mundial do Brangus gera mais de R$ 8 milhões em negócios
Evento reuniu 600 animais em julgamentos, leilões internacionais e giras técnicas, reforçando o crescimento da raça e sua importância estratégica na pecuária brasileira.

O Brasil consolidou sua posição no cenário internacional da pecuária ao sediar, em março, o Congresso Mundial da raça Brangus, com etapas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e participação de representantes de 13 países.
A etapa de Londrina, no Paraná, destacou-se como um dos principais momentos do evento, reunindo mais de 3 mil pessoas ao longo da programação, que incluiu julgamentos de animais, leilões, palestras técnicas e interação entre criadores, autoridades políticas, técnicos e empresas do setor. A organização foi conduzida pela Associação Brasileira de Brangus (ABB).
Ao todo, cerca de 600 animais participaram dos julgamentos de argola e rústicos, atraindo criadores e interessados para acompanhar o alto nível técnico e a vitrine internacional da raça.
“Conseguimos ocupar o parque com uma única raça, o que mostra o momento que o Brangus vive. Os criadores saem daqui valorizados, com visibilidade internacional e reconhecimento pelo trabalho que vêm desenvolvendo”, afirmou João Paulo Schneider (Kaju), presidente da ABB, sobre a etapa paranaense.
Ele destacou ainda a atuação do jurado internacional Marcos Borges Júnior, brasileiro radicado nos Estados Unidos há mais de duas décadas. “A condução do julgamento em três idiomas, com explicações claras sobre os critérios, contribuiu para ampliar o entendimento sobre a seleção genética brasileira e reforçou o caráter global do evento”, acrescentou Schneider.
O congresso demonstrou a capacidade do Brasil de reunir conhecimento técnico, inovação genética e projeção internacional, consolidando o Brangus como uma das raças de maior destaque no país e no exterior.
Papel estratégico do Brangus na pecuária
As palestras técnicas do Congresso Mundial da Brangus reforçaram o desempenho da raça na produção de carne de qualidade e na adaptação a diferentes regiões. “Tanto nas fazendas, como nas palestras técnicas, ficou evidente a diversidade da raça e sua contribuição, com resultados nos diversos biomas e tipos de clima, mostrando todo seu potencial de produção”, ressaltou Ladislau Lancsarics, presidente do congresso, destacando que o público manteve alta adesão do início ao fim das apresentações.
De acordo com o diretor de Marketing da ABB, Sebastião Garcia Neto, a programação técnica contou com grande participação internacional, alto nível técnico e engajamento dos criadores, reafirmando o papel da raça como ferramenta estratégica para o avanço da pecuária brasileira. “Mostramos que temos a capacidade de produzir carne de qualidade aliada à eficiência produtiva”, salientou.
Ambiente de negócios
Além das pistas e palestras, o ambiente de negócios se mostrou intenso.Os estandes atraíram criadores e empresas, com destaque para negociações internacionais. “Foi um congresso surpreendente, com vendas para o Paraguai e para a Argentina, e muitos outros negócios encaminhados”, afirmou Gabriel Hauly.
Durante quatro leilões, os negócios movimentaram R$ 8,686 milhões, com animais vendidos para diversas regiões do Brasil e para outros países da América do Sul.
Giras técnicas

Foto: Douglas Salgueiro
O evento também contou com giras técnicas nas propriedades, onde criadores puderam mostrar o manejo e o desempenho da raça Brangus em sistemas distintos de produção. As visitas começaram no Rio Grande do Sul, seguiram pelo Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, percorrendo cerca de 5.000 quilômetros e reunindo aproximadamente dois mil participantes, entre inscritos, convidados, patrocinadores e equipe da ABB.
As atividades práticas permitiram observar a adaptação da raça a diferentes biomas, reforçando a avaliação de especialistas de que o Brangus se consolidou como ferramenta estratégica para modernizar e valorizar a pecuária brasileira, tanto em produtividade quanto em qualidade da carne.
Números do Brangus no Brasil
A Associação Brasileira de Brangus atravessa um período de crescimento consistente e fortalecimento institucional, sustentado por um processo contínuo de profissionalização da raça no país. Em apresentação às federações de 13 países, o Brasil destacou números expressivos: são 357 sócios distribuídos em 18 estados, 20 inspetores técnicos credenciados e cerca de 20 mil registros anuais de animais.
No mercado de reprodução, o Brangus se consolida como uma das principais raças do país. Segundo dados do setor de inseminação, a raça ocupa a terceira posição em vendas de sêmen, com 874 mil doses comercializadas no último ano, acompanhando a retomada do cruzamento industrial na pecuária brasileira. “A atuação da associação está focada em aumentar a competitividade do setor, indo além de indicadores tradicionais e avançando em áreas estratégicas como qualidade de carne, avaliação de carcaça, seleção genômica e eficiência alimentar, com provas realizadas em diferentes regiões do país”, informou o gerente executivo da ABB Roberto Grecellé.
O Paraguai será o país sede da próxima edição do Congresso Mundial da Raça Brangus, programada para 2028.
Conheça os campeões do Congresso Mundial do Brangus 2026
O Congresso Mundial do Brangus 2026 premiou os destaques da raça em diversas categorias, reunindo animais de alto padrão genético e criadores reconhecidos nacionalmente. Confira os vencedores.
- Grande Campeão do Mundial
- Grande Campeã do Mundial
Argola Terneiros
- Grande Campeã Top Terneira: Élio Roque Ottoni
- Grande Campeão Top Terneiro: Cabanha Floripana
Argola
- Grande Campeã: Genética Vacacaí | Fazenda Ramada | Cesar Augusto Dagios de Siqueira e Giovani Lizot
- Grande Campeão: Ricardo Bastos Tellechea
Individual Terneiro
- Grande Campeã Individual Rústica Top Terneira: Genética Vacacaí
- Grande Campeão Individual Rústico Top Terneiro: Élio Roque Ottoni
Individual
- Grande Campeão Individual Rústico: Élio Roque Ottoni
Trio Terneiro
- Trio Grande Campeão Top Terneiras: Fazenda VR
- Melhor Fêmea Rústica Top Terneira: Luiz Antonio Venker Menezes
- Trio Grande Campeão Top Terneiro: Agropecuária Guapiara Ltda
- Melhor Macho Rústico Top Terneiro: Agropecuária Guapiara Ltda
Trio
- Trio Grande Campeão de Fêmeas: Agrícola Anamélia Ltda – La Bellaca de Zuza – Estância Itamainó
- Melhor Fêmea Rústica: Agrícola Anamélia Ltda – La Bellaca de Zuza – Estância Itamainó
- Trio Grande Campeão: Genética Vacacaí
- Melhor Macho Rústico: Brangus Brawir
Grande Campeonato
- Suprema – Top Terneira: Élio Roque Ottoni
- Supremo – Top Terneiro: Cabanha Floripana
- Suprema Grande Campeã: Genética Vacacaí | Fazenda Ramada | Cesar Augusto Dagios de Siqueira e Giovani Lizot
- Supremo Grande Campeão: Ricardo Bastos Tellechea
O evento destacou a diversidade genética e o nível técnico elevado dos criadores brasileiros, consolidando o país como referência na raça Brangus no cenário internacional.





