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China reduz ritmo de expansão no consumo alimentar, aponta pesquisa brasileira
Movimento segue padrão de economias mais desenvolvidas e pode alterar dinâmica das exportações agropecuárias globais.

A ascensão econômica da China e o aumento acelerado do consumo de alimentos por sua população teve reflexo no desempenho nas exportações agropecuárias brasileiras. Com grande volume de produção e preços competitivos, o Brasil conquistou esse mercado e tem visto as vendas crescerem ano após ano. Mas até quando a demanda chinesa pode continuar a crescer?

Fotos: Claudio Neves
Um artigo científico publicado por especialistas da Embrapa Territorial e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) mostra que o consumo per capita de alimentos na China está crescendo em ritmo menor e se aproximando de uma estabilização.
A analista Daniela Tatiane de Souza, da Embrapa Territorial, explica que esse é um movimento comum em países que atingem níveis mais elevados de desenvolvimento econômico, processo descrito pelos economistas na Lei de Engel.
Em geral, quando começam a obter mais renda, as famílias tendem a gastar a maior parte dos recursos na melhoria da própria alimentação. Há, porém, um ponto de saturação, a partir do qual a demanda por alimentos se estabiliza e os recursos adicionais são direcionados para outras compras – bens mais duráveis e lazer, por exemplo.
O movimento em curso na China é muito semelhante ao que foi observado em outros países, mas há diferenças entre categorias de alimentos. Leite, legumes, verduras, frutas e carnes em geral estão em desaceleração da difusão, ou seja, ainda há algum registro de aumento de demanda, mas em ritmo menor do que no passado. O consumo per capita de leite, por exemplo, crescia a taxas maiores do que 10% ao ano na primeira década dos anos 2000, mas recuou para 0,6% ao ano, entre os triênios 2010-12 e 2020-22.

O consumo de café tem crescido, impulsionado pela ocidentalização da cultura. Foto: Wenderson Araújo / Trilux
Uma das razões para o menor ritmo de crescimento pode ser o alcance do limite máximo de consumo pelas famílias. A ingestão per capita de frutas na China, por exemplo, era de 4,3 kg por ano, na década de 1960. Foi crescendo até atingir 108,7 kg em 2022, tornando-se maior do que a do Brasil.
Movimento semelhante acontece com as carnes: saiu de 9,9 para 107 kg por ano, mais do que se observa na Europa. “As pessoas vão aumentando e diversificando o consumo de alimentos, mas há um ponto de saturação, um ponto a partir do qual as pessoas não conseguem comer mais e querem outras coisas”, explica o professor Marcelo Pinho, da UFSCar.
Em algumas categorias de alimentos, o consumo está em retração, isto é, diminuindo: raízes, tubérculos, carne suína e bebidas alcoólicas. Em uma faixa de aceleração da difusão, ou seja, com ritmo acelerado de crescimento, estão apenas alimentos como óleo de girassol, chá e café, este último alavancado com fatores como a urbanização e a disseminação de hábitos ocidentais entre a população chinesa.
Perspectivas de exportação

Foto: Edinan Ferreira
O artigo, veiculado na Revista de Economia Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro, retoma uma investigação semelhante feita pelos autores e publicada em 2012. Nesse primeiro trabalho, eles já identificaram um processo de amadurecimento dos principais mercados agroalimentares chineses.
No entanto, na década seguinte, as exportações agropecuárias brasileiras para a China continuaram crescendo vigorosamente, ao contrário do que se esperava. Na avaliação de Pinho, isso aconteceu porque a China admitiu uma parcela maior de importações de insumos, especialmente soja, para abastecer o rebanho interno.
Essa tem sido uma tendência do país asiático: permitir o abastecimento de matérias-primas por fornecedores estrangeiros, mas estimular a produção local para evitar excessiva dependência externa de alimentos para consumo humano direto. A preocupação com a segurança alimentar é central na China, tendo em vista a população numerosa e o histórico de períodos de fome severa.
Dos seis alimentos mais consumidos pelos chineses – arroz, trigo, ovos, carne suína, leite e carne de aves -, apenas o leite tem coeficiente de importação acima de 10%.
“Quando as importações de carne bovina estavam chegando a 1/4 do consumo, foram impostas restrições. Então, quando se trata de alimento de uso final, o que a história recente mostra é que eles não estão dispostos a uma exposição muito grande ao risco de depender de importações de alimentos, mesmo para um produto ‘de elite’ como é a carne bovina para os chineses ”, analisa Pinho.
Por outro lado, a produção de alimentos em território chinês respondeu vigorosamente aos estímulos, especialmente no caso dos grãos,carnes e leites.
Pinho e Souza avaliam que o comportamento do consumo de alimentos no país asiático não deve gerar redução das exportações brasileiras no futuro próximo, mas tampouco tende a sustentar aumentos substanciais de embarques como os registrados nos últimos 20 anos. O crescimento das exportações brasileiras na última década foi impulsionado pela maior importação chinesa de insumos, como soja para ração animal e celulose.
A continuidade desse impulso dependerá da China manter abertura para insumos e produtos agroindustriais, já que possui limites para a expansão da produção agrícola interna. O risco de a China fomentar outros fornecedores não pode ser desconsiderado. “Eles são muito agressivos comercialmente e não podemos subestimar sua capacidade de adaptação e inovação”, lembra Souza.
No entanto, pondera que a agropecuária brasileira tem competências para sustentar suas posições competitivas.

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Cadeia da soja impulsiona exportações brasileiras em julho
Soja em grão cresceu 16,9% e farelo avançou 52,9%, enquanto carnes de aves também ganharam espaço nas vendas externas até a terceira semana do mês.
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Produtores rurais terão até 2027 para obter CNPJ na reforma tributária
Decreto do governo federal adia em seis meses a exigência para pessoas físicas com receita anual superior a R$ 3,6 milhões.

O governo federal adiou para 01º de janeiro de 2027 a obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para produtores rurais pessoas físicas enquadrados nas regras da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A medida foi oficializada pelo Decreto nº 13.075, de 21 de julho de 2026, que amplia em seis meses o prazo de adaptação previsto na reforma tributária.
Inicialmente, a exigência entraria em vigor em julho deste ano. Com a mudança, os produtores rurais continuarão utilizando os atuais mecanismos de identificação fiscal até 31 de dezembro de 2026.

Foto: Divulgação
A obrigatoriedade valerá para produtores rurais com receita bruta anual superior a R$ 3,6 milhões. As regras para os produtores com faturamento abaixo desse limite ainda serão regulamentadas pelo governo.
Segundo a Receita Federal, o adiamento permitirá concluir o desenvolvimento de um sistema simplificado de inscrição no CNPJ e oferecer mais tempo para adaptação dos contribuintes e dos sistemas utilizados para emissão de documentos fiscais.
A proposta é que o cadastro funcione de forma semelhante ao do Microempreendedor Individual (MEI), com processo digital e integrado aos sistemas de emissão de notas fiscais eletrônicas. Também estão previstos um ambiente de testes (sandbox), publicação de manuais técnicos e orientações operacionais para os contribuintes e empresas desenvolvedoras. O novo sistema deve ser disponibilizado em novembro de 2026.
A exigência faz parte da implementação da reforma tributária sobre o consumo, que criou a CBS, administrada pela União, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de responsabilidade de estados e municípios. O objetivo é padronizar a identificação dos contribuintes e integrar os sistemas eletrônicos de fiscalização e emissão de documentos fiscais.
Com a prorrogação, o cronograma prevê o lançamento do sistema simplificado em novembro de 2026 e o início da obrigatoriedade de inscrição no CNPJ e emissão de documentos fiscais, para os casos previstos em lei, em 1º de janeiro de 2027.
Notícias Em Santa Catarina
Cooperalfa anuncia complexo com supermercado e agropecuária em Canoinhas
Empreendimento será o maior da cooperativa no segmento, com previsão de 128 empregos permanentes e inauguração em 2027.

O empreendimento, que reunirá supermercado e agropecuária em uma única estrutura, representa um dos investimentos mais relevantes da cooperativa na região e reforça seu compromisso com o crescimento econômico, o fortalecimento do agronegócio e a melhoria dos serviços oferecidos aos associados e à comunidade. De acordo com o presidente Romeo Bet, o investimento representa a continuidade do crescimento na região, com impacto diferenciado para Canoinhas, que é a chegada do Superalfa, ampliando o atendimento tanto aos clientes do campo quanto da cidade. “A previsão é concluirmos a obra para o aniversário dos 60 anos da Cooperalfa, em outubro de 2027”, revelou o presidente.
O novo complexo será construído em uma área estratégica da cidade, em um terreno de 13.522,18 metros quadrados localizado entre as ruas Saulo de Carvalho, Álvaro Soares Machado e João Allage. A localização privilegiada contribuirá para consolidar um importante eixo de desenvolvimento urbano e comercial em Canoinhas.
Planejado com base em modernos conceitos de engenharia, mobilidade e funcionalidade, o empreendimento foi projetado para oferecer conforto, praticidade e uma experiência diferenciada aos clientes. A estrutura contará com amplas áreas de estacionamento distribuídas em todo o perímetro e também no subsolo. Ao todo, serão disponibilizadas 261 vagas para veículos, sendo 139 externas e 122 no estacionamento subterrâneo. Destas, 159 vagas serão cobertas, proporcionando mais comodidade e segurança aos usuários.
Áreas amplas de vendas
O supermercado ocupará uma área de vendas de 2.800 metros quadrados e contará com setores completos de açougue, padaria, câmaras frias, depósito de mercadorias e docas independentes para carga e descarga. O espaço também incluirá uma área exclusiva para café, 19 pontos de atendimento ao cliente, além de recursos de acessibilidade e sistemas de esteiras e elevadores para circulação entre os pavimentos.
Já a agropecuária terá uma área de vendas de 1.800 metros quadrados, oferecendo amplo mix de produtos voltados ao setor agropecuário, além de escritórios destinados ao atendimento técnico e comercial dos associados e produtores rurais.
A estrutura foi concebida utilizando tecnologias construtivas modernas, com concreto pré-fabricado, estrutura metálica de cobertura, placas termoacústicas e acabamentos em granito e concreto, garantindo eficiência, durabilidade e conforto acústico.
Bem-estar dos colaboradores
Além das áreas destinadas ao atendimento do público, o projeto contempla espaços voltados ao bem-estar dos colaboradores, incluindo vestiários, refeitório e sala de descanso, proporcionando melhores condições de trabalho para as equipes que atuarão no local.
Todos os processos de desenvolvimento do empreendimento seguem rigorosamente os critérios técnicos e legais exigidos pelos órgãos competentes. O projeto inclui aprovações complementares, licenciamento ambiental e sanitário, além do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), já protocolado junto ao município, e a integração com as concessionárias responsáveis pelos serviços de água, energia e saneamento.
Desenvolvimento econômico e geração de empregos
O investimento também terá reflexos significativos na economia local. Durante a fase de construção, a expectativa é gerar aproximadamente 150 empregos diretos. Após a inauguração, o complexo deverá manter cerca de 128 empregos diretos permanentes entre as operações do supermercado e da agropecuária.
O impacto positivo se estenderá ainda a diversos setores da economia regional, com a criação estimada de aproximadamente 68 empregos indiretos relacionados a fornecedores, transportadoras e prestadores de serviços.
A Cooperalfa projeta que o novo empreendimento receba cerca de 50 mil pessoas por mês, fortalecendo o comércio local, ampliando a arrecadação municipal por meio de tributos como IPTU, ISS e ICMS, além de contribuir para a valorização imobiliária da região e estimular novos investimentos em Canoinhas.
Investimento com olhar para o futuro
O novo complexo comercial reafirma a estratégia da Cooperalfa de investir em infraestrutura, ampliar sua presença regional e oferecer soluções cada vez mais completas para associados, produtores rurais e consumidores.
Mais do que uma nova unidade, o empreendimento representa um importante impulsionador de desenvolvimento para Canoinhas e para todo o Planalto Norte Catarinense, gerando oportunidades, fortalecendo a economia local e consolidando a presença da Cooperalfa como agente de transformação e crescimento sustentável nas comunidades onde atua.
Desafios e oportunidades
O gerente de Engenharia da Cooperalfa, Andrísio Bet, informa que os trabalhos de terraplanagem terão início neste mês de julho, enquanto a execução das obras está prevista para iniciar em agosto de 2026. De acordo com ele, o projeto apresenta desafios significativos em razão de sua complexidade, do cronograma desafiador e das características do terreno, que possui acentuado desnível. “Temos consciência da grandiosidade deste empreendimento e estamos empenhados em conduzir cada etapa com excelência, qualidade e segurança”, destaca.
Andrísio ressalta que a expectativa é elevada em torno da construção do maior supermercado e da maior loja agropecuária da Cooperalfa, em um único complexo integrado. A proposta permitirá otimizar a operação por meio do compartilhamento de áreas de estacionamento, expedição, depósitos e sanitários, gerando maior eficiência e comodidade aos clientes. O empreendimento contará ainda com quatro acessos destinados ao público. “Essa integração fortalece a sinergia entre os negócios, reunindo em um mesmo espaço tanto os moradores da cidade quanto os produtores rurais, ampliando as oportunidades de atendimento e relacionamento com nossos cooperados e clientes”, explica.







