Suínos
China: oportunidade de negócios para os suinocultores brasileiros
Conhecidos por seus preços baixos, os produtos "made in China" conquistaram o mercado e consolidaram o país asiático como a "fábrica do mundo". Em solo chinês, a missão liderada pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e apoiada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) pode conhecer de perto as oportunidades comerciais entre os dois países, prospectar compras de equipamento e tecnologia; obter percepções de compradores chineses sobre os produtos suínos brasileiros; além de conhecer in loco a realidade de oferta e demanda da carne suína na China, bem como conhecer as dinâmicas do mercado chinês, seus aspectos culturais e perspectivas futuras.
Entender as principais questões regulatórias que impactam ou podem impactar o comércio de produtos brasileiros no mercado chinês foi um dos primeiros passos da comitiva. Por meio do Pork Summit, mais de 60 profissionais entre instituições e empresas dos dois países conheceram as oportunidades de transações comerciais entre o Brasil e a China no âmbito da produção e da indústria, além do enorme mercado para carne suína e derivados em ambos os países.
O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, abriu o encontro apresentando o Panorama da Cadeia de Valor da Suinocultura Brasileira, destacando os principais fatores de produção que colocam o Brasil como 4º maior produtor e exportador da carne suína no mundo. Entre os principais pontos abordados a está a infra-estrutura, como a grande disponibilidade de terra e aumento da escala de produção; abordou também a genética como foco importante para o crescimento da suinocultura brasileira, que hoje foca na prolificidade e na produção de carne magra. Outro importante ponto apresentando aos participantes foram a preocupação com a biosseguridade.
As oportunidades de comércio na China, que figura como o maior produtor e consumidor mundial de carne suína, foram apresentadas pela Cônsul-Geral em Xangai, Ana Cândida Perez, que destacou o processo de expansão do país que atualmente prevê até 2020 ter 40% da sua população inserida na classe média. Isso representa um alto poder de consumo, uma oportunidade de grandes proporções aos países que pretendem exportar para cá, comentou.
Já a adida agrícola da embaixada do Brasil em Pequim, Andrea Bertolini, destacou que o mercado de carne suína é um das grandes prioridades do agronegócio brasileiro na China. É importante destacar que hoje a China escolhe o que compra, de quem compra e em quais condições compra. Isso faz que com seja preciso uma estratégia e organização para acessar esse mercado e ser competitivo com outros países e outras ofertas, alertou.
Segundo dados apresentados pela Adida, a China é um grande importador de carne bovina e frango, mas em 2012 importou 1 milhão de toneladas de carne suína, sendo grande porcentagem proveniente dos Estados Unidos. A carne suína está em sexta colocação nos produtos brasileiros exportados para a China.
Por meio da palestra do gerente geral de suínos da Shanghai Songlin Industrial Trade Company, Foo Jing Lee, a comitiva brasileira teve o primeiro contato com o formato da produção de suínos na China. A empresa que possui atualmente cerca de 6 mil matrizes e produz mais de 120 mil animais ano é um dos modelos que mais cresce no país, a produção verticalizada. Formato que prevê a produção interna de todos os elementos, da base ao varejo. No caso da Songlin, o modelo é decorrente da preocupação em manter o controle sobre as tecnologias de processo, de produtos e negócios (segredos industriais). Já o vice-diretor da Comissão de Agricultura de Xangai, Li Jian Ying, abordou sobre o perfil da suinocultura na China e as oportunidades e barreiras para negócios.
Por fim, o evento também abriu as portas para a suinocultura nacional nos Consulados brasileiros em Pequim e Xangai, por meio dos representantes diplomáticos do Brasil na China: Ana Cândida Perez, Cônsul-Geral em Xangai; Andrea Bertolini, Adida Agrícola da Embaixada do Brasil em Pequim e André Saboya, Consul para promoção comercial e investimentos, que deram todo o suporte institucional ao evento e a missão em solo chinês.
Dinâmica do mercado consumidor chinês
Outro objetivo da missão técnica foi conhecer as dinâmicas do mercado chinês, seus aspectos culturais e perspectivas futuras. Esse panorama pode ser avaliado durante a maior feira de alimentos do mundo, a SIAL China 2014, vitrine única do mercado alimentício mundial e referência para compradores em busca de fornecedores e parceiros chineses e internacionais, que aconteceu de 13 a 15 de maio na cidade de Xangai.
Na feira, a comitiva teve a oportunidade de levantar informações sobre a indústrias alimentícia, como qualidade, perfil do consumidor e serviços. Apesar da forte presença internacional, é uma feira voltada para a China, com a presença de diversos expositores todos com grande interesse em entrar no mercado chinês, que marcaram presença para conhecer e mostrar suas novidades em alimentos e bebidas, comentou o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, entretanto, nosso trabalho é avaliar a evolução do consumo de alimentos na China e entender como a carne suína pode ser inserida nesse mercado, uma vez que com o aumento na renda per capita da população, há maior consumo de carnes e alimentos processados, um espaço que precisa ser explorado para a carne suína brasileira.
As preferências no consumo de alimentos da população chinesa têm se aproximado em boa medida dos padrões de consumo de países desenvolvidos, o que pode ser percebido claramente nos produtos apresentados na SIAL. A comida processada vem ganhando espaço na mesa dos consumidores chineses e segundo dados da Euromonitor International (empresa que fornece relatórios de pesquisa de mercado, estatísticas e outras informações sobre países e consumidores), a China será a maior consumidora de comidas processadas até 2015. Sua população poderá chegar a incrível marca de 107 milhões de toneladas de alimentos processados consumidos, o que ultrapassará os 102 milhões de toneladas anualmente digeridas pelos Estados Unidos.
A SIAL é o mais importante encontro profissional agroalimentar do mundo, pois reúne todos os atores do mercado, além dos setores de distribuição, de food service, de importação/exportação e da indústria. Nós brasileiros temos muito o que aprender com o mercado de alimentação, principalmente para atender o consumidor atual, comentou o diretor da Microvet, José Lúcio dos Santos, ao avaliar os produtos apresentados nos pavilhões da feira. Precisamos também agregar valor aos nossos produtos, não só pensar em carne suína in natura para exportação. A China está em franco crescimento e essa é uma grande oportunidade para os produtores de suínos e para a indústria brasileira, concluiu.
Para o presidente da ASCE e diretor financeiro da ABCS, Paulo Helder Braga, a SIAL foi ideal para conhecer os últimos lançamentos e o que vai ser tendência na indústria mundial do setor de alimentos. O evento contou com centenas de empresas internacionais e chinesas, com um diversificado mix de produtos, onde pudemos conferir de perto as inovações e tendências de alimentação do mundo, comentou.
Os produtos brasileiros também marcaram presença na SIAL 2014. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) reuniram expositores em mais de 250m² no Pavilhão Brasil. Ao todo foram 52 empresas brasileiras dos segmentos de carne, café, açúcar orgânico, bebidas alcoólicas, sucos, mel, chocolates, produtos de mercearia, castanhas, frutas desidratadas, entre outros.
Segundo a diretora do Departamento de Promoção Internacional do Agronegócio do Mapa, Telma Gondo, a participação brasileira nesse mercado aumentou 29% no período de 2008 a 2013. Temos promovido a participação de empresas brasileiras que tenham um portfólio de produtos com maior agregação de valor, disse. Almeja-se assim não só a continuação dessa conquista de mercado para novos produtos brasileiros, mas também a reversão dessa tendência à concentração, conclui.
Na SIAL, a ABCS também buscou estreitar laços com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), por meio do contato com gerente do Centro de Negócios da Apex-Brasil em Pequim, na China, Cesar Yu. A Agência será de fundamental importância para continuidade dos negócios prospectados no país e estudos de mercado que serão desenvolvidos pela ABCS ainda este ano.
Neste ano, segundo os organizadores, a SIAL atingiu recordes de números, com 2.400 expositores de 90 países, divididos em 8 pavilhões que receberam mais de 45 mil visitantes.
Realidade de oferta e demanda
Composta por produtores, profissionais e lideranças da suinocultura nacional, a delegação que deixou o Brasil dia 09 de maio, com destino à Xangai também buscou conhecer in loco a realidade de oferta e demanda da carne suína na China, que responde atualmente por quase três quartos do consumo mundial da proteína e a população de 1,35 bilhão de pessoas quer mais. Agora, um chinês come uma média de 38 kg por ano.
Segundo dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) o consumo de carne suína per capita na China aumentou 13% em dez anos e a estimativa para os próximos anos é um crescimento médio anual de 1,6%. Para se ter ideia, o aumento de apenas 500 gramas no consumo per capita da China representará uma demanda adicional de 700 mil toneladas o equivalente à metade das exportações brasileiras
Os principais fornecedores da China atualmente são a União Europeia, os EUA, o Canadá e o Brasil, segundo informações da OCDE de 2013. Os principais cortes escolhidos são os miúdos do suíno. A alguns, o brasileiro está bem acostumado, como pé, orelha, rabo e língua. Outros cortes menos comuns puderam ser observados pela comitiva brasileira em uma loja da rede de supermercados Carrefour em Xangai, como rim, coração, estômago e intestino.
Para Paulo Lucion, presidente da ACRISMAT, diretor técnico da ABCS e diretor da Nutribras, frigorifico que já exporta para a China via Hong Kong, os chineses são muito exigentes quando se trata de carne suína. Eles consomem muito miúdos, órgãos internos, são esses os cortes mais solicitados na Nutribras, comenta.
No supermercado, a parte mais cara encontrada foi a costelinha e filé mignon que chegam a custar R$ 25,00 o quilo, enquanto o quilo mais acessível é do intestino que neste supermercado custava em média R$ 8,00.
Prospecção de negócios
A China investe mais em tecnologia que o Brasil e isso se reflete nas exportações dos dois países. O gigante asiático é o país que mais exporta tecnologia de ponta, com destaque para eletrônicos, ultrapassando Estados Unidos, Alemanha e Japão.
Atenta a esse cenário de oportunidades, a delegação brasileira de suinocultores e empresários marcou presença na CAHE (China Animal Husbandry Exhibition), que aconteceu de 18 a 20 de maio na cidade de Qingdao, localizada em uma das principais províncias produtoras de suínos com produção acima de 3,5 milhões de toneladas de carne suína. Essa província, Shandong, concentra aproximadamente 6,4% da produção de carne suína do país e tende a crescer. Além disso, a Província é um dos principais produtores de produtos de origem animal. O rendimento total de venda desses produtos representou cerca de 10% de todo o país. Com base sólida de base animal, a região tem grande perspectiva de desenvolvimento amplo e oportunidades de mercado.
A CAHE é realizada pela Associação para Agricultura e Pecuária da China (CAAA, na sigla em inglês) e tem como foco principal atender produtores e empresários do setor agropecuário com novas tecnologias e equipamentos. Segundo Sonia Yang, membro da organização da feira, nesta edição foram mais de 4,8 mil stands entre empresas de pequeno e grande porte, sendo apenas 12% de empresas internacionais. A expectativa de visitantes é de 120 mil, cerca de 20% a mais que na edição anterior, realizada em 2013. Além de stands de equipamentos para produção e maquinário para a indústria, de produtos voltados para à saúde animal e insumos são realizadas palestras e mini-seminários.
"A China é referência principalmente em equipamentos, percebemos que para conquistar a valorização na produção de suínos é necessário investir, e investir bem, em tecnologia que gera automação, redução de mão de obra, de custos", avalia o presidente da ACCS, Losivanio de Lorenzi.
Preço é tudo, e sabendo disso, os consumidores sempre estão buscando meios de adquirir produtos com baixo custo. O Brasil por exemplo, possui um sistema tributário muito alto, e isso obriga os consumidores a buscarem meios de adquirirem produtos mais baratos, e é aí que entra a China, comentou o presidente da AGS, Euclides Costenaro.
Produção de suínos na China
Obter percepções de produtores chineses sobre a carne suína que produzem e como funciona o mercado da suinocultura, desde a produção, passando pelo abate até o varejo, foi outra grande ação dessa missão internacional. A primeira visita aconteceu ainda em Xangai, na Shanghai Songlin Industrial Trade Co, empresa fundada em 1992, e possui atualmente cerca de 6 mil matrizes que produzem mais de 120 mil animais ano. A empresa é verticalizada e foca na produção com alto controle de qualidade. Além de produzir os animais, a Songlin também criou uma marca junto ao varejo para comercializar dezenas de opções de cortes suínos. Com moderno sistema de abate, a empresa tem capacidade para abater 1 milhão de cabeças por ano, segundo informou o gerente geral da empresa, Jay Qi.
Na cidade de Qindgao, no Norte da China, a delegação brasileira teve a acesso a produção de cada elemento utilizado para os maquinários de abate, na empresa Qingdao Jianhua Food Machinery Manufacturing, especializada no desenvolvimento, concepção e fabricação de equipamento para abate de suínos, bovinos e aves com foco em pequenas e médias empresas de processamento.
Segundo o presidente da Qingdao Jianhua, Yang Hua Jian, os produtos da empresa são bem aceitos no exterior, onde atende países como Rússia, Coréia do Norte, Japão, além da América do Sul e Oriente Médio. Graças aos nossos produtos altamente qualificados e com bons valores de venda, a Qingdao Jianhua obteve reputação bem conhecida e estabelecida no mercado, comentou Jian durante sua apresentação para os 24 participantes da missão.
Os valores apresentados pela empresa para o maquinário estão bastante competitivos com o que encontramos no Brasil ou em outros países, por isso, creio que essa é uma boa oportunidade para reavaliar investimento e inserir a China como um bom parceiro comercial, disse o proprietário do frigorífico Sabugy e presidente da DFSUINdo DF, Ivo Jacó.
Para encerrar a parte técnica da missão, o grupo pode conferir em Pequim uma empresa especializada em instalações e projetos para granjas, a KingPeng Husbandry, que tem seus produtos exportados para países como Rússia, Venezuela, Ucrânia, Cuba e Vietnã. Temos todas as soluções para a produção de suínos, desde gestão ambiental, alimentação automatizada, segurança animal, biodigestores, entre outros. É um serviço completo, comentou a especialista em vendas internacional da KingPeng, Yolanda Yang.
Conhecemos de perto a qualidade dos produtos e também das inúmeras possibilidades de aquisição de tecnologia, equipamentos e maquinário, o que confirma muitas das informações que tínhamos no Brasil. Por isso, acredito que o mercado chinês nesse aspecto poderá ser um grande parceiro dos suinocultores brasileiros, confirmou o presidente da ACSURS e conselheiro de relações com o mercado da ABCS, Valdecir Folador.
Exportações
Exportar para a China significa atingir mais de 1,3 bilhões de pessoas e ter acesso a um mercado de consumo que cresce 15% ao ano, já que o número de habitantes do país é seis vezes maior que o do Brasil e possui 2 mil portos e o 4º maior porto do mundo está localizado no país. A China é o maior produtor e consumidor de carne suína do mundo, e essa condição única lhe possibilita vantagem comparativa para a compra do produto de outros países, o Brasil inclusive. São quase 480 milhões de cabeças de suínos, 52 milhões de toneladas consumidas em 2012, e 38 kg per capita (2,5 vezes o consumo brasileiro…).
Segundo dados da FAO, a China caminha para ser a maior também em consumo per capita em 2022, o que significa superar o consumo per capita de países como a Alemanha (55kg) e a Áustria (65kg).
Entretanto, as grandes possibilidades de consumo do país que fazem dele um paraíso para as vendas de carne suína não são maiores que as barreiras enfrentadas para colocar o produto nas gôndolas chinesas. Segundo avaliação da Adida Agrícola da embaixada do Brasil em Pequim, Andrea Bertolini, o governo chinês respeita muito o Brasil como produtor de alimentos, primeiro pela importância perante a segurança alimentar para o país e depois por ver no Brasil um modelo de agricultura a ser adotado pela China, porém é grande a burocracia para habilitação dos estabelecimentos e há ainda a proibição do uso de ractopamina, explicou. Atualmente são seis plantas frigoríficas brasileiras habilitadas para exportar ao país, dez plantas em processo de habilitação e seis em medidas corretivas.
Ainda segundo a Adida, os países que conseguem abertura de mercado relevante são aqueles que tem uma presença constante em escritório com presença física em Pequim e Xangai. Eles tratam diretamente com agências regulatórias, autoridades locais e com os próprios importadores, pois é um trabalho árduo e um mercado muito competitivo. Então há necessidade que os setores que tenham interesse em abrir mercado na China se organizem e se articulem para estar presencialmente aqui e ter uma interação com autoridades, alertou, assim será possível realizar um trabalho estruturado para abrir mercados de uma maneira competitiva assim como EUA e Austrália, que tem um mercado de carnes muito trabalhado nesse país, conclui.
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, o mercado chinês é ainda bastante cobiçado pelas indústrias de carne suína brasileira, mas em sua avaliação não é preciso somente uma atuação forte, engajada e constante para colocar o Brasil como um grande e confiável fornecedor de carne suína para China, é preciso avaliar a capacidade do país em atender esse mercado. Os EUA estão sempre disponíveis para grandes quantidades a preço baixo e o Brasil ainda não tem preços suficientemente competitivos, por conta dos altos índices de insumos, impostos e pela falta de infraestrutura e logística para exportar e atender de forma expressiva o mercado chinês, alertou.
Fonte: Ass. Imprensa da ABCS

Suínos
ACCS cobra da CNA isenção de impostos no novo Plano Safra
Ofício enviado à CNA propõe zerar tributos na importação de grãos e revisar regras de crédito para socorrer produtores independentes.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) e a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia protocolaram, nesta sexta-feira (17), um ofício direcionado à Comissão Nacional de Aves e Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O documento, endereçado à vice-presidente da comissão, Deborah Gerda de Geus, apresenta demandas para o Plano Safra 2026/2027 com o objetivo de garantir a sustentabilidade da suinocultura independente. Atualmente, o setor enfrenta margens de lucro comprimidas, endividamento estrutural crônico e alto risco econômico.
O desafio dos custos de produção
O ofício destaca que a atividade sofre com intensa volatilidade e com ciclos de preços desfavoráveis, gerando uma forte assimetria entre as receitas do produtor e os custos operacionais. O principal desafio está na nutrição dos animais, fator que representa mais de 70% do custo total de produção nas granjas.
A região produtora enfrenta um déficit severo de grãos: o consumo atinge a marca de oito milhões de toneladas de milho, enquanto a produção local é de apenas dois milhões de toneladas. Essa diferença obriga os produtores a importarem insumos agrícolas do centro-oeste do Brasil e de países do Mercosul.
Principais propostas para o Plano Safra
Para mitigar a pressão financeira e estimular a continuidade da atividade, as lideranças de Santa Catarina listaram uma série de reivindicações técnicas para o próximo Plano Safra:
Isenção de impostos: A principal alternativa sugerida é zerar as alíquotas de PIS e COFINS na importação de grãos do Mercosul para cooperativas de produção, visando baratear os custos.
Crédito específico: O setor pede a criação de linhas de custeio exclusivas para a proteína animal. O objetivo é garantir recursos disponíveis durante todo o ano para a compra de ração, cuidados com sanidade, energia e reposição do plantel.
Limites de faturamento (Pronamp): A ACCS propõe a revisão dos critérios de Renda Bruta Agropecuária (RBA) para evitar que produtores de médio porte sejam excluídos automaticamente do crédito subsidiado. O documento alerta que um faturamento bruto elevado não significa, necessariamente, que a margem líquida de lucro do produtor seja alta.
Gestão de riscos e seguros: Há o pedido para inclusão do setor em instrumentos de gestão de risco, recomendando o estudo para a criação de seguros de margem e fundos de estabilização de renda que protejam o suinocultor de variações extremas.
Armazenagem e mercado de grãos: O documento sugere a oferta de crédito focado na formação de estoques de milho e construção de silos de armazenagem, além de incentivos para travas de preço e contratos de longo prazo (hedge).
Redução de custos cartorários: O setor reivindica a diminuição dos valores cobrados por cartórios no registro de contratos de crédito agrícola. O ofício argumenta que essas operações não configuram compra e venda de imóveis. A alta exigência de garantias físicas por parte dos bancos tem freado o crescimento dos produtores.
Importância econômica e segurança alimentar
Assinado por Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS, e Vinicius Cavalli Pozzo, secretário de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia, o ofício conclui ressaltando o papel estratégico do produtor independente. Segundo as autoridades, esses suinocultores são fundamentais para a geração de renda e manutenção da produção em pequenas e médias propriedades.
Além disso, eles desempenham um papel crucial no abastecimento de pequenos e médios frigoríficos registrados nos sistemas SIM, SIE, SISBI e SIF, que operam fora do modelo de integração dominado pelas grandes indústrias e cooperativas. A simplificação das normativas ambientais e o incentivo financeiro para adequações sanitárias e de bem-estar animal também foram citados como vitais para a modernização da cadeia produtiva.
Suínos
Diarreia neonatal desafia produtividade na suinocultura brasileira
Estudos apontam Clostridioides difficile como principal agente em granjas, com impacto direto no desempenho e uso de antibióticos.

Artigo escrito por Tatiana Carolina Gomes Dutra de Souza, médica-veterinária. PhD em Ciência Animal, gerente de Serviços Técnicos Suínos – Hipra e Rafael Cé Viott, médico veterinário, mestre em Ciência Animal Serviço Técnico Suínos – Hipra
Diarreia em leitões de maternidade são preocupantes para a suinocultura, por gerarem perdas por mortalidade, diminuírem o ganho de peso ao desmame, provocarem desuniformidade de lote e aumentarem o uso de antibióticos. Agentes infecciosos são amplamente conhecidos por ocasionarem as diarreias e eles podem estar associados aos fatores de risco ambientais.
Atualmente, Clostridioides difficile (C. difficile) tem sido relatado como o principal causador de diarreia neonatal em suínos em todo mundo. Em 2021, no Brasil, foram avaliadas 43 granjas (103 mil matrizes) em 8 estados (PR, SC, RS, MG, SP, GO, MA, CE) com casuística clínica de enterite em leitões do nascimento aos 12 dias de idade, em que C. difficile foi detectado em 72% (31/43) das granjas. Nestas granjas, havia co-infecção do C. difficile com E. coli em 6,4% (2/31) e com C. perfringens tipo A em 16,1% (5/31).
Em outro estudo brasileiro (205 mil matrizes), em 2024, foi observado que C. difficile esteve presente em 45% dos casos de diarreia do nascimento aos 8 dias de vida em leitões. Outro ponto interessante é que o rotavírus RVA e RVC apresentaram baixa prevalência, 4,1% e 10,4%, respectivamente, e que todos os leitões que tinham diarreia por RV tinham infecção prévia por C. difficile, sugerindo que a diarreia por rotavírus possa ser oportunista às infecções prévias por C. difficile. Isso pode ser explicado pelo fato da infecção por C. difficile ocasionar maior disbiose intestinal.
A maioria dos isolados de C. difficile produzem dois tipos de toxinas que danificam o epitélio intestinal do leitão: toxina A, uma enterotoxina e toxina B, uma citotoxina. A doença causada pelo C. difficile pode ser associada ao uso de antibióticos, que levam a uma alteração na microbiota entérica e oportunizam a colonização pelo agente. Assim, o uso de antibiótico para controle de diarreia em leitões pode predispor à diarreia por C. difficile.
Esporos de C. difficile são eliminados nas fezes das matrizes lactentes, e podem ser ingeridos pelos leitões, e ao chegarem no cólon se aderem e colonizam o epitélio e produzem principalmente as toxinas TcdA, TcdB. Com isso, ocorre colite e edema de mesocólon causado pelo aumento da permeabilidade vascular e a diarreia é resultado da má absorção de líquidos devido ao dano no epitélio.
Sinais clínicos
Os principais sinais clínicos em leitões acometidos por C. difficile são dispneia, distensão abdominal e diarreia. Também pode-se observar somente baixo ganho de peso. As lesões macroscópicas observadas na autopsia são enterite inflamatória, edema de mesocólon (Figura 1) e com auxílio da histopatologia pode-se observar na microscopia acúmulo de neutrófilos e fibrina na lâmina própria.

Diagnóstico
O diagnóstico pode ser realizado pelo isolamento das colônias do C. difficille, contudo, este processo é demorado, trabalhoso e difícil de ser realizado e ainda é necessário pesquisar as toxinas para identificar as cepas toxigênicas. As toxinas TcdA, TcdB são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença e a detecção delas nas amostras fecais podem sugerir que C. difficile esteja associado ao desafio entérico. A associação desta técnica com a histopatologia são importantes para excluir outros agentes como causador da diarreia.
Prevenção
A forma mais eficaz para prevenção de diarreia e mortalidade por C. difficile é a vacinação. É interessante salientar a importância de ela proteger contra as toxinas A e B do C. difficile, visto que estas toxinas são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença no leitão. Desta forma, vacinas contendo apenas o agente, como vacinas autógenas, podem não ser tão eficazes quanto ao uso de vacinas contendo toxóide A e B.
Recentemente, no Brasil, avaliou-se o uso de vacina contendo toxóide A e B do C. difficile em matrizes gestantes em granja com 10 mil matrizes. Neste estudo, a incidência de diarreia em leitões reduziu de 8% para 2% após a vacinação, a mortalidade total dos leitões reduziu de 7,98% para 5,68% e houve redução de 84% no uso de antibióticos injetáveis na fase de maternidade. Além disto, os leitões filhos de fêmeas vacinadas tiveram melhor uniformidade ao desmame e GPDm 250 gramas, comparado ao grupo não vacinado que foi de 233 gramas.
Em outro estudo brasileiro com a utilização da mesma vacina contendo toxóide A e B do C. difficile obteve melhora em 14,5 g/dia no ganho de peso diário dos leitões na fase de maternidade, as leitegadas desmamadas eram mais uniformes, a prevalência de diarreia e o uso de antibiótico foram menores comparado aos leitões filhos de fêmeas não vacinadas.
Nesse cenário, C. difficile está presente nas granjas brasileiras ocasionando diarreia, mortalidade, perda de desempenho e uso excessivo de antibióticos em leitões.
Os estudos e as observações de campo sugerem que a vacinação contendo toxóide A e B do C. difficile em fêmeas gestantes tem se mostrado eficaz no controle da doença e na redução de perdas ocasionadas por ela em granjas brasileiras.
A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!
Suínos
Exportações de suínos do Paraná atingem 21,36 mil toneladas em março
Volume cresce 10,1% em relação a 2025, com forte demanda internacional.

A suinocultura paranaense enviou 21,36 mil toneladas para o mercado externo em março de 2026, configurando o melhor desempenho exportador para este mês, segundo o boletim semanal do Deral (Departamento de Economia Rural), da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento, divulgado nesta quinta-feira (16).
O resultado foi impulsionado pela demanda do mercado filipino, que importou 4,64 mil toneladas no terceiro mês de 2026, um aumento de 86,9% (2,16 mil toneladas) em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Março registrou o quarto melhor resultado da história, ficando atrás apenas dos volumes exportados em setembro (25,18 mil t), outubro (22,18 mil t) e dezembro (22,12 mil t) do ano passado.

Foto: Fernando Dias
Os dados da plataforma Comex Stat/MDIC, que levantam os números das exportações brasileiras desde 1997, mostram que as 21,36 mil toneladas exportadas em março representam um aumento de 10,1% em relação a março de 2025. Esse padrão de resultados recordes vem sendo observado no Paraná desde julho de 2024.
O boletim traz notícias positivas também para a pecuária leiteira. Após a alta no preço do leite no varejo, evidenciada na última pesquisa elaborada pelo Deral referente ao mês de março, o valor recebido pelo produtor também passou a se movimentar no mesmo sentido na última semana. Houve um avanço de 12,8% em relação à semana anterior.
“O pecuarista passou a receber, em média, R$ 2,43 por litro posto na indústria, ante R$ 2,15 registrados na pesquisa anterior. O período de entressafra das pastagens, aliado à redução na captação, é o principal fator por trás da valorização do produto”, explicou o veterinário do Deral Thiago de Marchi da Silva.
Frango

O custo de produção do frango vivo no Paraná está estabilizado em R$ 4,72/kg, informa o técnico do Deral, Roberto Carlos de Andrade e Silva. Já o preço nominal médio pago ao produtor fechou o mês passado em R$ 4,59/kg – 2,75% menor que no mês anterior.
A alta dos insumos é a principal causa do aumento dos custos de produção. Segundo informações da Deral, o preço do milho no atacado paranaense, em março, atingiu R$ 62,92 a saca de 60 kg, representando um aumento de 2,5% em relação ao mês anterior. Roberto Carlos ressalta que os indicadores de março ainda não sofreram os impactos do conflito entre Estados Unidos/Israel contra o Irã, iniciado em fevereiro.
“Como a guerra teve início no fechamento do bimestre, os números de março ainda não refletiram os custos dos insumos que tendem a subir num cenário de guerra, mesmo que bem longe do Brasil”, observou.
Óleo de soja

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Houve redução no valor do óleo de soja no varejo nos primeiros três meses do ano, em comparação ao preço médio de 2025. A redução se deve à retração do preço da soja em grão. Em março, o preço recebido pelo produtor de soja fechou em R$ 115,09 por saca de 60 quilos, 3% inferior à média de 2025.
A pesquisa de preços no varejo, realizada mensalmente pelo Deral, apontou que a embalagem de 900ml de óleo de soja foi comercializada no Estado a R$ 7,25, na média, em março, enquanto no ano passado era de R$ 7,42. Assim, os preços atuais estão 2,3% menores em relação à média de 2025. Já na comparação com fevereiro, houve alta de 2,1%.
