Conectado com

Notícias Preços sobem 10% no mês

China disputa soja do Brasil com processadores locais

Há relatos no mercado de compras pela China de mais de 1 milhão de toneladas de soja de Brasil e Argentina apenas nos últimos dois dias

Publicado em

em

Ivan Bueno/APPA

O mercado de soja do Brasil ganhou um ingrediente adicional nesta semana, com processadores locais ampliando a disputa pela matéria-prima com chineses, que também buscaram mais fortemente o produto sul-americano, devido à guerra comercial com os Estados Unidos. Há relatos no mercado de compras pela China de mais de 1 milhão de toneladas de soja de Brasil e Argentina apenas nos últimos dois dias, com a situação cambial facilitando a vida de importadores.

Enquanto isso, os negócios entre produtores e processadores brasileiros foram fortes, especialmente nesta semana em que foi realizado um leilão para compra de biodiesel, cuja matéria-prima é em sua maioria óleo de soja. O prêmio pela soja nacional no porto de Paranaguá, importante termômetro da exportação, subiu mais de 15% na semana para US$ 1,50 por bushel ante contrato de referência da bolsa de Chicago, maior nível desde novembro de 2018, com a forte demanda chinesa.

No mercado local, preço da soja no acumulado do mês atingiu R$ 85,40 por saca de 60 kg (base Paranaguá), também o maior valor desde meados de novembro, com alta de mais de 10 por cento no mês, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

“Isto é sinal do aumento da demanda chinesa sobre a soja da América do Sul, especialmente Brasil e Argentina”, disse Luiz Pacheco, da T&F Agronômica, em relatório. Ele disse que foram reportados negócios de 14 carregamentos na quarta-feira e outros quatro, na quinta-feira, totalizando mais de 1 milhão de toneladas do produto. “No Brasil, houve vendas de origem de mais 120 mil toneladas. Na Argentina, os agricultores venderam mais 300 mil toneladas… fugindo dos eventuais problemas político-econômicos e aproveitando a alta do dólar, com boa participação dos exportadores”, acrescentou Pacheco.

Relatos de outras fontes do mercado confirmaram tais negócios de soja no Brasil. As transações têm sido impulsionadas tanto pela guerra comercial, já que chineses disseram que não estão comprando mais o produto dos EUA, quanto pelo câmbio.

No Brasil, o dólar foi visto a patamares não registrados desde maio, valendo mais de 4 reais, enquanto na Argentina, com derrota do presidente Maurício Macri nas primárias, um dólar valeu 65 pesos no início da semana, o maior valor da história.

“O acirramento da guerra comercial, desde a semana passada, gerou uma série de incertezas, e o ponto de inflexão foi a desvalorização da moeda chinesa em relação ao dólar, e o Brasil também teve desvalorização, e a Argentina nem se fale”, disse o pesquisador do Cepea Lucilio Alves.

O professor chamou também a atenção para a maior demanda interna, seja para atender a uma mistura maior de biodiesel no diesel, que passará a partir de setembro, de 10% para 11%, seja para atender a indústria de ração, em meio a uma boa demanda de indústrias de carnes, que também estão elevando exportações, especialmente para a China, atendida pela peste suína africana. Alves lembrou do leilão de biodiesel da última segunda-feira. Embora os resultados não tenham sido divulgados, há indicações de que houve boa participação dos agentes, comentou.

O aumento da mistura para B11 eleva a demanda pela oleaginosa em cerca de 200 mil toneladas ao mês, já que o biodiesel é feito majoritariamente de óleo de soja no Brasil. Isso adiciona mais pressão em um balanço de oferta de demanda apertado no Brasil, após uma colheita menor em 2019. “Tem um fato novo que contribuiu para o acirramento da disputa pela matéria-prima, o leilão de biodiesel… Isso aumentou um pouco a disputa interna”, disse.

Segundo o especialista, nessa conjuntura, os preços do óleo estão nos maiores níveis desde o final de 2018, enquanto o farelo de soja também vem sendo absorvido pela demanda do setor de carnes. “Tem um ambiente interno de preços maiores para os derivados, e isso melhora a margem do esmagador”, destacou.

Fonte: Reuters
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

9 − 2 =

Notícias Pandemia

Coronavírus instabilizou mercado de carne bovina em março

Mercado físico de boi gordo teve um mês marcado por severa instabilidade em março

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

O mercado físico de boi gordo teve um mês marcado por severa instabilidade em março. “Os frigoríficos reagiram na medida em que a pandemia de coronavírus causou transtornos, tanto no âmbito doméstico como no cenário internacional”, disse o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.

Segundo ele, os grandes frigoríficos brasileiros enfrentaram dificuldade para escoar a produção para a União Europeia, com os confinamentos adotados lá e cá afetando drasticamente os padrões de consumo. “Com restaurantes e outros estabelecimentos fechados, os cortes nobres de carne bovina sofreram um baque. No Brasil, o consumidor se voltou aos cortes de menor qualidade e também para a carne de frango”, disse Iglesias

Com isso, os preços a arroba do boi gordo na modalidade à vista nas principais praças de comercialização do País estavam assim no dia 02 de abril:

  • São Paulo (Capital) – R$ 201 a arroba, contra R$ 200 a arroba em 28 de fevereiro, subindo 0,5%.
  • Goiás (Goiânia) – R$ 188 a arroba, ante R$ 190 a arroba (-1%).
  • Minas Gerais (Uberaba) – R$ 195 a arroba, contra R$ 192 a arroba (+1,5%).
  • Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 190 a arroba, estável.
  • Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 178 a arroba, ante R$ 185 a arroba (-3,7%).

Para o mês de abril, com as políticas de isolamento social mantidas, o viés é incerto para o mercado de carne bovina, em meio à queda nas vendas internas e externas. Assim, é bastante provável que os frigoríficos comecem a pressionar os pecuaristas por preços mais baixos para a matéria-prima, assinalou Iglesias.

Exportações

As exportações de carne bovina “in natura” do Brasil renderam US$ 555,4 milhões em março (22 dias úteis), com média diária de US$ 25,2 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 125,9 mil toneladas, com média diária de 5,7 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.410,50.

Na comparação com fevereiro, houve baixa de 8% no valor médio diário da exportação, perda de 6,9% na quantidade média diária exportada e queda de 1,3% no preço. Na comparação com março de 2019, houve ganho de 8,8% no valor médio diário, queda de 8,2% na quantidade média diária e ganho de 18,6% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Fonte: Agência Safras
Continue Lendo

Notícias Mercado

Impacto do coronavírus deixa mercado de frango acomodado em março

Mercado brasileiro de frango registrou em março um cenário de pressão nas cotações

Publicado em

em

Divulgação

O mercado brasileiro de frango registrou em março um cenário de pressão nas cotações, tanto no quilo vivo pago ao produtor, quanto nos cortes negociados no atacado. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Iglesias, apesar do isolamento social determinado pela pandemia de coronavírus, o aumento na demanda foi insuficiente para a sustentação dos preços, que cederam ao longo do mês, denotando o efeito econômico da enfermidade.

Iglesias revela que o excedente de oferta presente no mercado doméstico neste momento é o grande fator que vem impedindo um cenário melhor para os preços, em meio ao crescente aumento nos custos de produção dado o descolamento de preços do milho. “O cenário para o curto prazo está indefinido. Ainda que o isolamento social altere sensivelmente o padrão de consumo, elevando a demanda por carne de frango e ovos, o quadro econômico agravado pela pandemia gera preocupação ao setor”, avalia.

De acordo com levantamento de SAFRAS & Mercado, no atacado de São Paulo os preços tiveram algumas alterações para os cortes congelados de frango ao longo do mês. O quilo do peito no atacado caiu de R$ 5,50 para R$ 4,85, o quilo da coxa seguiu em R$ 5,30 e o quilo da asa retrocedeu de R$ 7,50 para R$ 7,05. Na distribuição, o quilo do peito baixou de R$ 5,60 para R$ 4,95, o quilo da coxa permaneceu em R$ 5,50 e o quilo da asa recuou de R$ 7,70 para R$ 7,15.

Nos cortes resfriados vendidos no atacado, o cenário também foi de alterações ao longo de março. No atacado, o preço do quilo do peito baixou de R$ 5,60 para R$ 4,95, o quilo da coxa seguiu em R$ 5,40 e o quilo da asa recuou de R$ 7,60 para R$ 7,15. Na distribuição, o preço do quilo do peito passou de R$ 5,70 para R$ 5,05, o quilo da coxa continuou em R$ 5,60 e o quilo da asa baixou de R$ 7,80 para R$ 7,25.

As exportações de carne de frango “in natura” do Brasil renderam US$ 501,4 milhões em março (22 dias úteis), com média diária de US$ 22,8 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 324,6 mil toneladas, com média diária de 14,8 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.544,50.

Na comparação com fevereiro, houve perda de 18,8% no valor médio diário da exportação, baixa de 18,1% na quantidade média diária exportada e queda de 0,8% no preço. Na comparação com março de 2019, houve recuo de 14,8 no valor médio diário, declínio de 11,7% na quantidade média diária e baixa de 3,5% no preço médio. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

O levantamento mensal realizado por SAFRAS & Mercado nas principais praças de comercialização do Brasil indicou que, em Minas Gerais, o quilo vivo baixou de R$ 3,60 para R$ 3,25. Em São Paulo o quilo vivo retrocedeu de R$ 3,05 para R$ 2,81.

Na integração catarinense a cotação do frango seguiu em R$ 2,51. No oeste do Paraná o preço caiu de R$ 3,39 para R$ 3,23. Na integração do Rio Grande do Sul o quilo vivo baixou de R$ 2,95 para R$ 2,75.

No Mato Grosso do Sul o preço do quilo vivo do frango recuou de R$ 3,35 para R$ 3,20. Em Goiás o quilo vivo baixou de R$ 3,50 para R$ 3,25. No Distrito Federal o quilo vivo retrocedeu de R$ 3,60 para R$ 3,25.

Em Pernambuco, o quilo vivo subiu de R$ 3,80 para R$ 4,50. No Ceará a cotação do quilo vivo aumentou de R$ 3,80 para R$ 4,50 e, no Pará, o quilo vivo avançou de R$ 4,00 para R$ 4,60.

Fonte: Agência Safras
Continue Lendo

Notícias Mercado Interno

Preocupação com abastecimento aumenta procura por trigo em março

Preocupações com o abastecimento em meio à pandemia de coronavírus geraram um aumento da procura pelo trigo

Publicado em

em

Divulgação

As preocupações com o abastecimento em meio à pandemia de coronavírus geraram um aumento da procura pelo trigo, por parte da indústria brasileira em março. Isso resultou na elevação dos preços. O analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan Pinheiro, observa que já há problemas de logística – ainda pouco significativos – na Argentina.

“No mercado interno brasileiro, a oferta continua reduzida, com boa parte dos agentes ainda negociando as safras de verão. Além disso, quem tem trigo espera valorizar ainda mais para vender. Ainda existe espaço para novas altas, levando em conta o dólar elevado e a escassez da oferta”, resumiu.

O câmbio elevado aumenta os custos de importação e favorece novas altas no mercado interno, levando preocupação à indústria quanto ao abastecimento até o final do ano comercial. “Apesar de estoques relativamente confortáveis para os próximos 45 dias, estes ainda terão de voltar as compras até lá”, disse.

Conforme o analista, basicamente, em março, o dólar alto e a procura pelo trigo puxaram os preços para cima – alta mensal de aproximadamente 6%. Por outro lado, o volume de negócios não teve crescimento significativo. “As pontas seguem separadas, com o produtor elevando suas pedidas e a indústria ainda relutando em pagar mais, pelo menos por enquanto”, finalizou.

No mercado internacional, outros fatores colaboram para a elevação, como, por exemplo, a quebra de safra em importantes países produtores como a Austrália, e mais recentemente a indicação de uma estimativa de menor área plantada da história nos Estados Unidos.

Fonte: Agência Safras
Continue Lendo
Biochem site – lateral

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.