Bovinos / Grãos / Máquinas Acesso à carne bovina brasileira
China abre novas oportunidades para frigoríficos de Mato Grosso
Reconhecimento sanitário elimina restrições para produtos bovinos e pode ampliar exportações de itens de maior valor agregado ao principal mercado da proteína brasileira.

O reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação pela China abre espaço para uma ampliação das exportações de carne bovina e derivados, especialmente para Mato Grosso, estado que lidera a produção nacional de bovinos e ocupa posição de destaque nos embarques destinados ao mercado asiático.

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A decisão anunciada pelo governo chinês é considerada estratégica para a indústria frigorífica brasileira porque elimina restrições sanitárias que limitavam o acesso de determinados produtos ao principal destino da carne bovina exportada pelo país.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), Paulo Bellincanta, a medida é resultado de um longo processo de fortalecimento da defesa sanitária brasileira. “A decisão da China consolida um trabalho que vem sendo construído há muitos anos pelo setor produtivo e pelos órgãos de defesa sanitária. Mato Grosso possui um dos maiores rebanhos bovinos do mundo e reúne condições para ampliar sua participação no mercado internacional com ainda mais competitividade”, afirma.
Mercado estratégico
A China permanece como principal compradora da carne bovina produzida em Mato Grosso. Entre janeiro e abril

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deste ano, o Estado exportou US$ 797,17 milhões para o país asiático, respondendo por quase 30% de toda a carne bovina brasileira embarcada para aquele mercado.
A expectativa do setor é que o novo cenário permita não apenas a manutenção dos volumes exportados, mas também a ampliação da pauta de produtos comercializados.
Segundo Bellincanta, o reconhecimento sanitário pode favorecer negociações envolvendo itens com maior valor agregado, ampliando o aproveitamento econômico dos animais abatidos. “Não estamos falando apenas de manter os volumes atuais de exportação. Essa decisão abre caminho para ampliar o portfólio de produtos exportados, incluindo miúdos, carne com osso e outros itens que possuem demanda crescente no mercado asiático. Isso significa mais oportunidades para a indústria, melhor aproveitamento da matéria-prima e geração de valor para toda a cadeia”, destaca.

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Efeito pode ir além da China
A avaliação da indústria é que os impactos da decisão podem ultrapassar o mercado chinês.
O reconhecimento por parte de um dos maiores importadores de proteína animal do mundo reforça a credibilidade do sistema brasileiro de defesa agropecuária e pode contribuir para novas negociações comerciais. “O reconhecimento por parte da China, que é um dos mercados mais exigentes do mundo, funciona como uma chancela importante para a pecuária brasileira. Isso tende a facilitar negociações com outros países e ampliar as perspectivas de crescimento das exportações nos próximos anos”, afirma o presidente do Sindifrigo-MT.
Quase três décadas sem a doença
Mato Grosso recebeu em 2025 o reconhecimento internacional de zona livre de febre aftosa sem vacinação concedido

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pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
O último registro da doença no estado ocorreu em 1996. Desde então, a cadeia pecuária passou por um amplo processo de fortalecimento dos sistemas de vigilância, controle sanitário e rastreabilidade.
Com rebanho superior a 32 milhões de cabeças, Mato Grosso lidera a pecuária bovina nacional e está entre os estados que devem sentir com maior intensidade os efeitos positivos da abertura sanitária promovida pela China.
Para o setor frigorífico, a expectativa é que a nova condição sanitária fortaleça a posição do estado no comércio internacional e amplie as oportunidades de negócios em mercados que valorizam padrões sanitários mais rigorosos.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Paraná lidera queda no preço do leite e projeção aponta recuo de 6,7% ao produtor
Conseleites de quatro estados projetam desvalorização para o leite entregue em maio e pago em junho.

A recuperação do preço do leite ao produtor perdeu força em maio e deu lugar a um movimento de retração nos principais estados produtores do país. As projeções divulgadas pelos Conseleites apontam queda nos valores de referência em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com o maior recuo previsto justamente no Estado paranaense.

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Segundo o Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, o Paraná deve registrar desvalorização de 6,7% no preço de referência do leite entregue em maio e pago aos produtores em junho. O percentual supera as quedas projetadas para Santa Catarina (-4,0%), Rio Grande do Sul (-3,4%) e Minas Gerais (-2,9%).
A mudança de direção ocorre após meses de recuperação dos preços pagos ao produtor e sugere um período de maior pressão sobre a renda no campo. “O movimento indica pausa na recuperação de preços ao produtor, com projeções de quedas, ao contrário do mês anterior, em que houve valorização”, destaca o boletim.
Paraná registra a maior retração
Entre os estados analisados, o Paraná aparece como o mais afetado pelo novo cenário. Dados do Conseleite Paraná

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mostram que o valor de referência do leite padrão projetado para maio caiu de R$ 2,6863 para R$ 2,5076 por litro, redução de 6,65%, percentual arredondado para 6,7% no boletim nacional.
A retração acompanha a piora no desempenho dos principais derivados comercializados pelas indústrias participantes do Conseleite. O leite UHT apresentou queda de 8,73% e a muçarela recuou 5,74% nas projeções para maio, influenciando diretamente a remuneração do produtor.
Recuperação perde fôlego
O comportamento dos Conseleites reforça o cenário já observado em outros indicadores do mercado lácteo.
Em maio, o leite spot, referência das negociações entre indústrias, registrou forte retração, enquanto os preços do leite UHT no atacado também recuaram, interrompendo o movimento de recuperação observado no início do ano.

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No Rio Grande do Sul, a projeção do Conseleite indica valor de referência de R$ 2,4478 por litro em maio, 3,38% abaixo do mês anterior. Trata-se da primeira redução após uma sequência de altas, segundo o colegiado gaúcho. “É um momento que pede atenção do setor leiteiro, que vinha conseguindo repor parte de suas perdas nos últimos meses. Estamos preocupados, mas não surpresos”, afirmou o coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes.
Importações e oferta pressionam mercado
A desaceleração dos preços ocorre em um ambiente de maior competição no mercado interno.
Representantes do setor têm manifestado preocupação com o aumento das importações de lácteos, especialmente de Argentina e Uruguai, além do crescimento da oferta doméstica em algumas regiões produtoras.
A própria Embrapa já havia alertado, no início do ano, para um cenário de preços mais pressionados em função da elevada disponibilidade de produtos lácteos e da concorrência dos importados.
O comportamento dos Conseleites sugere que a recuperação observada no primeiro quadrimestre perdeu intensidade e que os próximos meses serão decisivos para definir se a retração será pontual ou marcará um novo período de preços mais baixos ao produtor.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Entressafra e importações freiam recuperação dos preços do leite
Leite spot recua 14,2% em maio e UHT cai 11,2%, enquanto derivados apresentam comportamento mais estável após altas no início do ano.

O mercado brasileiro de leite e derivados perdeu força em maio e interrompeu a trajetória de recuperação dos preços observada nos primeiros meses de 2026. A desaceleração foi puxada principalmente pelas quedas no leite UHT e no leite spot, enquanto muçarela e leite em pó registraram altas mais moderadas, sinalizando uma acomodação dos preços no setor.

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Os dados constam no Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados, divulgado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite).
Segundo o levantamento, o preço do leite UHT comercializado no atacado paulista recuou 11,2% em relação a abril. Apesar da queda mensal expressiva, o produto ainda acumula valorização de 2,9% na comparação com maio de 2025.
O movimento foi acompanhado pelo leite spot em Minas Gerais, referência para negociações entre indústrias. O preço caiu 14,2% em relação a abril e ficou 0,2% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado.
No boletim, os pesquisadores apontam que a retração interrompe o ciclo de recuperação iniciado no começo do
ano. “Os mercados de leite UHT e leite spot apresentaram queda considerável, interrompendo o movimento de recuperação observado nos primeiros meses do ano, induzindo uma desaceleração às vendas no atacado e no varejo”, destaca a publicação.
Entressafra e importações influenciam preços
A desaceleração ocorre em um momento de entressafra da produção leiteira, período em que normalmente há menor oferta de leite cru. Ainda assim, a pressão exercida pelos produtos importados tem limitado reajustes mais expressivos.
De acordo com o boletim, a combinação desses fatores ajuda a explicar o comportamento mais cauteloso do mercado. “Esse comportamento sugere uma acomodação dos preços após o período de recuperação, refletindo a entressafra da produção leiteira e a competitividade acirrada do volume de lácteos importados no mercado interno”, informa o documento.

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Muçarela lidera valorização
Entre os derivados acompanhados pelo levantamento, a muçarela apresentou o melhor desempenho.
O preço do queijo no atacado paulista subiu 2,1% em relação a abril e acumula valorização de 11,7% na comparação anual, a maior alta entre os produtos monitorados.
Já o leite em pó apresentou estabilidade no curto prazo. O produto registrou leve alta de 0,1% frente ao mês anterior, mas segue 3,1% abaixo do valor observado em maio de 2025.
A leitura do mercado é que, após a recuperação registrada no início do ano, os preços entram em uma fase de maior equilíbrio, influenciada tanto pela oferta doméstica quanto pela concorrência dos produtos importados.
Nos próximos meses, a evolução da produção nacional, o ritmo das importações e o comportamento do consumo devem continuar determinando a direção dos preços no mercado lácteo brasileiro.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Bezerro sobe 21,4% em um ano enquanto boi gordo acumula queda de 13,5%
Boletim da Embrapa Gado de Leite mostra descompasso entre as principais referências da pecuária de corte. Milho fica mais barato, farelo de soja estabiliza e projeção do PIB para 2026 sobe para 1,89%.

A pecuária brasileira atravessa um momento de contrastes. Enquanto os preços do bezerro seguem em trajetória de alta, impulsionados pela menor oferta de animais para reposição, a arroba do boi gordo continua pressionada por um mercado doméstico mais fraco e pelas incertezas nas exportações.

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Os dados constam no Boletim de Preços do Mercado de Leite e Derivados de maio de 2026, elaborado pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, que acompanha também indicadores relevantes para outras cadeias do agronegócio.
O levantamento mostra que o preço do bezerro em São Paulo acumulou alta de 21,4% nos últimos 12 meses e subiu 7,3% em relação a abril. O movimento reforça a valorização da reposição em um cenário de oferta mais ajustada.
Na direção oposta, a arroba do boi gordo registrou queda de 13,5% na comparação com maio de 2025 e recuo de 3,6% frente ao mês anterior.
Segundo o boletim, a diferença de comportamento entre as duas categorias reflete as dificuldades enfrentadas pelos pecuaristas na comercialização dos animais terminados. “Os indicadores de mercado observados em maio de 2026 revelam um cenário misto para a cadeia agropecuária. Enquanto o preço do bezerro apresentou crescimento considerável, a arroba do boi gordo foi marcada por queda, com incertezas sobre embarques para a China e vendas domésticas mais fracas”, destaca o estudo.
Reposição mais cara pressiona pecuaristas
A valorização do bezerro amplia o custo de reposição dos rebanhos e reduz as margens dos sistemas de recria e

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engorda, especialmente em um momento em que o preço pago pelo boi terminado está em queda.
A diferença entre os dois indicadores costuma ser acompanhada de perto pelo mercado porque influencia diretamente as decisões de compra e venda de animais, além da rentabilidade das propriedades.
Nos últimos meses, a redução da oferta de bezerros disponíveis no mercado e a retenção de fêmeas para recomposição dos rebanhos contribuíram para sustentar os preços da reposição.
Custos de alimentação aliviam pressão
Se a reposição ficou mais cara, os custos com alimentação deram algum alívio aos produtores.
O milho, principal componente das rações, registrou queda de 4,5% em relação a abril e acumula desvalorização de 11,5% em 12 meses. A saca de 60 quilos, referência em Campinas (SP), voltou a operar em patamares inferiores aos observados no ano passado.

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Já o farelo de soja apresentou estabilidade no curto prazo. O produto permaneceu praticamente inalterado em relação a abril, mas ainda acumula valorização de 3,3% na comparação anual.
Economia melhora, mas dólar sobe no mês
No cenário macroeconômico, o boletim mostra uma leve desvalorização do real em maio. A taxa de câmbio encerrou o período 0,5% acima do registrado em abril. Ainda assim, o dólar segue 10,8% abaixo do nível observado em maio de 2025.
As expectativas para a economia brasileira, por outro lado, apresentaram pequena melhora. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 passou de 1,85% para 1,89%.
Embora a mudança seja modesta, ela reforça a percepção de maior estabilidade econômica, fator acompanhado com atenção pelo agronegócio por seus impactos sobre consumo, crédito e investimentos.
O conjunto dos indicadores mostra que, apesar da redução em parte dos custos de produção e da melhora das expectativas econômicas, a pecuária segue convivendo com sinais divergentes. Enquanto o bezerro se valoriza e encarece a reposição, o boi gordo ainda busca recuperar espaço em um mercado marcado por demanda mais cautelosa e incertezas no comércio internacional.



