Bovinos / Grãos / Máquinas
Chapecó recebe Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura com debates sobre leite e corte
Evento reunirá especialistas, produtores e pesquisadores para discutir eficiência produtiva, sustentabilidade e avanços tecnológicos nas cadeias da carne e do leite.

O 14º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL) proporcionara a Chapecó grandes debates sobre a pecuária leiteira e de corte. Entre os destaques da programação, que ocorrerá de 14 a 16 de outubro, está o 4º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte, no dia 14 de outubro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes. O encontro reunirá especialistas para discutir eficiência produtiva e temas estratégicos da cadeia da carne e do leite.
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) e pela Epagri, o simpósio será realizado nos dias 14, 15 e 16 de outubro, com a participação de produtores, técnicos e representantes da cadeia produtiva. Além do Fórum, a programação contará com a 9ª Brasil Sul Milk Fair e o 2º Simpósio Catarinense de Pecuária de Leite à Base de Pasto, consolidando Chapecó como um dos principais centros de debate sobre a bovinocultura de leite e de corte no país.

Doutor Gilson Pessoa ministrará a palestra “Premissas para programa reprodutivo eficiente de novilhas e vacas”.
Abrindo as explanações do Fórum, às 8h30 do dia 14, o doutor Gilson Pessoa ministrará a palestra “Premissas para programa reprodutivo eficiente de novilhas e vacas”. Graduado em Medicina Veterinária pela UFSM, mestre em Fisiopatologia da Reprodução e doutor em Medicina Animal pela UFRGS, Pessoa também tem experiência internacional como pesquisador visitante na Michigan State University (EUA). Atualmente, é professor adjunto do Departamento de Clínica de Grandes Animais da UFSM, com atuação em fisiologia da reprodução, manejo reprodutivo e biotecnologias, como inseminação artificial e transferência de embriões.
Na palestra, o especialista destacará estratégias para aumentar a eficiência reprodutiva, ressaltando como avanços científicos e técnicas de manejo impactam diretamente a produtividade nas propriedades rurais, ressalta o presidente do Nucleovet, Tiago Mores.
De acordo com o presidente da comissão científica, Claiton André Zotti, a programação é construída de forma coletiva, com base em pautas que refletem os principais desafios e avanços da pecuária atual. “Com uma equipe formada por profissionais de diversos segmentos da cadeia produtiva, conseguimos construir uma programação riquíssima e que engloba importantes debates”, destaca.
Inscrições
As inscrições para participar do 14º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL) estão no terceiro lote. Os investimentos são de R$ 590 para profissionais e de R$ 480 para estudantes. Com esse ingresso o participante tem acesso total ao evento, 14º SBSBL, 9ª Brasil Sul Milk Fair, 4º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte e 2º Simpósio Catarinense de Pecuária de Leite à Base de Pasto. Há também a possibilidade de participar somente do 4º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte e da 9ª Milk Fair. Os valores para essa modalidade são de R$ 220.
Para participar somente da 9ª Brasil Sul Milk Fair e conferir novas tecnologias e soluções expostas por empresas do setor as inscrições podem ser feitas pelo valor de R$ 100. Na compra de pacotes a partir de dez inscrições para o SBSBL serão concedidos códigos-convites bonificados. Profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos de universidades têm condições diferenciadas.
As inscrições podem ser realizadas clicando aqui. Associados do Nucleovet devem fazer a inscrição por meio da secretaria da entidade. Contato (49) 9 9806-9548 ou pelo e-mail financeiro@nucleovet.com.br.
Programação Geral
14º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite
9º Brasil Sul Milk Fair
4º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte
2º Simpósio Catarinense de Pecuária de Leite à Base de Pasto
Terça-feira (14)
8h20 – Abertura da Programação Científica 4º Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte
8h30 – Premissas para Programa Reprodutivo Eficiente de Novilhas e Vacas
Palestrantes: Dr. Gilson Pessoa
9h20 – o Potencial do Beef On Dairy para Fazendas Brasileiras
Palestrante: Dr. Brad Gilchrist
10h10 – Milk Break
10h50 – o Que Funciona na Suplementação de Bovinos de Corte a Pasto?
Palestrante: Dr. Edenio Detmann
11h40 – Mesa-redonda
12h10 – Encerramento
13h45 – Abertura da Programação Científica 14º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite
Painel Bem-estar Animal
14h00 – Como Conciliar Produção de Leite e Sustentabilidade?
Palestrante: Dr. Ralf Loges
15h00 – Pontos Críticos e Práticos de Bem-estar Animal na Atividade Leiteira
Palestrante: Dra. Rosângela Poletto
16h00 – Milk Break
16h30 – do Clima Ao Conforto: Como a Ambiência Impacta Vacas e Produtividade
Palestrante: Prof. Dr. Frederico Márcio Corrêa Vieira
17h30 – Mesa-redonda
18h00 – Abertura Oficial
18h30 – Palestra de Abertura do Sbsbl – Mais Tempo, Mais Resultados: Como a Ia Pode Apoiar a Rotina do Atendimento Técnico
Palestrante: Alexandre Weimer
19h40 – Coquetel de Abertura na Milk Fair
Quarta-feira (15)
Painel Rebanho Saudável e Produtivo
8h00 – Gestão Eficiente da Diarreia Neonatal
Palestrante: Dra. Viviane Gomes
9h00 – Prevenção das Doenças Reprodutivas: Nosso Calendário Sanitário Está Adequado Aos Desafios do Campo?
Palestrante: Dr. Álvaro Menin
10h00 – Milk Break
10h40 – da Mistura à Boca da Vaca: Qualidade da Tmr Sem Desperdício
Palestrante: Dr. João Ricardo Pereira
11h40 – Mesa-redonda
12h10 – Almoço
Painel Eficiência no Campo
14h00 – Como Ser Eficiente na Atividade Leiteira?
Palestrante: Dr. Wagner Beskow
15h00 – Mercado de Lácteos
Palestrante: Dr. Glauco Carvalho
16h10 – Milk Break
16h40 – Maximizando o Aproveitamento da Proteína: da Dieta à Produção
Palestrante: Dra. Marina Danés
18h00 – Happy Hour na Milk Fair
Quinta-feira (16)
Painel Aditivos
8h00 – Além do Efeito Ruminal: o Papel dos Tamponantes e Alcalinizantes
Palestrante: Dr. Marcos Neves
9h00 – Ionóforos e Sua Contribuição na Dieta de Vacas Em Lactação
Palestrante: Euler Rabelo
10h10 – Milk Break
10h40 – Uso de Eubióticos na Pecuária Leiteira: Performance e Saúde Animal
Palestrante: Jill Davidson
11h40 – Mesa-redonda
12h10 – Encerramento e Sorteio de Brindes

Bovinos / Grãos / Máquinas
Exportações para a China reforçam sustentação do boi brasileiro
Crescimento das vendas ao mercado chinês contribui para manter os preços em patamar elevado, ainda que o ritmo de avanço das exportações comece a se aproximar de limites de cota.

O cenário para a pecuária segue, em geral, favorável nos próximos meses, sustentado pela firmeza dos preços no mercado físico, pela oferta mais restrita de fêmeas e pela diversificação das exportações. Ainda assim, fatores como a reposição mais cara, a sazonalidade da oferta e incertezas externas exigem atenção do setor.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a firmeza dos preços no físico também influenciou o mercado futuro, que registrou forte alta nos últimos 30 dias, especialmente nos contratos de curto prazo. Em abril, a valorização foi de R$ 18 por arroba, enquanto em maio o avanço chegou a R$ 16 por arroba, abrindo oportunidades de hedge em níveis considerados atrativos para o produtor.
Já os vencimentos entre junho e setembro tiveram desempenho mais moderado e indicam preços abaixo dos atuais patamares. No ritmo atual de crescimento das exportações para a China, que avançaram 17% no primeiro trimestre de 2026 em relação a 2025, a cota de 1,1 milhão de toneladas deve ser atingida por volta de agosto. Para que isso ocorra antes do previsto, seria necessário um crescimento mais intenso das vendas. Ainda assim, no fim do ano, há expectativa de retomada das compras chinesas para o preenchimento da cota de 2027.
As exportações para outros destinos também seguem em fluxo positivo, o que ajuda a reduzir a dependência momentânea da China, embora o país continue sendo o principal comprador da carne bovina brasileira. No cenário estrutural, o setor mantém perspectiva favorável, com tendência de continuidade de preços sustentados pela menor disponibilidade de fêmeas para abate.
Entre os pontos de atenção, está o encarecimento da reposição de animais, que pode exigir valores mais altos do boi gordo no médio prazo. No mercado interno, fatores sazonais podem influenciar a demanda: a Copa do Mundo de futebol no meio do ano tende a impulsionar o consumo, enquanto a alta dos preços da carne bovina e a maior competitividade do frango podem limitar esse movimento.
Ao mesmo tempo, a oferta de gado deve crescer de forma sazonal nos próximos meses, embora os níveis de abate ainda possam permanecer abaixo dos registrados no ano anterior.
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Exportações de carne bovina somam 234 mil toneladas em março
Volume representa recorde para o mês com alta de 8,7% na comparação anual.

O mercado do boi gordo registrou valorização no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo aumento das exportações e pela menor oferta de animais para abate, especialmente de fêmeas. O cenário também foi marcado por maior movimentação no mercado de reposição, com a alta do boi estimulando a demanda por bezerros.
Em março, o preço médio do boi gordo chegou a R$ 350 por arroba. Já na média dos primeiros dez dias de abril, o valor subiu para R$ 362/@, com negócios registrados a R$ 365,50/@ no fim da semana, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

A oferta mais restrita de animais contribuiu para sustentar os preços. Dados preliminares indicam que o abate de bovinos foi 2% menor no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, com aumento de 1% no abate de machos e queda de 6% no de fêmeas.
No mercado de reposição, o bezerro também apresentou valorização. Em Mato Grosso do Sul, a alta foi de 3,4% em março, superando o avanço do boi gordo. Apesar da relação de troca seguir pressionada, em torno de 2,2 bezerros por boi vendido, a margem da reposição permaneceu atrativa, próxima de R$ 3.600 na parcial de abril, o que mantém a demanda aquecida.
As exportações de carne bovina in natura seguiram em ritmo forte. Em março, os embarques somaram 234 mil toneladas, recorde para o mês e alta de 8,7% em relação a março de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento foi de 19,7%. O preço médio da carne exportada também avançou 3,1% frente a fevereiro.
A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, com 102 mil toneladas embarcadas em março, alta de 6% na comparação anual. Outros mercados também ampliaram as compras, como Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito, México, Filipinas e Emirados Árabes, reforçando a demanda externa pelo produto brasileiro.
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Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil
Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.
Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA
A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.
A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA
Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.
O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.
Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping
Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA
A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.
Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”



