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CESB aponta que a construção do perfil do solo tem elevado impacto na produtividade da soja
É necessário fazer o diagnóstico e observar fatores químicos, físicos e biológicos do ecossistema

A expectativa da necessidade mundial de grãos de soja é crescente no Brasil e no Mundo. Diante desse cenário, é necessário um aumento da produção ainda maior do que estamos observando nas últimas safras. Os custos dos insumos devem continuar crescente, exigindo dos produtores maior eficiência, principalmente, no uso dos fertilizantes.
Dentro deste contexto, Sergio Abud, membro efetivo do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) e biólogo da Embrapa, pontua que o aumento da produção de soja passa por dois caminhos: o aumento da produtividade por área e/ou o aumento da área plantada com soja no País.
“O Brasil tem limitação de novas áreas para abertura, mas por outro lado tem muitas áreas de pasto degradado ou em vias em degradação, sendo, portanto, ótima oportunidade para aumento da área plantada sem a necessidade de desmatamento de novas áreas”, analisa o membro do CESB.
Desafio de alta produtividade – Com base nos resultados obtidos pelos recordistas de produtividade do CESB, Abud observa que existem alguns pontos técnicos importantes a serem considerados para se produzir mais e ser eficiente no uso dos fertilizantes.
“Nesse contexto, as características do clima e do solo são fatores que interferem na produtividade da lavoura e por isso o planejamento da lavoura é um ponto muito importante. O diagnóstico e conhecimento detalhado das áreas de produção contribuem para interpretar adequadamente as potencialidades e as limitações dos ambientes de produção, definir o uso eficiente dos insumos e as datas mais apropriadas para a semeadura da lavoura”, comenta o biólogo da Embrapa.
De acordo com o membro do CESB, a principal prática observada nas áreas dos desafios de máxima produtividade do Comitê Estratégica Soja Brasil é a construção de um perfil químico, físico e biológico do solo.
“É necessário fazer o diagnóstico do solo, corrigir a acidez e construir a fertilidade química do solo. A amostragem e análise química do solo caracteriza a disponibilidade de macro e micronutrientes disponíveis no solo. Essas informações são úteis para a determinação da quantidade e tipos de adubos, as épocas e formas de adubação corretiva e fertilizantes a serem usados, em função da cultura, do solo e do clima local. Esses fatores definem um conjunto de ações planejadas que visam garantir a eficiência técnica e econômica no uso de fertilizantes”, detalha.
Agro Digital – Abud observa que a agricultura de precisão e as soluções digitais configuram um sistema de gestão que leva em conta a variabilidade espacial da lavoura ao longo das safras e auxiliam no manejo de precisão, inclusive para o uso sustentável e eficiente de fertilizantes.
“Além dos fertilizantes comumente usados na lavoura, existem disponíveis no mercado fertilizantes de eficiência aumentada. Essa tecnologia torna a liberação dos nutrientes mais lenta e reduz a lixiviação, volatilização e fixação, fornecendo gradualmente os nutrientes, de acordo com a demanda das plantas, e aumentando a eficiência no uso dos nutrientes. O produtor também pode usar fertilizantes modificados que podem ser co-aplicados ou encapsulados na estrutura do fertilizante com agentes biológicos (microrganismo) que secretam compostos metabólicos, agindo no ciclo químico do fertilizante e no ambiente do solo, contribuindo para a melhoria do ambiente e liberação dos nutrientes”, analisa.
De acordo com o membro do CESB, com a construção da fertilidade química e a estabilização do solo, o produtor pode avançar para obter um ambiente de alto potencial produtivo e com maior rentabilidade em longo prazo, com a agregação de matéria orgânica, formação de palhada, ciclagem de nutrientes e retenção de umidade. Essa prática contribui para o estabelecimento da fertilidade biológica do solo.
“O uso de sistema de manejo biológico com organismos promotores de crescimento de planta tem sido uma prática comum entre os recordistas de produtividade. Esses microrganismos agem como indutores de crescimento radicular, contribuindo para o aumento o volume e da profundidade das raízes. Observa-se com isso a redução dos danos às raízes causados pelos fitopatógenos de solo, o aumenta a absorção de água e nutrientes, a redução dos danos causados pelos estresses de seca e altas temperaturas, resultando no aumento da produtividade”, acrescenta.
O biólogo da Embrapa destaca, nesse cenário, que em razão dos altos custos dos fertilizantes, os produtores têm buscado novas alternativas de fontes de nutrientes, como os remineralizadores, biológicos solubilizadores de fósforo e potássio, além microorganismos que disponibilizam nitrogênio para as plantas, como bactérias fixadoras de nitrogênio (rhizobium e azospirillum).
“Modelos de produção diversificados, com integração e intensificação de cultivos consorciados, integração lavoura pecuária, rotação e sucessão de culturas e uso de plantas de cobertura (gramíneas e leguminosas) com elevado aporte de fitomassa e múltiplas finalidades tem sido muito utilizado nas áreas dos recordistas de produtividade dos CESB. Essa prática contribui para o aumento da matéria orgânica do solo, age como condicionador de ambiente para os biológicos, reduz da compactação e aumenta macro e microporos, armazenando água e gases importantes para o desenvolvimento das plantas”, observa.
Nas áreas dos recordistas de produtividade, analisa Abud, são usadas tecnologias de manejo que não visam apenas a produtividade da cultura principal. “Os produtores também têm como foco a construção e/ou manutenção de um bom ambiente de produção para os cultivos, com maior equilíbrio e resiliência, resultando, inclusive, em menor necessidade de adição de nutrientes em médio e longo prazos e contribuindo para a sustentabilidade agrícola”, pontua.
“A necessidade de alimentos é uma crescente realidade no mundo e o Brasil será um dos maiores exportadores de alimentos. O produtor brasileiro vem buscando cada vez mais o manejo eficiente e com sustentabilidade da lavoura. Tecnologias e conhecimento sobre o manejo dos solos e o aumento da eficiência no uso de fertilizantes irão contribuir para melhorar a produtividade e garantir a segurança alimentar do país, frente aos cenários futuros de preço e disponibilidade insumos”, finaliza Abud.
As inscrições do 15º Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja vão até dia 31 de janeiro de 2023. Mais informações e Inscrições: www.cesbrasil.org.br e redes sociais oficiais do CESB.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



